19146170_1417309151695309_8126708162140040810_n
Eventos

Roda de amamentação no evento Mamãe Saudável

Olá, tudo bem com você?
Espero que sim! 

Quero convidar você pra roda de amamentação que acontecerá no evento Mamãe Saudável, organizado pela jornalista, blogueira e responsável pelo Saia da Inércia, a Luciana Machado,

Vai ser no dia 18/06 na Fly Sports – Rua Jornalista Djalma Andrade, 160, Belvedere, Belo Horizonte, MG 

O evento começa às 9h e a roda de amamentação será às 10:30!

Eu estou animada demais com o evento porque quando tive bebê vivia sozinha em casa sem ter o que fazer, aonde ir, com quem conversar.

Esses eventos eram raros na época. Eles são uma oportunidade maravilhosa para respirar novos ares, levar os filhos maiores para brincar, fazer algo por você, sabe? Além disso, com apenas uma inscrição você pode levar toda a família, ou seja, programa perfeito para domingo!

Convide suas amigas, vamos nos ver, conversar, rir, cuidar de nós mesmas!

O evento da Lu está super bem organizado e com valor excelente, além de ser um programa para toda a família!

Acho que restaram poucas vaga, então quem quiser participar corra!!
A inscrição é feita aqui!
https://www.sympla.com.br/mamae-saudavel__140670
Encontro com você lá! ❤️

Beijo grande!
Rose

PS. Quer convidar suas amigas para participar da minha lista VIP? Basta que elas se inscrevam neste link.

Kate Middleton maternidade saúde mental
Notícias

Kate Middleton fala sobre maternidade e saúde mental

Kate Middleton fala sobre maternidade e saúde mental

Na última quinta-feira (23), Kate Middleton fez um discurso forte e tocante sobre a maternidade e saúde mental no lançamento do filme Out of the Blue (a expressão em inglês refere-se a um acontecimento inesperado, algo que ocorre sem um aviso ou preparação), promovido pelo projeto social Best Beginnings.

O discurso, além de emocionante, foi revelador, mostrando mais uma vez que a princesa não se preocupa em encobrir suas dificuldades pessoais. Kate sempre procura se colocar de forma clara e simples, exercendo um grau de empatia difícil de encontrar na sociedade em geral, que dirá entre a nobreza. Por tudo isso, fiz questão de traduzir e legendar o discurso. Segue vídeo e transcrição do mesmo.

“Pessoalmente, ser mãe tem sido uma experiência maravilhosa e recompensadora. Entretanto, há momentos nos quais a maternidade é um enorme desafio. Até mesmo para mim, que tenho em casa um suporte com o qual a maioria das mães não pode contar.

Nada pode te preparar realmente para a experiência esmagadora que é tornar-se mãe. É uma experiência repleta de emoções complexas como alegria, exaustão, amor e preocupação, todas juntas. A nossa identidade muda do dia para a noite. Você deixa de pensar primeiramente em si mesmo, em sua individualidade, para de repente ser mão em primeiro lugar e na maior parte do tempo. E ainda por cima não há manual de instruções, não há certo ou errado. Você só precisa ir praticando e fazendo o melhor que você puder para cuidar da sua família.

Para muitas mães, e eu me incluo aí, isso pode por vezes, levar a falta de confiança em si e gera sentimentos de ignorância. Infelizmente, para algumas mães essa experiência pode ser ainda mais difícil diante dos desafios relacionados à sua saúde mental. 2 em 10 mulheres vão passar por problemas mentais que podem ocorrer durante a gravidez até um ano após o parto, muitas vezes nublando sentimentos de alegria com uma verdadeira sensação de escuridão e isolamento.

Muitas dessas mulheres também sofrem em silêncio, sufocadas por sentimentos negativos, mas também com medo de admitir o que estão enfrentando, por terem medo do que os outros vão pensar.
Parte desse medo advém da pressão para ser uma mãe perfeita, fingindo que mantemos tudo com perfeição e amamos cada minuto da maternidade. É correto falar sobre maternidade como uma coisa maravilhosa, mas também nós precisamos falar sobre estresses e tensões. Está tudo bem não achar a maternidade algo fácil! E pedir ajuda não deveria ser visto como sinal de fraqueza.

Se algum de nós tiver febre durante a gravidez, vamos pedir conselhos e apoio médico. Pedir ajuda para a nossa saúde mental não é diferente. As nossas crianças precisam que cuidemos de nós mesmas e procuremos a ajuda de que precisamos.

Conversar é crucial, crucial para a manutenção da saúde mental, e deveria fazer parte da rotina familiar diária.
Falar sobre o problema com um amigo ou outra pessoa de confiança pode ser o ponto de partida rumo à melhora.

Nessa semana, quando estamos ansiosos pelo dia das mães, eu adoraria ver todos celebrando e valorizando a importância fundamental do papel da mãe na vida familiar.

Mães assumem a esmagadora responsabilidade de cuidar de suas famílias. Seu papel é vital e provê amor incondicional, cuidado e um lar acolhedor, particularmente nos primeiros anos de desenvolvimento infantil. Portanto, devemos fazer tudo o que pudermos para apoiar e valorizar seu duro trabalho.”

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!

Cesar Gomes Victora
Notícias

Cientista brasileiro premiado por pesquisa em amamentação

Cientista brasileiro premiado por pesquisa em amamentação

Na última terça-feira foram anunciados os ganhadores do Prêmio Gairdner, a mais importante premiação científica do Canadá, e o médico brasileiro Cesar Gomes Victora estava entre eles na categoria Saúde Global. Os ganhadores do Gairdner são considerados potenciais candidatos para o Prêmio Nobel. Cesar foi o primeiro brasileiro a receber o prêmio e foi condecorado por seus estudos na área de amamentação e nutrição materno-infantil. Suas pesquisas foram as principais responsáveis pela modificação nas diretrizes concernentes à amamentação ditadas pela OMS.

O estudo foi realizado em 1982 nas cidades de Porto Alegre e Pelotas, RS, e as principais descobertas foram que crianças amamentadas exclusivamente até os 6 meses, sem a introdução de água, chás ou outros alimentos, tiveram risco de morte por diarreia e pneumonia. O estudo ainda detectou o impacto negativo da ingestão de água, suco ou chás durante o primeiro ano de vida do bebê. O prêmio foi concedido muito tempo após a pesquisa para que houvesse um período de tempo que viabilizasse o impacto dos resultados da mesma nas políticas de saúde e na população. A Organização Mundial de Saúde (OMS), a UNICEF e grande parte dos países do mundo, recomendam que bebês sejam exclusivamente amamentados até 6 meses (sem receber qualquer outro alimento ou líquidos que não sejam o leite materno), e com alimentos complementando a dieta até os 2 anos ou mais.

O médico relatou que na época do estudo, a amamentação costumava durar apenas 3 meses e o leite em pó era considerado o alimento mais moderno e de primeira escolha no que se referia à alimentação infantil. Entretanto, ele percebia que mesmo após tratados, os bebês alimentados com fórmula retornavam ao serviço de saúde gravemente doentes. Isso acabou despertando o interesse do cientista pela amamentação, e ele começou a pesquisar se ela seria um caminho viável e barato para diminuir a prevalência de doenças e mortes em bebês até um ano.

Cesar Gomes Victora epidemiologiaFonte da foto: aqui

Fiquei extremamente feliz quando soube que primeiro brasileiro a receber o Prêmio Gairdner é um cientista com pesquisas voltadas para a amamentação! Nossa caminhada está só começando, mas já apresenta tantos frutos que temos motivo para comemorar todos os dias.
Cada vida salva pelo aleitamento vale a pena toda a nossa luta diária!

E você? Já amamentou ou protegeu e incentivou uma lactante hoje?
Juntos somos mais fortes!

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!

Fonte:

Epidemiologia UFPEL

Estadão Saúde

ZH Vida e Estilo

Buffet infantil em BH
Pessoal

Aniversário de 2 anos da Clara Luz!

Aniversário de 2 anos da Clara Luz!

Quando Clara completou 1 ano, Thiago e eu decidimos fazer algo bem íntimo, apenas para nossos irmãos e avós da Clara, e alguns amigos/vizinhos. Fizemos aqui em casa mesmo, quase tudo foi feito por minhas mãos. Encomendamos apenas os salgados e o bolo, o resto foi a mamãe aqui! Amamos o resultado, porém Thiago e eu ficamos muito tensos e cansados no dia. Por isso para o aniversário de 2 anos decidimos fazer uma festa fora de casa, assim poderíamos curtir e receber os que amamos com tranquilidade.

Porém, mesmo com isso decidido, escolher o local não foi fácil. Eu particularmente não curto festa em buffet por vários motivos. Acho os brinquedos um pouco agressivos demais, não curto o excesso de cores e luzes, nem o som altíssimo, estimulando as crianças a ficarem agitadas além do normal. Salão de prédio não era uma opção para nós, pois nosso prédio não oferece essa facilidade. Pensamos em um picnic, porém eu não estava nem um pouco afim de ficar louca correndo de um lado pro outro arrumando tudo. Se foi difícil em local fechado, imagina em local aberto como num parque? Fora que eu sou extremamente perfeccionista, e ainda por ter trabalhado com eventos (eu produzia casamentos) meu padrão de exigência é mais alto devido aos vícios de profissão. Comida e bebida tinham que ser perfeitos, decoração teria que ser de sonhos, enfim…

Então me vi numa sinuca de bico rs. Onde fazer a festa da Clara?

Eu pesquisei…. Visitei buffets, pedi orçamentos, mas nada me agradava. Sei que os critérios de seleção estavam altos demais e quase desisti, de verdade. Quando sentei pra bater um papo com a Aninha, minha amiga e dona do Buffet Carrossel, eu já tinha jogado a toalha. Fui mais para vê-la, mas já sem esperança de fechar contrato. Eu já conhecia o buffet dela, tinha ido em 5 festas lá em 2016, mas diante de tudo que eles oferecem eu realmente acreditei que não poderia pagar. Os brinquedos são super educativos, e eles ainda se preocuparam em oferecer uma área especialmente pensada para bebês de 0 a 2 anos. Isso me conquistou! Me surpreendi quando conversamos. Aninha tem um dos valores mais justos do mercado de BH diante da imensa qualidade do que entrega. Fechei feliz da vida e confesso que curti muito mais do que imaginava.

O resultado vocês podem ver nesse vídeo e também nas fotos feitas pela fotógrafa mais sensível de BH, a Léli Matos

 O Buffet Carrossel me encantou! A equipe sempre solicita para com TODOS os convidados. Recebi um monte de mensagens no whatsapp depois elogiando. O cuidado e carinho com as crianças menores chamou atenção. A comida farta e quentinha fez sucesso! Coloquei ainda bombons de morango a parte que também arrasaram. Faço questão de indicar todos os fornecedores que participaram, pois ficamos muito satisfeitos e recebemos retorno positivo de vários convidados!

Espaço, decoração, brinquedos, monitores Buffet Carrossel

Fotografia Léli Matos Família

Filmagem DH Cine

Buffet Célia Soutto Mayor

Personalizados em scrap Malu Scrap Festa

Personalizados em biscuit Biscuit by Amélia

Make Luana Diniz

Este slideshow necessita de JavaScript.

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!

os terríveis dois anos
Maternidade

Terribe Twos, os terríveis dois anos?

Terribe Twos, os terríveis dois anos?

Texto publicado originalmente por sua autora, Stheffany Nering, em um grupo virtual de mães.

​O “chilique” acontece por quê? Não dá pra vir com essa de “é a toa” ou “é sem motivo” porque a única chance de isso ser verdade é se seu filho for sociopata. É uma suspeita que alguma mãe tem, por acaso? Alguém acha que tá criando um pequeno psicopata em casa? Nem tem como fechar esse diagnóstico tão cedo, mas é o único tipo de caso em que a criança faria coisas assim premeditadamente sem motivo nenhum.

Em geral, a resposta sincera é “eu não sei” e a gente normalmente não sabe porque não estava prestando atenção nos vários sinais que a criança deu antes de explodir. Não porque a gente é ruim ou má mãe, mas porque é ocidental, brasileira, vive em 2014 e nossa cultura é de ignorar crianças pequenas e impor que elas existam de acordo com a nossa conveniência.

É como quando vem aqui uma mãe de bebê recém nascido, fala que o bebê chora muito, a gente diz pra pegar no colo, pra colocar o bebê no sling. Aí a mãe responde “mas eu fico com ele no colo o dia todo”. Não, não fica! Não fica porque essa mãe não é uma aborígene do interior da Naníbia, não cresceu na Mongólia, não é índia da reserva do Xingú! Ela é ocidental, brasileira, vive neste século e não 1000 anos atrás. E as brasileiras não pegam o bebê por muito tempo no colo, pegam mais que as alemãs com certeza, mas não pegam muito tempo porque “tem coisa importante pra fazer”. Fez sentido o exemplo?

Culturalmente a gente não presta atenção na criança. A gente cala o choro do recém nascido com chupeta e remédio. Ignora as tentativas de comunicação deles. Finge que não viu. Exige deles mais flexibilidade do que a gente mesmo é capaz. E passa por cima das necessidades deles “só dessa vez” que na verdade acaba sendo todo dia. Eles chamam e a gente diz “só um pouquinho” e esquece de ir. A gente senta pra brincar com eles, mas não tá ali de verdade. Porque tem milhões de coisas para fazer. E quando finalmente senta pra brincar se liga que nem tem tanta conexão com o filho assim, começa a mostrar como “tem que brincar” e ainda fica indignada quando a criança perde o interesse. E aí, quando o negócio explode a gente não sabe da onde veio!

Os terríveis dois anos

Qual a explicação dada culturalmente? Que ele tá tentando te manipular, mandar em você, que não tem limites, que acha que pode fazer o que quiser. Bem-vinda à contradição da maternidade ocidental!

Porque o “chilique” é o quê, na verdade? É uma desorganização neurológica temporária. Vamos falar de cérebro!
Existem 3 partes de cérebro (ou pelo menos em termos de comportamento é assim que importa a divisão): o cérebro reptiliano, o sistema límbico e o neocortex.

Um bebê nasce com o reptiliano completamente desenvolvido. Ele é responsável pelos comportamentos involuntários que nos fazem sobreviver. É responsável por garantir que sobrevivamos. É ele que dispara o choro do recém nascido quando deixamos ele no berço, porque bebê ficar sozinho foi risco imediato à sobrevivência por muito tempo na história da humanidade. O instinto de sobrevivência atua aqui! Lutar ou correr, ou então paralisar numa situação difícil. Tudo regido por essa parte do cérebro. E aqui não há nenhum tipo de pensamento racional! Quando você, adulto, perde a cabeça é pra cá que você vem! E aqui não é possível analisar consequências, repensar escolhas, aqui não há raciocínio, só há ação. Um adendo, essa parte é quem vai reger o trabalho de parto, ato puramente fisiológico. Interessante, né?

O sistema límbico concentra emoções. Em geral se desenvolve quase totalmente até os 5 anos, com pico de desenvolvimento onde, onde, onde? No Terrible Two!!! E tem um outro pico na adolescência (qualquer semelhança, aliás, não é mera coincidência). Aqui vem uma enxurrada de emoções e sentimentos em reação ao que acontece, às experiências vividas. E, claro, da mesma forma como pra andar o bebê cai muitas vezes, aqui ele “erra a medida” muitas vezes. Ele tem muito pouca experiência de vida pra conseguir medir do jeito certo como reagir e muito pouco controle sobre essas emoções todas ainda, então a coisa sempre parece exagerada aos nossos olhos. Parece exagerada pra gente, cujo sistema límbico tá bem treinadinho já! As conexões aqui ainda estão sendo feitas e elas são reforçadas a partir das experiências diárias. Como isso acontece depende de como eles serão ensinados a lidar com essas emoções. Da mesma forma como pra aprender a andar é necessário prática. E, claro, uma criança com 1/2/3 anos de idade não tem quase nenhum controle sobre as próprias emoções, é uma enxurrada que toma ela de repente, o controle vem com o passar dos anos. E é por isso que crianças de 7 anos não fazem isso! Ou pelo menos, não do mesmo jeito que uma criança de 2 anos. Qual foi a última criança de 7 anos que você viu esperneando no chão do supermercado?

Neocortex, a maravilha que nos distingue plenamente de todas as outras espécies. O lugar onde ocorre o pensamento racional! Embora comece a se desenvolver no nascimento, a coisa aqui só anda mesmo depois dos 5 anos de idade e termina lá pelos 20. Ação e reação, capacidade de premeditação, linguagem, capacidade de se entender como alguém no mundo, de se colocar no lugar do outro, de calcular as consequências de um problema, capacidade de perceber porque algo aconteceu e mais um monte de outros raciocínios complexos e abstratos são produzidos através de ligações neurológicas no neocortex! Isso quer dizer que crianças pequenas não conseguem compreender a razão da maioria dos limites e mesmo quando conseguem, elas ainda não tem autocontrole desenvolvido pra seguir o limite. Isso depende basicamente de prática e tempo pro cérebro se desenvolver.

Sabe o que acontece no “chilique”? A irrigação de sangue é drasticamente reduzida do neocortex pro sistema límbico. Ele toma conta do organismo da pessoa, sem irrigação e oxigenação apropriada no neocortex, ele NÃO FUNCIONA direito (no caso de uma criança pequena ele já é subdesenvolvido). Com certeza todo mundo aqui já experimentou uma situação em que a gente “perde a cabeça”, esse perder a cabeça é literalmente perder o acesso ao neocortex, fazendo com que você não consiga raciocinar. É isso que acontece quando a gente se irrita, fica impaciente, quando se desespera, quando sente raiva. Não consegue raciocinar direito, porque falta sangue no neocortex!

Técnicas como respirar fundo, contar até 10, dar uma volta antes de explodir são todas formas de trazer a oxigenação pro neocortex de novo. Baixar o cortisol e subir os níveis de ocitocina. Crianças pequenas, que mamam, automaticamente pedem pra mamar quando começam a sentir o sistema límbico desregulando, porque mamar joga muita ocitocina no organismo, não podendo mamar (e a maioria absoluta de crianças de 2 anos na nossa sociedade não mama mais) elas se jogam nos braços da mãe ou do cuidador de confiança (toque físico libera ocitocina também). Por isso a criança cai, sente dor, sente medo e corre pros pais. Isso se chama inteligência emocional e não dependência emocional.

Uma das técnicas mais rápidas de trazer o sangue de volta pro neocortex é literalmente massagear a testa!
Dependendo de como reagem ao desequilíbrio emocional da criança, ela vai estabelecendo ligações e reforçando padrões neurológicos que se tornam referencial de conduta. Isso tudo é feito nos primeiros anos de vida. E é aqui que as atitudes práticas entram e que a nossa cultura, especificamente, fez uma salada.

Se, quando o desequilíbrio acontece, a reação dos adultos cuidadores é de ensinar essa criança trazendo o sangue de volta pro neocortex, ela vai conseguindo raciocinar em cima dessas emoções, categoriza-las adequadamente e por fim controla-las. Isso tudo com prática e tempo (porque não dá pra apressar o desenvolvimento do cérebro). Oportunidades pra esse aprendizado é que não faltam na vida de crianças de menos de 5 anos.

Se, porém, a reação é desconforto com o estado emocional da criança, ou de repressão a esse estado (lembrando novamente) absolutamente normal do desenvolvimento infantil, se a reação dos cuidadores faz com que a criança se sinta ameaçada, aí temos um problema. Porque se a criança se sente ameaçada o sangue é reduzido do límbico pro cérebro reptiliano, onde ela em alerta e modo de sobrevivência. E é isso que nós culturalmente fazemos. Ignoramos o motivo pelo qual a criança tá desregulada e reagimos como se ela tivesse pleno controle sobre o sistema límbico e pior agimos como se estivesse fingindo.

Na prática: a gente ignora ou bate, briga, grita com a criança porque ela está emocionalmente desregulada, numa demonstração patética de um “chilique” adulto. Como se isso pudesse fazer ela parar de sentir o que está sentindo, em nenhum momento ajudamos a criança a se acalmar, trazer a oxigenação de volta pro neocortex pra ajudar ela a raciocinar com o pouco cérebro desenvolvido que tem. Pelo contrário, nessa hora negamos peito, abraço, voz calma, tudo o que poderia ajudar. Como nós mesmos fomos reprimidos assim, as emoções cruas das crianças nos incomodam e reagimos de acordo com o mesmo padrão reforçado na nossa infância.

terríveis dois anos

Nossos métodos de resolver são violentos e levam a criança diretamente pro cérebro reptiliano. A questão é que nesse lugar do cérebro, além de não conseguir raciocinar, você é capaz de fazer coisas que normalmente não seria. Não só agir como nunca agiria se estivesse calmo, mas literalmente ganha habilidades que só aparecem aqui. Como por exemplo correr quilômetros e quilômetros fugindo de um cativeiro onde um assassino queria te matar, mesmo sendo uma pessoa sedentária. Ou se jogar em cima de um cão feroz atacando seu filho e conseguir matar o cão, além de resgatar o filho. Ou ser capaz de abafar todas as suas emoções e “obedecer” mesmo sem autocontrole desenvolvido pra isso ainda.

Deu pra entender o problema?

Nós normalmente negligenciamos as necessidades das crianças pequenas e exigimos delas uma flexibilidade fora do comum, tudo pela nossa conveniência. Aí a criança vai se descontrolando, nós ignoramos os sinais. Quando ela surta, não sabemos da onde vem aquilo, entramos num estado automático de repressão de sentimentos efetuando o padrão estabelecido no nosso cérebro quando pequenos. Fazemos isso interpretando a desregulagem emocional da criança como falsa e sem motivo. Aplicamos métodos violentos que jogam a criança no cérebro reptiliano dela e aí ela consegue “ficar quieta na igreja”, “não bater no coleguinha”, “parar de chorar e te seguir no mercado”. E aí interpretamos isso como um reforço da crença de que a criança realmente estava fingindo e tentando nos manipular. E vira um círculo vicioso.

Só se muda a forma de reagir a essa fase normal das crianças com informação correta sobre desenvolvimento infantil. Com as informações erradas, a gente interpreta errado. Com a prática, a criança vai conseguindo “se controlar e obedecer” cada vez mais rápido, da mesma forma que um bebê pequeno dorme cada vez mais rápido ao ser deixado pra chorar, o cérebro reptiliano faz de tudo pela sobrevivência. Consegue feitos realmente incríveis!
Deu pra entender porque é que funciona? Ignorar funciona! Gritar funciona! Bater na mãozinha funciona! Funciona a curtíssimo prazo e com a prática o resultado é cada vez mais imediato. O que segue reforçando a crença da criança manipuladora. E temos várias consequências aí.

A 1ª é no vínculo mãe-filho, ou cuidador-criança, que vai se enfraquecendo. A mãe acreditando cada vez menos na autenticidade do filho e o filho com cada vez mais medo da pessoa de quem ele depende e ama. A 2ª é que vai sendo reforçado no cérebro um padrão de que quando determinadas emoções aparecem, corre-se pro cérebro reptiliano ao invés de ir pro neocortex. A regulagem e adequação de emoções fica falha. Claro que com o passar dos anos vamos ganhando mais experiência e a situações que disparam nosso sistema límbico de forma tão aguda diminuem, mas elas ainda acontecem na vida adulta. E todos nós conhecemos adultos “cabeça quente” que “não pensam antes de falar/agir”.

Não tem como pensar mesmo se seu cérebro sempre vai pro lugar errado. E aí a gente é capaz de cometer atrocidades mesmo. É a mãe que espanca o filho até a morte, é o marido que bate na esposa, é o cara que sai beber e gasta o dinheiro da família porque estava triste, é o juiz que usa de todos os seus poderes para acabar com uma fiscal que ousou aplicar a lei nele. É a multidão em histeria coletiva linchando alguém, é o estupro coletivo, é o tacar fogo no índio, o amarrar o negro no poste. Uma desregulação emocional de alguém cujo padrão é sempre correr pro cérebro primitivo, é se sentir ameaçado por coisas aparentemente insignificantes e desencadear uma reação inimaginável em resposta.

A 3ª é que só funciona pra “educar” a criança a curto prazo, a médio e longo esse tipo de abordagem aumenta a quantidade de “mal comportamento” e de eventos críticos no sistema límbico e faz com que a criança minta e se esquive, pra evitar a punição, até porque ela não confia mais nesse adulto e até agora ninguém ensinou o que efetivamente deveria ser feito, isso ela tem que descobrir sozinha. O aumento de episódios costuma ser interpretado como falta de “pulso firme” e uma crença de que “imagina se eu não colocasse de castigo?” confirmando a natureza selvagem das crianças e reafirmando as posturas punitivas.

É preciso outro modelo pra ver outros tipos de resultados. Entender essa desregulação emocional como um evento normal da vida de uma criança pequena, não se sentir ameaçado pela crueza dos sentimentos dela e acolhe-la e ajuda-la a lidar com aqueles sentimentos todos é uma abordagem que dá muito mais trabalho. Mas, é muito mais efetiva! Não vai evitar que aconteça, isso é impossível. Mas, vai fortalecer o vínculo cuidador-criança, vai ensinar e dar ferramentas pra lidar com essas emoções de forma apropriada, vai estabelecer um padrão de voltar pro neocortex ao invés de se refugiar no reptiliano (padrão que ela vai levar pra vida adulta) e é muito mais efetivo em termos de diminuir o número e o tempo dos surtos no sistema límbico.

Claro, pode parecer que você não está fazendo nada quando compara com o filho da vizinha que passa o tempo todo no supermercado sem dar um pio dentro do carrinho. Mas, aí você tem que pensar em qual seu objetivo na vida do seu filho, né? Que tipo de abuso a criança sofreu pra aprender isso? É um preço que você está disposta a pagar? Só pra ter a aprovação de outras pessoas sobre você como mãe disciplinadora? Importa mais o quê? A relação com seu filho ou a aprovação dos outros? Quem é que vai entregar um adulto responsável pro mundo depois? Quem é que vai saber não ser dominado pelos próprios sentimentos? Situações que nos tiram do eixo, que jogam nosso emocional numa montanha-russa sempre vão ocorrer, quem vai saber lidar com elas e colocar tudo de volta sob controle sem causar danos ao redor?

Então, volta lá: Faz o que na hora do “chilique”? Depende do motivo, ué! O fato é que nessa idade aí a gente presta menos atenção nas necessidades básicas deles. Então, fome, sono, sede, cansaço e dor são coisas que deixam a criança (e qualquer adulto, diga-se de passagem) predisposto a surtar. Prevenção aqui vale ouro! Depois disso tem fatores emocionais: medo, ansiedade, etc. Que precisam ser tratadas especificamente.

Como lidar com os terríveis dois anos

Tem culturas em que essa desregulação emocional é menos aguda nas crianças. Em parte porque os adultos se desenvolveram com o padrão correto, indo pro neocortex, então eles não se sentem ameaçados pelos sentimentos da crianças. Eles sabem que é normal e passageiro, vão ensinando com calma e pelo exemplo. O completo oposto da nossa sociedade, em que exigimos das crianças um padrão de perfeição e autocontrole emocional que nem nós mesmos conseguimos atingir. E em parte porque poucas sociedade exigem tanto dos seus participantes, poucas culturas negligenciam necessidades básicas como a cultura ocidental. Comemos mal, quase todo mundo costuma estar em algum nível de desidratação, dormimos pouco, convivemos quase sempre com a dor em algum lugar, vivemos ansiosos, com medo, correndo. Isso nos deixa sempre no limite. Como resposta nossas crianças realmente reagem mais frequentemente a esse descompasso. Dá pra tentar mudar alguma coisa, mas continuamos ocidentais…por mais que gostemos de nos chamar de índias!

Sei que falei, falei, falei e de prático não disse nada! Não dei uma dica de como agir. Mas, não dá pra dar dicas se continuarmos nos guiando pelo padrão anterior. Não funciona! Primeiro informação sobre desenvolvimento infantil, pra entendermos o que tá acontecendo e porquê, depois pensamos em como intervir.

Aliás, depois de tudo isso já deu de chamar a crise emocional da criança de “chilique”, né? Não é chilique, não é manha, não é drama, não é show, não é birra, não é escândalo, não é piti. É uma crise emocional no sistema límbico, um desiquilíbrio neurológico passageiro, uma necessidade de ajuda pra lidar com alguma situação, é um curto circuito no cérebro. Não é voluntário! Não é premeditado! E não é fingido!

Eu sei que muitas de nós usamos essa palavra “na falta de outra”, mas pensem comigo: se uma mãe vem aqui e diz que o bebê de 5 dias tá fazendo manha, a gente imediatamente rebate dizendo que “não é manha, que é comunicação, que o bebê está precisando de algo, normalmente peito”. Por que é que com a criança de 2 anos a gente aceita a palavra “manha”? Porque no fundo a gente não acredita que a criança esteja com problema nenhum. E se a gente não acredita que há um problema, a gente não acredita que ela precisa de ajuda. Se a gente não acredita que ela precisa de ajuda, a gente não ajuda! E a gente deixa a criança sozinha tentando descobrir como faz pra sair daquele labirinto emocional e ainda pune por ela ter um problema.

Então, daqui pra frente, vamos combinar de não usar mais essas palavras tão pejorativas? Vamos usar “não está conseguindo lidar com seus sentimentos”, ou “está desregulada”, ou precisa de “ajuda pra se acalmar”, ou “está com dificuldade”, até “perdeu a cabeça” é melhor do que qualquer das palavras tradicionais. Qualquer coisa que traga à tona a situação real, que é isso não ser o normal, que a criança está precisando de ajuda, que isso vai passar.
As palavras importam.

Fonte: Casa de Viver

Eu espero sinceramente que esse texto tenha te ajudado!

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!

bebê piercing de mamilo
Problemas e seu manejo

Meu bebê mama toda hora

Meu bebê mama toda hora

Rose, me ajuda! Meu neném nasceu e eu tenho certeza de que ganhei um piercing de mamilo, e não um bebê!

Ok, vamos lá! Por acaso seu filho mama como se não houvesse amanhã? Ou faz pequenas mamadas com uma frequência enlouquecedora, que faz você se questionar se há algo de errado com ele, com você ou com seu leite? Como saber se isso é normal? Cadê aquele bebezinho com o qual você sonhou durante toda a gestação, que mamava e dormia placidamente? Por que ele não é igual ao bebê da vizinha, da prima, da irmã, que “dorme a noite toda” e “não dá trabalho nenhum”?

Bom, a verdade é que bebês são como nós. Cada um tem seu temperamento, personalidade e comportamento típicos. Uma pequena parcela dorme bem desde sempre e é “quietinho”, como a maioria das pessoas espera. Principalmente nas primeiras 4 a 6 semanas, há aqueles que parecem estar em um eterno pico de crescimento, pois passam o dia e a noite pendurados no seio da mãe. Esse período é realmente crítico para grande parte dos bebês, pois eles mal sabem que nasceram e quase tudo causa desconforto ou dor. Sabe-se que a exterogestação dura pelo menos 12 semanas, há correntes indicando que esse período pode se estender pelos primeiros 9 meses de vida extra-uterina.  Entretanto, é consenso que as primeiras 8 semanas são as mais desafiadoras. Esse é o primeiro período de adaptação extra-útero, e o bebê costuma exigir contato pele a pele e amamentação frequentes.

Beleza, Rose, mas por que isso acontece?

Há alguns motivos que podem explicar esse comportamento. Evolutivamente falando, esse comportamento garantiu a sobrevivência da nossa espécie, já que éramos nômades e o fato de o bebê demandar atenção da mãe o tempo todo garantia que ele não fosse deixado para trás em caso de fuga de algum predador ou ameaça. Além disso, a alta demanda por contato físico com a mãe é a maneira mais segura que o bebê tem de garantir seu alimento, já que ela é quem o provê. Há que se considerar ainda que ele passou 9 meses inteirinhos em contato físico visceral com essa mulher, ela é o único universo que ele conhecia. Para o bebê, até o dia do seu nascimento a vida se resumia a ser protegido, afagado e alimentado 24 horas por dia por sua mãe. O parto traz uma ruptura rumo a um universo desconhecido e diferente, no qual o ambiente é seco, no qual ele sente fome, frio, calor, e pode ficar grandes períodos de tempo sem contato físico. Para um indivíduo que só conhece a vida com contato físico o tempo todo, apenas 15 minutos sem sentir o calor de um corpo ou ouvir as batidas de um coração (de preferência materno), podem parecer uma eternidade!

Sabe-se também que o estômago do bebê nasce pequenininho, com capacidade de 5-7 ml, e vai dilatando com o passar do tempo. Se o estômago é pequeno, o neném precisa mamar com muita frequência para garantir nutrição e hidratação adequadas, e consequentemente, crescer e se desenvolver a contento. Há que se lembrar ainda que o leite materno não é só o alimento, mas também a água que o bebê precisa. Portanto, o pequeno buscará o seio também sempre que sentir sede.

Ok, Rose, consegui entender o que meu bebezinho está passando e porque ele se sente assim. Como eu posso melhorar a situação tanto para ele, quanto para mim?

Em primeiro lugar, é preciso adequar suas expectativas com a realidade que se espera do dia a dia com um bebê. Mamadas frequentes e em pequenos intervalos são comuns e esperadas nos primeiros meses de vida. Organize sua rotina sabendo que você não estará disponível para outras atividades por alguns dias. O normal esperado é que um bebê mame pelo menos 8 a 12 vezes num período de 24 horas. Essa frequência é necessária não só para o bem estar do bebê, mas também para o bem estar da mãe. Amamentar com frequência evita ingurgitamento mamário e suas consequências, como mastite e abcessos. A regulação da produção de leite materno também depende dessa prática. Como ele é produzido sob demanda, quanto mais o bebê sugar, mais leite essa mulher vai produzir.

Amamentar ainda é a melhor forma de acalmar um bebê, pois durante a sucção ele recebe não somente leite, mas também aconchego e segurança. O ato de sugar gera sensação de prazer e relaxamento. O neném sente como se ele e a mãe fossem novamente um só, o choro cessa e tudo volta a ficar bem.  Lembre-se sempre que amamentar vai muito além de alimentar o corpo, é também calor, proximidade, tranquilidade, conforto, cura, amor. Diversas pesquisas já comprovaram que amamentação reduz o estresse e a dor durante procedimentos invasivos.

bebê ama o peito

Ah, Rose, que lindo! Não sabia disso tudo! Então me ajuda a ajustar a amamentação?

O primeiro passo é se certificar que o bebê está fazendo mamadas eficazes. A melhor forma de fazer isso é observar as fraldas do neném. Ele deve apresentar uma fralda pesada de xixi no primeiro dia de vida, duas no segundo e assim sucessivamente até o quinto dia. A partir daí, ele precisará manter o mínimo de 5 fraldas pesadinhas de xixi por dia.

Se a troca de fraldas está menor que esses parâmentros, vamos então observar a mamada. A pega pode estar incorreta mesmo que seus seios não tenham ferido. Quando a pega está incorreta, a ordenha não é tão eficaz e o bebê acaba retirando pouco leite da mama. Às vezes a boca do bebê está mais fechadinha, o que também gera uma ordenha ineficaz. Assim, ele precisa ficar mais tempo na mama para receber todo o leite de que precisa. Isso impacta diretamente no volume de urina eliminado, bem como nas medidas antropométricas (peso, comprimento, perímetro cefálico). Muitas vezes, pequenas intervenções na pega podem resolver o problema. Procure ficar mais atenta ao seu posicionamento e ao do bebê durante a amamentação, bem como à abertura da boca e à posição dos lábios do neném. Lembrando que quaisquer tipos de bicos artificiais impactam sobremaneira na qualidade da pega e da ordenha de leite pelo bebê.

Se ainda assim você perceber que o bebê não está recebendo leite suficiente não espere muito tempo para pedir ajuda. Quanto antes ela chegar melhor tanto para você quanto para o bebê. Uma consultora realmente capacitada poderá facilitar muito o processo de aprendizagem da pega correta, garantindo assim saúde física e emocional de ambos.

Muitos livros, artigos de revistas e outros produtos da nossa cultura moderna nos sugerem que poderemos continuar com a “vida como de costume” após o nascimento do bebê – que podemos e devemos “treinar” o bebê para se encaixar o quanto antes na rotina dos adultos que o rodeiam. Um argumento que sempre ouço é: ele (o neném) chegou em uma família que já existia, formada por mim e por meu marido, é ele quem precisa se adaptar a nós, e não o contrário”. Sinto profunda tristeza quando ouço esse argumento, já que ele é baseado na extrema falta de empatia para com o bebê e suas necessidades.

A relação pais/bebê é extremamente desigual, na medida que os pais são (ou espera-se que sejam) maduros e independentes, enquanto o bebê depende completamente dos seus cuidadores para fazer o que quer que seja. É obrigação dos pais facilitar a adaptação dos seus filhos a esse mundão, além de prover toda e qualquer necessidade que ele tenha. Esse cenário vai se modificando gradativamente, a medida que esse neném tem condições neuropsicomotoras de realizar sozinho determinadas atividades.  Metodologias de “treinamento” de bebês só reforçam para eles a certeza de que não podem contar com a ajuda dos pais nos momentos em que eles mais precisam, já que são obrigados a aprender a “se virarem sozinhos” quando ainda não estão preparados para isso.

Consequentemente, esses métodos podem até dar certo conforto para os pais inicialmente, já que o bebê, cansado de chorar e esperar por ajuda, se resigna e cala as próprias emoções, sendo dominado pelo cansaço. Entretanto, há evidências científicas provenientes de inúmeras pesquisas feitas em diferentes países, que indivíduos criados dessa forma tem inteligência emocional diminuída, além de sofrer de diversos tipos de adoecimento mental com frequência brutalmente maior do que aqueles que foram satisfatoriamente atendidos.

É inegável que nossas vidas mudam muito com o nascimento de filhoê, e como vimos, pedir a ele para se conformar com a nossa rotina pode custar caro para o bebê e para os pais. Geralmente,  atrasar a mamada quando o neném indica que precisa mamar pode prejudicar a produção de leite, afetando diretamente no ganho de peso do bebê. Além disso, ele costuma ficar muito irritado, o que dificulta a pegar corretamente o seio, diminuindo a quantidade de leite retirada da mama,  além de poder causar fissuras nas mamas, estressando ainda mais mãe e filho. A amamentação frequente é indicada e necessária para o adequado desenvolvimento, principalmente de bebês muito novos. Não se preocupe, o intervalo entre as mamadas vai aumentando naturalmente a medida que o tempo passa. Respeitando a natureza do seu filho você está também garantindo o sucesso na amamentação a longo prazo, bem como satisfazendo suas necessidades físicas e emocionais.

As primeiras 6-8 semanas são um período no qual você está construindo a sua oferta de leite. Mãe e filho estão se acostumando um com o outro e aprendendo sobre o processo de amamentação. Após as primeiras 6-12 semanas, a maioria dos bebês já está mais à vontade com a amamentação e começa a apresentar uma rotina mais previsível. As mamadas não demoram tanto tempo já que ele torna-se mais eficiente na retirada de leite.

Persista! Em breve amamentar será muito mais rápido e fácil, e você terá chegado à fase prazerosa da amamentação!

Estabeleça prioridades

Será que sua casa, roupas e louças ficarão deprimidos se você negligenciá-los por alguns meses? O ideal é conseguir ajuda para que você possa se dedicar ao que deveria ser seu único trabalho nesse momento, que é cuidar do seu bebê. Entretanto, nem sempre isso é possível, então foque em conseguir ao menos um mínimo de auxílio. Você está construindo um relacionamento com seu filho, as tarefas domésticas podem esperar.

Faça uma lista das coisas que você gostaria de fazer a cada semana e tente priorizá-las. O ideal é que alguém se responsabilize pelas tarefas domésticas por quanto tempo for possível. Nas primeiras semanas, se um amigo ou membro da família perguntar se pode ajudar, peça que te ajude com essas tarefas ao invés de cuidar do bebê enquanto você as executa. O bebê foi feito para estar com a mãe, e é esse seu principal trabalho no momento. Se alguém realmente deseja ajudar, poderá lavar a louça ou limpar o banheiro, por exemplo. Levar marmita, deixar comida congelada e lavar roupas também são excelentes auxílios.

Alguém pode levar seu filho mais velho para um passeio enquanto você descansa com o bebê? O pai pode deixar alimentos preparados para que você se alimente bem sempre que encontrar um tempinho? Seja criativa, e não tenha medo de delegar tarefas ou até mesmo deixa-las de lado. Os primeiros meses do bebê voam, por mais que pareçam durar uma eternidade quando está passando por eles.

Esteja preparada     

Faça uma cesta ou bolsa com itens de primeira necessidade ao amamentar. Você pode leva-la para qualquer canto da casa, assim estará sempre com tudo a mão. Algumas coisas que você pode querer:

– Fraldas de boca ou babinhas

– Garrafa de água sempre abastecida

– Lanchinhos como frutas e castanhas

– Livros

– Controle remoto

– Telefone sem fio e celular (dica: deixe o mudo ativado para não acordar o bebê)

– Absorventes de seio

Você tem um sling ou carregador de bebê? Aprenda a usá-lo e ganhará mãos livres para fazer o que quiser! Importante: certifique-se de que seu carregador deixe o bebê em posição anatômica, com os joelhos acima da linha do bumbum, formando uma letra W. Carregadores que deixam as pernas sem apoio e balançando, forçam as articulações do quadril podendo causar sérias lesões.

Maximize o sono

Durma quando o bebê cochilar. Você provavelmente já ouviu isso um milhão de vezes, mas todos dizem isso porque ajuda! Quando o bebê vai dormir, não “aproveite” esse tempinho para fazer tarefas domésticas, deite-se com ele, descanse e tente dormir. Se você não consegue dormir, leia um livro ou faça alguma atividade relaxante, mas não corra pela casa. Amamentar é desgastante e consome muita energia, você precisa descansar para ficar bem e seguir fazendo o mais importante trabalho da sua vida: amamentar seu bebê.

Para ter mais tempo de sono, tente dormir próxima ao neném. Assim você pode atende-lo enquanto cochila, os dois acabam descansando mais e todo mundo ganha. Cama compartilhada é o segredo de muitas mães que amamentam. Quanto mais perto vocês dois estiverem, menos seu sono será interrompido.

Você se sente presa em casa?

Muitas recém mães sentem como se estivessem presas em casa com um bebê que mama toda hora, entretanto pode ser incrivelmente fácil sair com um bebê amamentado exclusivamente. Já pensou que para sair com ele basta apenas 2 mudas de roupas, fraldas e seus seios? Pois é!  Deixo aqui dicas para te ajudar a passear com seu pequeno!

– Aprenda a usar o sling. Com um carregador de bebê e um pouco de prática, você pode amamentar enquanto anda pelo parque ou pelo shopping.

– Passeie pelo bairro (ou até mesmo apenas na sua rua). Um passeio de carrinho é ótimo para você espairecer e para seu neném pegar um solzinho.

– Assim que o bebê começar a espaçar mais as mamadas, saia sozinha por alguns minutos, seja 30 a 60, para fazer algo de que goste. Deixe leite para ser oferecido no copinho em caso de emergência.

Eu espero sinceramente que esse texto tenha te ajudado!

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!

Amamentação palpites e conselhos indesejados
Dúvidas

Amamentação – Palpites e Conselhos

Amamentação – Palpites e Conselhos

Olá, tudo bem?

As mulheres (e famílias) que escolhem amamentar passam por questionamentos e críticas com bastante frequência, e quanto mais tempo for estendida a amamentação, mais inconvenientes são os pitacos. Sempre recebo pedidos de ajuda para lidar com tantas interferências, tanto pelo meu grupo de WhatsApp, quanto no Facebook, Youtube e no Site. Hoje vou conversar um pouco sobre isso e deixar algumas sugestões!

Ocasionalmente aparecem críticas vindas de estranhos. Olhares de reprovação e gestos também podem acontecer. Costuma ser mais fácil lidar com esses casos, já que é pouco provável que você volte a ver essa pessoa, isso muitas vezes te dá coragem para responder de forma direta e sem rodeios. Já crítica de membros da família e outras pessoas próximas a você podem ser muito mais difíceis de lidar.

Às vezes familiares e amigos sentem que quando você faz escolhas parentais diferentes das que eles fizeram, você está criticando diretamente os caminhos que eles seguiram. Suas colocações e opções  podem ser interpretadas como algo do tipo: ei, você fez tudo errado, eu estou fazendo certo! Assim, esse grupo sente que aceitar suas escolhas parentais é a mesma coisa que admitir que as deles estavam erradas. Isso acontece porque nós funcionamos como um espelho: nossa autoimagem se constrói, em grande parte, pelo que o outro mostra e pensa de nós. Entretanto, muitas vezes você está apenas sendo você mesma, e o outro, no movimento de espelho, passa a ver suas escolhas como uma ofensa pessoal às dele.

Ok, Rose, entendi o por quê das críticas e julgamentos. Mas como lidar com elas? Como não permitir que elas me machuquem tanto?

Inicialmente, vale tentar deixar claro que suas escolhas não são um julgamento sobre a mater/paternidade do outro, mas sim um resultado busca por informações que vão de encontro aos valores e crenças da sua família, que te fizeram seguir por determinado caminho. Não é fácil manter esse pensamento, principalmente no momento que o comentário é feito. Muitas vezes a fala nos machuca profundamente, nos ofende, ofende nossa família, filhos, valores e crenças. Porém, tenha sempre em mente que familiares e amigos próximos que costumam tecer comentários negativos, geralmente o fazem com a intenção de te ajudar, por mais inadequados, desinformados ou rudes que possam parecer.

Rose, minha querida, também penso dessa forma, mas não tenho sangue de barata! Me ajude a, pelo menos, lidar melhor com a situação sem ter que “engolir a seco”?

Claro! É pra isso que serve esse post!

Nós não temos controle sobre o outro, sobre o que ele pensa, sente, faz ou diz. Por isso mesmo, precisamos ter sabedoria e firmeza para colocar limites no outro, não permitindo que ele nos machuque ou à nossa família.

Deixo aqui algumas dicas, que inclusive, podem ser usadas para qualquer tipo de palpite indesejado. Espero que ajude você!

Eduque

Muitas pessoas não sabem dos benefícios da amamentação para você e seu filho. Lembre-se que somos fruto da geração que não amamentou devido a entrada em massa das fórmulas infantis no mercado e nos consultórios médicos. A maioria desconhece as evidências científicas atuais a respeito do aleitamento materno, mesmo porque, poucos são os profissionais da saúde que se atualizam e trabalham de acordo com elas.

Selecione materiais bacanas e deixe-os impressos em algum cômodo da casa. Quando alguém fizer um comentário ou crítica, fale educadamente sobre a importância da amamentação e convide-a para ler o material. Finalize dizendo que sua escolha visa exclusivamente oferecer o que há de melhor para seu bebê em termos de alimentação.

Amamentação prolongada 2 anos ou mais

Os benefícios da amamentação continuada

Amamentar mais de um ano

Mitos sobre a amamentação continuada – há 1 ano que me enlouquecem

preconceito para com a amamentação continuada

Reprodução/”Growns Up”

Descubra o que mais incomoda a pessoa com relação a amamentação prolongada e responda com informações de qualidade

Quando alguém criticar, tente descobrir exatamente qual o maior problema que ela relaciona a amamentação prolongada. Desta forma você pode responder a preocupações específicas e corrigir qualquer desinformação. Eles pensam que não há benefícios para o bebê? Eles estão preocupados com o que os outros vão pensar? Eles leram a pesquisa? Eles conheceram outras famílias com filhos que foram amamentados por um longo período de tempo?

Fale diretamente sobre como as críticas afetam seus sentimentos

Tenha uma conversa aberta, delicada, porém direta, sobre como você se sente cada vez que recebe uma crítica ou palpite indesejado. Talvez, quando a pessoa que fala tão negativamente sobre amamentação ou tece comentários que te desencorajam, possa mudar de postura quando ouvir de você o quanto as falas te machucam, e consequentemente, também machucam seu neném (principalmente se ele já é maiorzinho). Peça com firmeza para que os comentários cessem. As crianças muitas vezes entendem muito mais imaginamos. Comentários e ações negativas podem ser confusos e perturbadores para eles. Suas palavras podem colocar limites nesta pessoa, impedindo-a de criticar a amamentação na sua presença ou a do seu filho.

Cite autoridades

Infelizmente há aqueles que não dão crédito a colocações de parentes ou amigos, porém valorizam sobremaneira as mesmas informações quando advindas de alguma autoridade socialmente reconhecida. Use essa característica a seu favor! Pesquise sobre profissionais referência na área, cite as recomendações da OMS, do Ministério da Saúde, conte sobre como a amamentação é apoiada e protegida nos países desenvolvidos, fale sobre figuras públicas que amamentaram prolongadamente. Se o profissional de saúde que te acompanha é verdadeiramente pró-aleitamento, leve a pessoa que não te apoia junto com você em uma consulta para que ela possa ouvi-lo por si mesma.

Aqui estão links para declarações de autoridades sobre a importância da amamentação.

Portal Saúde – Saúde da criança e aleitamento materno

Nações Unidas – OMS – Incentivo a amamentação poderia poupar 800 mil vidas e economizar 300 bilhões de dólares por ano 

4 vezes que o Papa Francisco quebrou o estigma da amamentação pública

17 vezes que as famosas apoiaram a amamentação no Instagram 

Use o bom humor (ou a ironia rs)

Há mulheres que lidam bem com situações como essa abusando do bom humor, muitas vezes com uma pontinha de ironia, como forma de silenciar o outro. Frases como: “Depois de 12 meses já não sai leite, mas sim vodca”, ou “não se preocupe, até a faculdade ela já largou o peito”, ou ainda “você gosta de comer com o rosto tampado? Ou bater um PF no banheiro? Pois é, meu bebê também não!” costumam deixar o interlocutor mudo!

Evite o problema

Se é muito difícil para você responder, ou até mesmo tolerar esse tipo de crítica, o melhor caminho talvez seja evitar a questão. Se conversas sobre amamentação surgirem, delicadamente mude de assunto ou mude de ambiente para fazer qualquer outra atividade com seu bebê, evitando ou minimizando quaisquer comentários diretos para você ou seu neném.

Coloque o assunto completamente fora de discussão

Há casos nos quais as crenças e valores são diametralmente opostos e uma das partes se mostra extremamente radical e pouco tolerante para com o diferente (isso vem acontecendo muito ultimamente). Em casos assim, talvez seja mais eficaz se recusar conversar sobre qualquer nuance do assunto. Às vezes é necessário ser educado, porém firme: “Este é o meu filho, esta é a minha família e minha escolha de pai/mãe eu não vou mais discutir.” Se eles trouxerem o assunto à tona novamente, responda exatamente com a mesma frase em todas as vezes (por exemplo: “Isto é o que funciona para a nossa família “) até que percebam que o assunto não está em discussão. Se isso não funcionar, então é hora de sair de perto.

amamentação - menos palpites, mais amor

Rose, o negócio é o seguinte: já fiz isso tudo e o bicho continua pegando. Há algo mais a ser feito?

Quando você está disposta a debater o assunto, há quem acredite que conseguirá convencê-la de que você está errada e, por isso, continuam com suas objeções ad infinitum. Às vezes, a pessoa não está realmente interessada em ouvir suas razões, quer apenas te vencer pelo cansaço e provar que ela está certa e você errada. Por isso ela permanece insistindo nos próprios argumentos, na expectativa de que você comece a agir como ela acha certo.

A chuva de argumentos contra amamentação pode ser fruto de crenças antigas, de desinformação ou até mesmo de questões ocultas para o próprio indivíduo, intimamente relacionadas à sexualidade e a valores culturais. Em alguns casos as dicas acima podem resolver o problema, afinal, oferecer informação de qualidade com educação e bom humor ajuda na mudança de paradigmas de quem perpetua a antiga cultura do leite artificial. Entretanto, há aqueles que são resistentes a qualquer intervenção, delicada ou não. Nesses casos, é preciso demonstrar postura firme e segura a respeito da sua decisão. Haja com a mesma firmeza, olhando nos olhos da pessoa e se possível repetindo as mesmas palavras, toda vez que o problema surgir. Quando o interlocutor percebe que não vai conseguir mudar sua opinião, ele pode desistir das críticas e palpites, ou ao menos limitar a fazê-los na sua ausência.

Respostas que outros pais têm usado

“Isso é interessante. O que te faz pensar isso?”

“Eu sigo as práticas que mais se adaptam a mim e minha família.”

“Respeito sua opinião e valorizo ​​seu conselho, mas além de estudar e pesquisar muito sobre o assunto, eu levo em conta não só as evidências científicas (que apoiam totalmente a minha prática), mas também questões mentais e espirituais. Ficarei feliz em respeitar sua opinião e ouvir o que você tem a dizer, mas você tem que respeitar a minha decisão – e esta é a minha decisão final. “

“Como mãe/pai deste bebê, e por tudo o que aprendi sobre a importância da amamentação, do fundo do meu coração, é isso que eu quero – e preciso – fazer pelo meu filho agora. Se você nos ama e nos quer por perto, precisa me apoiar nesta decisão.”

“Você sabe como a comunidade médica está sempre mudando suas recomendações. Bem, isso é o que eles recomendam agora – este é o melhor que eu posso oferecer para meu neném, e  além disso, me sinto bem com a amamentação. “

“Isto é o que funciona para a nossa família. A menos que se torne um problema, não vamos mudar as coisas. ” Deixe os argumentos para alguém que está realmente interessado em ouvi-los.

“Por que eu iria querer substituir a amamentação por algo que custa caro e é nutricionalmente e imunologicamente inferior?”

Respostas para seus pais:

“Agora que eu me tornei mãe/pai, valorizo ainda mais o que vocês fizeram e fazem por mim, e me sinto privilegiada por ter vocês por perto e poder me aconselhar com vocês. Me sinto ainda mais feliz em saber que vocês vão me apoiar na minha decisão de amamentar, porque isso significa muito para mim.”

“Eu não me ressinto por você não ter me amamentado, de coração. Você tomou a decisão certa para você e seu bebê diante do que você tinha acesso e acreditava. Eu estou tomando a decisão que é certa para mim e para meu filho diante do que pude aprender hoje. “

A técnica “sanduíche” às ​​vezes funciona:

Diga algo legal primeiro: “Estou tão feliz que você está aqui para estar com meus filhos; Ter uma avó amorosa como você é tão importante; Você é uma avó maravilhosa, como eu sabia que você seria.”

Em seguida, entre na questão que você deseja abordar: “Realmente me incomoda quando você criticar a minha escolha de amamentar, me deixa triste a ponto de muitas vezes eu desejar evitar nossos encontros”.

Então diga alguma coisa legal novamente: “Isso me deixaria triste porque eu te amo muito, eu sei que você ama as crianças e eu quero que elas tenham sua presença porque você é muito, muito especial”.

Se nada disso adiantar, a melhor estratégia é evitar encontros com pessoas que se incomodam com sua amamentação. Situações de estresse impactam não só na saúde emocional da mãe, mas também do bebê. Assim além de se proteger desse tipo de desgaste, você terá tempo e energia para dedicar às pessoas que te apoiam. Esse está longe de ser o caminho ideal, entretanto pode ser o único caminho possível naquele momento.

Procure estar cercada de pessoas que acreditam nas mesmas coisas que você, assim além de apoio, você poderá compartilhar experiências e pedir conselhos sobre como lidar com cada uma das fases do aleitamento.

Eu espero sinceramente que esse texto tenha te ajudado!

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!

Declaração de Innocenti 1990
Sem Categoria

Declaração de Innocenti

Declaração de Innocenti

A Declaração de Innocenti, assinada em 1990 em um encontro internacional na Itália, marcou a origem da Semana Mundial de Aleitamento Materno SMAM, que desde então acontece no mundo inteiro entre os dias 1 e 7 de agosto.

Ela surge para diminuir a mortalidade infantil, para garantir a adoção de legislação que proteja a mulher que amamenta no local de trabalho, além de implementar os famosos “Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno” em todas as maternidades dos países participantes. Ela ainda criou um comitê nacional de coordenação de amamentação para cada país e implementou o Código Internacional de Marketing em  Substitutos do Leite Materno. Esse código proíbe a oferta de presentes e amostras grátis a profissionais de saúde e o uso de palavras ou imagens em anúncios que idealizem a amamentação por mamadeira.

Para garantir que os países que assinaram o documento o seguissem a risca, foi fundada em 1991 a organização Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação, ou World Alliance for Breastfeeding Action (WABA)

Em 2005 a Declaração foi reavaliada de acordo com os avanços já obtidos naquele momento e com o objetivo de descrever os novos desafios para uma alimentação ideal para o lactente e a criança pequena. Ela também sugere um caminho a seguir para assegurar o direito da criança a uma nutrição adequada.

Segundo ela, a melhoria das práticas em aleitamento poderia salvar a vida de 3.500 crianças por dia. Além disso, melhoraria a qualidade de vida de tantas outras que estariam menos expostas a variados tipos de alergias, problemas respiratórios, dentre outros males relacionados ao uso de leite artificial. Por tudo isso, vale a pena conhecer seu conteúdo.

Leia e divulgue essas informações maravilhosas e essenciais para a saúde dos nossos pequenos. Você pode ter acesso à Declaração de Innocenti nesse link aqui.

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!

 

Fernanda e Serena Paz em comunhão com a natureza
Relato de Amamentação

Amamentando a dicotomia da vida

Amamentando a dicotomia da vida

Por Fernanda Paz

(foto em destaque feita na lagoa do peri, Floripa, faz parte do arquivo pessoal de Fernanda)

Quando te incentivarem pra amamentar não vão te falar das fases punks, trash, filme de terror.
Amamente mesmo assim!
Ninguém vai te contar que nos primeiros dias você está fazendo tudo errado, que a pega está incorreta, que no primeiro mês teus seios sangram, que no segundo mês você terá febre, que o peito empedra, que a cria não desgruda, que você nunca mais será capaz de tomar um café quente, que você precisa esvaziar um peito antes de trocar e que é a teta murcha que engorda.
Quando te incentivarem pra amamentar, as pessoas não vão te falar que chegar aos 6 meses amamentando exclusivamente é tiro, porrada e bomba.
Que todos dão pitaco, oferecem comida, dizem que a cria está aguada e que até o pediatra receita danoninho (e olha que esse treco só é indicado acima de 4 anos, já leram quantos ácidos têm na composição?).
Pois é, quando te incentivarem pra amamentar, ninguém vai dizer que de 6 meses a 1 ano o bebê quer mesmo é leitinho de tetinha.
Que os alimentos serão meros experimentos!
Mas, muitas pessoas vão falar que teu leite é fraco.
Enquanto ninguém conta que o bebê vai colar na teta no amor e na dor.
Por fome ou sono ou sede ou frio ou medo ou alegria ou razão nenhuma.
Seu bebê será um piercing de mamilo.
Teta será a vida da tua cria.
É bem assim, um monte de campanha pró amamentação e ajuda mínima.
Ninguém te conta que se você passar de 1 ano vai ter insônia só pensando em como desmamar.
E que se falar de desmame nos grupos periga receber de graça um tratamento pra ser convencida a amamentar mais um pouco, porque a OMS recomenda que amamentação se prolongue até 2anos ou mais.
De fato recomenda, mas não ensina a lactante a sobreviver nem à quarentena, imagine ao desmame.
A OMS não te conta que por várias vezes, especialmente no seu período fértil ou na TPM sua vontade pode ser de arrancar a teta, abandonar a cria com a teta e ir dormir 5 dias e 5 noites numa rede na Bahia.
Nos incentivos à amamentação prolongada ninguém fala como é exaustivo amamentar uma criança de 2 anos.
Amamente mesmo assim.
Porque ainda serão poucos os relatos de amamentação exclusiva.
Ainda serão poucos os relatos de amamentação prolongada.
Ainda serão poucos os debates.
Ainda serão poucas as reclamações.
Ainda serão poucos os elogios.
Quando te incentivarem a amamentar, ninguém vai te falar como é ter uma criança que não adoece, que é calma, compreensiva, que se conecta com você.
Ninguém vai te mostrar a beleza e o encantamento de ter contigo todas as noites sua cria que embora cresça tanto a cada dia, no peito se apequena, aninha e aquece.
Poucas pessoas falam sobre como é bom receber um carinho, um olhar, um aconchego vindo de cria em colo de mãe.
Ninguém te conta que tetinha é irrecusável.
Que tetinha cura, acalma, nutre, dá energia.
Ninguém comenta que silenciosamente as mães que fecham os olhos e agradecem por conseguirem amamentar são as mesmas que abrem a boca e dizem que não aguentam mais.
Amamentar te leva à (in)sanidade.
Tua mente quer, teu corpo cansa.
A simbiose, a alquimia.
A mais plena loucura e doação.
A maior sensatez e razão.
Dicotomia.
Altos e baixos.
Querer continuar.
Querer parar.
Mais um dia.
Só pra dormir.
Só pra acordar.
Só porque dói.
Só porque sim.
Amamentar é uma das poucas chaves da vida.
Nutrir a vida.
Amar
Mente
Ar

Fernanda Paz é mãe de Serena, 25 meses, amamentada em livre demanda. Ela e sua filha viajam o Brasil ministrando cursos, workshops e palestras sobre higiene natural ou elimination communication (EC). Fernanda ainda presta consultoria sobre sobre o tema, orientando e empoderando famílias. Se quiser organizar um evento em sua cidade entre em contato com ela através da página Bebê sem Fralda – Brasil Higiene Natural!

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!

Pessoal

Meu relato – Parto pélvico da Clara (com vídeo)

Meu relato – Parto pélvico da Clara (com vídeo)

Relato originalmente publicado no blog da minha doula e amiga Kalu Brum. Clique aqui para ler o relato dela sobre esse dia tão lindo!

Gestação
Em fevereiro de 2014 me descobri grávida para alguns dias depois constatar que se tratava de gestação ectópica. A alegria que me invadiu se transformou em profunda tristeza e eu passei por dois hospitais particulares em Belo Horizonte em busca de tratamento. No primeiro, a médica queria realizar cirurgia para interrupção da gestação imediatamente. Eu perderia minha trompa direita e, sabendo que eu atendia os critérios para tratamento medicamentoso, pedi que me dessem alta e procurei o segundo hospital. Fui tratada com medicação e fiz o acompanhamento adequado, o que não me poupou de violência obstétrica nos dois hospitais. Eu, que já estudava sobre parto natural, tive ainda mais certeza de que protegeria meu corpo e meu bebê em uma próxima gestação. A certeza do parto humanizado ganhou mais força dentro de mim.

15 dias após o aborto eu perdi meu pai, meu melhor amigo. Nossa relação era muito íntima. Faço tratamento para controlar depressão profunda há 8 anos e estava estabilizada mas esses dois baques me jogaram em um episódio de depressão. Episódio esse agravado pela ausência da medicação que eu havia interrompido para poder engravidar.

Meu pai e eu no meu casamento, em agosto de 2010

Meu pai e eu no meu casamento, em agosto de 2010

2 meses depois eu já estava novamente grávida, mas dessa vez além da felicidade, afinal foi um bebê muito desejado e planejado, fui invadida por um medo muito grande que me angustiou por toda a gestação. Medo de perder o bebê, medo de não ser boa suficiente para cria-lo bem, medo, medo, medo. E esses medos começaram a enfraquecer minhas certezas sobre o parto, já que os amigos e familiares que me rodeavam não eram exatamente apoiadores da causa, ao contrário, sempre sugeriram cesárea como opção mais fácil e segura.

Conheci Kalu Brum com apenas 9 semanas de gestação em um chá de bênçãos na casa dela. Ela me sugeriu fazer pré natal com a enfermeira Míriam Rego, que inclusive me deu aula na PUC, e com o obstetra Lucas Barbosa. Procurei Míriam mas não dei continuidade ao pré natal com ela porque não me sentia capaz de parir. Continuei com o médico do plano, na vã esperança de que “se é pra ser, Deus dá um jeito”. Kalu e eu mantivemos contato durante toda a gravidez. Mesmo eu não tendo disponibilidade emocional para frequentar o Ishtar e os chás de bênçãos que se seguiram, ela sempre me incentivava e insistia que eu era capaz de parir meu bebê e dar a ele um nascimento respeitoso, amoroso.

Fotografia Léli Matos

Fotografia Léli Matos

Com 17 semanas sofri 5 crises de pânico em 5 dias seguidos e precisei voltar com a medicação psiquiátrica. Isso só aumentou meus medos de prejudicar minha filha (já sabíamos que era a nossa Clara que estava por vir), e nesse momento eu joguei a toalha: faria parto normal frank ou cesárea com o GO fofinho do plano. Eu que tenho formação em enfermagem, que estudei tanto sobre as formas de nascer, estava jogando meu sonho fora e decidindo privar minha filha de uma experiência de nascimento positiva. Me sentia fraca, impotente, incapaz e ao invés de lutar contra isso eu me resignei.

Isso só me entristeceu mais. Todas as vezes que eu pensava num parto normal “frank” ou numa cesárea eu ficava apavorada. Perdi noites de sono pensando nisso, lembrando de todos os partos e cesáreas com violência obstétrica que eu havia assistido nos estágios da faculdade. Eu precisava de apoio para bancar minha decisão, estava com medo de bancar sozinha diante da pressão dos familiares para que eu trilhasse o “caminho comum”, o mais fácil. Thiago, meu marido, sempre disse que respeitaria minha decisão independente de qual fosse. Mas eu precisava mais do que isso, precisava que ele apoiasse o projeto parto humanizado. Insisti para que ele assistisse o filme O Renascimento do Parto e ao final ele disse: vamos ter nossa filha em casa! Seria a melhor opção para a nossa família, nossa filha estaria protegida e eu também. Kalu, que me acompanhou durante toda essa trajetória de idas e vindas, ficou super alegre e eu procurei Míriam para planejar o parto domiciliar.

Entretanto Clara estava pélvica e não virou apesar de 2 tentativas de versão cefálica externa, acupuntura, moxabustão, posições de yoga e todas as mandingas existentes terem sido feitas por mim. Parto pélvico é um tabu obstétrico e para banca-lo eu me muni de muita informação e empoderamento, mas sempre soube que caso algo saísse errado ou se Clara tivesse algum problema mesmo que não fosse causado pela via de parto, a sociedade não me perdoaria. Foi difícil bancar essa decisão e havia apenas um único lugar onde eu poderia ter minha filha com segurança: a Maternidade Sofia Feldman. Lá seria o único lugar onde eu teria chance de parir Clara pélvica com respeito, cuidado e acompanhamento de equipe com experiência nesse tipo de parto. Fechei meus ouvidos para o resto do mundo, mudava de assunto para não ter que ouvir o que não queria e me deixar insegura. Trabalhei minha fé em mim, na minha força, na força da minha filha e segui amparada pelo meu marido, por Míriam, por Kalu e pelo grupo de gestantes atendidas por ela. Essa rede de apoio foi essencial para eu conseguir parir.

O PARTO
40 semanas e 2 dias. Após tantos medos vividos na gestação, após ter plena certeza de que não conseguiria parir por ter depressão e me sentir incapacitada, limitada, após vencer esses medos e tantos outros, lá estava eu apavorada pois Clara nem dava sinal de querer vir ao mundo. Eu estava muito cansada. Emocionalmente esgotada após 9 meses de intensos conflitos e mergulho profundo em mim; fisicamente esgotada pois havia engordado muito, estava pesada. Mas não queria abrir mão da barriga e tinha medo de não ser uma boa mãe para minha filha. É claro que isso influenciou sobremaneira no meu parto.

Rezei pedindo ajuda à minha avó paterna, que quando viva pariu 11 bebês de forma natural, como me contou minha tia. Olhava para sua foto e pedia forças para esperar o tempo da minha Clara Luz. Decidi seguir seu conselho e usar o “remedinho” que ela usava para “virar neném” e tomei uma colher de óleo de rícino. Estava com dificuldades para ir ao banheiro, então o óleo seria de grande auxílio também.

Na madrugada de domingo para segunda, dia 26 de janeiro às 01:30, senti a primeira contração. Bem diferente do que havia lido, não senti dor na lombar ou pontadas. A dor era generalizada, como uma cólica intestinal só que mais intensa, o que me fez não acreditar que era início de trabalho de parto. Passei a noite observando o intervalo e às 07h, quando percebi que ele estava em 10 em 10 minutos liguei para a Míriam. Expliquei a situação e ela decidiu vir até minha casa para verificar como nós estávamos. Míriam constatou trabalho de parto latente e acompanhou os batimentos cardíacos da Clara, que estavam perfeitos. Mais tarde Kalu também chegou e ficamos juntas até aproximadamente 14h, quando as contrações perderam o ritmo.

Elas foram embora e eu passei o resto do dia e mais uma noite acordada sentindo a dor que estava se intensificando e ficou assim toda a terça-feira, dia 27. Minha irmã e minha mãe ligaram durante esse período, eu já havia passado das 40 semanas e a ansiedade e preocupação de todos era grande. Conversei com minha irmã e consegui disfarçar a voz durante as contrações. Thiago conversou com a minha mãe pois eu estava com muita dor, ele disse que eu estava no banho e ela acreditou. Combinamos de só avisar os familiares quando a Clara tivesse nascido, pois muitos deles não concordavam com nossas escolhas ou as temiam, o que poderia atrapalhar a evolução do trabalho de parto e assim foi feito. Thiago havia entrado de férias no dia 26 então eu podia conta com seu apoio 24h.

No fim da tarde de terça as contrações já estavam ritmadas novamente e Míriam retornou. Ela me acompanhou e me auxiliou nos métodos de alívio para dor. A ideia era ficar em casa o máximo de tempo possível, desde que com segurança, e chegar no hospital com dilatação avançada. Clara estava super bem, os batimentos dela estavam conforme esperado, entretanto após 2 noites sem dormir, minha tolerância à dor estava baixa e às 23h, após uma crise de descontrole emocional eu me entreguei à dor e comecei a acreditar que não daria conta. Com 4 cm de dilatação, eu implorei que fossemos para o hospital e assim foi feito. Kalu chegou no meu prédio quando já estávamos de saída e ela foi no carro comigo me fazendo massagem enquanto Thiago dirigia. O hospital Sofia Feldman fica a 18 quilômetros da minha casa e o trajeto penoso, mas menos do que eu imaginava. Cheguei ao hospital implorando analgesia, entretanto o plantonista (Dr Roberto) foi muito sensato e disse que não poderia administrá-la até que eu chegasse ao menos a 6 cm. Caso a analgesia fosse feita antes ela poderia atrapalhar a progressão do trabalho de parto, dentre outras complicações, e parto pélvico tem indicação de acontecer da maneira mais natural possível. Hoje sou muito grata a ele por essa decisão, mas na hora eu fiquei chateada, até tentei negociar mas ele foi firme.

O hospital estava cheio e demorou um tempinho para vagar um leito para mim. Finalmente conseguiram um leito e eu pude ir para o chuveiro, o que me aliviou muito a dor. Havia levado biquíni para usar no trabalho de parto, mas eu estava tão entregue ao processo que quis ficar nua. Não me importava que me vissem pelada no hospital, eu era apenas uma mulher parindo, pudor não fazia sentido em um momento tão intenso e profundo. No meu segundo momento de descontrole completo cheguei a dizer que se não me dessem analgesia eu iria embora para outro hospital, isso causou risos na equipe hahaha (eles não riram na minha frente se não eu os teria matado, me contaram depois! Rs). Eu pedi muito por analgesia e só consegui adiar esse momento porque Kalu, Míriam e Thiago me apoiaram total e completamente, me amparando, cuidando de mim e me lembrando a todo momento que eu poderia perder meu parto e não era isso que eu planejei, que eu era capaz e ia conseguir. Clara seguia firme dentro de mim, batimentos cardíacos perfeitos, minha filha é forte, eu já sabia disso!

Surgiu vaga na suíte de parto Dona Beja, a mais bela do Sofia. Kalu preparou o ambiente com perfume, iluminação e música especiais, quando a porta se abriu eu, mesmo morrendo de dor, me senti entrando no paraíso. Aquele espaço me pareceu um ninho onde eu me senti protegida, aconchegada, abraçada. Fiquei na banheira não sei por quanto tempo, as contrações estavam cada vez mais fortes. Os momentos entre elas eram de descanso, era como se elas nunca tivessem existido e a cada intervalo eu nutria a esperança de que elas não voltariam, mas (graças a Deus) elas voltavam e cada vez mais intensas e longas. Eu já estava na partolândia. Realmente o estado alterado de consciência no TP existe e nele vivi experiências valiosas.

As 04 da manhã não aguentei e pedi novamente analgesia, foi feito exame de toque para verificar se ela poderia ser aplicada: 6 cm de dilatação, o TP estava evoluindo! TP longo, eu estava cansada e a analgesia foi essencial. Fizeram uma dose homeopática e eu consegui voltar para o quarto caminhando, Míriam ficou do meu lado o tempo todo e fez cardiotoco, tudo perfeito com a Clara. Dormi por 2 horas e acordei às 06h do dia 28/01, somente quando o efeito da analgesia passou.

As contrações já não tinham intervalos e eu desesperadamente pedi por mais uma dose. Me enrolaram dizendo que era troca de plantão (e era mesmo) e não havia anestesista disponível para aplicar, eu teria que esperar. Depois fiquei sabendo que já não era indicado analgesia naquele momento pois eu já me aproximava do expulsivo. Mais um exame de toque para verificar se Clara estava posicionada. Urrei de dor e gritei pedindo que tirassem a mão na hora! (vale lembrar que eu autorizei os exames de toque por 2 motivos: 1- para saber se já poderia receber analgesia; 2- em parto pélvico faz se necessário um acompanhamento mais cuidadoso da posição do bebê). Surgiu uma hipótese do pezinho da Clara estar mal posicionado, mas isso foi logo descartado pelo plantonista com experiência em parto pélvico.

Nesse momento eu estava imersa na dor mas ao mesmo tempo ainda a negava e só pensava em analgesia, mesmo já sentindo os puxos. Eu queria segurá-los para esperar a troca de plantão rs, mas eles são avassaladores. Estava de 4 e quando olhei pra baixo e vi mecônio caindo na cama pensei: o bumbum dela já está chegando aqui, preciso ser forte e trazer minha filha ao mundo! Deixei o medo pra trás, superei a dor, pedi ajuda para minha avó e toda a espiritualidade presente e me concentrei no meu corpo e na minha filha. Não sei dizer quanto tempo durou o expulsivo, mas sei que ao olhar pra baixo e ver a pelve da minha filha saindo de dentro de mim, depois as perninhas, o tórax, e finalmente a cabeça, foi inexplicável. Ela saiu sozinha, totalmente hands off, e ao cair na cama (a distância do meu corpo até a cama era de menos de 15 cm), seus olhos vivos e expressivos olharam ao redor e me olharam como se dissessem: é esse o mundo no qual vou viver? É você minha mamãe?

Thiago, que estava na minha frente me dando força, repetia: você conseguiu, meu amor, você conseguiu! Puxou o lençol no qual ela estava, eu a peguei no colo e sentei. Que sensação MARAVILHOSA! Ela estava quentinha, cheirosa, nunca mais esquecerei aquele cheiro de Deus que ela tinha ao sair de mim. Thiago e eu nos olhamos, nos beijamos, nos amamos com o olhar. A força da natureza é soberana. Deus é perfeito e não foi atoa que delineou o nascimento dessa forma. A chuva de hormônios do amor uniu ainda mais Thiago e eu, ficamos ali cheirando nossa cria, sentindo o cordão umbilical que logo parou de pulsar, decorando cada pedacinho daquele rosto que tanto ansiávamos por conhecer. Clara nasceu saudável e perfeita, e foi recebida com amor e respeito por uma equipe de enfermeiros e médicos exemplares.

Fotografia Kalu Brum

Fotografia Kalu Brum

Após o parto todo o cansaço se foi! Eu ansiava pela amamentação, queria muito nutrir minha filha e com ajuda da Miriam e da Kalu Clara logo pegou meu peito. Sorri e chorei de alegria! Thiago cortou o cordão e acompanhou os primeiros cuidados com Clara. Eu estava alegre, animada, só esperando Míriam suturar uma pequena laceração na parte externa da vagina para poder tomar um banho gostoso. Thiago também tomou banho e seguimos para a enfermaria do Sofia Feldman, onde ficamos muito bem instalados com mais 4 casais e seus bebês. Essa também foi uma experiência extremamente enriquecedora para nós como casal e como seres humanos. Ao olhar pra trás só tenho lembranças boas desses dias e do Sofia. Sou eternamente grata pelo que essa instituição proporcionou para mim e minha família. Gostaria imensamente que todos os hospitais oferecessem atendimento verdadeiramente humanizado, respeitoso e baseado em evidências. O milagre da vida merece esse cuidado.

No momento de maior dor tudo o que se costuma querer é que ela pare, acabe, mas hoje vejo o quanto cada contração e cada um dos três dias de TP vividos foram importantes para mim. No meu TP coloquei muitas coisas pra fora, traumas, luto, dores de uma vida inteira; e ganhei tantas outras que me fizeram uma mulher mais forte e segura de mim e das minhas escolhas para minha família. Sou grata ao meu marido que teve força para assistir a minha dor e me dar forças para continuar, não me deixando desistir de viver essa jornada até o fim. Nossa união atingiu outro patamar após essa vivência juntos.

Gratidão também à Kalu e à Míriam, que se tornaram pessoas especiais pois nos acompanharam durante processo mais profundo e transformador que minha família viveu. E gratidão ao universo e à Deus por me dar tão valiosos presentes: minha filha e essa experiência. Além de ser outra mulher, hoje meu relacionamento conjugal também é outro, muito melhor. Meu marido me vê com outros olhos e essa caminhada nos uniu ainda mais, além de nos fortalecer em nossas convicções a respeito da educação que queremos para nossa filha.

Eu realmente desejo que mais e mais mulheres conheçam esse universo e possam escolher parir sem violência, sem medo, sem se tornar objeto, e trazer seus filhos ao mundo da mesma forma com que foram concebidos: com amor.

Faça parte da minha lista VIP e receba conteúdos exclusivos e gratuitos! Clique aqui.

Aproveite para se inscrever no meu canal do Youtube, sempre posto novidades por lá!
Beijo grande!