Amamentação palpites e conselhos indesejados
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Amamentação – Palpites e Conselhos

Amamentação – Palpites e Conselhos

Olá, tudo bem?

As mulheres (e famílias) que escolhem amamentar passam por questionamentos e críticas com bastante frequência, e quanto mais tempo for estendida a amamentação, mais inconvenientes são os pitacos. Sempre recebo pedidos de ajuda para lidar com tantas interferências, tanto pelo meu grupo de WhatsApp, quanto no Facebook, Youtube e no Site. Hoje vou conversar um pouco sobre isso e deixar algumas sugestões!

Ocasionalmente aparecem críticas vindas de estranhos. Olhares de reprovação e gestos também podem acontecer. Costuma ser mais fácil lidar com esses casos, já que é pouco provável que você volte a ver essa pessoa, isso muitas vezes te dá coragem para responder de forma direta e sem rodeios. Já crítica de membros da família e outras pessoas próximas a você podem ser muito mais difíceis de lidar.

Às vezes familiares e amigos sentem que quando você faz escolhas parentais diferentes das que eles fizeram, você está criticando diretamente os caminhos que eles seguiram. Suas colocações e opções  podem ser interpretadas como algo do tipo: ei, você fez tudo errado, eu estou fazendo certo! Assim, esse grupo sente que aceitar suas escolhas parentais é a mesma coisa que admitir que as deles estavam erradas. Isso acontece porque nós funcionamos como um espelho: nossa autoimagem se constrói, em grande parte, pelo que o outro mostra e pensa de nós. Entretanto, muitas vezes você está apenas sendo você mesma, e o outro, no movimento de espelho, passa a ver suas escolhas como uma ofensa pessoal às dele.

Ok, Rose, entendi o por quê das críticas e julgamentos. Mas como lidar com elas? Como não permitir que elas me machuquem tanto?

Inicialmente, vale tentar deixar claro que suas escolhas não são um julgamento sobre a mater/paternidade do outro, mas sim um resultado busca por informações que vão de encontro aos valores e crenças da sua família, que te fizeram seguir por determinado caminho. Não é fácil manter esse pensamento, principalmente no momento que o comentário é feito. Muitas vezes a fala nos machuca profundamente, nos ofende, ofende nossa família, filhos, valores e crenças. Porém, tenha sempre em mente que familiares e amigos próximos que costumam tecer comentários negativos, geralmente o fazem com a intenção de te ajudar, por mais inadequados, desinformados ou rudes que possam parecer.

Rose, minha querida, também penso dessa forma, mas não tenho sangue de barata! Me ajude a, pelo menos, lidar melhor com a situação sem ter que “engolir a seco”?

Claro! É pra isso que serve esse post!

Nós não temos controle sobre o outro, sobre o que ele pensa, sente, faz ou diz. Por isso mesmo, precisamos ter sabedoria e firmeza para colocar limites no outro, não permitindo que ele nos machuque ou à nossa família.

Deixo aqui algumas dicas, que inclusive, podem ser usadas para qualquer tipo de palpite indesejado. Espero que ajude você!

Eduque

Muitas pessoas não sabem dos benefícios da amamentação para você e seu filho. Lembre-se que somos fruto da geração que não amamentou devido a entrada em massa das fórmulas infantis no mercado e nos consultórios médicos. A maioria desconhece as evidências científicas atuais a respeito do aleitamento materno, mesmo porque, poucos são os profissionais da saúde que se atualizam e trabalham de acordo com elas.

Selecione materiais bacanas e deixe-os impressos em algum cômodo da casa. Quando alguém fizer um comentário ou crítica, fale educadamente sobre a importância da amamentação e convide-a para ler o material. Finalize dizendo que sua escolha visa exclusivamente oferecer o que há de melhor para seu bebê em termos de alimentação.

Amamentação prolongada 2 anos ou mais

Os benefícios da amamentação continuada

Amamentar mais de um ano

Mitos sobre a amamentação continuada – há 1 ano que me enlouquecem

preconceito para com a amamentação continuada

Reprodução/”Growns Up”

Descubra o que mais incomoda a pessoa com relação a amamentação prolongada e responda com informações de qualidade

Quando alguém criticar, tente descobrir exatamente qual o maior problema que ela relaciona a amamentação prolongada. Desta forma você pode responder a preocupações específicas e corrigir qualquer desinformação. Eles pensam que não há benefícios para o bebê? Eles estão preocupados com o que os outros vão pensar? Eles leram a pesquisa? Eles conheceram outras famílias com filhos que foram amamentados por um longo período de tempo?

Fale diretamente sobre como as críticas afetam seus sentimentos

Tenha uma conversa aberta, delicada, porém direta, sobre como você se sente cada vez que recebe uma crítica ou palpite indesejado. Talvez, quando a pessoa que fala tão negativamente sobre amamentação ou tece comentários que te desencorajam, possa mudar de postura quando ouvir de você o quanto as falas te machucam, e consequentemente, também machucam seu neném (principalmente se ele já é maiorzinho). Peça com firmeza para que os comentários cessem. As crianças muitas vezes entendem muito mais imaginamos. Comentários e ações negativas podem ser confusos e perturbadores para eles. Suas palavras podem colocar limites nesta pessoa, impedindo-a de criticar a amamentação na sua presença ou a do seu filho.

Cite autoridades

Infelizmente há aqueles que não dão crédito a colocações de parentes ou amigos, porém valorizam sobremaneira as mesmas informações quando advindas de alguma autoridade socialmente reconhecida. Use essa característica a seu favor! Pesquise sobre profissionais referência na área, cite as recomendações da OMS, do Ministério da Saúde, conte sobre como a amamentação é apoiada e protegida nos países desenvolvidos, fale sobre figuras públicas que amamentaram prolongadamente. Se o profissional de saúde que te acompanha é verdadeiramente pró-aleitamento, leve a pessoa que não te apoia junto com você em uma consulta para que ela possa ouvi-lo por si mesma.

Aqui estão links para declarações de autoridades sobre a importância da amamentação.

Portal Saúde – Saúde da criança e aleitamento materno

Nações Unidas – OMS – Incentivo a amamentação poderia poupar 800 mil vidas e economizar 300 bilhões de dólares por ano 

4 vezes que o Papa Francisco quebrou o estigma da amamentação pública

17 vezes que as famosas apoiaram a amamentação no Instagram 

Use o bom humor (ou a ironia rs)

Há mulheres que lidam bem com situações como essa abusando do bom humor, muitas vezes com uma pontinha de ironia, como forma de silenciar o outro. Frases como: “Depois de 12 meses já não sai leite, mas sim vodca”, ou “não se preocupe, até a faculdade ela já largou o peito”, ou ainda “você gosta de comer com o rosto tampado? Ou bater um PF no banheiro? Pois é, meu bebê também não!” costumam deixar o interlocutor mudo!

Evite o problema

Se é muito difícil para você responder, ou até mesmo tolerar esse tipo de crítica, o melhor caminho talvez seja evitar a questão. Se conversas sobre amamentação surgirem, delicadamente mude de assunto ou mude de ambiente para fazer qualquer outra atividade com seu bebê, evitando ou minimizando quaisquer comentários diretos para você ou seu neném.

Coloque o assunto completamente fora de discussão

Há casos nos quais as crenças e valores são diametralmente opostos e uma das partes se mostra extremamente radical e pouco tolerante para com o diferente (isso vem acontecendo muito ultimamente). Em casos assim, talvez seja mais eficaz se recusar conversar sobre qualquer nuance do assunto. Às vezes é necessário ser educado, porém firme: “Este é o meu filho, esta é a minha família e minha escolha de pai/mãe eu não vou mais discutir.” Se eles trouxerem o assunto à tona novamente, responda exatamente com a mesma frase em todas as vezes (por exemplo: “Isto é o que funciona para a nossa família “) até que percebam que o assunto não está em discussão. Se isso não funcionar, então é hora de sair de perto.

amamentação - menos palpites, mais amor

Rose, o negócio é o seguinte: já fiz isso tudo e o bicho continua pegando. Há algo mais a ser feito?

Quando você está disposta a debater o assunto, há quem acredite que conseguirá convencê-la de que você está errada e, por isso, continuam com suas objeções ad infinitum. Às vezes, a pessoa não está realmente interessada em ouvir suas razões, quer apenas te vencer pelo cansaço e provar que ela está certa e você errada. Por isso ela permanece insistindo nos próprios argumentos, na expectativa de que você comece a agir como ela acha certo.

A chuva de argumentos contra amamentação pode ser fruto de crenças antigas, de desinformação ou até mesmo de questões ocultas para o próprio indivíduo, intimamente relacionadas à sexualidade e a valores culturais. Em alguns casos as dicas acima podem resolver o problema, afinal, oferecer informação de qualidade com educação e bom humor ajuda na mudança de paradigmas de quem perpetua a antiga cultura do leite artificial. Entretanto, há aqueles que são resistentes a qualquer intervenção, delicada ou não. Nesses casos, é preciso demonstrar postura firme e segura a respeito da sua decisão. Haja com a mesma firmeza, olhando nos olhos da pessoa e se possível repetindo as mesmas palavras, toda vez que o problema surgir. Quando o interlocutor percebe que não vai conseguir mudar sua opinião, ele pode desistir das críticas e palpites, ou ao menos limitar a fazê-los na sua ausência.

Respostas que outros pais têm usado

“Isso é interessante. O que te faz pensar isso?”

“Eu sigo as práticas que mais se adaptam a mim e minha família.”

“Respeito sua opinião e valorizo ​​seu conselho, mas além de estudar e pesquisar muito sobre o assunto, eu levo em conta não só as evidências científicas (que apoiam totalmente a minha prática), mas também questões mentais e espirituais. Ficarei feliz em respeitar sua opinião e ouvir o que você tem a dizer, mas você tem que respeitar a minha decisão – e esta é a minha decisão final. “

“Como mãe/pai deste bebê, e por tudo o que aprendi sobre a importância da amamentação, do fundo do meu coração, é isso que eu quero – e preciso – fazer pelo meu filho agora. Se você nos ama e nos quer por perto, precisa me apoiar nesta decisão.”

“Você sabe como a comunidade médica está sempre mudando suas recomendações. Bem, isso é o que eles recomendam agora – este é o melhor que eu posso oferecer para meu neném, e  além disso, me sinto bem com a amamentação. “

“Isto é o que funciona para a nossa família. A menos que se torne um problema, não vamos mudar as coisas. ” Deixe os argumentos para alguém que está realmente interessado em ouvi-los.

“Por que eu iria querer substituir a amamentação por algo que custa caro e é nutricionalmente e imunologicamente inferior?”

Respostas para seus pais:

“Agora que eu me tornei mãe/pai, valorizo ainda mais o que vocês fizeram e fazem por mim, e me sinto privilegiada por ter vocês por perto e poder me aconselhar com vocês. Me sinto ainda mais feliz em saber que vocês vão me apoiar na minha decisão de amamentar, porque isso significa muito para mim.”

“Eu não me ressinto por você não ter me amamentado, de coração. Você tomou a decisão certa para você e seu bebê diante do que você tinha acesso e acreditava. Eu estou tomando a decisão que é certa para mim e para meu filho diante do que pude aprender hoje. “

A técnica “sanduíche” às ​​vezes funciona:

Diga algo legal primeiro: “Estou tão feliz que você está aqui para estar com meus filhos; Ter uma avó amorosa como você é tão importante; Você é uma avó maravilhosa, como eu sabia que você seria.”

Em seguida, entre na questão que você deseja abordar: “Realmente me incomoda quando você criticar a minha escolha de amamentar, me deixa triste a ponto de muitas vezes eu desejar evitar nossos encontros”.

Então diga alguma coisa legal novamente: “Isso me deixaria triste porque eu te amo muito, eu sei que você ama as crianças e eu quero que elas tenham sua presença porque você é muito, muito especial”.

Se nada disso adiantar, a melhor estratégia é evitar encontros com pessoas que se incomodam com sua amamentação. Situações de estresse impactam não só na saúde emocional da mãe, mas também do bebê. Assim além de se proteger desse tipo de desgaste, você terá tempo e energia para dedicar às pessoas que te apoiam. Esse está longe de ser o caminho ideal, entretanto pode ser o único caminho possível naquele momento.

Procure estar cercada de pessoas que acreditam nas mesmas coisas que você, assim além de apoio, você poderá compartilhar experiências e pedir conselhos sobre como lidar com cada uma das fases do aleitamento.

Eu espero sinceramente que esse texto tenha te ajudado!

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Beijo grande!

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