bebê piercing de mamilo
Problemas e seu manejo

Meu bebê mama toda hora

Meu bebê mama toda hora

Rose, me ajuda! Meu neném nasceu e eu tenho certeza de que ganhei um piercing de mamilo, e não um bebê!

Ok, vamos lá! Por acaso seu filho mama como se não houvesse amanhã? Ou faz pequenas mamadas com uma frequência enlouquecedora, que faz você se questionar se há algo de errado com ele, com você ou com seu leite? Como saber se isso é normal? Cadê aquele bebezinho com o qual você sonhou durante toda a gestação, que mamava e dormia placidamente? Por que ele não é igual ao bebê da vizinha, da prima, da irmã, que “dorme a noite toda” e “não dá trabalho nenhum”?

Bom, a verdade é que bebês são como nós. Cada um tem seu temperamento, personalidade e comportamento típicos. Uma pequena parcela dorme bem desde sempre e é “quietinho”, como a maioria das pessoas espera. Principalmente nas primeiras 4 a 6 semanas, há aqueles que parecem estar em um eterno pico de crescimento, pois passam o dia e a noite pendurados no seio da mãe. Esse período é realmente crítico para grande parte dos bebês, pois eles mal sabem que nasceram e quase tudo causa desconforto ou dor. Sabe-se que a exterogestação dura pelo menos 12 semanas, há correntes indicando que esse período pode se estender pelos primeiros 9 meses de vida extra-uterina.  Entretanto, é consenso que as primeiras 8 semanas são as mais desafiadoras. Esse é o primeiro período de adaptação extra-útero, e o bebê costuma exigir contato pele a pele e amamentação frequentes.

Beleza, Rose, mas por que isso acontece?

Há alguns motivos que podem explicar esse comportamento. Evolutivamente falando, esse comportamento garantiu a sobrevivência da nossa espécie, já que éramos nômades e o fato de o bebê demandar atenção da mãe o tempo todo garantia que ele não fosse deixado para trás em caso de fuga de algum predador ou ameaça. Além disso, a alta demanda por contato físico com a mãe é a maneira mais segura que o bebê tem de garantir seu alimento, já que ela é quem o provê. Há que se considerar ainda que ele passou 9 meses inteirinhos em contato físico visceral com essa mulher, ela é o único universo que ele conhecia. Para o bebê, até o dia do seu nascimento a vida se resumia a ser protegido, afagado e alimentado 24 horas por dia por sua mãe. O parto traz uma ruptura rumo a um universo desconhecido e diferente, no qual o ambiente é seco, no qual ele sente fome, frio, calor, e pode ficar grandes períodos de tempo sem contato físico. Para um indivíduo que só conhece a vida com contato físico o tempo todo, apenas 15 minutos sem sentir o calor de um corpo ou ouvir as batidas de um coração (de preferência materno), podem parecer uma eternidade!

Sabe-se também que o estômago do bebê nasce pequenininho, com capacidade de 5-7 ml, e vai dilatando com o passar do tempo. Se o estômago é pequeno, o neném precisa mamar com muita frequência para garantir nutrição e hidratação adequadas, e consequentemente, crescer e se desenvolver a contento. Há que se lembrar ainda que o leite materno não é só o alimento, mas também a água que o bebê precisa. Portanto, o pequeno buscará o seio também sempre que sentir sede.

Ok, Rose, consegui entender o que meu bebezinho está passando e porque ele se sente assim. Como eu posso melhorar a situação tanto para ele, quanto para mim?

Em primeiro lugar, é preciso adequar suas expectativas com a realidade que se espera do dia a dia com um bebê. Mamadas frequentes e em pequenos intervalos são comuns e esperadas nos primeiros meses de vida. Organize sua rotina sabendo que você não estará disponível para outras atividades por alguns dias. O normal esperado é que um bebê mame pelo menos 8 a 12 vezes num período de 24 horas. Essa frequência é necessária não só para o bem estar do bebê, mas também para o bem estar da mãe. Amamentar com frequência evita ingurgitamento mamário e suas consequências, como mastite e abcessos. A regulação da produção de leite materno também depende dessa prática. Como ele é produzido sob demanda, quanto mais o bebê sugar, mais leite essa mulher vai produzir.

Amamentar ainda é a melhor forma de acalmar um bebê, pois durante a sucção ele recebe não somente leite, mas também aconchego e segurança. O ato de sugar gera sensação de prazer e relaxamento. O neném sente como se ele e a mãe fossem novamente um só, o choro cessa e tudo volta a ficar bem.  Lembre-se sempre que amamentar vai muito além de alimentar o corpo, é também calor, proximidade, tranquilidade, conforto, cura, amor. Diversas pesquisas já comprovaram que amamentação reduz o estresse e a dor durante procedimentos invasivos.

bebê ama o peito

Ah, Rose, que lindo! Não sabia disso tudo! Então me ajuda a ajustar a amamentação?

O primeiro passo é se certificar que o bebê está fazendo mamadas eficazes. A melhor forma de fazer isso é observar as fraldas do neném. Ele deve apresentar uma fralda pesada de xixi no primeiro dia de vida, duas no segundo e assim sucessivamente até o quinto dia. A partir daí, ele precisará manter o mínimo de 5 fraldas pesadinhas de xixi por dia.

Se a troca de fraldas está menor que esses parâmentros, vamos então observar a mamada. A pega pode estar incorreta mesmo que seus seios não tenham ferido. Quando a pega está incorreta, a ordenha não é tão eficaz e o bebê acaba retirando pouco leite da mama. Às vezes a boca do bebê está mais fechadinha, o que também gera uma ordenha ineficaz. Assim, ele precisa ficar mais tempo na mama para receber todo o leite de que precisa. Isso impacta diretamente no volume de urina eliminado, bem como nas medidas antropométricas (peso, comprimento, perímetro cefálico). Muitas vezes, pequenas intervenções na pega podem resolver o problema. Procure ficar mais atenta ao seu posicionamento e ao do bebê durante a amamentação, bem como à abertura da boca e à posição dos lábios do neném. Lembrando que quaisquer tipos de bicos artificiais impactam sobremaneira na qualidade da pega e da ordenha de leite pelo bebê.

Se ainda assim você perceber que o bebê não está recebendo leite suficiente não espere muito tempo para pedir ajuda. Quanto antes ela chegar melhor tanto para você quanto para o bebê. Uma consultora realmente capacitada poderá facilitar muito o processo de aprendizagem da pega correta, garantindo assim saúde física e emocional de ambos.

Muitos livros, artigos de revistas e outros produtos da nossa cultura moderna nos sugerem que poderemos continuar com a “vida como de costume” após o nascimento do bebê – que podemos e devemos “treinar” o bebê para se encaixar o quanto antes na rotina dos adultos que o rodeiam. Um argumento que sempre ouço é: ele (o neném) chegou em uma família que já existia, formada por mim e por meu marido, é ele quem precisa se adaptar a nós, e não o contrário”. Sinto profunda tristeza quando ouço esse argumento, já que ele é baseado na extrema falta de empatia para com o bebê e suas necessidades.

A relação pais/bebê é extremamente desigual, na medida que os pais são (ou espera-se que sejam) maduros e independentes, enquanto o bebê depende completamente dos seus cuidadores para fazer o que quer que seja. É obrigação dos pais facilitar a adaptação dos seus filhos a esse mundão, além de prover toda e qualquer necessidade que ele tenha. Esse cenário vai se modificando gradativamente, a medida que esse neném tem condições neuropsicomotoras de realizar sozinho determinadas atividades.  Metodologias de “treinamento” de bebês só reforçam para eles a certeza de que não podem contar com a ajuda dos pais nos momentos em que eles mais precisam, já que são obrigados a aprender a “se virarem sozinhos” quando ainda não estão preparados para isso.

Consequentemente, esses métodos podem até dar certo conforto para os pais inicialmente, já que o bebê, cansado de chorar e esperar por ajuda, se resigna e cala as próprias emoções, sendo dominado pelo cansaço. Entretanto, há evidências científicas provenientes de inúmeras pesquisas feitas em diferentes países, que indivíduos criados dessa forma tem inteligência emocional diminuída, além de sofrer de diversos tipos de adoecimento mental com frequência brutalmente maior do que aqueles que foram satisfatoriamente atendidos.

É inegável que nossas vidas mudam muito com o nascimento de filhoê, e como vimos, pedir a ele para se conformar com a nossa rotina pode custar caro para o bebê e para os pais. Geralmente,  atrasar a mamada quando o neném indica que precisa mamar pode prejudicar a produção de leite, afetando diretamente no ganho de peso do bebê. Além disso, ele costuma ficar muito irritado, o que dificulta a pegar corretamente o seio, diminuindo a quantidade de leite retirada da mama,  além de poder causar fissuras nas mamas, estressando ainda mais mãe e filho. A amamentação frequente é indicada e necessária para o adequado desenvolvimento, principalmente de bebês muito novos. Não se preocupe, o intervalo entre as mamadas vai aumentando naturalmente a medida que o tempo passa. Respeitando a natureza do seu filho você está também garantindo o sucesso na amamentação a longo prazo, bem como satisfazendo suas necessidades físicas e emocionais.

As primeiras 6-8 semanas são um período no qual você está construindo a sua oferta de leite. Mãe e filho estão se acostumando um com o outro e aprendendo sobre o processo de amamentação. Após as primeiras 6-12 semanas, a maioria dos bebês já está mais à vontade com a amamentação e começa a apresentar uma rotina mais previsível. As mamadas não demoram tanto tempo já que ele torna-se mais eficiente na retirada de leite.

Persista! Em breve amamentar será muito mais rápido e fácil, e você terá chegado à fase prazerosa da amamentação!

Estabeleça prioridades

Será que sua casa, roupas e louças ficarão deprimidos se você negligenciá-los por alguns meses? O ideal é conseguir ajuda para que você possa se dedicar ao que deveria ser seu único trabalho nesse momento, que é cuidar do seu bebê. Entretanto, nem sempre isso é possível, então foque em conseguir ao menos um mínimo de auxílio. Você está construindo um relacionamento com seu filho, as tarefas domésticas podem esperar.

Faça uma lista das coisas que você gostaria de fazer a cada semana e tente priorizá-las. O ideal é que alguém se responsabilize pelas tarefas domésticas por quanto tempo for possível. Nas primeiras semanas, se um amigo ou membro da família perguntar se pode ajudar, peça que te ajude com essas tarefas ao invés de cuidar do bebê enquanto você as executa. O bebê foi feito para estar com a mãe, e é esse seu principal trabalho no momento. Se alguém realmente deseja ajudar, poderá lavar a louça ou limpar o banheiro, por exemplo. Levar marmita, deixar comida congelada e lavar roupas também são excelentes auxílios.

Alguém pode levar seu filho mais velho para um passeio enquanto você descansa com o bebê? O pai pode deixar alimentos preparados para que você se alimente bem sempre que encontrar um tempinho? Seja criativa, e não tenha medo de delegar tarefas ou até mesmo deixa-las de lado. Os primeiros meses do bebê voam, por mais que pareçam durar uma eternidade quando está passando por eles.

Esteja preparada     

Faça uma cesta ou bolsa com itens de primeira necessidade ao amamentar. Você pode leva-la para qualquer canto da casa, assim estará sempre com tudo a mão. Algumas coisas que você pode querer:

– Fraldas de boca ou babinhas

– Garrafa de água sempre abastecida

– Lanchinhos como frutas e castanhas

– Livros

– Controle remoto

– Telefone sem fio e celular (dica: deixe o mudo ativado para não acordar o bebê)

– Absorventes de seio

Você tem um sling ou carregador de bebê? Aprenda a usá-lo e ganhará mãos livres para fazer o que quiser! Importante: certifique-se de que seu carregador deixe o bebê em posição anatômica, com os joelhos acima da linha do bumbum, formando uma letra W. Carregadores que deixam as pernas sem apoio e balançando, forçam as articulações do quadril podendo causar sérias lesões.

Maximize o sono

Durma quando o bebê cochilar. Você provavelmente já ouviu isso um milhão de vezes, mas todos dizem isso porque ajuda! Quando o bebê vai dormir, não “aproveite” esse tempinho para fazer tarefas domésticas, deite-se com ele, descanse e tente dormir. Se você não consegue dormir, leia um livro ou faça alguma atividade relaxante, mas não corra pela casa. Amamentar é desgastante e consome muita energia, você precisa descansar para ficar bem e seguir fazendo o mais importante trabalho da sua vida: amamentar seu bebê.

Para ter mais tempo de sono, tente dormir próxima ao neném. Assim você pode atende-lo enquanto cochila, os dois acabam descansando mais e todo mundo ganha. Cama compartilhada é o segredo de muitas mães que amamentam. Quanto mais perto vocês dois estiverem, menos seu sono será interrompido.

Você se sente presa em casa?

Muitas recém mães sentem como se estivessem presas em casa com um bebê que mama toda hora, entretanto pode ser incrivelmente fácil sair com um bebê amamentado exclusivamente. Já pensou que para sair com ele basta apenas 2 mudas de roupas, fraldas e seus seios? Pois é!  Deixo aqui dicas para te ajudar a passear com seu pequeno!

– Aprenda a usar o sling. Com um carregador de bebê e um pouco de prática, você pode amamentar enquanto anda pelo parque ou pelo shopping.

– Passeie pelo bairro (ou até mesmo apenas na sua rua). Um passeio de carrinho é ótimo para você espairecer e para seu neném pegar um solzinho.

– Assim que o bebê começar a espaçar mais as mamadas, saia sozinha por alguns minutos, seja 30 a 60, para fazer algo de que goste. Deixe leite para ser oferecido no copinho em caso de emergência.

Eu espero sinceramente que esse texto tenha te ajudado!

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Beijo grande!

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