Eu tinha acabado de parir minha filha, estava em êxtase com o parto normal, mas muito cansada. Quando grávidas ficamos loucas para o bebê nascer e além de curtir a cria, descansar do período da gestação.

Piada isso! você não só não descansa como também duplica suas tarefas entre fraldas, mamadas e arrotos (do bebê). Tudo isso fica muito mais leve se você tiver ao seu lado alguém de confiança que dê suporte logístico com a casa e carinho ao coração. Eu tive e foi a minha mãe. Ela veio para o meu apartamento de mala e cuia de ótimo grado.

Como eu estava casada a pouco mais de um ano o quarto de hóspedes não estava pronto, como não está até hoje, mas para acomodá-la colocamos um colchao na sala que tinha TV e uma janela grande com boa ventilação. Ela passava o dia cuidando da casa e eu da Isabelle. A noite ela pegava minha filha e eu ia pra cozinha fazer o jantar. Era uma boa troca pois, ela babava a neta e eu renovava as energias no fogão. Depois eu ia para o meu quarto, amamentava, punha pra arrotar, colocava a Bebelle pra dormir e ia pra cama também. Minha mãe sempre ficava acordada, no tablete, postando fotos da neta.

Neste dia, Bebelle já tinha mamado nos dois peitos, proferiu arrotos dignos de campeonato e nada de dormir. Era colocar na cama e ela acordava. Pensei: vou levá-la pra sala, quem sabe lá ela dorme de verdade.

A luz tava apagada. Quando cheguei dei um tchauzinho pra minha mãe me ver e não fazer barulho. Mãe de recém nascido tem tanto medo de barulho, né. Ela me olhou com uma cara estranha. Sentei-me no sofá, na ponta oposta e fiz um sinal. Ela fez que viu e parecia fazer força pra continuar olhando pro tablete. Uai, que isso, mãe, pensei, ta com raiva? O vento da janela tava de mais para a bebê, mas ela não olhava pra mim pra eu pedir pra fechar. Balancei a fraldinha de boca pra mexer com ela e a danada estatelou o olhar no tablete, sem nada ver. Continuei acenando, mais forte e ela virou a tela do tablete pro meu lado. Tá louca, mãe! Pensei.

Ela se benzeu com o nome do pai, encolheu as pernas e pôs o tablete na frente do rosto. Oh meu Deus, que coisa esquisita é a menopausa!

Será que ela não tá me vendo? Só aí percebi o óbvio, ela tava sem óculos, num encherga nada sem eles, mesmo que eu estivesse de vermelho. Ah já sei!  Joguei nela a fralda. A mulher cantou cavaco deitada, deu três rodopios com duplo twist carpado e caiu de pé. Chamou todos os santos da ladainha e quando viu que era eu proguejou todos os anjos caídos.

 

_ Oh praga é você! Quase me joguei da janela! To vendo esse volto vermelho sacudindo um pano branco. Achei que um trem ruim.

Hahahahahaha

Caímos numa risada sem fim. Acordamos a Isabelle, mas valeu a pena. Era a cena que precisávamos para quebra o gelo do puerpério.

Quando você chega do hospital com um bebê parece que tudo é solene, sério e eterno. O primeiro banho, o humbigo que cai, os primeiros sete dias… O humor nos ajudou a dialetisar esse momento e a percebê-lo como vital, mas também divertido. Fazer graça dos equívocos de comunicação dissipa a ansiedade que todos sentem pela vida nova.

Se por aí o clima tá tenso e a ansiedade anda deixando todo mundo cego, pense em introduzir dose homeopáticas de risadas. A fralda de cocô caiu com o recheio virado pro chão: Ri! Seu marido lavou as roupas rosas com as brancas e agora todas são rosas: Ri! A visita deu doce na boca do seu bebê: RI não porque isso é muita sacanagem. O humor pode ser uma arma imbatível para harmonizar as relações. Tente!

E você, tem histórias engraçados para contar do puerpério?

 

Obs.: agradeço a minha mãe, Graça, fonte infindável de humor na nossa família.

 

Dedico este texto a minha doulanda Simone Bibiano, pois a ideia deste texto surgiu de uma das nossas conversas. Obrigada, Querida!


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