Quando engravidei, eu acreditava que com seis meses, iria voltar a trabalhar, e iria ser normal. Antes de Hugo nascer, eu não imaginava que a maternidade é tudo isso que ela é. Eu ouvia o sofrimento das mães, eu escutava detalhadamente o sofrimento das mães, e agora, todo esse sofrimento é meu também.

Eu achava que iria ser fácil, eu tinha esquecido das coisas que estudei, das mães que eu ouvi. E aí, meu filho fez seis meses ontem, e amanhã eu volto ao trabalho. Mas que trabalho? Durante toda a licença eu busquei encontrar outro caminho para ficar mais perto do meu filho, para acompanhar seu crescimento, para criá-lo, para ser presente. Essa história de que não importa a quantidade do tempo, mas a qualidade é uma balela, a criança sente a falta durante do dia inteiro, e ela não compreende que a mamãe e o papai foram trabalhar, ela compreende e sente a ausência.

Eu não entendo se a recomendação é amamentar exclusivamente até os seis meses, e que é com seis meses que a criança começa a perceber que ela não é uma extensão do corpo da mãe, por que essa separação tem que ser tão agressiva, desrespeitosa, violenta? A criança ainda está assimilando essa separação, e ela já se torna em ausência? E as mães que precisam voltar antes dos 6 meses? Como amamentar? E a amamentação até um ano, ou mais… O respeito ao tempo da criança para desmamar? E a segurança para que a criança construa sua autonomia? Gente, alguém pensa nas crianças quando cria essas leis e essas pressões sociais que sofremos enquanto mães?

Quando eu me vejo frente à uma decisão, a primeira coisa que me pergunto é que mundo E que vida eu quero para o meu filho, e em seguida a re-faço em outra ordem: que filho eu quero deixar para o mundo e para vida… Ter filhos é ter responsabilidade com o que vem em seguida, com o mundo, com a existência, já dizia Hannah Arendt.

É viver o presente com muito amor, muita dedicação, pois só existe um futuro se o presente for vivido e cuidado. Nunca saberemos quem nossos filhos serão, antes que eles o sejam, por isso é importante ver a criança no agora, e fazer desse agora um momento de felicidade, de pleno desenvolvimento, de aprendizado, de amor. E que oportunidade nos dão para viver isso? E que oportunidade nos dão para cuidar dos nossos filhos, se assim escolhermos?

Eu escolhi ser mãe, e ser mãe é uma escolha. Você pode até se justificar pegando emprestado as pressões sociais em cima da mulher, mas há de se responsabilizar pelas conseqüências, porque existe uma coisa que nos esqueceram de dizer, a criança ainda não escolhe, nós escolhemos por ela, e nossas escolhas reverberam na vida dessa criança que é nossa responsabilidade. Ou é normal tanta mãe se sentir culpada? Ou sofrer por conta dessas escolhas? Nós mães sabemos, podemos nos justificar, fingir que não sabemos, mas sabemos, sabemos quando sofremos com a separação, porque sabemos que nossos bebês precisam de nós! E se não é quando eles precisam que damos nossa presença e apoio, uma etapa é quebrada, ou prolongada… Há um tempo para cada coisa, há um tempo que a criança se separa, que a criança começa a viver sua autonomia e independência, mas para que isso aconteça, no momento anterior ela deve ser coberta de segurança e apoio. A criança só tem coragem, se tem segurança.

Não to aqui dizendo que eu preciso estar grudada ao meu filho, ele tem o espaço dele, enquanto eu estou aqui escrevendo, ele tá ali com seus brinquedos, olha pra mim e eu olho pra ele, e em seguida ele retorna a seu mundo de exploração de sons, cores e texturas. E às vezes, ele só tá ali olhando a paisagem da varanda… E eu aqui, observando, e estudando. Eu estou aqui dizendo que as crianças precisam de presença, da mãe e do pai, que quem escolheu ter filhos, escolheu, e quem não escolheu, não deve jogar isso na vida da criança. E escolher ter filhos é abraçar junto disso todas as conseqüências. E que deveríamos ter suporte e apoio. Lutamos pelo parto humanizado, mas esquecemos que depois do parto existe uma vida que merece ser respeitada.. A luta pela humanização deve ser contínua, respeitamos a chegada ao mundo, mas e a continuidade dessa chegada? Seis meses de licença não é nada, comparada com a importância do primeiro ano de vida do bebê no resto da vida dele…

E eu vou aqui, precisando voltar ao trabalho, porque existem contas a pagar, rezando e esperando por um milagre, ou um insight. Eu amo escrever, amo estudar o que eu estudo, maternidade, infância, e a arte. Não tenho pretensão de mudar de profissão, porque psicologia é a minha vida, e é a psicologia que me dá mais certeza de tudo isso pelo o qual eu luto, e discuto, e debato… Mas não é tão simples, e hoje eu sinto o mesmo sofrimento que eu ouvi durante um tempo de profissão, hoje é meu o sofrimento da dúvida, da incerteza, o sofrimento de ter que fazer uma escolha, que não é uma escolha; o sofrimento de não ter liberdade para exercer a maternidade mais próxima do ideal, o sofrimento de não poder ser a mãe que eu quero ser. O sofrimento de não ter apoio para exercer com liberdade a minha escolha de ser mãe.

 


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