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Definição de desmame natural: a criança escolhe o tempo de deixar de mamar.

Miguel sempre foi um bebe com uma enorme necessidade de sucção. Desde que nasceu, até uns 6 meses de vida, passava o dia todo pendurado no peito. Dia e noite. Como escrevi no post anterior sobre chupetas, muitas vezes me vi cansada e tentada a ceder a um recurso não natural para ter horas a mais de descanso e sossego.

Não posso negar que me passou pela cabeça começar a complementar as mamadas para que meu bebê não acordasse mais 5 vezes por noite. Mas eu sempre permaneci firme naquilo que eu achava correto, fugindo das vozes externas favoráveis a leite artificial e chupeta. Fizemos cama semi compartilhada, com um colchão no chão do quarto dele, para que pudesse dormir enquanto ele mamava

Os meses se passaram, os anos e até mesma eu comecei a questionar se chegaria o dia em que meu pequeno desmamaria espontaneamente.

A cada mês, depois do segundo ano, passei a me sentir atração de circo porque era olhada como um ET ao dar de mamar para meu pequeno menino. Quando ele completou 3 anos a palpitaria e incomodo de amigos ou mesmo desconhecidos começou a se tornar insuportável. Mas eu realmente nunca me incomodei. Em meu coração saberia que quando Miguel estivesse pronto deixaria o peito, encerrando um ciclo natural.

Gradativamente, depois que Miguel entrou na escola, passou a mamar menos durante o dia. Quando estava com sono, à tarde, algumas vezes pedia. Com 3 anos e 5 meses  combinei com ele que o peito só serviria para antes de dormir. Quando acordava de madrugada passei a oferecer água, ao invés de peito. Nossas mamadas se resumiram ao aconchego de antes de dormir. Sem choro, sem estresse.

Não existe certo, não existe errado. O que existe é o limite e entendimento de mãe e filho. Mas o mais difícil nos dias de hoje é que possamos ouvir nosso coração, entender as verdadeiras necessidades de uma criança, sem ceder aos apelos da família, sociedade, pediatra, imprensa.

Respeitar nesse processo os avanços e retrocessos sem se culpar, sem achar que está algo de errado. Quando tinha 8 meses, meu filho que já comia papinhas e frutas, teve uma virose e simplesmente voltou a mamar exclusivamente. Eu não soube respeitar esse retrocesso. Gostaria que alguém tivesse me dito que para saltar é preciso dar passos para trás para ir para além. Por isso aproveito o singelo post para dizer.

Foram muitas noites que ele não mais pedia o peito. Já fazia meses que durante o dia havia combinado que ele não mais mamaria.
Para adormecer pedia minha mão, me abraçava e dormia. Achei que estava desmamada. Mas veio uma gripe e ele voltou a mamar. Logo que voltou para escola começou a perguntar sobre o jardim:
– As crianças do jardim mamam?
– Não, filho, nem as do maternal. Mas você pode mamar se quiser.
– Se eu não quiser você vai ficar triste?
– Não, pelo contrário. Vou ficar feliz porque saberei que você está grande.
– Eu quero ser grande, mãe!
– Você já é!
– Então não vou querer mais, tá?
Puxou a blusa, colocou meus seios de fora e disse:
– Tchau peitos. Obrigado!

Deu um beijinho em cada um e nunca mais pediu. Depois de 3 anos e 7 meses nosso ciclo de amamentação se fechou, espontaneo e natural, como foi o parto, como foi o desfralde.

Miguel cresceu sem pressa e com respeito. Fiquei feliz por acreditar na força da natureza e respeitar o tempo das coisas. Respeitar o tempo, não desejando precocidade, não segurando além é uma grande lição. E quando chega o tempo da maturidade, a fruta é mais doce do que aquela amadurecida na marra.


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