Cada troca de experiência e de farpas, com um público fiel.

Aquela mãe é ativista do parto normal.

A outra defende a cesariana.

Aquela reclama demais.

Aquela é surtada.

A outra não fede nem cheira.

Essa pede ajuda do marido demais.

A outra acha que pai não tem que ajudar e sim participar.

Todas tinham uma opinião sobre as outras. Cada dia era uma nova piada, uma novidade, uma experiência. Umas com antipatia de outras, achando que era uma competição ou alguma exposição de que vença a melhor. Em vez de se unirem, acabavam indo para um outro lado. “Fulana é assim”, “Ciclana faz assado”.

Uma senhora com idade suficiente para ser minha avó assistia uma briga na internet por questões maternas e deu o seguinte nome para aquilo: intriga. Disse que no tempo dela era a mesma coisa, a diferença é que eram menos pessoas participando daquelas rixas ridículas que nós, na nossa humanidade, acabamos entrando e alimentando sem nem perceber. Na sua sabedoria adquirida com o tempo, disse que principalmente nas cidades pequenas era muito comum ver mães se degladiando para mostrar quem tinha o filho com as melhores notas, futuro mais promissor, dentes mais brancos… e ainda acrescentou que a briga tinha mais classe que a atual, já que o computador deixa as pessoas mais corajosas para expressarem sua opinião de forma nada carinhosa.

Uma jovem, que não era adepta a essas modernidades da vida, sabia que sua opinião importava para ela mesma e suas escolhas não eram da conta de ninguém. Cuidava do filho tranquila, não precisava dizer sua posição nem debater com desconhecidos pois tinha muita fralda pra trocar. Mas sabia que sua opinião importava e quando fosse oportuno, estaria disposta a mostrá-la, mas apenas onde fosse válido.

Outra, mais moderna, continuou na briga para provar seu ponto, escolher as amizades pelas opiniões e pelo prestígio que cada uma tinha diante um determinado grupo. Era seu ponto de vista, tinha muita fralda pra trocar (e como trocava!) e mesmo assim insistia em provar seu ponto para conseguir mudar a mente de um ou outro. Isso a fazia feliz e ninguém tinha nada com isso.

No fim das contas, todas tinham filhos, todas os amavam e todas tinham parido com o coração. Não importava posição politica, raça, idade ou quantidade de tarja preta que tomavam, se eram solteiras ou casadas, se estavam fartas ou não da rotina, se amavam ou não a si mesmas… todas ali estavam no mesmo barco. Algumas só não sabiam disso.

 

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