Gostar de história e brincadeiras faz parte da psique humana desde antes do nascimento.

Ler, ouvir, tocar, sentir, cheirar e tudo mais que envolve nossos sentidos, são ativados quando brincamos ou estamos envolvidos com histórias. Por isso, nada mais natural que praticar tais ações.

E se elas estiverem dentro de energias amorosas, fraternas e respeitosas, se tornam ocasiões encantadoras, que ficarão marcadas para sempre na memória de quem participa.

Estou sempre fazendo brincadeiras com meu filho, e recentemente escrevi um livro sobre Histórias de Criação com Apego. Lá no site você pode ouvir a narração suave e mágica do conto “Pinguim bebê” (www.criasquevoam.com).

Porém, ler para seu o filho, que é seu maior fã, num momento especial de entrega ao amor incondicional é o grande segredo que faz toda a diferença na relação entre mães e filhos.

São ações simples, que podem ser praticadas no dia-a-dia, sem muito investimento, que formarão um costume sadio para os pequenos indivíduos. A complexidade da vida não é formada apenas com grandes ações mirabolantes, mas principalmente com a vivência dos detalhes significativos.

Logo abaixo segue a história que fala sobre a força da intuição materna versus os conflitos relacionados às regras sociais. Precisamos fazer que o amor vença sempre, essa é a mensagem.

Logo depois há uma sugestão de brincadeira, que pode ser oferecida à criança ao final da leitura. Entretanto vale lembrar que esperar o interesse e a manifestação do filho para brincar ou não, deixará tudo mais significativo e natural.

Boa leitura, boa brincadeira e boa sintonia com quem você mais ama.

Pinguim bebê.

 

Era uma vez um pinguim bebê chamado Lucrécio.

Como vários outros animais da sua espécie, ele havia nascido no meio da fria Antártida. Um lugar cheio de gelo e neve.

Um lugar que tem uma paisagem inteirinha na cor branca.

Quando Lucrécio nasceu tudo ao seu redor era assim, branco e frio.

Todas as mamães, papais e crianças pinguins gostavam de viver ali e estavam e acostumados com o continente gelado.

Mas Lucrécio sentia muito…FRRRRIO!

Ele era um bebê pinguim bem diferente. Porque ele sentia muito, mas muito frio!

Sua mamãe achava isso muito estranho.

Como assim, um bebê pinguim sentir frio?

Ele era alimentado da mesma forma que todas as outras crianças. Ele brincava e falava como todos os outros bebês. Sua mamãe fazia as mesmas coisas que havia feito para todos os seus irmãozinhos, mas nada disso fazia diferença.

Lucrécio não parava de sentir frio, ficava sempre encolhido, tremendo e até chorando baixinho.

Sua mamãe decidiu conversar com outras mamães pinguins que eram mais experientes. Ela queria achar uma solução para o frio descomunal de Lucrécio.

Os conselhos que ela ouvia diziam assim:

“Não ligue não, ele vai se acostumar!”

“É assim mesmo, não se preocupe, bebês choram, mas depois param!”

Ou então falavam assim:

“Ah essas crianças, acham que podem sentir qualquer coisa que desejam!”

Com esses conselhos a mamãe pinguim resolveu esperar para ver o que ia acontecer.

Ela queria que o seu bebê se acostumasse com o frio, que fosse igual a todos os outros, e que parasse de chorar.

Mas isso não aconteceu! Os dias se passaram e Lucrécio continuava gelado.

Só uma coisa havia mudado, agora ele chorava cada vez mais.

Até que num certo dia, quando a mamãe pinguim não aguentava mais ver o choro do seu filhotinho, resolveu pegá-lo no colo e apertá-lo bem forte.

Começou a passar suas mãos, de forma rápida para cima e para baixo, nas costinhas do seu bebê.

E sabe o que aconteceu?

Lucrécio começou a ficar aquecido e parou de chorar. Até um sorrisinho deu para sua mamãe!

Só que não demorou muito e lá estava Lucrécio novamente com frio.

Mas agora a mamãe já sabia o que precisava fazer, e começou a abraçar e acariciar seu filhotinho tudo de novo.

Nesse momento, as outras mamães pinguins, aquelas mais experientes, viram o que estava acontecendo e não gostaram nada, nada.

“Onde já se viu, uma mãe pinguim ficar esquentando o corpo do filho com abraços e massagens!”

É que naquele continente não era costume as mamães darem carinho para seus filhos!

A mamãe de Lucrécio escutou o que elas diziam. Ficou triste e até se sentiu envergonhada. E acabou tirando o bebê do seu colo.

Quando ela fez isso, adivinhem …

Na mesma hora Lucrécio começou a chorar mais alto que antes!

A tristeza de ver seu filhotinho chorando foi imensa. Então a mamãe percebeu que o mais importante era atender as necessidades do seu filho.

Ela entendeu que a opinião das outras pessoas e da sociedade dos pinguins não era mais importante que a felicidade do seu filhotinho. E que as regras sociais não podiam ser as mesmas para todos, porque cada um tinha suas necessidades bem singulares!

Depois desse dia nunca mais Lucrécio sentiu frio, porque toda vez que isso acontecia, sua mamãe pegava-o no colo e aquecia seu amorzinho.

Lucrécio era um pinguim totalmente diferente e completamente feliz e nunca mais sentiu alguma frieza porque sempre tinha sua mamãe por perto para protegê-lo.

 

Dicas de reflexões para os adultos:

Com toda certeza você já ouviu inúmeros conselhos de pessoas próximas a vocês, ou de pessoas que mal conhece, dizendo como se deve tratar as crianças. Que elas precisam se moldar aos costumes, e que precisam aprender desde cedo inúmeros comportamentos sociais e que as crianças crescem e sobrevivem a todas as regras rígidas impostas! Mas acho que você, melhor do que ninguém, sabe quem é seu filho e como é sua natureza. O que dá certo e o que não funciona com ele. Mesmo que haja milhões de livros repletos de receitas de como cuidar do seu bebê, o seu filho é único. E o que funciona com ele pode não funcionar com o filho do vizinho e vice-versa. Sabe aquelas outras mães e pais que têm uma tremenda afinidade filosófica com você, que recebem tua admiração de como cuidar dos filhos? Saiba que as regras deles também não servem para seu filho, porque cada núcleo familiar é único, cada dupla mãe/filho também é única. Para resumir: observe a sua cria, escute, olhe, toque, sinta e pense o que serve para vocês. E sejam mais harmônicos assim, porque muitas vezes os estresses ocorrem apenas porque se esquece de olhar o filho para ficar de olho na receita do livro, e isso nem sempre dá certo!

Outra coisa, massagens, sling, cama compartilhada, carinhos sempre que solicitado fazem parte de um caminho que facilmente te apresentará belas paisagens, ajudando você a perceber melhor sua cria!

Sugestão de brincadeira:

Agora vamos ajudar Lucrécio e sua mamãe a mostrar para os outros pinguins o quanto é legal dar abraços e fazer carinhos nos seus filhinhos.

Vamos aquecer nosso corpo e coração?

Faz de conta que você é um pinguim que está com frio. Depois escolha um lugar para ficar bem encolhidinho e chame sua mamãe para aquecê-lo!

Vamos brincar de esquentar?

Ah e vale você esquentar sua mamãe também, ou usar um óleo de massagem!

Boa brincadeira.


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