Quem nunca ouviu que ser mãe “é padecer no paraíso?”

Acho que a palavra “mãe” é tão carregada de sentimento, de poder, que até assusta. Do mesmo modo, que ela é sobrecarregada de responsabilidade.

Será que mãe sofre? Primeiro, vamos entender o que quer dizer sofrer. Segundo o Dicionário Aurélio, Sofrer é: v.i. Sentir dor física ou moral, padecer: já sofreu muito. / &151; V.t. Sentir, experimentar, passar: sofreu fome e sede. / Suportar, tolerar: não pôde sofrer tão grande decepção. / Admitir, permitir: não pode sofrer nenhum atraso. // Sofrer de, ter dores, ser atormentado por: sofre do coração.

Indo pelo sentido da palavra, acho que mãe sofre sim. Algumas vezes dor física e moral, quando mexem com a sua cria. Minha tia costuma dizer que se você der um tapa na cara dela, mas colocando um doce na boca dos filhos, tá tudo certo. Talvez, a coisa vai mais ou menos por aí…

A partir do momento que se quer ser mãe, a mulher já começa a experimentar algum tipo de sofrimento. No caso, a ansiedade. O momento de parar de tomar anticoncepcional ou de usar camisinha. A relação sexual, com o objetivo de engravidar. A expectativa de cada ciclo menstrual que chega. A decepção de menstruar e mais um mês não estar grávida. Passei por isso, por longos quatro meses. A cada menstruação um barril de lágrimas. E grávidas pipocavam ao meu redor. Daí mais lágrimas.

A ansiedade me fazia sofrerrrrrrrrrrrrrrrr. A Angelis me dizia: “precisa tanto, Pri?” E no meu entender, simmmmmmmmmm, precisava.

Então, a mãe sofre antes mesmo da concepção do filho? No meu caso, sim. Eu sofria. Um dia cheguei a contar e tinham oito grávidas por perto. Umas que realmente haviam planejado, outras nem tanto, mas grávidas, ali, sem saberem, sem culpa, “esfregando na minha cara” a felicidade delas. E aí eu azucrinava minha mãe, a Bruna, a Sirlei e Santa Rita. Coitada da santa!

Daí você desencana e foca em outro objetivo. Foi o que eu fiz. Até comecei a fazer coaching, na época, para melhorar meu lado profissional. Daí veio o atraso da menstruação. E daí eu não queria criar esperanças para não ter outra decepção. Mas aí, eu sofria por que não sabia se estava grávida ou não.

Lembro que numa quinta-feira, pra ser mais exata, dia 31 de janeiro de 2013, fui a um show com o Arthur, a Fátima e o Clebinho. Bebemos e pulamos. Nossa, eu e a Fátima pulamos muito! Passou sexta. Nada de menstruação. Passou sábado. Nada de menstruação. Falei para o marido que iria fazer exame segunda-feira. Passou domingo. Nadica de nada. Chegou segunda-feira. Fui no médico do trabalho e peguei uma requisição para um Beta HCG. Liberei no convênio na hora do almoço. Colhi o sangue na terça-feira cedo.

Aí a ansiedade tomou conta de mim! As horas não passavam!!! O resultado saía somente a tarde. O laboratório funciona até às 18h. Eu trabalho até às 18h. Na época dava aula a noite, meu tempo era muito curto para conseguir passar em qualquer local. Mas, saí uns minutos mais cedo, acobertada pela minha estagiária e fui buscar o resultado. Entrei no estacionamento do laboratório cantando pneu. O moço que cuida do local deu risada.

Entreguei o protocolo para a atendente. Ela imprimiu e colocou dentro de um envelope. E assim ele ficou. No assento do banco do carro. Até às 10h30 da noite, quando o Arthur chegou do trabalho e eu já havia chego da faculdade onde dava aula. A ansiedade era tanta para saber o resultado, que me deu medo de abrir e ler “negativo”. Eu sofria por que tinha a resposta para a minha ansiedade ali, nas minhas mãos. Mas, o medo, me travava.

E aí, o Arthur abriu. E me disse sorrindo que eu estava grávida. E eu li e reli. E li mais uma vez! E saímos gritando no quintal a minha mãe, pra contar que mais um neto estava a caminho. Tentei acordar a Rafaela e não consegui. Mandei mensagem pros irmãos. Fomos para a casa da sogra, que assustou pelo horário. O sogro tava lavando louça, a notícia foi dada e todo mundo vibrou.

Aquele frio na barriga, aquele medo, a ansiedade foi dando lugar para uma alegria sem fim. Eu estava grávida. Eu ia ter um neném. Um filhos estava a caminho… ai meu Deus! Eu vou ser mãe!?!?!? Puta que pariu, eu tô grávida, e agora? E daí começou tudo de novo.

E pra contar ao chefe? Vários ensaios diante do espelho. A formação de diálogos na minha mente. Como seria? Será que eu daria conta do meu trabalho tão bem, grávida, quanto não grávida?

Mãe sofre, durante a gestação. Sofre a cada ultrassom para saber se está tudo certo com o rebento. Sofre com as mudanças no corpo, no humor, na cabeça, nas atitudes. Para quem trabalha, sofre em pensar no equilíbrio da vida pessoal X a profissional. Sofre com as mudanças causadas também na vida do companheiro/a. Também sofrem as que não têm companheiro/a para dividir a gestação.

Vocês vão dizer que é piração. Mas, na época que eu estava grávida, a Sirlei, uma grande amiga estava grávida junto. Eu sou alta, ela é baixinha. Sou grandona, ela pequenina. Ela já era mãe, então tinha um corpo que já tinha gestado uma criança. Então a barriga dela despontou mais rápido que a minha. Mesmo eu estando alguns dias a frente. E eu sofriaaaaaaaaaaa.

PAUSA: Ok. Eu sei que eu tenho uma veia dramática. Mas, se é pra contar da minha experiência e vocês entenderem, eu coloco sofriaaaaaaaaaaaa, pra vocês entenderem, que eu sofria MESMO!

Continuando… durante a gestação, por vezes a ansiedade me tomava, pensando no próximo ultrassom. Vira-e-mexe o bebê estava com as pernas cruzadas e não dava pra ver o sexo. A questão do sexo, não me preocupava muito, visto que tanto eu, quanto o Arthur não nos importava. Porém, de ambos os lados, todo mundo torcia por um menino e, alguma vezes, eu tive medo de ter uma menina, e não gostarem da minha pequena – o que, óbvio e graças a Deus, não ocorreu.

Vários outros momentos tive medo, insegurança e “sofri” durante a gestação. Muitas vezes, admito, por monstros nascidos, criados e cultivados na minha mente fértil.Não sei se com todo mundo é assim, mas eu costumo criar diálogos na minha mente comigo mesma e fico brava com as respostas. Louca, eu? Quase nada… rsrsrs

A cada ultrassom, era uma mistura de alegria, afinal iriamos ver nossa pequena, com medo, pois como não parei com os medicamentos da artrite durante a gestação, eu tinha muito medo de alguma coisa acontecer com a Angelina. E quando ela não abria a mão? E não dava pra contar todos os dedinhos! E o medo de estar faltando um deles?!?!?! Ô meu Deus, que agonia!

Quando passamos pelo exame de translucência nucal, que é o que detecta se há traço possível ou não de síndrome de down, meu coração estava dividido. O problema, de maneira alguma, era ter uma filha com síndrome de down. O problema era a discriminação que essa criança sofreria, dentro e fora da família, pois conheço os meus e sei que uma parcela não aceitaria tão bem uma criança “com problema”, principalmente, pelo fato de não ter nenhum outro caso, em ambos os lados. Quando a médica da ultrassonografia disse que estava “dentro das normalidades”, respirei fundo.

Essa questão de sofrimento é bem particular pra cada pessoa. Durante a gestação eu ouvia muito “dorme agora, por que depois que nascer, você não vai dormir nunca mais”. Na época, cheguei postar no facebook, como eu ficava incomodada com esse tipo de frase. Claro que dormir faz bem e é de extrema necessidade, vital aliás. Mas, eu, não sou uma pessoa que sofria por isso, nem sofro. Mas, claro que tenho amigas e conhecidas que estão com nenéns novinhos e que dariam a vida, por oito horas de sono, sem interrupções. Então, cada um, sofre ao seu modo.

Quer outro exemplo de sofrimento? Chás. Chá de cozinha, chá de fralda, chá de bebê, chá-bar. NADA CONTRA AS PESSOAS QUE GOSTAM. Conheço uma pessoa que curte, que adora, que faz, organiza, qualquer tipo de chá. É o jeito dela. O gosto dela. Ok, respeito. Mas, eu gente… esse meu estilo “meio Fiona”, faz eu ter pavor desse tipo de evento. Se sou convidada, vou por consideração à pessoa. Mas, tenho pavor de ver pintando a barriga da grávida, fazendo ela rebolar até o chão (se bem que isso ajuda a encaixar o bebê para um parto normal – vou pensar a respeito rsrsrs) e em vez, da noiva/grávida, sair da festa bonita, feliz pelos presentes, ela sai desgrenhada. Alguns ainda fazem ela se encontrar depois com o marido. Ai que desespero! Sou contra toda e qualquer forma de expor o outro ao ridículo. Graças a evolução das coisas, hoje já tem “modelos” diferentes de evento do tipo, mas, para a minha segurança, prefiro não fazer um. Claaaaaaaaaaaaaaaaro que fui criticada, off course, por não fazer um chá de bebê. Graças a Deus, não faltou nada pra nossa pequena.

Vendo em volta, os vários “tipos de sofrimento” de mães, ora por seus filhos serem pequenos, ora por serem adultos – afinal, como já dizia minha bisavó, “filho criado, trabalho dobrado”. Ora por estarem longe, ora por estarem perto e ela não poder dar atenção. Quem nunca ouviu a mãe, a vó, uma vizinha, uma tia dizer que está “preocupada com Fulano, por que ele não tem sorte na vida”. Então, além das pirações maternas normais, muitas vezes a mãe elege um para ela cuidar, carregar, sempre, afinal, coitado…

As mães que gestam seus filhos no coração arrisco dizer, que algumas vezes, sofrem até mais! Tem o lance da aceitação, depois da adoção. Tem o lance do preconceito por parte dos estúpidos, que, na minha opinião, não entendem nada de amor, ou então não criticariam esse tipo de gesto.

Depois que a Angelina nasceu e teve o lance da amamentação, que já contei aqui para vocês, é um sofrimento não muito bem elaborado na minha cabeça, ainda. Do mesmo modo, que tivemos outros episódios, que rolaram um sofrimento – já esperado – como o nascimento dos dentes, a primeira gripe, a queda dela. Tudo isso, deixou meu coração, do tamanho de uma semente de gergelim. Como diz a Dona Cida, “mãe vive passando pelo buraco de uma agulha”.

O que é justo? Não, não é. Mas, outro ser teria tanto amor e tanta coragem assim, para passar por tudo isso? Sei não… logo eu volto para falar de outros sofrimentos rsrs


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