Aula básica de Yoga para Gestantes de hoje inicia com o reconhecimento da anatomia da região pélvica:  das cristas ilíacas até o cóccix, volta um pouco e encontra os ísquios e daí até a sínfise púbica.

Pronto, encontramos o espaço pelo qual o bebê irá passar. Descobrimos que a posição supina diminui o espaço e  na “de quatro” o espaço aumenta.

Foi a deixa que fez surgir a pergunta de uma aluna: “Mas eu posso ficar nessa posição no hospital?” Bingo! Escutar essa pergunta fez passar um filme na minha cabeça.

Foi como uma cena daquela série “Os Normais” quando entrava o mini flashback, sabe? Escutei várias perguntas dentro dessa, numa sequência desconcertante de desdobramentos:

“Mas eu na minha insignificância tenho lá direito de escolher, escolher mesmo?”

” Eu tenho direito a escutar e respeitar o que a sabedoria do meu corpo me diz?”

“Então você está dizendo que a minha decisão é importante?”

 “Então eu posso encontrar um caminho único e repleto de significado, embora diferente do que dita a maioria?”

“Eu posso agir como sujeito e não apenas me submeter como um objeto?”  

Sinceramente nem me lembro o que respondi, mas passei a refletir sobre o que eu estava fazendo.

Ela, uma mulher que poderia ser qualquer uma. Adulta, inteligente, independente financeiramente, ansiosa pelas garantias de que o bebê esteja bem, verdadeiro pânico da dor do parto. Nada de novo. Um caminho único, lindo e transformador à vista.

Quis dizer a ela que escolher é possível, mas que dá trabalho e exige certo esforço para sair da superficialidade. Exige tempo e energia.

Começa com um olhar sincero e amoroso para dentro de si mesma. Passa por caminhos tão profundos, às vezes insondáveis.

Pra quem não quer essa trabalheira toda há atalhos já batidos, caminhos padrão.

Mas há quem acredite nessa ideia maluca de que é possível escolher. E há, mais importante ainda, quem compreende que assumir as escolhas feitas implica assumir também as consequências como fruto de suas próprias elaborações e seus desdobramentos na construção de um caminho único e irrepetível.

Garantias não há, embora às vezes queiram nos vendê-la embrulhando a ansiedade materna no mesmo pacote da ansiedade do doutor.

Escolher pode até parecer tentador. Agora escolher, escolher mesmo exige um alguém no lugar de sujeito. E um ser humano que banca estender a mão ao mistério.

Jeane Mendes é professora de Yoga para Gestantes, Psicóloga Clínica pela UFMG e Coach de Mulheres. Realizou recentemente o curso de formação de Doulas pelo Ishtar e Minhas Doulas.


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