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Peço licença aos leitores para compartilhar um texto pessoal. Uma nota que escrevi no meu Facebook, e que, para mim, é muito importante trazê-la aqui.

Eu o faço como um agradecimento pelo que o Vila Mamífera, ao me dar a oportunidade de escrever o Causa Justa aqui, modificou em minha vida, e que multiplicará para muitas mulheres no Brasil, tenho certeza.

Eu não era blogueira. Aliás, ainda não sou, estou em aprendizado… Mas o que modificou minha vida foi perceber que os textos que eu escrevi aqui no Causa Justa eram lidos por bastante gente que me perguntava: e o que você vai fazer com isso?? 

E eu passei a me questionar, me envolver, e senti no meu coração que precisava fazer mais que escrever os textos, mais que marchar nas ruas, mais que me indignar no Facebook – embora eu considere importante e imprescindível que essas coisas aconteçam: textos para informar, marchas para chamar a atenção, ativismo virtual para mobilizar. Só que eu quis ir além, e por isso me reuni com outras pessoas e montamos uma Associação, a ARTEMIS para atuar em Defesa da Mulher.

Nossa formalização foi ontem, 27/10/2013. O Site ainda não está no ar, a identidade visual está quase pronta, mas assim que estiver venho aqui dizer. A organização das ações já começaram e em breve serão divulgadas. Então, peço paciência que logo virão informações.

Mas eu precisa vir aqui para dizer o que aconteceu com minha vida, e agradecer a cada leitor desse blog, e a cada pessoa que deixou um comentário pela energia transformadora que reverberou em mim.

Muito obrigada. Espero trabalhar bastante pela autonomia da mulher e para mudar esse triste cenário de violência que nós vivemos.

Ana Lúcia Keunecke

 

 

“Foi um ano sabático na minha vida.

 

Há um ano eu saia do meu último trabalho, e, ao contrário do que fizera antes, não engatei outro. Com o apoio do meu marido, decidi que não voltaria a trabalhar, e ficaria “parada” por um ano ou até que eu encontrasse algo que me tocasse o coração a voltar ao mercado de trabalho.

 

E trabalhei sim nesse ano sabático, trabalhei por mim, pela minha leveza, pela relação com meus filhos, pelo vínculo da minha família, pelo ativismo social que existe em mim. E foi um ano muito bom, de leveza, de proximidades, de alegrias, de reencontros com amigos queridos, de buscar e levar as crianças na escola, de retomar a casa em SP, de redescobrir a cidade, de curtir padaria pela madrugada com papo e risadas gratuitas com amigas, de conhecer restaurantes novos, de tardes de almoço com mulheres fortes, tempo de encontro com a minha alma, tempos de encontro com a alma das outras pessoas, tempo de me conhecer, tempo de me despertar.

 

Desde julho do ano passado, quando estive na marcha do parto em casa, eu não consegui voltar minha vida à rotina que eu tinha. Enquanto trabalhava, eu pensava no que eu estava fazendo para mudar o cenário da assistência ao parto no Brasil, no que eu fazia efetivamente para alarmar a sociedade para a ocorrência da violência obstétrica que atinge 1 em cada 4 mulheres no Brasil, no que eu estava fazendo para erradicar a violência obstétrica, no que eu estava fazendo efetivamente pela busca da autonomia femina… Eram muitos questionamentos, e muita angústia.

 

E a resposta veio nesse ano. Na paz que eu encontrei com meus filhos, nos relatos ouvidos, nas ações que chegaram até mim, no lançamento do filme “O Renascimento do Parto”, no trabalho no Portal Vila Mamífera, nos textos do blog causa justa e nos comentários recebidos por lá. Foram pequenos sinais, mas eles eram constantes, e intensos.

 

E, atendendo a essa demanda do meu coração por uma causa que me move, por uma causa que eu acho que é justa e fundamental, me juntei a algumas pessoas e criamos uma Organização Não Governamental, uma associação, de nome ARTEMIS, cujo objetivo é o trabalho em defesa da autonomia da mulher.

 

A gestação da Artemis está ocorrendo há alguns meses. Reuniões para encontrar as pessoas afins. Conversas para estruturação dos sonhos. Dias de visão para estruturar o trabalho. Muita conversa para fazer um projeto de negócio social. Bastante estudo. Muito carinho e humildade. Busca de parcerias. Projetos já encaminhados. E a gestação foi acontecendo de forma rápida, ainda que para mim parecesse tímida. E, antes que eu percebesse, a ARTEMIS estava nascendo. Fui tomada pela necessidade dessa construção, juntamente com as outras pessoas que sonham comigo.

 

E hoje foi a Fundação da Artemis, cujos principais objetivos estatutários são:

 

I.        Prevenir e erradicar a violência obstétrica.

II.        Promover a autonomia feminina nas relações de gênero, sociais, trabalho, maternidade, sexualidade, gestação, parto.

III.        Promover, apoiar, difundir e desenvolver a cultura de apoio a maternidade consciente e infância, observando a importância da atenção humanizada à gestação, parto, puerpério, amamentação e vínculo materno-infantil.

IV.        Promover o conhecimento e a observância do direito da mulher a uma vida livre de violência em todas as suas formas, a saber: violência física, psicológica, sexual, econômica e patrimonial, obstétrica, laboral, institucional, doméstica, midiática e simbólica, bem como que se respeitem e protejam seus direitos humanos.

V.  Opor-se a todas as formas de discriminação e de violência sobre as mulheres e promover formas de erradicação

VI.  Promover a afirmação social, econômica e política das mulheres e a sua participação paritária em todas as esferas de decisão

VII. Defender e promover a igualdade de direitos e a equidade de gênero na legislação, no planejamento e na implementação de políticas públicas considerando as desigualdades sociais geradas pela interseção das discriminações de sexo, raça, orientação sexual, sócio-econômica, geracional, histórico criminal, escolaridade ou condição de saúde.

 

E o nascimento da Artemis é de tanta gente que sonhou comigo essa possibilidade, que venho aqui comemorar uma instituição que servirá aos interesses do movimento da humanização; que está aberta a parcerias e trabalhos, que acredita que através do negócio social é possível conseguir um trabalho com uma boa finalidade. A Artemis está à disposição do Movimento, só precisamos de mais um tantinho de tempo para terminar as coisas burocráticas, colocar o site no ar… Mas nós já existimos formalmente!

 

E eu preciso agradecer tanta gente que foi extremamente importante para essa fase… Agradeço primeiramente ao meu companheiro João, que trabalhou muito para que eu tivesse a oportunidade de ter o meu tempo; que acreditou e foi parceiro os meus sonhos; que meu deu a mão e que caminha comigo.

 

Agradeço aos meus filhos e enteados: Sofia e Marcos, Marina e Maurício porque fazem de mim através das experiências que compartilhamos, uma pessoa cada dia melhor; que me trazem o brilho nos olhos; que me brindaram com a possibilidade de que eu encontrasse a minha autonomia e  meu feminino através da maternidade. E ao meu pai pelo apoio e a ajuda.

 

Ao Mestre Marcos de Santis, terapeuta querido, por tanta troca, por ser um excelente espelho onde eu consegui projetar e ver um pedaço da minha alma.

 

Às confrades carmim, pelo amor, pela troca e pela constância. Renata, Kalu, Marta, Marcinha, Thaís e Vivian, por tantas madrugadas, colos e mãos de apoio.

 

À doce Ly por tantas horas ao telefones, tanta troca, e por conseguir me mostrar com doçura a mulher que eu me tornei.

 

À Lara Dee pelas conversas sempre tão modificadoras.

 

Minhas sócias queridas, que aceitaram o desafio de fazer o novo, de se entregar a um projeto que nos comove o coração e que acreditamos no sucesso: Raquel, Lara, Patrícia, Deborah, Kiki e Denise.

 

À madrinha Simone Diniz por toda a força e incentivo.

 

Aos amigos sócios fundadores que nos deram as mãos.

 

E ao ativismo que me mostra o quanto é possível mudar efetivamente uma realidade.”


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