img_0811-003

O Começo.

Poucos meses de namoro, um namoro tranqüilo e sério. Desde o começo conversamos sobre o que queríamos, os dois estavam marcados por sofrimentos e decepções dos últimos relacionamentos. Decidimos que queríamos a mesma coisa: namorar e ser feliz. Foi o início, foi o mais importante e que perdura até hoje. Desde o começo já falávamos de ficar juntos sem nos sacanear, sermos sinceros e companheiros. Falávamos em ficar juntos para sempre como todo casal apaixonado, porém com o pezinho no chão e duas bagagens emocionais de pais separados. Era isso que não queríamos: acabar como nossos pais, criando os filhos separadamente, cada um ao seu modo.

A Notícia.

Como desde o começo era muito sério tudo (leia-se sério como duas pessoas maduras e decididas a ficarem juntas e se fazerem felizes). Éramos assim, leves e felizes. Apaixonados e tranqüilos. Porém um atraso e o pânico se instalou. Cinco dias se passaram e nada. Um teste de farmácia e um positivo. Uma auto confiança que dizia que “o teste está errado”. Sabe aquela primeira reação de negação? Então. Um segundo teste, sangue, afirmativo, oito semanas e meia. O meu teste não veio escrito: POSITIVO em caixa alta num papel completamente branco. Veio um número que era tipo assim: 17.510 e abaixo uma tabela muito confusa. Lemos por uma hora e no fim entendemos: era positivo. O pavor chegou. Choramos a tarde inteira. O desespero tomou conta. Confesso: cogitei sim tirar, ele proibiu. Encontramos a minha melhor amiga a noite para contar a notícia. Precisávamos de alguma palavra de conforto. A resposta: é lógico que você vai abortar, né?! A revolta por parte dele e o desespero da amiga em ver a futura mãe em um beco sem saída. O segundo amigo: abraçou, deu parabéns, desejou boa sorte e um maravilhoso “conte comigo, estou aqui para o que precisar”. Era esse o conforto que esperávamos. Uma semana passou e não falamos a mais ninguém, era nosso segredo até quando desse pra guardar (não dura muito mesmo). Ele contou a mãe e mais desespero. Ele estava desemprego. Eu experimentava minhas roupas e tudo já começava a ficar muito justo e desconfortável. Os enjôos eram parte do dia e da noite, não davam folga. Duas semanas passaram e contei a minha mãe. A resposta: eu já sabia, quando você chegou e experimentou o seu guarda roupa todo peguei a noticia no ar, conte comigo. Ufa! Foi mais fácil que eu imaginava.

A segunda pessoa mais importante para saber dessa notícia: a nova chefe. Eu havia acabado de ser contratada e estava em período de experiência, ou seja, poderia ser mandada embora a qualquer momento. Mais despespero: grávida e sem emprego, namorado sem emprego. O que vai ser da gente? Contei a notícia. A resposta: é, fazer o quê? Meus parabéns! E ela ficou comigo num súbito ato que salvou a minha vida de tal forma.

A gravidez em si

Os enjôos eram pra parar aos três meses. Nada. Aos quatro. Nada. E assim foi até duas semanas antes do nascimento. A barriga cresce, os seios também, as coxas e todo o resto… kkkk É difícil lidar com isso, pesava 53 kg. Cheguei no fim com 72kg! Até os cinco meses e meio era Nicolas, o nosso menino. Depois do terceiro ultrassom, muita água gelada, caminhada e chocolate para animar o bebê a ficar numa posição que conseguíssemos ver o sexo. UMA MENINA! Sim, era uma menina e não o Nicolas que estávamos esperando. E agora? Planejamos por três meses como seria o nosso menino, tudo foi por água abaixo. Eu fiquei decepcionada, sempre imaginei que teria um menino. Tudo bem, refizemos tudo. Novo nome, novos sonhos. Mariana, sim, achamos o nome perfeito para a nossa menina. Cogitamos Beatriz, Valentina, Mariana e Bianca, num sorteio a Mari foi escolhida. Agora nosso novo sonho tinha nome e cores definidas, eu queria tudo roxo e rosa. E assim foi, chá de bebê, enxoval. Tudo com muita dificuldade. O Patrick fazia o que podia, trabalhava de roadie madrugadas adentro e eu em casa aflita com um barrigão de sete meses. Ganhamos muitos presentes que nos ajudaram enormemente.  Ah, eu lia tudo que encontrava sobre gravidez e bebês, estou quase uma especialista… uma amiga já me sugeriu até dar palestras a mães adolescentes.

O pai.

Ele já era incrível desde o início, enquanto eu achava que minha vida estava acabando ele via a nossa vida começando juntos. Enquanto eu chorava ele sonhava e levava tudo numa naturalidade incrível. Foi o meu suporte, a minha força, o meu amor. Só tenho que agradecê-lo por ser tão maravilhoso desde o início. Foi em TODAS as consultas do pré natal, ouviu cada conselho médico, escutou cada batimento do coração. Segurou minha mão e me confortou em todas as situações difíceis, tais como vomitar muito a todo tempo, enjoar do perfume dele, exigir Pringles de madrugada em pleno feriado. Nos desentendemos várias vezes e nos entendemos mais ainda para fazer tudo funcionar direitinho até a Mari chegar. Ele queria participar do parto mas o Brasil “um país de todos” não permite acompanhantes homens nas salas de parto de hospitais públicos. No meu caso não permitia nenhuma pessoa acompanhante.

O parto.

Normal, doloroso como tem que ser. Difícil e cansativo. Doze horas de trabalho de parto. Sozinha. Às dez da manhã conheci a Mari, a cara do pai! Eu estava meio tonta ainda do parto, mal conseguia segurá-la nos braços. Ela era normal e perfeita, saudável, linda. O maior e melhor presente do mundo. O amor não é instantâneo, acho que o pavor e o medo de cuidar de uma pessoa que você não conhece e não sabe o que fazer é muito maior. Tinha pavor de ficar sozinha com a Mari. Amamentar não era tão fácil como nos filmes e novelas, ela queria mamar mas não sabia sugar, os seios estavam muito grandes e rígidos para ela. E lá fomos ao banco de leite para esvaziar o estoque e ela conseguir mamar, nesse ponto eu já estava machucada e dolorida e só queria dormir. Três noites sozinhas com ela no hospital, não dormia… andava pra lá e prá cá no corredor, rezando pra Mari dormir.

A vida mudou.

O cansaço era rotina, uma noite inteira de sono virou extrema raridade. Fraldas e mais fraldas vazadas, almoçar correndo, tomar banho correndo. Cheirar a leite sempre, mesmo após o banho.  A Mari desde o início muito esperta e inteligente. Não dava trabalho propriamente dito de menino danado, só o trabalho normal de mamar o tempo todo, não dormir muito, querer ficar no colo. Foi difícil aceitar que eu não podia mais ir para onde quisesse, minha sonhada faculdade estaria adiada por mais uns anos, e ela dependeria de mim por muito tempo ainda. Até hoje não é fácil. Saí da casa da minha sogra, tive que readaptar a uma nova rotina muito mais cansativa, colocar a Mari em uma creche, acostumar a distância do namorado. Que até então ainda era namorado. Cogitamos comprar um apartamento e ganhamos do corretor o casamento no civil. Foi muita felicidade atrelada a uma crise de mudanças bruscas. Adoecemos os três. Nos casamos no civil, fizemos uma festa simples com muita dificuldade, sempre juntos e sempre lutando muito. Mariana completou um ano. Foi um ano atribulado, difícil, com muito amor a flor da pele, muitos sorrisos, muito companheirismo. Tenho certeza que eu e o Patrick crescemos muitos anos em um único só. Aprendemos que filho é tudo. E é isso. Ela é o nosso tudo. Ela é o nosso objetivo. Ela é quem nós queremos fazer feliz. Aprendemos a nos deixar um pouco de lado, conciliar tudo novamente, refazer minha vida em torno dela. Ela é a alegria, ela é o amor em pessoa. E por incrível que pareça é um bebê extremamente carinhoso, todos a amam, fazem questão da presença dela. Ela é o meu melhor. Cada sorriso, cada colherada de papinha de sucesso, cada gesto correto vale tudo o que passamos. Vale tudo o que ainda vamos enfrentar. Os problemas não acabaram, sempre existirão. Nós que enfrentamos com outros olhos. Ainda ficamos doentes freqüentemente, a imunidade abaixa com muita facilidade. Mas vamos aprendendo com o tempo juntos como podemos melhorar.


_______________________________________

Dica: Conheça tudo sobre Chá de Bebê. Lembrancinhas, Decoração e muito mais. Veja aqui as melhores dicas sobre Chá de Bebê e me conte o que achou.

 

Vamos discutir este conteúdo? Deixe um comentário