29mar2014---gravida-sandy-exibe-barriguinha-discreta-no-rio-na-noite-deste-sabado-29-a-cantora-realizou-um-show-na-na-casa-de-espetaculos-vivo-rio-sandy-esta-gravida-de-seis-meses-do-musico-1396145662080_956x500

Quando estava grávida de 7 meses, Sandy declarou no programa The Noite “Sou fã de parto normal, mas vou deixar o destino decidir”.

Com  essa frase era muito fácil saber que Sandy seria mais uma vítima do sistema. Apesar do acesso à informação, no Brasil nascer significa 55% de chances de chegar ao mundo por meio de uma cirurgia, muitas vezes sem trabalho de parto.

Foi o que revelou a recém divulgada pesquisa chamada Nascer no Brasil coordenada pela fiocruz.

O estudo aponta que quase 70% das brasileiras deseja um parto normal no início da gravidez, assim como Sandy. Entretanto, poucas foram apoiadas em sua preferência pelo parto normal: nos serviços privados, esse valor foi de apenas 15% para aquelas que estavam em sua primeira gestação. Ou seja 85% das mulheres foram como Sandy: escolheram um hospital privado, um médico que a desencorajaram a terem um parto normal. E terminaram em uma cirurgia sem trabalho de parto. E qual o problema?

O bebê só está pronto quando a mulher entra em trabalho de parto. Ou seja, o pulmão fica pronto, libera uma substância chamada sulfactante e aí as contrações começam. Quando um parto é realizado fora do trabalho de parto, mesmo com mais de 2kg500, o bebê pode não estar pronto e precisar de UTI.

Quando um bebê nascido por meio de cirurgia vai para uma Unidade de Terapia Intensiva a sociedade entende que a gestação estava ruim para o bebê, quando na verdade a extração fetal precoce é quem causou a necessidade de uma prematuridade.

A pesquisa Nascer no Brasil* também salientou esse ponto:

A proporção de nascimentos prematuros (antes de 37 semanas) encontrada no estudo foi de 11,3%. Quando comparado aos dados populacionais da Inglaterra e País de Gales, a ordem brasileira foi 55% maior. Em relação aos bebês que nasceram com 37 ou 38 semanas gestacionais, a proporção foi de 35%. Embora não sejam considerados prematuros, são bebês que poderiam ganhar mais peso e maturidade se tivessem a chance de chegar a 39 semanas ou mais de gestação. A epidemia de nascidos com 37 ou 38 semanas no Brasil é, em parte, explicada pelo número elevado de cesarianas agendadas antes do início do trabalho de parto, especialmente no setor privado.

Foi exatamente isso que aconteceu com Sandy. Segunda feira ela se internou e ontem, terça-feira, 24/06, seu filho Theo, foi retirado de seu útero por meio de uma cirurgia realizada no Hospital Vera Cruz, em Campinas, interior de São Paulo. O bebê mediu 48,5cm e pesou 2,9kg.

Esse fato não é notícia porque trata-se de uma conseqüência de ser famosa, ter dinheiro, usar serviço privado e ser brasileira. Se Sandy estivesse em outro país, mais desenvolvido, a decisão cirúrgica não poderia ter sido tomada por ela e muito menos incentivada pelo médico. Em países como Holanda, as taxas de cesáreas não ultrapassam os 15% e os partos domiciliares ultrapassam 30%.

Como Sandy é brasileira, ela tem a ilusão de que decidiu pela cirurgia.

Se tivesse lutado para parir ia descobrir que há muito tempo já decidiram que o meio subdesenvolvido das brasileiras trazerem seus filhos é por meio de uma cirurgia. Quem não aceita o sistema é quem tem que lutar, importar equipes, convencer a família.

Quem deixa a decisão pro destino, tem os braços amarrados, as pernas paralisadas, 7 camadas de tecido cortada. O destino obstétrico brasileiro veste branco e carrega como amuleto, bisturi. Bebê aos invés doa braços e peito, ganham intervenções desnecessárias e ficam abandonados a seu próprio destino.

Que possamos lutar para mudar o destino e tomarmos o mesmo em nossas mãos, com informação e consciência.

* Nascer no Brasil entrevistou 23.894 mulheres. A pesquisa foi realizada em maternidades públicas, privadas e mistas, e incluiu 266 hospitais de médio e grande porte, localizados em 191 municípios, contemplando capitais e cidades do interior de todos os estados.

 

 


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