Quando eu descobri que estava grávida eu já tinha a certeza dentro de mim de que eu gostaria de vivenciar a gestação e dar a luz de maneira amorosa e natural, na verdade eu nem conseguia imaginar que fosse de outra maneira…sei lá…algo me dizia que eu iria parir com facilidade, que tudo correria bem e minha ancestralidade indígena iria se manifestar num trabalho de parto natural, amparado por mim, eu precisava viver isso, viver a experiência de dar a luz, estava preparada espiritual e fisicamente para isso.

Como toda mulher grávida comecei a ler tudo o que conseguia sobre partos e percebi que, incongruentemente, o parto natural, humanizado, em que a mulher é a protagonista infelizmente estava virando uma raridade na nossa sociedade, as mulheres foram sendo levadas por conveniências e por um medo criado pela sociedade, medo da dor, medos imaginários….medo que eu nunca tive.

Fui então em busca do meu sonho, em busca da certeza de ter a minha escolha respeitada, em busca de um médico que mais do que simplesmente aceitar o parto normal, desse todo apoio para que ele acontecesse, que priorizasse o meu desejo. Encontrei o Dr. Alberto Guimarães em buscas pela internet, listas de médicos de parto humanizado, e seguimos com o pré Natal, é importante salientar que eu busquei mesmo pelo parto normal, me empoderei, me informei, tomei conta da minha gestação, não existia nenhum motivo que não favorecesse o parto natural, eu só não teria assim se não quisesse.

No dia 29 de Abril, acordei sentindo algumas cólicas, era por volta das 11:00 e eu estava com 39 semanas e 1 dia então, havia começado a perder o tal tampão mucoso no sábado, 3 dias antes, mas nem sinal de trabalho de parto, nada, nada, mas aquele dia foi diferente, passei o dia tendo cólicas bem leves, devo dizer que eu esperava um sofrimento e uma dor muito maiores, tanto que, ao acordar com as tais “cólicas”, eu, mãe de primeira viagem achei que eram normais e voltei a dormir, foi assim o dia todo, mas as cólicas foram se intensificando aos poucos e acontecendo cada vez mais perto uma da outra, eu sabia que ir para a maternidade sem um trabalho de parto ativo seria perda de tempo e poderia resultar em stress e muitos toques desnecessários, resolvi seguir meu dia normalmente e quando eram 7 da noite as contrações estavam de 10 em 10 minutos em média, já havia avisado o meu marido durante a tarde sobre as cólicas, ele estava chegando em casa, com muita calma terminei de arrumar a mala do bebê, tomei um banho e saímos para a maternidade, no taxi senti as contrações aumentando, sempre com muita calma eu respirava fundo a cada uma delas, tudo corria bem…na Próxima Matre ao chegarmos passamos pelo trâmite de recepção, ai já comecei a me sentir um pouco incomodada com as dores, fui para a sala de toque e constataram que eu estava com 7 de dilatação, 7!!! Uau! Perfeito! mandaram chamar o Dr, que chegou em 30 minutos, neste meio tempo fomos indo para a sala de parto normal, que quase nunca é usada na maternidade pelo que fui informada, eu era a única naquela noite entre dezenas de mulheres que teriam um parto natural. Quando o Dr. chegou eu já estava com 8 de dilatação, muito próxima de dar à luz, ele limitou-se a acompanhar, eu havia pedido minutos antes por um pouco de anestesia, pois estava já com muita dor e achei que me ajudaria e não comprometeria o meu trabalho de parto, Dr Alberto concordou prontamente, foi uma dose bem pequena, não me anestesiou de maneira absoluta, permitindo que eu continuasse a fazer força e sentir Gael fazendo também a parte dele na barriga, em um determinado momento o Dr pegou minha mão e direcionou à minha vagina para que eu sentisse a cabecinha do Gael coroando e neste momento me senti poderosa, eu estava ajudando ativamente a trazer meu filho ao mundo, respeitando o momento dele, trabalhando em conjunto para que ele pudesse nascer quando quisesse e se sentisse pronto, estava realizada, após 1:30 de ter dado entrada na maternidade meu filho nasceu, sem episiotomia, com pouca anestesia, após um dia tranquilo de trabalho de parto, que só foi possível por eu ter me informado, me preparado e tomado consciência de tudo de bom que envolve um parto natural para mim e para o bebê. Todas as enfermeiras da maternidade foram me parabenizar, eu era a única entre mais de 30 mulheres que tinha dado à luz naquele dia a ter um parto normal. Me senti orgulhosa e plena como mulher e como mãe.

Foi a melhor decisão que tomei na minha vida. E desejo que essa cultura cesarista tão equivocada e prejudicial às mulheres e aos bebês seja revertida através do empoderamento das mulheres, que elas possam compreender a importância de tomarem para si o protagonismo de seus partos.


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