Foto PaulaLyn
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Eu amamentei por 4 anos. E não foram poucas as vezes que lidei com olhares sensuais, reprovadores. Não foram poucas vezes que as pessoas se aproximaram para dizer: nossa, você ainda amamenta?! Nossa, tadinha de você.

Não foram poucas vezes que me disseram que amamentar meu filho com quase 4 anos prejudicaria a sexualidade dele.

Tanto em vídeos de partos como em matérias sobre amamentação sempre existem comentários: não soou cadela para parir assim. Não sou vaca para amamentar uma criança grande.

Faz  pouco tempo que o facebook liberou imagens de mães amamentando, sendo retiradas da categoria de pornografia. Em 2011 tive a minha imagem censurada e assim nasceu o primeiro mamaço virtual, que depois virou Mamaço Nacional, que neste final semana acontece em várias capitais. Clique aqui para saber.

Mas porque parto e amamentação são olhados como pornografia?

Acredito que o sucesso da amamentação começa em um bom parto. Isso explicaria porque em um país com uma das maiores taxas de cesáreas do planeta tem uma média de lactação exclusiva de 54 dias.

Todo o sistema médico hospitalar diminui a mulher, amedronta, sufoca seu feminino. Tiram suas roupas, seus acessórios, até seus óculos. Os médicos ficam acima de uma mulher deitada e passiva. Os hormônios naturais são substituídos por hormônios sintéticos (uma vez que a maioria dos partos normais acontece com ocitocina ou o famoso sorinho).

Como em situações tão adversas pode-se ter um bom parto? Um corpo que foi impedido de liberar os hormônios para o parto, como terá facilidade para liberar os hormônios para a produção de leite?

Eu sei que muita gente vai dizer que conseguiu amamentar mesmo tendo uma cesárea. Cesáreas eletivas, com hora marcada, em que o corpo nem sentiu o cheiro dos hormônios do parto, o leite costuma demorar mais tempo para descer.

Eu sei. Existem exceções. Estou falando da grande maioria das pessoas. Outro ponto da cesariana X amamentação é que a cirurgia dói. Mesmo com os medicamentos fortes e eficientes são muitas camadas de tecidos rompidas. Sentar e levantar toda hora ou dar de mamar deitada é um exercício absurdo.

Tem quem consiga? Tem é claro, mas a maioria acaba cedendo à mamadeira e a média de amamentação é aquela do início do post.
Toda vez que o assunto parto e amamentação vêm à tona sempre há comentários agressivos e grande parte deles feito por mulheres.

Não estou dizendo que todo mundo tem que achar normal dar de mamar em qualquer lugar. Para mim é. Para outras pessoas não é. Elas buscam seus mecanismos para que a amamentação prossiga sem tirar a peitola em qualquer lugar.

Mas grande parte destas mulheres que dizem que amamentar em público é feio, erótico, sensual, agressivo, provocador tiveram dificuldades para amamentar. Assim como muitas que não pariram costumam dizer que não são índias ou animais para quererem um parto normal.

Muitas críticas versam sobre a sexualidade daquelas que tiveram êxito no parto ou amamentação. Não é por acaso que estamos falando de órgãos que são pontos sexuais: a vagina e o peito. Não é por acaso que isso mexe profundamente com os ânimos. Estamos, lá no fundo, como já falou Freud, falando sobre a sexualidade humana.

Uma mulher pode mostrar os seios nus para despertar desejo (seja em revistas, seja entre quatro paredes). Desta forma, o seio que alimenta uma criança também carrega consigo esse despertar oculto e ambíguo de pureza e sexualidade.

A sociedade vê esta relação com o corpo, principalmente feminino, que deve ter a função meramente sexual. Essa sexualidade é, por sua vez, entendida como para servir aos desejos do homem.

Quando o corpo feminino está nutrindo uma criança, ou uma vagina parindo um bebê, rompe-se com a ordem vigente: a mulher está no exercício máximo da sexualidade sem precisar de um homem para protagonizar. E isso é perigoso!

Os seios precisam ser guardados e substituídos por mamadeiras, devolvendo ao seio sua função não biológica de apenas ser um objeto de desejo masculino. A vagina poupada de sua função de parir, estará apenas para servir à função cultural de dar prazer ao homem. Quando usada deve ser infantilizada (raspagem de pelos ou tricotomia), secionada ( uma punição por desejar fazer uma função para a qual a sociedade não deseja, será cortada, costurada e carregará a cicatriz – episiotomia).

Quando a uma mulher é dado o direito de parir naturalmente e sua vagina cumpre prazerosamente uma função que independe da figura masculina; quando os seios alimentam pelo prazer e biologia que contém neste ato, há uma quebra de paradigma cultural. A mulher retoma o prazer em suas funções biológicas e desassocia a sexualidade da necessidade de dar prazer ao homem.

Uma mulher parindo é uma mulher vivenciando sua plenitude sexual, secretando os mesmos hormônios do ato sexual. Uma mulher amamentando uma criança é uma mulher vivenciando uma relação de sexualidade positiva com seu corpo. Seu corpo transforma sangue em alimento e nutre a cria. Seus seios agora exercem a função para a qual foram feitos, que fazem com que sejamos chamadas de mamíferas.

Assim como nossa vagina que costuma receber o falo, agora se abre para trazer uma nova vida, pelas vias que entrou.
Por serem vivências sexuais não significa que são pornográficas. Esses são os olhos de uma sociedade doente cheia de entraves sexuais.

Por muito tempo nós mulheres aceitamos o patriarcado dos partos medicamentosos, cheios de intervenções dos homens, para que pudéssemos acreditar que eles nos salvaram. Assim como por muito tempo acreditamos que eram eles  que podiam ou não nos dar prazer.

Por muito tempo ficamos em cubículos a esconder nossos seios ou entregando a cria para uma ama de leite porque amamentar era considerado um ato menor, animalesco.

Estamos em uma nova fase do feminismo em que podemos vivenciar nossa sexualidade plena, na vida, no parto, na amamentação e com isso contribuindo para a construção de uma psique mais saudável de nossos filhos.

Meu filho foi amamentado por 4 anos e vive rodeado de mulheres que amamentam em público. Certamente será um pai que incentivará o mesmo para com seus filhos. Sem achar que expor as mamas é um ato pornográfico. Afinal seu tempo oral foi respeitado e com desmame natural ele supriu suas demandas físicas, emocionais e espirituais deste período.

Uma mãe que vive plenamente a sexualidade produz seres mais saudáveis e felizes. Em todas as instâncias de suas vidas.


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