A maternidade não caiu de paraquedas em minha vida, assim com o aleitamento prolongado. Ambas foram escolhas conscientes.

Muito me entristece ouvir algumas opiniões rasas e vazias acerca da minha última escolha. Não foi baseada no comodismo, embora seja bastante cômoda em algumas situações: como o acolhimento no momento de uma queda, ou a única fonte de alimento em ocasiões de doença, ou, até mesmo, por não querer ouvir o choro incessante do meu pequeno desejando o mamá. Apesar de serem “boas” razões, minha decisão não está baseada nelas. “Seu filho AINDA mama?” tem sido uma das frases que mais ouço ultimamente. Mas não é isso que me entristece. Para os poucos conhecidos, respondo com um sorriso: “Sim, ele AINDA mama”. Para os mais próximos, brinco que: “Sim, ele AINDA mama e não vai parar tão cedo pelo que tenho visto”. Quando temos certeza de uma decisão que tomamos, poucas críticas nos atingem.

O que me entristece, DE VERDADE, é ver profissionais responsáveis pela promoção da saúde, formadores de opinião, recriminando esse tipo de escolha sem nenhum embasamento teórico e prático. Não que eu esperasse um “Parabéns”. Assim como em relação às críticas, decisões coerentes com o nosso “eu” não precisam ser fortalecidas com elogios, estão enraizadas na alma. Já ouvi muitos dizerem que o leite nessa fase não serve para nada, que é água pura. Sei que isso não é verdade; tenho lido muitos artigos de nutricionistas renomados que mostram o valor nutricional do leite materno após o primeiro ano de vida do bebê. Mas ainda que fosse só água, que mal há em dar água materna para o filhos? Outra grande crítica é em relação à independência: “Seu filho vai ficar muito apegado, inseguro”. Vamos lá. Se bebês não precisassem de afeto, nasceriam em árvores, não é verdade? E de acordo com o que tenho visto por ai, relacionamentos onde não há afeto, acolhimento e reciprocidade tendem a fracassar. Mas por quê? Porque essas atitudes promovem confiança. Crianças que esperam um colo e não recebem, esperam afeto e não recebem, esperam um peito e não recebem, na minha opinião, se sentem traídas e traição “sim” produz insegurança.

Na minha lógica, o caminho é inverso: crianças seguras são mais independentes. Não acho que sou mais mãe porque amamento meu filho, nem que o amo mais que as outras mães amam seus filhos. Só gostaria de ter minha opinião respeitada. Assim como respeito aquelas que por “n” motivos não conseguiram, não puderam ou não quiseram amamentar. Cada mãe reconhece o seu limite, sabe até onde pode ir. Para mim, amamentar é prazeroso. É nesse momento que fico “olho no olho” com meu pequeno, que o acaricio, que o agarro, que peço desculpas e que o desculpo também. Amamentar pra mim é uma forma de dialogar com aquele que ainda tem poucas palavras.

Nasci de um parto prematuro e precisei ficar vários dias no hospital e o único “contato” que tive com a minha mãe foi através do leite materno que ela ordenhava em casa e enviava para mim todos os dias no hospital. Talvez por isso o leite tenha um significado diferente para mim, talvez por isso seja a forma mais nobre em que demonstro meu amor pelo meu pequeno. Mas essa é a minha história …..


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