RELATO DE PARTO

Por Cecília Pereira Stabile

e Glaykon Stabile

 

 

Se a gravidez e o parto me deram uma lição foi a de que não adianta idealizar muito, pois as grandes coisas da vida são sempre surpreendentes e vão colocando por terra os mitos que habitam nosso imaginário.

Este é o nosso relato do parto do Pedro.

 

 

MITO #1 – Nunca vou ter filhos!

 

Eu nunca quis casar ou ser mãe. Sempre pensei que minha vida seria focada na profissão, e engravidar para mim significava perder tudo que eu havia almejado conquistar. Esse medo durou muito tempo, e quem mudou tudo foi o meu grande amor, Glaykon. Foi por causa dele que no final das contas eu casei, e pra minha surpresa eu fui feliz um ano, depois dois, e aí (nossa!) mais dois anos… Cheguei a quatro anos de casada muito feliz, com um relacionamento sólido e com nossos objetivos profissionais e pessoais encaminhados. E aí veio aquela vontade alienígena: ter um filho. Tipo, tanta gente tem filho, e a gente aqui cheio de amor e coisas boas não vai ter um? Porque ao contrário do que me diziam, que “um dia vocês vão estar casados há um tempo e vai faltar alguma coisa, daí vão querer ter um filho…”, eu acho que o filho tem que vir quando sobra alguma coisa. Sobra amor, sobra vontade de amar mais ainda, sobra vontade de vencer esse novo desafio da paternidade/maternidade.

 

Casar e ter filhos também não estava nos meus planos. Me imaginava aos 50 solteiro, morando sozinho em um microapartamento, andando de moto e barbudo. Ledo engano, durante a pós-graduação conheci a mulher da minha vida, não consegui mais viver sem ela que gentilmente concordou em casar comigo. Moramos juntos no microapartamento, ela nunca mais me deixou pensar em ter uma moto e fui geneticamente programado para não ter barba.

 

Quando resolvemos realmente que queríamos engravidar, comecei a ler muito sobre o assunto. Eu morei nos EUA e lá o parto vaginal é a regra. Isso eu sabia desde o começo: cesárea é cirurgia, e cirurgia é pra quando realmente precisa. Então, uma cesárea eletiva nunca passou pela minha cabeça. Eu diria que no começo o meu desejo, o ideal pra mim, seria um “parto de princesa Disney”. Chegar ao hospital cedo, ao menor sinal de que o trabalho de parto estava acontecendo, receber uma peridural e não sentir nenhuma dor. Ficar de boa esperando a dilatação acontecer, push push e o nenê nascer. Por bastante tempo isso foi o que eu quis, antes de estudar mais a fundo.

 

Quando resolvemos ter um filho, considerava que seria em um futuro muito distante e não me preocupava muito em como seria. Já havia assistido algumas cesarianas mas nunca tive coragem de ver um parto vaginal. Sabia que independente da forma, o melhor seria não agendar uma data previamente.

 

Eu e meu marido havíamos conversado e decidido que 2013 seria o ano de engravidar. Como boa controladora que sou, em janeiro de 2013 descontinuei o anticoncepcional e comecei a tomar os suplementos de ferro, ácido fólico, multivitamínico e ômega 3, fazer yoga e ler 500 livros e artigos sobre gravidez/bebês. E comecei a anotar os ciclos no aplicativo do iPhone. Nessa época eu estava fazendo um tratamento médico que não permitia que eu engravidasse ainda.

 

MITO #2 – Vou demorar um tempão pra engravidar

 

Por algum motivo, provavelmente meu pessimismo a toda prova, eu achava que não conseguiria engravidar facilmente. Acho que no fundo eu passei tanto tempo dizendo que “deuzulivre engravidar” que achei que o universo me castigaria, tipo “aaaahh bonita, agora tu quer e não vai conseguir”. Então quando em agosto de 2013 eu parei a medicação que não podia tomar grávida e liberamos pra que viesse, nunca imaginei que eu engravidaria na primeira tentativa. Sim, na PRIMEIRA! Oito dias depois da minha data provável da ovulação eu já sabia que tinha algo muito estranho comigo. Meus seios sensíveis. O botão da calça jeans me incomodava. Podem dizer que com 8 dias de gravidez era impossível ter qualquer mudança na barriga, mas ela estava esquisita, sensível. Eu estava com ginecologista agendado de qualquer forma para revisão, então pedi que ela incluísse nos exames pré-gravidez o beta HCG e pimba, positivo! Ficamos muito emocionados e surpresos. E logo fiquei enjoada – vomitei sem parar de 5 a 11 semanas da gravidez.

 

Obrigado pelos aplausos, imagina, não foi nada, sorte de principiante…

Meu primeiro choque gestacional foram as náuseas da Cecília. Ela não é de reclamar, mas eu percebia o quanto era difícil. Havíamos programado com antecedência participar de um congresso importante fora do país. Dois dias antes da data de embarque tínhamos a certeza de que ela não conseguiria viajar. Acabamos indo, pois já estava tudo pago e estaríamos hospedados no hotel do evento e qualquer coisa seria só pegar o elevador. Dito e feito, dos seis dias de congresso acho que ela conseguiu passar umas duas horas no evento e mesmo assim meio cambaleando. As náuseas são o primeiro grande desafio da gestação, acredito que possam variar muito de mulher para mulher, mas considerei uma fase bem complicada para minha esposa e o pior é que sempre tem alguém com relatos mais assustadores…

 

Aí comecei a ler de verdade sobre parto. Até então era só uma ideia vaga, e eu estava mais focada em me preparar pra engravidar. Com esse desafio vencido (nem foi desafiador na verdade, né?), tinha que saber de que jeito esse nenê ia sair. E aí que conheci o universo da humanização e mudei de opinião sobre o parto.

 

MITO #3 – Parto natural é coisa de bicho grilo

 

Uma informação relevante: eu não sou riponga. Não sou alternativa, não tenho sovaco cabeludo. Eu como porcaria às vezes (tá, bastante). Nunca cogitei chamar meu filho de Anauê Sidharta, nem parir embaixo da bananeira em contato com a mãe terra. Tenho amigas “naturebas” e respeito enormemente quem escolhe parir seu filho naturalmente porque se alinha com essa visão. Mas eu sou nerd, urbana, estressada, obcecada por leitura, neurótica, pesquisadora. E no final das contas deu tudo no mesmo, porque quanto mais eu lia (e eu li muito), mais eu via que o parto que eu queria era o da riponga-sovaco-cabeludo mãe do Anauê Sidharta, e não o da maior parte das minhas conhecidas e colegas, e da maioria das mulheres com plano de saúde. A literatura, a OMS e diversas organizações brasileiras e internacionais mostram melhores desfechos com o parto menos intervencionista.

Dito isto, eu vi que estava numa sinuca de bico: a obstetra que estava me acompanhando tinha uma visão diferente em relação ao parto. Ao longo de 5 meses nos acompanhamentos, fui vendo que para ela o parto normal aconteceria: (1) se tudo “desse certo”; (2) dando tudo certo, seria em posição ginecológica, com analgesia e episiotomia, no centro cirúrgico. A pergunta “E doula, doutora?” foi recebida com um sorrisinho desconfortável.

 

É de fundamental importância a plena confiança do casal no(a) obstetra. Em um parto tudo acontece muito rápido e de certa maneira, inesperada, para nós, meros parturientes de primeira viagem. A segurança que o profissional passa e a adesão natural às sugestões recebidas garantem o bom andamento do parto dentro de uma filosofia de tratamento determinada. Se você não tem segurança suficiente no profissional para seguir de coração as recomendações realizadas, o parto pode se tornar muito mais estressante do que é.

 

Bem nessa época eu fui numa reunião do Gesta Londrina e ouvi boas indicações da obstetra Dra. Marlene. Nessa primeira reunião eu conheci pessoalmente a equipe de doulas e já confirmei que eu teria uma doula comigo no parto. Entrar para o grupo de doulandas e contar com o apoio da equipe no pré-parto, especialmente da Marilia e da Lorena com quem tive mais contato, foi essencial para meu preparo e sou muito grata.

 

Marquei então uma consulta com a Dra. Marlene. Ela é simpática, humana, tem covinhas quando ri, ela é mãe e ama ajudar as mulheres a parir. Era isso que eu queria e precisava. E com ela e as doulas, eu tinha o time perfeito pra buscar meu parto. Somamos a isso o Dr Akira (neonatologista), que também está habituado a trabalhar de forma humanizada, que eu fui conhecer aos 6 meses de gestação. Nenhum dos dois médicos atende pelo meu plano de saúde, então já comecei a me preparar para os gastos com a equipe. Considero que o valor é relativamente alto e pode ser um complicador para quem busca um parto natural aqui em Londrina, porém penso que gastamos dinheiro com tantas coisas materiais – como não investir no nascimento do filho? Como querer economizar em algo que vai fazer tanta diferença pro resto das nossas vidas e da dele? Encaramos cada centavo como um investimento importante.

 

Covinhas quando ri? Vou substituir esta frase por sua enfática formação e atuação obstétrica humanística, bla, bla…

Akira é uma figuraça… Pedroca vai lá, vomita e faz xixi na maca do consultório dele e ele sempre tem uma observação bem-humorada para fazer (olha, tá mamando bastante, hein.. até ta sobrando….). Falando nisso vou ter que dar uns lençóis para ele de presente, já tá ficando chato…

 

Equipe definida, estávamos prontos pra o que desse e viesse. E veio!

 

 

MITO #4 – Vou chegar nas 42 semanas

 

Minha data prevista para o parto era 21/05, dia em que eu completava 40 semanas. Compramos a passagem da minha mãe, que viria me ajudar, para o dia 07/05. Eu, mais uma vez com meu pessimismo a toda prova, tinha certeza absoluta de que eu ficaria esperando até as 42 semanas e teria que ser induzida! Acho que foi porque algumas gestantes do grupo estavam passando por isso na época.

 

Oba! Sogra em casa! Nunca comprei tanto ingrediente para bolo e comidas gordurosas na vida… nunca mais voltarei ao meu peso normal…

 

Eu estava gigantesca e muito desconfortável, mas não dava o braço a torcer. Eu sempre brincava que a bolsa romperia no meio de uma cirurgia (sou dentista especialista em cirurgia buco-maxilo-facial). Continuava trabalhando, até que com 35 semanas tive um acidente perfuro-cortante com uma agulha de anestesia contaminada quando ajudava uma aluna em uma cirurgia. Por causa do acidente tive que passar uma tarde no hospital com o paciente fazendo exames e com medo de dar algum resultado complicador. Duas semanas depois disso, entrei em outra cirurgia para ajudar um aluno e minha barriga estava tão grande que eu não tinha posição para trabalhar sentada, nem em pé, nem de jeito nenhum. Fiz o que consegui, dobrada de um jeito muito desconfortável, e quando acabei estava com muita dor no quadril e dificuldade para caminhar. Foi aí que decidi que não dava mais e que iria pedir minha licença-maternidade, que começou 2 dias antes de eu completar 38 semanas. Esta dor no quadril me acompanhou no restinho de gestação, parto e pós-parto.

 

Gestação: no primeiro trimestre são as náuseas, no segundo tudo mil maravilhas, no terceiro andar e dormir são missões muito difíceis.

 

No dia exato em que eu completei 38 semanas minha mãe chegou, toda animada pra me ajudar nas últimas semanas e esperar o primeiro neto. Nesta noite tive minhas primeiras contrações, a ponto de me acordar. Só que ainda eram fracas e sem ritmo, portanto não fiquei muito ansiosa (“São só pródromos, pode levar muito tempo”). Era uma quarta-feira. Quando foi na sexta-feira tivemos encontro das Doulindas, e nesse dia as doulas fizeram um escalda-pés, massagem, e a Marília ensinou um exercício para “chamar” as contrações. Nessa noite quando chegamos em casa senti algumas contrações muito fortes, porém logo sumiram totalmente de novo.

 

Olhando pra trás vejo que não perdi noites de sono por causa dos pródromos uma vez sequer – mesmo quando passava o dia com muitas contrações, à noite elas sumiam e eu dormia normalmente (ou o mais normalmente possível pra alguém daquele tamanho). Eu já observava um muco mais abundante saindo, e quando foi no sábado saiu bastante, meio sanguinolento e eu sabia que era o tampão mucoso se desfazendo. Todo mundo ficou animado pensando que ele poderia nascer no dia seguinte, que era o domingo do dia das Mães. Apesar de tudo eu sabia que não seria naquele dia, tinha impressão de que o negócio se arrastaria por muito tempo ainda. E eu sabia também que o tampão pode se refazer, e como minhas contrações eram bem light ainda, não me preocupava.

 

Sabe aquele filme Independence Day? Quando as naves alienígenas aparecem no céu e começam a destruir tudo, a população entra em pânico e o caos se instala? Então, quando sua esposa relata os primeiros sinais de pródromos quem está na sua casa se comporta mais ou menos assim. Geralmente nesta hora estão a sogra, demais parentes, amigos, visitas, conhecidos e até mesmo vizinhos desconhecidos que resolveram aparecer para ver como as coisas andam indo. Sua missão como macho dominante é demonstrar total tranquilidade e confiança (mesmo que o estômago esteja saindo pela boca), restaurar a ordem e os bons costumes. Afirmar que estes sinais podem durar dias e até mesmo semanas, abrir uma cerveja lentamente fazendo um breve relato dos ingredientes ou de um fato histórico qualquer relacionado, questionar sobre o restaurante do jantar do dia seguinte ou a programação do cinema ajuda no controle da situação. Assim que os indivíduos começarem a se acalmar, sem que ninguém perceba dê um jeito de desmarcar seus compromissos de trabalho e a preparar as coisas para ir ao hospital sem perda de tempo.

 

MITO #5 – Esse parto vai ser demorado…

 

No domingo do dia das Mães, depois de termos feito um churrasquinho aqui em casa com minha mãe, meus sogros e cunhados, passei o dia daquele mesmo jeito com as contrações esporádicas. À noite meus cunhados vieram pra gente assistir “Game of Thrones” às 22h, e como eu estava meio desconfortável e com contrações fiquei assistindo sentada na bola de pilates que a Lorena (doula) tinha me emprestado. Lá pelo meio do programa eu senti que minha calça estava molhada – e olha que naquele episódio nem teve assassinato em massa, nada assim. Tinha rompido a bolsa! Era bem pouco líquido, bem clarinho, mas de vez em quando saíam umas gotinhas. Postei no Facebook um trecho de “Anunciação”, do Alceu Valença. “Tu vens, tu vens, eu já escuto teus sinais…”

 

Churrasco tava bom, mas com cerveja sem álcool para mim. Como sempre, mantendo a calma e agindo como se estivesse tudo normal. Mas eu avisava aos mais controlados (não é para todos que você pode fazer isso, lembra do Independence Day na hora da dizimação) que poderia ter de sair a qualquer momento e alguém assumir a churrasqueira…

 

No dia seguinte, segunda-feira, 12/05, as contrações deram uma apertada, mas eu ainda achava que estava muito tranquilo. Mandei mensagem pra Dra. Marlene e perguntei se poderia ir até o consultório dela pra me avaliar. Eu estava achando muito estranho não sentir dor forte, dormir normalmente, e estar com a bolsa rompida – estava com medo de não engrenar. Combinamos de ir às 13h no consultório. Antes disso almoçamos e comi muito, sentia muita fome. Ao entrar no consultório ela me olhou e já disse: ”nossa, tá muito perto! Teu rosto desinchou muito!”. Combinamos de fazer um toque pra ver como as coisas estavam e pra minha surpresa já estava com 3 centímetros de dilatação e colo bem fino. Eu nem acreditei! Nunca imaginei que estaria já nesse estágio sentindo contrações tão leves e irregulares como eram. Ela também viu e me mostrou com a câmera o líquido amniótico escorrendo, bem pouquinho mas constante, sugerindo uma ruptura alta da bolsa. Perguntei sobre prazos, horas, e ela me tranquilizou dizendo que não me preocupasse com isso. Ela sugeriu que a gente fosse espairecer, caminhar, tentar esquecer e deixar a coisa andar.

 

Nossa, que coincidência!! Para alguém que trabalha cerca de 12 horas por dia, justo naquela segunda-feira eu estava de boas… sem nada para fazer… então pude acompanha-la na obstetra e inventar passeios para passar o tempo. Muito obrigado aos colegas que me deram cobertura no trabalho.

 

Fomos tomar um sorvete e depois resolvemos ir ao shopping pois estava bem quente e eu poderia andar no ar condicionado. Eu normalmente odeio shopping, e ficar andando sem rumo não consigo. Resolvi então comprar mais uma camisola, e meu marido foi comprar uma caixa de charutos (que no fim ninguém lembrou de fumar). Entrei na loja e pedi uma camisola com abertura frontal pra amamentar. A moça toda sorridente: “é pra quando?”. Na mesma hora tive uma contração bem intensa e me apoiei no balcão, respondendo “olha, talvez seja pra hoje. Acho que de amanhã não passa”, e respiiiiiiiraaa. Nunca vi uma vendedora empacotar tão rápido na vida!

 

A saída do shopping foi meio tensa, muitas contrações e caminhando muito devagar. Neste momento considerei que houve um certo exagero, pois as contrações aumentaram bastante com a caminhada (e nem ficamos dando voltinha deixei ela vendo o pijama e fui bem rapidinho na tabacaria, no caminho encontrei um segurança e aproveitei para me certificar que havia uma ambulância de prontidão). Shoppings são ambientes interessantes para uma caminhada pré-parto. Possuem profissionais treinados para este atendimento emergencial, além disso, se o parto começar lá, no mínimo no Camargo (programa policial popular sensacionalista) você aparece.

 

Como eu tinha lido muitos relatos de parto e livros, sabia que os primeiros partos tendem a ser demorados. Eu imaginava que iria ficar umas 20 horas em trabalho de parto, sendo massageada pelas doulas, comendo frutinhas e sorrindo nos intervalos, mergulhada na piscina e tal. Aquele parto humanizado cheio de carinho e tempo pra curtir era meu novo ideal.

 

Neste momento agradeço a Deus por ser homem e nunca ter de parir ninguém…

 

Chegando em casa fiquei mais na bola, tomei chá de canela, caminhei, e as contrações ainda num ritmo bem irregular, as vezes de 10/10 minutos, paravam meia hora. Me irritava porque eu nem conseguia saber direito quando elas começavam ou terminavam. Tentava marcar no aplicativo do telefone mas era meio vago, não conseguia identificar. Tentava botar a mão na barriga pra sentir ficar contraído, mas não sabia se era contração ou o bebê. Lembro de nesses dias dos pródromos, quando tinha bastante cólica, ter ficado com o intestino solto, especialmente nesse dia. Conforme foi chegando umas 23h, as contrações foram espaçando a ponto de eu não identificar mais. Resolvi dormir, até meio irritada com o fato de ter parado tudo, e realmente dormi direto até as 05h30, sem sentir nada.

 

Então eu comecei a considerar que o meu papo de levar dias ou semanas poderia realmente ser verdade…

 

Acordei sem dor, mais uma ansiedade mesmo, e surpresa de ter dormido direto. Todos dormiam, então fui pra sala, coloquei fones de ouvido e comecei a dançar uma Sevillana (dança espanhola que aprendi nas aulas de flamenco). Dancei umas duas ou três músicas, até sentir cansaço e que as contrações ficavam um pouco mais fortes. Resolvi deitar de novo e ouvir um áudio de hipnose para parto que eu havia comprado um mês antes e ouvia de vez em quando. Ouvi a gravação toda, que tem uns 30 minutos de duração. Quando acabou eram 06h30, virei pro lado e abracei meu marido que dormia. Do nada senti um “estouro”. A sensação foi igual a quando a gente faz uma bolinha com o chiclete e estoura ela contra o céu da boca, com os lábios fechados. PLOC! E saiu bastante líquido – era minha bolsa terminando de romper. Fui ao banheiro rápido, chamei meu marido e fiquei muito animada/com medo!

 

Eu fiquei sabendo desse negócio da dança alguns dias depois. Se eu tivesse acordado de madrugada e visse a minha mulher dançando com a barriga daquele tamanho, certamente acreditaria em um surto psicótico e teria oferecido um sedativo ou simplesmente a amarrado em alguma cadeira.

 

Acordei com ela dizendo: “Estourou a bolsa! Não ouviu o ploc?”

Oi? Ahn? Que bolsa, que ploc? Já não havia rompido? Quantas bolsas você tem? São gêmeos? Que ano é hoje?

 

Entrei no chuveiro pra tomar um banho rápido e foi quando senti pela primeira vez a contração de verdade, muita cólica. Fui me vestir enquanto meu marido mandava mensagem pra Dra Marlene e pra Marilia avisando da ruptura da bolsa. Nisso, em pouquíssimo tempo, veio outra contração ainda mais forte, a ponto de eu não conseguir parar em pé direito. Comecei a ver que o bicho estava pegando, e rápido. Pedi que ele ligasse pra Dra, e ela sugeriu que fossemos ao hospital. As malas estavam prontas, então meu marido resolveu tomar banho. Pra mim pareceu que ele tomou um banho de 50 minutos e fez a barba, segundo ele foram menos de 2 minutos. Eu estava com muita dor e MUITO brava. “VAAAAAAMOOOOSSS LOGO!”. Coitado. Nisso eram 07h30 e o tráfego estava horrível. Hoje meu marido diz que teve vontade de subir em alguns canteiros pra chegar mais rápido. Considero que meu limiar de dor é bem alto, mas estava bem difícil até falar quando vinham as contrações. Como trabalhamos no hospital, ele já foi ligando pro pessoal do PS e explicando que estávamos indo pra lá.

 

Enquanto ela foi para o chuveiro comecei a mandar mensagens na mesma velocidade de um adolescente, inclusive digitando com os dois polegares, uma habilidade que eu não sabia que tinha. Não liguei logo de cara pois nem eram 7 horas… A obstetra respondeu rápido (ia esperar no máximo 1 a 2 minutos pela resposta e ligar). Neste momento é fundamental manter a calma e repassar dados confiáveis ao profissional. Minha mensagem foi mais ou menos assim: Bom dia Dra. Bolsa da Cecília rompeu há pouco com perda de líquido e ela começou a sentir fortes contrações cerca de uns 5 minutos depois. Elas estão intensas e regulares (cada 3 minutos nos últimos 15 minutos). Duram cerca de 40 segundos. Abs.

A resposta foi: Vá para hospital.

 

Até então ela estava tensa e demonstrando contrações fortes, mas estava tudo bem. Já havia tomado uma ducha e estava de roupa, fui correndo tomar banho, acho que escovei os dentes (não tenho certeza) e lembro do chuveiro ainda estar esquentando quando comecei a me enxaguar. Lá de fora vinham alguns impropérios aleatórios. Quando abro a porta minha esposa parece o Tiamate (dragão do desenho caverna do dragão) em um surto de cólera e minha sogra com as duas mãos na boca quase chorando… Pensei em bater na esposa com a Bíblia ou esfregar um crucifixo em sua testa enquanto entoava cânticos de exorcismo, mas precisava colocar as últimas bolsas e tirar o carro da garagem (o porta-malas já estava preparado de véspera com que eventualmente poderíamos precisar no parto – só 3 malinhas…).

 

Moramos a cerca de 6Km do hospital, o que naquele horário daria entre 15 e 20 min de deslocamento, o que não é muita coisa. Entretanto, ao ver minha esposa naquela condição o bom senso fica muito alterado. Enquanto estava dirigindo e ao celular passando o caso para a enfermeira responsável da sala de emergência do hospital, na minha cabeça passavam ideias mirabolantes para me livrar do trânsito, eu realmente cheguei a considerar várias vezes em tomar atalho por calçadas ou avançar pela contramão para me desvencilhar dos carros à frente. Felizmente não fiz nada disso e chegamos ao hospital em segurança. Hoje, considero muito arriscado ter de dirigir longas distâncias ou pegar a estrada em tal situação. Na entrada da emergência já havia um auxiliar de enfermagem com uma cadeira de rodas nos esperando. Enquanto Cecília subia para o andar da maternidade junto com o pessoal do hospital eu fui tirar o carro da entrada do hospital e cuidar da burocracia da internação, bem como descarregar as malas do carro.

 

Chegamos ao hospital Evangélico e ele ficou fazendo minha internação, e nisso veio o rapaz pra me levar de cadeira de rodas pra maternidade. Eu já li relatos de mulheres que se negaram a ir de cadeira porque queriam ir caminhando, mas eu odeio escadas, nunca tinha andado de cadeira de rodas e ainda por cima estava pesando 300kg. Opa, vambora! Curti o passeio. Lembro muito bem desses momentos da chegada no hospital, de tudo. Chegando na maternidade fui levada pra salinha de avaliação, onde me pediram pra colocar aquela camisolinha do hospital, foi feito o cardiotoco de entrada e a enfermeira fez um toque. Eu estava com 4 pra 5 cm de dilatação. Eram 8h30, mais ou menos.

 

Em seguida chegou a Marília com seus equipamentos doulísticos (bola etc). Não tinha quarto disponível pra mim, então iríamos ficar por ali mesmo. Apagaram a luz. Esse foi o momento em que minhas memórias começam a ficar meio confusas. E foi quando a dor começou a ficar bem mais intensa. Na primeira contração que eu considero muito forte, comecei a chorar muito. Muito mesmo, desconsolada. A Marilia me abraçava e dizia pra chorar, que fazia bem. Acho que naquele momento eu chorei tudo que já tinha ouvido falar sobre parto, chorei o meu nascimento que foi cheio de violência obstétrica e gerou muito trauma na minha mãe, e chorei o medo que eu tinha do que ainda estava por vir. Porque se aquela dor era com 5cm, como eu iria aguentar até 10? Quando vinham as contrações eu me apoiava em pé em um balcão. Tomava água nos intervalos. Meu marido estava lá fora tentando acelerar o quarto, ou levando algum documento que faltou. Lembro da Marilia dizendo pra alguém da enfermagem: “ela precisa do quarto, precisamos de um chuveiro”. Algum tempo depois avisaram que o quarto estava liberado.

 

Parto natural não é a regra em nenhum hospital. Nas maternidades hospitalares tudo é agendado com no mínimo algumas horas de antecedência, então quando chega uma mulher dando a luz, é uma situação atípica. Existe protocolo para tudo, para verificar o plano de saúde, para higienizar o quarto, para preparar a hotelaria, para contatar o obstetra, pediatra, o que levou cerca de 1 hora para tudo acontecer e irmos para o quarto. Uma hora para os funcionários do hospital é muito pouco tempo, para nós é uma eternidade. Ter calma e ser paciente neste momento é muito difícil, mas é fundamental tratar bem todos os envolvidos neste evento. Se você como futuro pai começar a se estressar muito e se sua esposa estiver acompanhada, vá liberar o estresse buscando algumas malas, afinal mala pra carregar é o que não falta…

 

MITO #6 – Vou ter vergonha de estar exposta no trabalho de parto

 

Quando vieram me buscar pra levar pro quarto, fui andando até lá e chegando na porta já comecei a tirar a roupa e em 1 segundo estava nua no box do banheiro. Ligamos o chuveiro quente e dali não saí mais. Deixava a água quente cair nas minhas costas e parecia que aliviava um pouco, mas não muito. Conseguiram algumas toalhas para colocar no chão e sobre elas me ajoelhei. As posições em que ficava mais confortável eram de quatro e em pé, rebolando. Meu marido nessa hora estava em função com a piscina, inflando e enchendo no quarto, pois no banheiro não cabia. Eu torcia pra encher logo, pois imaginava que estando imersa sentiria mais alívio. Nessa hora deviam ser umas 09h30, quando cheguei no quarto. A partir daí minhas lembranças são muito vagas. Era a partolândia tão esperada. Perdi a noção do tempo e não falava com ninguém, no máximo monossílabos ou palavras isoladas. Lembro da enfermeira Karen chegar perguntando se podia furar meu dedo para um teste rápido de HIV, que era norma do hospital, e eu deixei.

 

Não tenha expectativa nenhuma com a piscina, ela será só um cancro na sua vida. Treinei em casa montar e desmontar a piscina, comprei mangueiras, conectores, adaptadores, planejei o melhor método de aquecimento, mas encher uma piscina com água e aquecer esta água (não, nas torneiras não tem água quente) é uma tarefa que leva várias horas. Ao final do parto a piscina estava cheia de água gelada tomando todo o espaço do quarto, que estava alagado. Fiquei com receio de o quarto abaixo ter ficado com goteiras. Para esvaziar a piscina e limpar o quarto foram mais algumas horas e várias expressões de “meu Deus!! O que aconteceu aqui????” no rosto dos funcionários (lembre que a rotina deles é ver pessoas baleadas, acidentadas e coisa e tal).

 

Respira, respira, respira. Respiração abdominal. Respira. Solta pela boca, solta a garganta, bem grave, uuuuuuuuuuuu. Respira. Respira. Ai, mais uma. Ah, que dor, que dor, que dor! Grita alto. Meu Deus, não posso gritar desse jeito, vai atrapalhar as outras pacientes! Na próxima não vou gritar. Não vou gritar, não vou gritaAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH. Respira, respira. “Quer sentar na banqueta?”. Quero, estou cansada. Meu marido chegou, vai sentar atrás de mim pra me apoiar, que bom. AAAAAAHHHHHHHH. Dra Marlene chegou e sentou na minha frente, na porta do box. “Não vou conseguir, doutora, não vou conseguir”. “Calma, você já tá conseguindo”. “Está doendo muito! Se eu fizer analgesia agora estraga tudo?”. “Não, mas vamos fazer um toque pra ver como está?” . 7cm . “Vai ficar pior do que está?”. “Não, não vai piorar, vai continuar assim”. “Então eu vou tentar mais um pouquinho”. Respira, respira, respira. AHHHHHHHHHHH. Abre, abre, abre. Preciso abrir pra ele nascer. Abre abre abre abre. AHHHHHHHH. Tem alguma coisa lá embaixo.

“Embaixo”. Só consigo falar isso.

“Coloca seu dedo lá dentro pra sentir.”

Coloco meu dedo e sinto a cabeça dele. Mas é macia. Cabeça macia? Que estranho. Achava que seria duro.

“Macio”.

“Sim, é a cabeça dele. É o Pedro. Vem Pedro.”

 

E aí tudo ficou claro, de repente. Vi a Marilia e a Lua (doula) que tinha chegado. Vi a dra Marlene, e ela estava com os olhos cheios de empatia por mim. Era o expulsivo. Me deram água. Eu estava muito, muito cansada. As contrações foram espaçando e ficando mais fracas. Comecei a ficar com medo de não conseguir continuar. Veio mais uma contração bem fraquinha, e eu não conseguia evoluir.

“Cecilia, suas contrações estão ficando fracas. Tenta estimular seus mamilos, ou então podemos pensar em colocar uma ocitocina pra ajudar”.

Apertei meus mamilos e a próxima contração foi mais efetiva, e aí comecei a fazer força. Eu sabia que não deveria fazer muita força, claro, pra não traumatizar meu períneo. Mas eu fazia um pouco de força sim. E sentia a cabeça descendo! Quando a contração parava ela subia de novo. Ai meu Deus voltou! Eu apertava as mãos do Glaykon, que estava atrás de mim. Ele me ajudava a fazer força.

“Calma, é normal, vai indo e voltando”, a Dra Marlene falou.

 

Mais uma força, e ele estava lá embaixo. A sensação é indescritível e nunca vou esquecer. Eu estava exausta e minhas pernas tremiam. Eu achei que ele não ia sair, que era o fim, que eu ia ficar pra sempre ali e nunca iria acabar aquilo. Nessa hora o Glaykon falou no meu ouvido: “vai, coração, força, ele tá chegando, mais uma”.   Na próxima contração, fiz a última força, e ele nasceu. Eram 11h46 do dia 13/05/2014, menos de 4 horas depois de chegarmos ao hospital. Ele tinha 3380g e 48 cm. Estava tocando “Anunciação”, do Alceu Valença. “Na bruma leve das paixões que vem de dentro, tu vens chegando pra brincar no meu quintal…”. Que linda coincidência… Ou não? Suspeito que foram as doulas amadas que arranjaram esse toque especial. Nunca perguntei, mas foi perfeito. No total foram mais de 36 horas de bolsa rota.

 

Tirando o tempo que perdi com a porcaria da piscina, participar do parto foi algo maravilhoso e que hoje sinto muito orgulho. Eu estava lá cuidando da minha esposa e do meu filho em um momento de muita fragilidade para ambos. Não foi nada fácil ou tranquilo, é uma situação muito estressante. É fundamental ter confiança na equipe e ser posicionado sobre a fase do parto e sobre o que esperar em seguida. Era isso que me dava força e evitou que entrasse em desespero. Eu não conseguia ver nada, estava apoiando minha esposa e me guiava pelas informações e expressões faciais da obstetra. Minha esposa estava muito preparada para o parto, mérito dela e da equipe de doulas e obstetra que a orientaram, isto foi fundamental. Na minha opinião um casal candidato a parto natural precisa se preparar muito para este momento, pois toda a condução é realizada pela parturiente, na cesária pai e mãe são espectadores e não interferem no ato em si (mesmo se o pai desmaiar, tudo vai correr do mesmo jeito, nem fugir a mulher consegue depois de anestesiada, se ela estiver dormindo ou acordada o parto segue seu curso), acredito que seja por isso que alguns partos planejados para serem naturais evoluem para cesárea de véspera, pois se não estiverem preparados o desespero pode acometer a ambos ainda nos pródromos.

 

Ele era lindo. Lindo lindo lindo lindo. E quentinho, cheiroso, molhado e escorregadio. Mas era acima de tudo lindo e perfeito, saudável e ativo. Eu não chorei, só conseguia sorrir. Ele ficou alguns minutos no colo enquanto o cordão parava de pulsar. Adorei sentir o cordão, liso e firme, que nos mantinha conectados. Enquanto isso segurava nosso Pedro, que já tinha os olhos bem abertos e começou a chorar. Quando chegou a hora, o papai cortou o cordão e a Dra Marlene levou o Pedro até a cama onde o Dr Akira iria fazer a primeira avaliação. Pedi ao Glaykon que fosse com ele.
Não existem palavras para descrever a sensação de ter seu filho em seus braços. Os amo muito Pedroca e Cecília!

 

Estava tudo ótimo. Ele não sofreu nenhuma intervenção. Enquanto isso a Dra Marlene e a Lua me ajudaram a levantar e fui andando até a outra cama, segurando a pinça que prendia o cordão. Isso foi uma das coisas mais legais – depois que ele nasceu eu não sentia absolutamente nada de dor e caminhava normalmente. Sentia incômodo nas pernas devido à posição em que fiquei, e no quadril que já estava doendo antes do parto. Fizemos uma foto com a equipe toda (nessa hora a Marilia tinha indo embora e estava só a Lua de doula), dr Akira foi embora e a dra Marlene me ajudou a colocar o Pedro pra mamar. Ele deu umas lambidinhas e eu lembro de pensar como a boquinha dele era pequena. Ficamos ali juntos enquanto a Dra me avaliava e viu que precisaria tomar alguns pontos em uma pequena laceração (foram 4 pontos com anestesia local).

 

A placenta demorou um pouco, ela estava solta mas precisei fazer algumas forcinhas pra sair e doeu um pouco. Era muito estranho fazer força depois de ter saído o nenê, eu não sentia muito bem o que estava acontecendo. Eu pensava que a saída da placenta seria quase imperceptível depois do bebê mas não achei, foi bem incômodo.

 

Depois da sutura a Dra. Marlene foi embora e as enfermeiras pediram pra levar o bebê para tomar banho, deviam ter se passado umas 2 ou 3 horas do nascimento. Eu pedi para que déssemos banho no quarto mas não foi autorizado. Esse foi um problema dos médicos já terem ido e não terem pedido expressamente que o banho fosse no quarto. Nessa hora meu marido havia saído porque estava de plantão e precisou atender um chamado. Minha mãe tinha acabado de chegar e foi acompanhando o Pedro. Enquanto isso outra enfermeira veio me ajudar a tomar banho (sendo que eu não precisava de ajuda nenhuma porque estava super bem, ela só ficou me alcançando as coisas e conversando). Foi muito estranho sentir a região do períneo, os pontos e o grande inchaço, e também a barriga parecendo uma bexiga vazia. Mas nunca senti tanto orgulho do meu corpo, porque o que eu fiz naquele dia foi a coisa mais fantástica que alguém pode fazer – colocar um filho no mundo, só com os recursos próprios.

 

Naquela noite não preguei o olho um segundo sequer. Estava meio em choque com todas as emoções do parto, com a dor que havia sentido (nesse momento eu ainda lembrava dela), com o fato de ter conseguido o parto natural que eu tanto desejara, com o amor por ele, e com o peso de que agora era pra valer, tinha que dar conta de cuidar, de saber o que fazer. A estadia no hospital foi muito boa, fomos bem atendidos e orientados. Na primeira noite ele passou algumas horas sem mamar e suspeitou-se de uma hipoglicemia. A enfermeira da noite foi muito atenciosa, conferimos a pega mas ele estava um pouco sonolento. Sob orientação do pediatra demos alguns ml de leite no copinho, ele acordou mais, e daí em diante a amamentação engrenou muito bem. Recebemos alta com um pouco mais de 48h, pois foi preciso fazer um exame de bilirrubina nele.

 

Ter ficado aqueles dois dias no hospital foi realmente muito bom. Os funcionários foram muito atenciosos e nos ensinaram muita coisa. Notei que alguns casais delegavam às enfermeiras o trato com o recém-nascido. Realmente, isto é uma atribuição delas e farão de coração, mas sempre que eu podia, ia junto e pedia para me ensinarem a dar banho, trocar fraldas e ter os primeiros cuidados. Minha esposa e eu tentávamos fazer e elas iam corrigindo ou dando dicas. Realmente aprendi muito e isto facilitou muito depois em casa.

Desejo aos futuros pais filhos com muita saúde. Pedro nunca teve nada, achamos que nem cólica teve. Quando você recebe uma notícia de que você está com algum problema ou doença, é bem tranquilo, mas quando é com seu filho… Pedro ficou sem mamar direito na primeira noite e teve uma leve conjuntivite um dia depois, nestas duas situações achei que meu coração iria sair pela boca, perdi a fome, o sono, fiquei preocupado com meu autocontrole se algo de sério acontecesse.

 

 

As primeiras duas semanas foram muito, muito difíceis. Eu achei que o parto seria meu maior desafio, me preparei tanto pra ele que deixei de pensar nos sentimentos que viriam depois. Ou talvez não tenha como saber mesmo o que se vai sentir. O fato é que o puerpério, especialmente as primeiras duas semanas, é algo que eu sinceramente tenho medo de viver de novo. Isso que minha mãe e meu marido me deram um apoio fantástico, ela cozinhou e cuidou da casa e eu só me preocupava em cuidar do bebê. A Lorena foi um anjo e me ajudou muito com acupuntura aqui em casa. Mesmo assim as mudanças hormonais e a demanda do bebê por atenção 24 horas por dia, a privação de sono, a adaptação à nova realidade foram bem difíceis pra mim. Se alguma gestante ler este relato, queria dar um conselho: se prepare pro puerpério, leia sobre ele, saiba o que é normal sentir, esteja cercada de suporte nesse primeiro mês, porque ele é punk.

 

Hoje fazem quase 3 meses que meu filho nasceu. Ele já dobrou de peso, sorri muito e é muito ativo e inteligente. É tudo de bom, mais do que eu poderia sonhar. Das sensações físicas do parto, lembro perfeitamente da sensação do bebê coroando, mas não consigo lembrar da dor das contrações por mais que tente. No geral, é uma lembrança fantástica e plena. Sinto carinho enorme pelas pessoas que estavam comigo e por todas que me ajudaram a me preparar para aquela experiência.

 

Por isso que parir é importante. Naquele momento estamos ativas como nunca, fazendo algo que nenhuma outra pessoa pode fazer pela gente. E vencer isso, ultrapassar esse obstáculo que parece intransponível te traz muita confiança, ainda mais quando tanta gente encara o parto como um bicho de sete cabeças. Eu não trocaria meu parto por nada no mundo! E às vezes quando estou exausta e tenho medo de não dar conta, lembro do dia em que o Pedro nasceu e de tudo que eu fui capaz de fazer, e isso me dá forças.


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