parto normal

Antes de qualquer coisa, quero que entendam que não tenho o intuito de me posicionar aqui sobre qualquer escolha que a mulher faça. A minha reflexão, e que gostaria de estender pra vocês, é sobre como somos levados a determinadas escolhas. E como somos levados a determinadas escolhas por um processo tão eficiente que faz parecer que a escolha é mérito unicamente nosso, que somos livres pra escolher. E que nossas escolhas, como são nossas, não interferem na vida das outras pessoas.

Nossas escolhas são condicionadas. São condicionadas por um pensamento de que é possível evitar o sofrimento. É possível se antecipar ao sofrimento. É possível se antecipar e curar a dor mesmo sem a certeza de que ela virá. É o mesmo pensamento que busca controlar o nascer e a morte, tornar esses eventos, tão naturais, em eventos controlados. E arrisco dizer, que para nossa sociedade, a morte é uma pedra no sapato, porque ainda é o único evento da vida humana que não encontramos formas de evitar. Prolongamos a vida a qualquer custo, até contra nossa vontade, mantemos pessoas vivas ligadas em máquinas, congelamos corpos para que no futuro e com novas formas de cura, essas pessoas possam voltar à vida.

Com o nascimento acontece o mesmo. Tudo é feito pra minimizar os riscos, pra que tudo se dê como planejado, porque o ser humano é controle e a natureza é imprevisível. Essa é a máxima da medicina. Os avanços na área médica são estupendos, maravilhosos, quem seria contra a ciência? Não é uma questão de ser contra a ciência, mas de observar que nossa sociedade passa por uma fase em que tudo se torna uma questão médica. O parto deve ser feito no hospital, assim como os moribundos também devem permanecer lá até a morte.

Talvez estejamos pecando pelo excesso.

Nossas escolhas são condicionadas. São condicionadas por aqueles que dominam o saber e por isso acreditam também saber o que é melhor pra nós, melhor que nós mesmos! Nossas escolhas são condicionadas pelos outros, pela mídia, pela família, pelos amigos, muitas vezes travestidas de conselhos ingênuos, que são só conselhos, já que no fim a escolha será nossa!

Será mesmo que quando uma mulher escolhe a cesariana é uma escolha só dela, ou por trás dessa escolha está uma sociedade busca normatizar e controlar tudo que lembre, mesmo que vagamente, que somos – ainda – animais?

Eu me admiro com muitas pessoas que, na tentativa de desmerecer o parto natural, lançam argumentos do tipo “parindo como animais”. Ora, nós somos animais! Somos instinto, somos desejos, e tudo mais que nos ligue ao mundo do incontrolável, do indomável, é isso que a sociedade busca controlar, busca apagar qualquer vestígio do animal indomável que existe em cada um de nós. É mais fácil controlar animais domesticados, obviamente.

Se eu sou contra os avanços tecnológicos, principalmente na medicina? Claro que não! Meu recado aqui é pra pensarmos em que tipo de liberdade de escolha nós temos de fato. É pensar que somos prisioneiros num castelo construído por nós mesmos.


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