Graças a D-eus
Parto, Plano de Parto

Animalizado sim, graças a D-eus!

Essa semana eu, como tantas outras pessoas, tive o desprazer de ler o texto de um senhor, onde ele sem o mínimo de pudor critica de forma inescrupulosa uma mulher e sua opção de parto.

Particularmente adoro críticas, costumam nos mostrar pontos  de vistas diferentes, nos fazem pensar, mas não nesse caso onde uma realidade paralela foi descrita de forma tendenciosa e fantasiosa.

A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro.” Ricardo Herbert Jones

O parto em questão era um Domiciliar Planejado assistido por Parteiras, que são as profissionais habilitadas para dar todo suporte técnico necessário, a mãe também contava com o apoio de Doulas, profissionais que como qualquer um que seja capaz de acessar o Google sabe que tem a função de dar suporte físico e emocional à parturiente mas não realizam nenhum procedimento clínico, ou seja não realizam parto.

Essa é a principal diferença de um parto domiciliar planejado, “o plano B” existe, uma equipe habilitada para assistência existe, e principalmente, embasamento cientifico existe.

Acredito que apenas por ignorância sobre o assunto, o senhor que escreveu sobre esse caso, afirma que “abrem mão de tudo que a humanidade desenvolveu para segurança de mãe e bebê”.  Uma pena que esse senhor, abra mão de usar seu senso crítico, seus muitos neurônios e o mínimo de boa vontade para pesquisar sobre o que escreve. A disponibilidade da equipe, comentários descabidos sobre o peso da parturiente, não vou me dar ao trabalho de comentar pois sensacionalismo não é meu forte, vou focar aqui no parto.

Nós, da humanização gostamos disso, pesquisa, evidencias científicas, dados atualizados. Não somos do time da preguiça e do “já que tá, que vá”.

O parto, ainda nas palavras do Dr Ric Jones, envolve as três coisas mais temidas na humanidade: vida, morte e sexualidade. É um processo fisiológico, e como tudo que é natural, não tem regras inflexíveis, cada caso pode e deve ser avaliado individualmente. Por isso a assistência de profissionais habilitados é fundamental.

Alguém completamente leigo realmente se assusta. Somos criados acreditando que sangue é sinal de morte, gritos sinal de sofrimento e mulher é frágil e sensível como as pétalas de uma flor.

Sangue é vida, gritos são libertadores e mulheres são donas de uma força visceral que só descobrem parindo, e gostam MUITO de conhecer essa força. Relatos e imagens de parto como o dessa mulher são importantes, representatividade importa, o parto dela importa. E sua bebê passa muito bem obrigada, é linda e muito saudável.

 

Que tal pontuar os descabimentos daquele texto animalizado e levar um pouco de unção baseada em evidencias científicas atualizadas?

 

-Episiotomia, trata-se de um corte realizado no períneo, àrea entre vagina e anus, em sentido determinado, podendo alcançar desde a mucosa até a musculatura do assoalho pélvico, não existe nenhuma evidencia que seja um procedimento necessário ou que proporcione qualquer benefício à parturiente ou ao bebê.

-Mecônio, primeiro cocô do bebê, comum estar presente em gestações a termo, pode ser encontrado em diferentes quantidades. A quantidade, espessura e vitalidade do bebê, evolução do parto, entre outros fatores são monitorados e avaliados para afirmar a viabilidade ou não do parto normal ou se existe necessidade de cesárea.

-Sobre médicos, contamos nos país com um índice superior à 80% de cesáreas por ano, número muito maior que os 15% recomendados pela OMS. Nossos médicos são muito bons, sim, mas talvez, essa falta de atualização na área, falta de prática na assistência à partos normais naturais, nenhuma busca por melhoria na assistência oferecida, fazem com que muitos fiquem a quem de acompanhar um nascimento respeitando a autonomia da mulher e seguindo todas as diretrizes técnicas necessárias para uma assistência de qualidade.

Para nossa alegria, a cada dia mais e mais médicos buscam por atualização, a pedido de… é das mulheres.

 

D-eus abençoe as evidencias cientificas!

 

Fontes:

Sobre Episiotomia:http://estudamelania.blogspot.com.br/2015/07/serie-videos-numero-1-episiotomia.html

Sobre taxa de transferência: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342013000100002

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1 Comment

  • Reply Adriana Arruda 27 de dezembro de 2016 at 1:50

    Texto incrível! Não podemos (ainda!) nos esquecer de que os médicos – sejam homens (principalmente!) ou mulheres -, muitos deles, estão impregnados desses pensamentos machistas (“mulher aguenta a dor”/ “na hora de fazer tava bom…”) que em nada ajudam na humanização de uma experiência de vida das mais marcantes e mais naturais, como é o nascimento. Vida longa às doulas! s3

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