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Doula

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Doula, Gestação, Parto

Como escolher a Doula?

Qualquer movimento de apoio ao parto humanizado por esse Brasilzão lindo vai falar das Doulas, como elas podem ser um apoio muitas vezes essencial para que o parto seja um momento inesquecível  para o casal. Mas a escolha certa pode fazer toda a diferença.

Mais do que um gasto ou uma pessoa a mais ao seu lado, a Doula ideal é aquela pessoa em quem você confia e se sente segura em ter por perto.

Como escolher?

Indicações

Sua amiga teve uma Doula? Pergunte sobre o parto como foi, como foi a atuação e principalmente pergunte o que essa amiga não gostou no atendimento. O que foi bom para ela pode não ser para você e o mesmo vale nos pontos que ela não gostou.

Busque por Grupos de Apoio

Normalmente Doulas fazem parte de grupos presenciais ou virtuais de apoio ao parto, esse primeiro contato é essencial para se conhecerem. Você pode em poucas conversas sentir se existe ou não uma conexão ali, gastando pouco para isso. Lembre que Doulagem é um trabalho como qualquer outro e o tempo para “conversar e se conhecerem” faz parte desse trabalho, se desejar que seja individualizado ele deve ser remunerado.

Saiba o que esperar

As vezes podemos ver de forma romântica  a figura da Doula, como um ser cheio de amor e servidão pronto para atender às nossas necessidades. Cada profissional tem um perfil único e uma força de atuar, então pergunte de forma clara:

Existem encontros antes e depois da gestação? Qual o tempo de duração, assuntos abordados e valor de cada um.

Qual o momento em que ela estará com você durante o parto?

Lembre que o fluxo de informação sempre deve funcionar +/- assim

Você pesquisa/tem dúvidas => Conversa com a Doula =>  Você recebe orientações

As doulas não vão te dar respostas prontas, ou dizer o que DEVE ou não fazer,  sua autonomia é parte principal do atendimento humanizado (se não for assim você apenas estará trocando o Go fofinho por uma Doula fofinha , te tratando como mãezinha empoderadinha)

Intimidade

Gestação e parto abordam os temas mais tabus da vida moderna, sexualidade, vida e morte. Você se sente a vontade para falar abertamente sobre esses assuntos com essa pessoa?  Ela respeita suas vontades e desejos?

Remuneração

Essa é a parte mais delicada e muito discutida inclusive entre as profissionais. Existem Doulas que cobram vários preços  para que seja possível atender ao maior numero de mulheres e perfis.  Converse sobre as formas de pagamento possíveis, muitas vezes até permutas são bem vindas.

Expectativas x Realidade

Falar abertamente sobre suas expectativas sobre a atuação do profissional evita  que você se sinta frustrada depois do parto. Pontue o que deseja e o que acha importante e escute com atenção o que a profissional está preparada/disposta a oferecer dentro disso.

Conhecimento

As informações que essa Doula passa tem embasamento cientifico atualizado? Peça pelas pesquisas para que você mesma possa ler. Mais importante ainda, ela conhece a realidade obstétrica da sua cidade/região?  Se ela não souber como poderá te orientar no que você pode ou não esperar?

 

Converse com quantas Doulas achar necessário até que encontre a ideal. É perfeito! E vale lembrar, é sempre de bom tom avisar as outras sobre a sua decisão :)

Doula atuando
Doula

Doula, jogue fora sua bolsa

Eu aqui sou cheia de manias desde 2014, quando fiz o Revelando Doulas, minha maior preocupação a partir desse dia passou a ser montar a minha “Bolsa de Doula”

Pesquisei várias coisas que poderia utilizar: elásticos para o cabelo da gestante, touca para banho, pente, óleos essenciais caros, óleos vegetais puros para massagear, bolsa térmica, bolsa de sementes, redinha para pescar , luz colorida para usar como terapia alternativa, caixa de som portátil com wifii, bolas suiças, livros de orientação, Epi-no que pedi para trazerem direto da Alemanha…

Passei a estudar muito também, quase em uma corrida contra o tempo, estudava um assunto e publicava minhas descobertas no blog, em um caderno a parte fazia minhas marcações que deixo guardadas para estudos depois.

Aos poucos fui reduzindo meu arsenal, nunca gostei mesmo de levar muitas coisas comigo seja dentro ou fora do parto.

Mas eu tinha um apego ímpar pelos meus óleos essenciais… Ah como eu acreditava que eles eram mágicos!

 

Laranja para dar energia e reduzir enjoos

Lavanda para relaxar e descansar

Gerânio para liberar as emoções

Hortelã pimenta para auxiliar nas dores musculares de ombros, quadris, pernas e braços

Sálvia esclareia, a mágica expulsadora de bebês e placentas que demoram a dequitar

 

Até o dia, o lindo dia, em que um bebê adiantou seu nascimento e meus óleos preciosos tinham acabado. Minha encomenda ainda levaria uns dias para chegar…

Cheguei na casa dela triste, angustiada. Como eu ia oferecer um bom trabalho seus meus óleos?

Pedi desculpas logo de cara. Ela sorriu e disse que tudo bem.

Eram 4:30 de uma manhã úmida quando o Frederico resolveu nascer. Ficamos todos muitas horas juntos. À noite ele foi recebido e ninado nos braços dos pais.

Durante todo esse período me peguei correndo os olhos para a minha bolsa desejando ter uma das minhas poções secretas, eu precisava delas. Até que um momento eu percebi isso.

Era eu quem precisava.

Foquei na parturiente, foquei nela, na sua força e no seu cansaço. Me entreguei ali sem pensar em concertar nada, ajudar nada, não havia nada que eu tivesse para melhorar. Ela dançava e cantava sua própria música de parir, cabia a mim apenas acompanhar seus movimentos e amparar quando ela precisasse.

Foi o que fiz.

Dias depois voltei vê-los com um medinho por dentro semelhante a quando somos criança se sabemos que fizemos algo errado, fui esperando algum feedback negativo sabe? Conversamos bastante eu e a mãe sobre a ultima semana, sobre o Fred, sobre o parto.

E confesso meus olhos marejaram tanto que as lentes dos óculos se tornaram embaçadas, algumas lágrimas escorreram ao ouvir dela: “SAm, sua presença fez toda diferença, eu sabia que estava tudo bem de olhar para você e ver a sua calma. E mesmo quando eu não acreditei em mim você estava lá sorrindo, acreditando mais do que eu.”

Não foram meus óleos, nem minhas massagens, nem meu rebozo lindo que comprei no Siaparto desse ano. Foi a presença e a segurança.

Obrigada Luiza, por essa linda lição:

A ferramenta mais importante de trabalho de uma Doula fica do lado de dentro.

fogueira
Doula, Parto

Um resgate do acolhimento, a Doula e o nascer

Entre os grandes Mistérios, o parto foi por muito tempo o maior e mais bem cuidado pelas mãos femininas.

Eram através delas que a vida se fazia fluir dentro de suas casas, mulheres amparadas por irmãs, mães, filhas, observadas atentamente por uma outra, aquela que conhecia ervas, que acompanhava o luar e as estrelas no céu para se guiar.

A operação cesariana na Antiguidade só era praticada após a morte da parturiente, com a finalidade de salvar o feto ainda com vida. Desde 700 a.C. a lei romana proibia os funerais de toda gestante morta, antes que se fizesse a cesárea para retirada do feto. Os fetos que nasciam com vida eram chamados cesões ou césares (Vieira, 1871-1874).

A primeira cesárea realizada em mãe viva foi realizado ). Foi realizada em 1500, em Sigershaufen, pequena cidade da Suíça, por Jacob Nufer, em sua própria esposa. Jacob Nufer não era médico e nem sequer cirurgião-barbeiro. Era um homem simples do povo, habituado a castrar porcas.

Mesmo assim, a cesárea só foi ganhar popularidade no século XVIII e apresentava índices muito baixos de sobrevivência mãe-bebê.

No Brasil, nosso amor pela cesariana é creditada ao dr. José Correia Picanço, barão de Goiana, tendo sido realizada em Pernambuco no ano de 1822.

Mesmo assim o conhecimento passado através de gerações às parteiras ainda resistia.

Nosso histórico de violência obstétrica é centenário, começa em meados de 1894, com a inauguração de uma ala exclusiva para atendimento de gestantes na Santa Casa de São Paulo.

Era na maternidade que os médicos tinham seus primeiros contatos com partos reais, e era também lá onde as irmãs responsáveis faziam o possível para que a experiencia daquelas mulheres (pobres) fosse tão ruim a ponto de nunca mais quererem voltar. Sujeira, maus tratos, lençóis reaproveitados e escassez de alimentação. O parto hospitalar era “coisa de pobre”.

Parir nos hospitais na época era o que apenas mulheres sem recursos, prostitutas, viúvas, mães solteiras, enfim, toda a sorte de mulher renegada pela sociedade, tinham a recorrer. Com atendimento muitas vezes precário e alto índice de morte  materno-infantil por causa de infecções. Era um ambiente tudo, menos acolhedor.

Apesar dos poucos registros sabe-se que mesmo já em 1930 (em São Paulo) 85% dos nascimentos haviam sido domiciliares e acompanhados por parteiras tradicionais, 10% dos nascimentos haviam sido domiciliares com assistência de parteiras formadas e apenas 5% dentro dos hospitais.

Precisou de uma intensa política de incentivo governamental para que o ambiente hospitalar fosse o escolhido como melhor pelas parturientes.  Movimento social, politico e (como não) econômico que acabou resultando em partos na maioria hospitalares  nos anos 70 onde 15% dos nascimentos eram através de cesárea.

Em 10 anos esse numero já tinha duplicado.

Os partos seguros saíram de dentro das casas, escolheu-se os ambientes estéreis, o tempo foi otimizado, passou-se a dar mais confiabilidade à encubadoras do que aos corpos femininos para gerar.

Até meados de 2000 quando voltou-se a discutir a melhoria na assistência, se realmente os ambientes hospitalares eram os ideais, se o parto era realmente um evento CLÍNICO e não familiar.

Foi quando a figura da Doula, já quase esquecida no tempo, também é resgatada.

A mulher que Serve.

A mulher que serve a mulher que pari.

Aquela que apoia

Mas como será que as mulheres modernas recebiam essa figura? Como se sentiam em relação à esse acompanhamento?

Despretensiosamente divulguei um pequeno formulário para conhecer um pouco sobre a atuação das doulas de uma forma mais ampla, durante o trabalho de parto.  As perguntas e respostas foram compartilhadas através da rede social do joinha e você pode conhecer todas as perguntas aqui.

Acontece que para minha surpresa recebi não uma ou duas, quase 1.000 respostas!

Grande maioria das mulheres conhece sua Doula durante a gestação, por indicação de uma amiga ou através de grupos de apoio à gestação de sua cidade, e definem o acompanhamento já no segundo trimestre.

Talvez por isso, quando questionadas sobre o atendimento a opção de maior identificação tenha sido  essa

80% das mulheres afirmaram que a Doula fez tudo para que ela se sentisse confortável e segura. 79% das mulheres afirmaram que a presença da doula tranquilizou a ela e ao marido durante o trabalho de parto

Muito além de conhecimento sobre leis, orientações, massagens os vínculos de confiança formados entre casal e Doula se mostraram muito importantes. Reafirmando bom e velho “Doula não faz parto, faz parte”.  Acolher tem sido o maior papel desenvolvido por elas (nós!).

E a amamentação?

Doulas não são clinicamente capacitadas para avaliações, porém muitas recebem durante a formação informações suficientes para apoiar a amamentação, orientar massagens de alívio e ordenha, como armazenar o leite materno e como oferecer ele ao bebê.

70% das mulheres receberam de suas Doulas estímulo à amamentação exclusiva e orientações sobre amamentação, variações de posições possíveis e como poderiam observar se a forma que o bebê mamava estava legal ou não

Impressões recebidas, ficou a dúvida, de forma geral elas contratariam novamente uma Doula no próximo parto?

97% das mulheres entrevistadas disseram que sim

Dessas mulheres que contratariam novamente, 94% acreditam que ter mãe, sogra, amiga, conhecida, no parto não substituiriam a doula e não trariam a mesma tranquilidade e segurança. O acompanhamento teria que ser feito por uma Doula profissional.

E para fechar a enquete, elas poderiam falar qualquer coisa anonimamente para sua equipe, ou sobre suas experiências:

“Tive dois partos normais completamente diferentes e atribuo a diferença à presença da doula. O primeiro teve várias intervenções desnecessárias e o segundo foi completamente natural, como desejado. A confiança no meu corpo trabalhada durante a gestação e trabalho de parto foram essenciais. Saí do parto querendo parir de novo de tão bom que foi! “

“Acredito que muitas mulheres quando estão gestando, se foi uma gravidez planejada ou não, por falta de informações, se encontram em situação de medo, levando-as a optarem por uma cesarea sem necessidade, no meu caso, ter acompanhamento de uma doula me fez acreditar em nossa capacidade de parir, e enxergar os diversos caminhos positivos para um parto normal, sem medo.”

“Fui livre, amparada, ouvida e amada durante todo o processo pré, intra e pós parto. Presença, confiança e calma fundamentais.”

“Apesar do meu parto ter se encaminhado para uma cesárea de emergência(nunca saberei se realmente necessária), graças as informações que obtivemos da minha doula, tivemos um pós-parto muito respeitoso e meu bebê ficou comigo o tempo.”

Fontes: A Primeira Operação Cesariana em Parturiente Viva http://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-19.pdf

A operação Cesárea no Brasil. Incidência, tendências, causas, conseqüências e propostas de ação  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1991000200003 

Migração de Partos Domiciliares para ambiente Hospitalar http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-311X2003000100024&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Assistência ao parto: do domicílio ao hospital (1830-1960) / Child birth care: from home to the hospital http://pesquisa.bvs.br/brasil/resource/pt/his-8989

http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/viewFile/10588/7878

 

massagem para gestantes
Diversão e Relaxamento, Doula

Massagem reduz tempo de duração de parto

Acompanhar a mulher durante a gestação e parto é muito mais que uma função ou profissão, é sem dúvida um dom acompanhado de muito estudo.

 

E não existe coisa melhor do que massagem de doula.

Durante a gestação

  • Auxilia no relaxamento
  • São profissionais que conhecem a fisiologia do parto e que não realizarão manobras que interfiram no bem estar mãe-bebê
  • Conhecem os pontos de maior tensão e como aliviá-los
  • São capazes de orientar acompanhantes e parceiros em como aliviar as tensões também em casa
  • A doula pode realizar as massagens juntamente com exercícios de respiração e aromaterapia para potencializar os resultados
  • Ajudam a diminuir inchaços, muito comuns no terceiro trimestre

Durante o trabalho de parto e parto

Nem toda mulher gosta de ser tocada durante o trabalho de parto, isso é importante sempre lembrar, mas para quem gosta um estudo global (Klaus & Kennel, 1993), aponta  que a presença da Doula no trabalho de parto traz benefícios eficientes também para a redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural.

  • Auxilia no alívio das dores durante o trabalho de parto
  • Proporciona relaxamento e diminuição da ansiedade
  • Auxilia no bom posicionamento do bebê
  • Aumenta o vinculo entre o casal (em vista que os movimentos são ensinados também ao acompanhante)
  • Podem auxiliar na redução do tempo do trabalho de parto (mãe relaxada, trabalho de parto fluído!)

 

Durante a Amamentação

As mãos de fada auxiliam até nesse momento único, apesar de pouco falado sobre o assunto a doula pode também auxiliar a tornar mais fácil e prazeroso essa fase quase esquecida durante a gestação.

  • Pode ensinar a mãe massagens de alívio de dores nas mamas
  • Auxilia na ordenha
  • Pode ajudar a aliviar tensões musculares em braços, ombros e pescoço. Além de indicar posições favoráveis para que elas deixem de existir.

 

Não é a toa que as Doulas são conhecidas por suas mãos de fada <3

 

Doula, Empoderamento

Doulas e Gos querem a mesma coisa

Sim, o que nos conecta é a dedicação ao nosso trabalho e o desejo de desfechos positivos em todos os nascimentos.

Sinto que com a explosão de Doulas, de mulheres questionadoras, de informação baseada em evidencias, apareceu também uma trincheira entre nós. Talvez por uma série de informações que se desencontram no caminho, nos vemos pouco e quase não conversamos pessoalmente, como poderíamos realmente nos conhecer, não é verdade?

Eu Doula, estimulo as mulheres e famílias a pesquisarem e conhecerem mais sobre seus próprios corpos e o processo de parto normal, falo também sobre a cesárea e pós parto/amamentação.  Muitas vezes isso bate de frente com a forma que tradicionalmente o nascer acontece.

Não é culpa exclusiva de vocês ou da mulher, penso que em um país onde as taxas de cesárea chegam a 80% é medíocre apontar dedos apenas para pessoas e desconsiderar tudo o que nos envolve. Pressão social, de instituições, remuneração inadequada, falta de estímulos e políticas de trabalho que muitas vezes deixam a desejar. Acontece que eu e vocês queremos a mesma coisa.

Desejamos nascimentos seguros, para mãe e bebê

Quando procedimentos de rotina são questionados não significa que não existe confiança no seu trabalho ou formação. Acontece que muitas vezes é possível recorrer a alternativas que sejam bem vindas por todos, equipe e parturiente, afinal queremos apenas

Promover o nascimento de forma respeitosa utilizando tecnologia e evidencias cientificas atualizadas

A cada dia terão mais e mais mulheres nos seus consultórios querendo conversar com vocês sobre fisiologia, parto e amamentação. Não apenas falando do enxoval e ansiosas pelo próximo ultra. Existe espaço no seu atendimento para isso?

Sabem, tenho visto e ouvido muitas, muitas mulheres falarem sobre vocês depois dos partos e em nenhum momento falam dos procedimentos feitos, falam sim coisas como “Meu médico foi bem legal, explicou o que estava acontecendo e fiquei mais tranquila depois”, “A enfermeira que me acompanhou foi um verdadeiro anjo e me acalmou”, “Estava com medo e o anestesista foi muito gentil, perguntou meu nome, que dor me incomodava e o que eu queria sentir, disse que faria o melhor para me atender” . Infelizmente o total oposto também existe e são essas mulheres que se sentiram desrespeitadas e violentadas que irão, a cada dia mais, falar sobre isso.

Somos lados opostos da mesma moeda. Se trabalharmos em sintonia grandes mudanças virão. Na verdade, são inevitáveis.

Doula, Empoderamento

Um encontro 360 graus sobre humanização

Quero dividir com vocês uma experiência muito bacana que tivemos aqui essa semana.

Na minha página na rede social do joinha e nos e-mails volta e meia me questionavam “o que é um parto humanizado” ou afirmando que queriam um, como quem pede um lanche no Mc Donalds pelo número, mas sem conhecer os ingredientes um a um. E isso só deixava claro uma coisa, não estou falando claramente sobre.

Bolei então um encontro, com coquetel porque pessoas com estômagos felizes são mais receptivas à novas ideias.  Fizemos o seguinte:

Dentro do meu perfil pessoal tenho grande parte das mulheres que acompanhei o parto, joguei lá o convite para que viessem contar seus relatos para outras mulheres. A meta era ter um parto em casa local possível na cidade (Sus, Pelo Convenio, Hosp Particular, Hosp de Fora, Domiciliar e Casa de Parto).

Tinha os relatos garantidos agora precisava apresentar os profissionais envolvidos, de forma clara e objetiva para que as famílias entendessem o papel de cada um e funções. Convidei a Giovana Fragoso, Enfermeira Obstetriz que realiza partos domiciliares, Andréa Gouveia, neonatologista ótima na recepção de bebês, Cláudia Clemente, fotógrafa e o Bráulio Zorzella, Go humanizado da cidade vizinha que infelizmente adoeceu no dia e não pôde comparecer. Claro, a apresentação e fala de Doula foi  minha.

 

Abri as inscrições por e-mail, e simultaneamente rolava um grupo no whats app específico para esse dia, para as mães já se conhecerem e conversarem entre si.

 

No dia do Evento

Iniciamos com a apresentação dos profissionais, resumo do currículo acadêmico e  profissional e um pequeno depoimento sobre seu papel no parto. Após cada apresentação abria-se espaço para perguntas.

Depois de uma rápida pausa, iniciamos os relatos de parto.

A previsão de término era meio dia, 13:30 ainda estávamos nos despedindo.

 

Ponto positivo: apresentamos a humanização de forma integral e real para 20 gestantes de variadas idades gestacionais.

Ponto negativo: Programei apenas duas horas para esse evento, o que foi absurdamente pouco. Em todo curso ou palestra que ministro gosto de começar pedindo para que as gestantes se apresentassem e por medo de não dar tempo pulei isso, o que deixou todas bem menos a vontade do que eu gostaria.

 

Cada evento é um aprendizado, sem sombra de dúvidas. Espero que essa minha experiência aqui inspire outras ainda mais lindas.

Olhar de Claudia Clemente Fotografia
Doula, Empoderamento, Gestação

Humanizado, por quê?

Conversando com uma gestante ela me questionou, nessas palavras: “Sá, parto humanizado pra que? Por quê?” . Um parto humanizado hospitalar seria um investimento extra e ela arcaria sozinha, afinal, poxa, ela tem convênio e o parceiro via como um “mimo” desnecessário.

Eu me vi nela alguns anos atrás, realidades diferentes mas angustias parecidas. Decidir tudo sozinha e arcar com todas as escolhas e consequências exclusivamente sozinha. Mesmo e apesar do medo gritante do desconhecido. A gente luta.

Eu optei por um parto humanizado, por mim principalmente.

Era o momento em que EU queria ser muito bem tratada

Era o momento em que EU gostaria de me sentir segura

Era o momento em que EU gostaria de ser 100% respeitada

Seria o dia que eu, mesmo de memória péssima, nunca iria me esquecer.

 

Fiz a minha escolha, dentro do que eu suportei. As opções na época eram

 

Um parto vaginal cheio de intervenções e violência obstétrica, na maternidade pública da cidade (Minha gestação foi difícil emocionalmente, era inaceitável me colocar a disposição de mais violências enquanto eu estivesse tão vulnerável)

Uma cesárea agendada ou com plantonistas, no hospital particular da cidade (Desejava um parto de cócoras, só aceitaria essa opção se não pudesse parir com dignidade, sim, antes uma cesa que um parto normal absurdamente violento)

Um parto domiciliar -na casa da minha mãe- com parteiras “importadas” de longe. (Minha mãe aguentaria? Não sei… Teríamos tranquilidade? Não… Podia investir tanta grana? Não também, eu sabia que seria despedida assim que terminasse minha licença maternidade)

Um parto normal em um hospital que tinha UMA EO bacana, no Sus em uma cidade a 60min de distancia. (Foi essa minha opção, banquei a distancia, o tempo de viagem, a possibilidade da EO não estar lá, ou não poder entrar comigo, banquei não ter Doula, banquei ter que brigar para não sofrer intervenções desnecessárias. Pari de cócoras com auxilio de uma banqueta.)

Hoje o panorama geral na minha região não está tão ruim, mas ainda estamos longe de ter um tendimento gratuito ou através do convênio que possa ser chamado honestamente de humanizado. Ou se está disposta a brigar antes e durante o parto, ou se está disposta a pagar por uma equipe que te respeite.

 

Voltando a minha conversa com a gestante…

“O que você espera viver no seu parto? Quais são suas opções, de verdade?”

“Não quero mais ter que brigar, quero me entregar e apenas me preocupar em parir, preciso disso”

“Onde você se sente mais segura?”

“Só vejo isso possível com o Dr particular… usarei o hospital pelo convênio, mas a equipe… não quero ter que arriscar”

 

Escolhemos o parto humanizado particular, não por frescura ou modinha, é pelo medo de não termos um tratamento digno dentro das opções disponíveis.

E você, consegue responder como sonha em vivenciar seu parto e quais as opções possíveis (com prós e contras) ai?

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Doula, Parto, Relato de Parto

Relato de Pai: O Nascimento da Heloisa

Acho importante, antes de mais nada,  escrever o relato do nascimento de nosso primeiro filho de cesária para poder estabelecer uma base de comparação com nossa segunda experiência.  

O nascimento do Enzo

Nosso primeiro filho Enzo nasceu de cesária. O obstetra que acompanhou a gestação era bastante atencioso e gostávamos de sua forma de trabalhar. Porém ele nunca queria falar de parto quando puxávamos o assunto. Quando minha esposa Mileine estava com 36 semanas de gestação ele finalmente disse “para quando querem marcar o parto?”. Nós achamos muito estranho e eu pedi para discutirmos as opções, e enquanto conversávamos mencionei que minha esposa tinha escoliose e ele se agarrou nesse argumento para justificar a cesária. Nós, pais de primeira viagem, acatamos a “forte sugestão” do obstetra.

Me chamaram para a sala de cirurgia apenas quando já estavam tirando o Enzo e não queriam deixar eu filmar, então eu discuti com a enfermeira e continuei filmando. Imaginei que o motivo pelo qual não queriam filmagem era para evitar registrar um eventual erro médico. O Enzo nasceu com a ajuda de um equipamento de aço curvado que machucou sua cabeça e deixou uma cicatriz que não diminui e impede o crescimento de cabelo. Colocaram o Enzo perto da Mileine apenas pelo tempo de tirar uma foto e o levaram para outra sala onde fizeram todos os procedimentos padrões (e questionáveis) de aspirar, retirar o vérnix… Só o encontramos depois na sala de repouso onde estávamos esperando.

Resumindo ficamos muito irritados com o obstetra que nos enganou, que não queria nos deixar filmar o parto, que foi bastante mecânico e com pouca consideração pelos pais, especialmente pela mãe.    

O nascimento da Heloisa

Considero que estavamos relativamente bem informados com relação ao parto natural. Isso nos deu bastante tranquilidade para encarar cada etapa do processo de nascimento, até então desconhecidas na prática. O desenvolvimento da gestação foi normal, sem nenhum problema. Não contamos ao novo obstetra que queriamos fazer um parto natural, fora de um hospital, já que a maioria dos médicos realmente não gostam dessa idéia.

Decidimos ter a Heloisa em uma casa de parto (Clínica Opima) em nossa cidade Itapetininga que fica a 3 minutos do hospital da Unimed, uma suíte muito grande e agradável toda equipada, com temperatura controlada, cama, banheiro, banheira de hidromassagem, tecido para apoiar, bolas para exercicios, jardim de inverno, comida, bebida, equipamento de emergência e uma ambulância pronta para uma eventual transferência para o hospital. Fizemos cursos e estudamos como seria a experiência; as vantagens, os riscos… Escolhemos uma equipe incrível com uma médica pediatra (Andréa Golveia), 2 efermeiras (Giovana Fragoso e Priscila Colacioppo), uma doula (Samara Barth) e uma fotógrafa (Rithiele Mareca). Minha cunhada Mary tambem participou desde o inicio ajudando e acompanhando todo o parto. A enfermeira Karin Bienemann também se juntou à equipe.

Com 39 semanas e cinco dias 23/02 começou a sair o tampão e o que achamos ser um pouco de liquido amniótico. Mantivemos a equipe informada através de um grupo de Whatsapp. Durante a tarde a Mileine sentiu várias pequenas contrações que foram aumentando de frequência e intensidade até caracterizar efetivamente trabalho de parto as 21:30. Chamamos a doula Samara que monitorou um pouco as contrações até que sugeriu que fossemos para a casa de parto.

A partir daí começou o trabalho duro, a doula e eu o tempo todo com a Mileine. As contrações estavam muito fortes e revezamos o chuveiro, bola, tecido, cama, caminhadas até as 2:00 am. A Mileine estava bastante cansada e já estava no que os profissionais chamam de “partolândia”, um estado de consciência no qual a mulher fica completamente “chapada” com a quantidade de hormônios e substâncias secretadas no organismo naturalmente que preparam o corpo para um acontecimento tão extremo.  

A enfermeira Karin monitorava a bebê com frequência e ajudava no trabalho de parto. A enfermeira Giovana então avaliou a evolução do trabalho de parto e disse que ela estava com 4 cm de dilatação. Foi bastante frustante, já que havia passado bastante tempo com muitas contrações, para um avanço tão pequeno. Porém continuamos focados em ajudar a avançar o trabalho de parto. Ao redor das 4:312226409_987458654675569_1003362007_n0 am foi feita a segunda avaliação pela Giovana e estava com apenas 5 cm. Foi um balde de água fria, tanto esforço por tão pouca evolução. Começamos a temer não ser possível um parto natural e ter que nos transferir para o hospital para induzi-lo. A Mileine estava esgotada, eu realmente não sei como ela conseguiu aguentar tantas contrações intensas por tanto tempo. Então a enfermeira pediu para entrarmos na banheira e lá ficamos até nascer o dia, as contrações desaceleraram e todos pudemos descansar um pouco, inclusive a Mileine, que estava exausta.

Foi quando a Samara nos “despertou” e disse que tínhamos que continuar a trabalhar. Saímos da banheira e 12674507_987458548008913_479977343_napenas movimentando um pouco corpo fez com que as contrações voltassem. Ao redor das 10:00 am a enfermeira Priscila fez una nova avaliação, estávamos muito apreensivos, pois sabíamos que daquele momento dependia todo o planejamento, preparação, esforço e o desejo de um parto realmente humano. A priscila então disse, quase como uma revelação, “Graças a Deus, está com 8 cm, o colo parece uma geléia. A Heloisa vai nascer!”. Nesse momento me arrepiei inteiro, não consegui segurar a emoção e comecei a chorar, olhei em volta e todos no quarto estavam chorando. Depois de tanto esforço, tanto sacrifício, vamos conseguir ter nossa menininha como queríamos.

A partir daí tudo foi mais “fácil”, pois a Mileine se motivou e encarou as contrações com muita coragem, até que a enfermeira a tocou e sentiu a cabecinha da Heloisa, me pediu para sentir e me emocionei muito, estava acontecendo! Eu disse que tinha sentido sua cabecinha e duas contrações depois nasceu a Heloisa as 12:54 de 24/02. A enfermeira fez questão que eu tirasse a Heloisa e entregasse direto para a Mileine. Todos choramos, sentindo uma felicidade imensa, com nada além de alegria e realização no coração, um sentimento pleno. Enquanto a Mileine já a amamentava, a placenta nascia e o o sangue do cordão, que pertence ao bebe, voltava para seu pequeno corpo, e eu pude então cortar o cordão, fazendo-a respirar agora por conta própria. Em seguida chegou o Enzo e ficou fascinado com a irmãzinha.

A equipe foi simplesmente fantástica. A doula foi fundamental no trabalho de parto, ela apoiava fisica e emocionalmente minha esposa, ficou o tempo todo presente. As enfermeiras, que eram muito bem qualificadas e experientes, foram muito humanas e profissionais nos passando muita tranquilidade e segurança. A médica participou menos, como naturalmente deve ser, porém foi sempre muito carinhosa e preocupada, humana.

Minha es10584233_987458814675553_638511149_nposa foi literalmente um guerreira, mostrou que é uma mulher extremamente forte e determinada, muito mais do que eu imaginava. Ela encarou 15 horas de dor intensa e esgotamento físico com uma resiliência inimaginável. Os profissionais se referem muito à palavra “poder” que de fato reflete muito bem a experiência da mãe no parto.

Acredito que o parto normal é uma experiência da qual os pais tem o direito de não serem privados, seja por um sistema de saúde estúpido ou médicos de eticamente tortos. O parto natural, por sua vez, é uma experiência sem interferências desnecessárias ou anomalias técnicas que foram se tornando práticas comuns até os dias de hoje e que reduzem a magia do nascimento. É uma experiência transformadora que vai além de ser protagonistas do nascimento de nossos bens mais preciosos e fortalecer os vínculos familiares, mas nos faz descobrir aspectos pessoais desconhecidos por nós mesmos. A idéia desse texto é apenas descrever nossas experiências pessoais de parto, e não julgar decisões ou opiniões diferentes das nossas.

Caue Tacchini Bernardo – pai da Heloisa e do Enzo


grupo de gestantes
Doula, Empoderamento, Gestação, Parto

5 razões para dizer SIM

Você já viu o positivo no palitinho, já está em pelo menos 5 grupos virtuais de “gravidas” e aquela sua amiga com cara de hiponga te convidou para ir em um grupo presencial de apoio à gestação e parto humanizado?

Abra o peito, o sorrisão no rosto, coloque sua roupa mais confortável e diga SIM!

Nos grupos presenciais, mais do que a oportunidade de trocar experiências com outras gestantes, você provavelmente vai encontrar :

 

1: Informações baseadas em Evidencias

Os grupos costumam ter até 10 casais e os facilitadores buscam sempre embasar as informações passadas da forma mais confiável possível, dentro do tema abordado.

“Não existe escolha sem que exista antes conhecimento real sobre as opções”

Fala-se do que é normal, ou não na gestação e parto, dependendo do tema abordado no dia pelo grupo.

 

2: Vão te provocar a questionar

Dos primeiros passos para assumir a autonomia do próprio corpo é se permitir questionar. “Como isso acontece? Porque essa indicação? Esse procedimento seria feito por quê?”

Você estará rodeada de mulheres que descobrem a cada dia o poder de ter autonomia sob o próprio corpo.

 

3: Apontar caminhos

As mulheres nos grupos já viram muita coisa e estudaram outras tantas, acredite, elas mais do que ninguém gostariam que o parto normal respeitoso fosse um direito acessível e não algo que temos que lutar por ele. Vão falar no ato sobre as condutas conhecidas de profissionais e hospitais, indicar uma série de livros, filmes e blogs para que você possa escolher o que é melhor para  SUA realidade e se encaixa melhor nos SEUS desejos.

 

4: Relatos de Parto Reais

É bonito ler relatos de parto, mas ouvir da mulher que vivenciou cada contração, alegria e força é uma experiência completamente diferente. Ouça com respeito, é a história dela, mas significa que você também pode conquistar a sua. É possível e nem sempre tão simples e romântico como pode parecer no youtube.

 

5: Apoio

Seu grupo será sua rede de apoio, anote dúvidas, pergunte sempre que tiver espaço para isso, de preferencia abertamente para todo o grupo, sua dúvida pode gerar uma discussão muito boa e ajudar à outras mulheres. É intimo? Aproveite o final do encontro, se forem muitas dúvidas, vale recorrer a uma Doula para te dar a atenção e informação que precisa.

 

Você frequenta já algum grupo de apoio? Se ele puder ser divulgado poste aqui nos comentários que vou atualizando o post com “Nossas leitoras recomendam”

Projeto existente desde Maio em Itapetininga-SP.
Hoje parceria da Casa da Doula e Casa Opima.
Curso, Diversão e Relaxamento, Doula, Maternagem

Mãe, to na Globo!

Ok, é na Tv tem… mas trabalho de Doula sendo bem falado e divulgado na Globo é para se comemorar!

Eu busco sempre trazer para minha cidade (Itapetininga-SP) atividades exclusivas , e porque não inusitadas, na região. É trabalhoso, normalmente tem pouca adesão… mas o resultado é sempre muito bom.

 

Em maio convidei a Pâmela Souza, do Ventre Materno, para um workshop.

 

Foi tão encantador, o resgate do feminino, a re-conexão com o corpo principalmente para as mães que já tinham tido bebê, que o Work virou aula.

 

E hoje a matéria saiu, no jornal local ao meio dia, com depoimento das mães e dessa doula que vos escreve. Confiram que bacana que ficou!

 

Pela primeira vez os jornalistas daqui falaram corretamente o papel/função da Doula, apesar de errarem meu sobrenome rs), fiquei emocionada!

Clique aqui => Dança do Ventre Mãe e Bebê -Casa da Doula e Opima