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Parto

Guia prático sobre: Parto Domiciliar

Se você sonha com um parto domiciliar e não sabe por onde começar a organizar o seu esse texto é para você.
Se você acha a ideia de ter um bebê em casa algo assustador, esse texto também é para você.

“O parto domiciliar é uma opção segura para as parturientes de baixo risco atendidas por profissionais qualificados e é um direito da mulher.” Melania Amorim

Começamos por ai, quem pode ter um parto domiciliar?
Em geral, mulheres com gestação de baixo risco.

E o que é necessário?
Acompanhamento clínico é essencial, durante toda a gestação o pré natal bem feito é REGRA, independente de onde você deseja ter seu bebê. No parto isso não muda.

No geral nos partos domiciliares quem é responsável e habilitado para prestar assistência são Médicos Obstetras, Enfermeiras Obstetras e Obstetrizes. Normalmente as equipes são sempre constituídas de dois profissionais para caso haja qualquer intercorrência seja possível prestar o atendimento imediato necessário e levam consigo todo aparato para isso.

Não recomendo parto desassistido, ou seja, sem esses profissionais presentes e acompanhando todo o processo. Doula não faz parto e em nenhum momento deve realizar qualquer tipo de procedimento clinico, seja auscutar o bebê ou realizar exames de toque, independente de sua formação NÃO É SUA FUNÇÃO. Então, não existe essa de “Quero um parto em casa, vou contratar APENAS uma doula”

Converse com todas as equipes disponíveis, pergunte sobre suas condutas, principalmente em casos em que as coisas aconteçam completamente diferentes do que você sonha. Plano B é fundamental e estar ciente e preparada para isso também.

Busque relatos de parto onde a equipe escolhida atuou, conversar com essas mulheres é também parte importante. Você e quem estiver contigo precisam estar seguros de sua escolha. É seu parto, de mais ninguém.

Pré natal bem feito, equipe escolhida, plano de parto pronto. Agora é hora de preparar a casa!

Não é preciso ter o ambiente estéril, mas limpeza e organização são fundamentais, deixe a dispensa abastecida também. A equipe e você precisarão de espaço para se movimentar e você precisará se alimentar antes, durante e depois.

O que comprar? 

Cada equipe tem sua própria lista de recomendações no geral muito parecidas:

=> Espelho de mão
=> Fraldas de algodão bem macias lavadas e passadas para fazer compressas (10 unidades)
=> Lençóis, daqueles que você não irá se importar em sujar (4 unidades)
=> Toalhas de banho, daquelas que você não irá se importar em sujar (8 unidades)
=>Lençóis descartáveis com dry-gel, Biofral® ou similar à venda em lojas de produtos para a saúde
=>Forminhas de gelo em cubos para compressas no períneo após o parto ou absorventes refrescantes (tem a receita no meu blog!)
=> Absorvente externo grande: para a pós-parto
=> Tintura de calêndula ou álcool 70% para higiene do coto umbilical
=> Kanakion ou vitamina K via oral 2mg, serão utilizados 3 doses( nascimento, 7dias e 30 dias)
=> Fraldas e/ou cueiros de algodão macio lavados e passados (15 unidades)
=> Toalhas de banho pequenas ou de rosto grandes, bem macias (6 unidades)
=> Touca de algodão para o bebê (2 unidades) ( não serve de lã)
=> Panos de chão para limpeza depois do parto (6 unidades)
=> Plástico para forrar o colchão (colocar no colchão no início do trabalho de parto)
=> Sacos plásticos de tamanhos variados para placenta (sem furos), lixo descartável do parto
=> Aquecedor de ambiente caso seja época de frio
=> Piscina (se a mulher quiser e não possuir banheira) inflável 318 litros com as bordas bem sustentadas (para que você possa se apoiar nelas sem que se dobrem)
=> Bomba para inflar a piscina
=> Se for usar a banheira, é necessário uma mangueira nova que possa ser conectada ao chuveiro
=> Velas, pétalas de flores e demais “frusfrus” que você queira no seu parto, para tornar a experiencia ainda mais linda e romântica 😉

 

 

Desejo que tudo ocorra maravilhosamente bem no seu parto domiciliar, se quiser ler relatos de quem viveu essa experiencia única clique aqui 

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Parto

Parto orgásmico, porque não?

Das coisas que mais impressionam nos “moderninhos” partos normais, os relatos de mulheres que sentiram prazer durante o parto são os que mais chocam. Não é de se espantar, não é mesmo?

Onde já se viu, nós que fomos destinadas a “parir na dor” tal qual Eva e toda sua descendência punidas depois da ousadia de provar do fruto proibido, sentirem PRAZER ao dar a luz?

Como pode o parto, um momento lindo, mágico, puro de todo o mal envolver algo “sujo” como a sexualidade feminina e o orgasmo?

Ainda separamos ter um filho da experiência sexual, como se um nada tivesse a ver com o outro, como se a santidade nos cobrisse, nós mulheres todas enquanto geramos outra vida em nossos ventres. Seria o “TER QUE SER RUIM” um castigo por antes ter se permitido o prazer?

Isso queria muito saber de vocês mesmo.

Agora, se pensarmos fisiologicamente, não tem porque o nascimento respeitoso não ser um momento intenso de prazer principalmente quando a mulher é respeitada, bem tratada, tem um ambiente reservado e pessoas que ela confia ao seu redor.

O clitóris, esse órgão bonitão da imagem, é o principal responsável por esse prazer durante o parto ser possível, sua estrutura vai muito além da pequena parte externa que antes se conhecia. Ele abrange grande parte da vulva e se estende até a entrada da vagina.

Ou seja, é imensamente estimulado pela quantidade de sangue no corpo aumentada durante a gestação e durante o parto pela enxurrada de hormônios. E no período expulsivo, que tanto assusta a maioria de nós, toda a musculatura da vagina se alonga e mais uma vez,todas as partes do clitóris que fazem parte dessa estrutura são estimuladas.

Por isso sim, o parto orgásmico é possível. E não, não tem nada de sujo ou imoral. Assim como não existe nada de sujo ou imoral no nosso prazer.

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Parto

As contrações são você

Nem mais fracas nem mais fortes, as contrações são suportáveis por serem parte de você. Expressão mais clara da sua própria força.

Isso assusta, muitas vezes.

Começam tímidas, lá pelo sétimo mês de gestação, deixando a barriga bem redondinha e provocando desconforto na pelve algumas vezes, nada de dor ainda nesse momento.

Mais tarde, próximo ao parto, elas começam a mudar.

Curtas de duração e bem doloridas, com enormes intervalos (uma a cada hora, ou algumas seguidas e depois param espontaneamente)
Ou longas com intervalos curtos (1 minuto de duração e 3 de intervalo = trabalho de parto ativo!)

Como você pode lidar com suas contrações?

1: Encare o seu Medo, lembre que elas são essenciais para que seu bebê nasça e é importante que venham e sejam fortes para que isso aconteça

2: Respire profunda e pausadamente, Yoga e Pilates durante a gestação podem dar o treino e ritmo certos para esse momento. Quanto mais profundamente respirar mais você irá soltar as tensões musculares e aliviar as dores.

3: Se puder, tenha uma Doula ao seu lado. Ela irá de ajudar a se acalmar e focar no que realmente importa a cada momento e te lembrar que você é capaz e forte o suficiente.

4: Abuse da água quente, vão te ajudar a relaxar e aliviarão muito a sensação das contrações

5: Rebole, faça círculos grandes com os quadris, pequenos, vá para frente e para trás… Não importa. Deixe seu corpo te mostrar quais são as posições e movimentos melhores para aquele momento, mesmo que você não acredite em mim agora vai saber e sentir exatamente como deve ficar.

6: Vocalize, soltar o ar relaxando a garganta com sons de “As” ou “Os” são ótimos para aliviar as contrações mais intensas e vão te ajudar a mudar o foco, ao invés de pensar na sensação vai prestar atenção no som que estará fazendo

7: Evite ficar deitada, costuma ser a posição mais desconfortável para se estar quando se tem contrações. Diferente da cólica menstrual, as contrações não vão passar com um comprimido, o melhor remédio é sua participação ativa na expulsão do bebê.

8: Você quer gritar? Grite!
Quer gemer? Ótimo!
Quer rebolar? Tenha apoio
Você precisa de um tempo para descansar? Deixe que seu corpo descanse, tenha por perto quem te ajude a relaxar.

As contrações duram no máximo 60 segundos cada uma, é um tempo curto, não acha?

8: Converse sobre como se sente antes do parto.
Existem duas escolas muito antigas sobre o parto sem dor, uma delas afirma que quanto mais segura a mulher se sentir mais fluído será o parto, isso envolve equipe, ambiente, acolhimento. O medo gera tensão muscular, que por sua vez gera mais dor. A ansiedade pode ser um alerta já na gestação que você não se sente segura com um ou mais pontos, é bom resolver essas questões antes do parto em si.

Parir dói, mas nunca mais do que podemos suportar é a nossa própria força. Seu próprio poder escancarado para você e todo mundo ver. Isso assusta, mas você É CAPAZ.

O que atrapalha mesmo no parto é o medo/angustia alheio, falta de apoio, intervenções desnecessárias e desrespeito às vontades da mulher.

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Parto, Períneo

Parto normal não estraga a perereca de ninguém

Pois é, as terríveis histórias das vísceras que “caem”, da vagina larga, da incontinência urinária e fecal depois do parto normal tem outros responsáveis que não O terrível, animalesco e destruidor parto normal.

A função de controle e apoio de órgãos é de uma malha muscular chamada MAP que pode enfraquecer e ser danificada nas seguintes situações:

* Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico; ( ex : Episiotomia. Após feito o corte na vagina da mulher no momento do nascimento do bebê, é necessário reparar os danos à área. A Episiorrafia é a sutura da Episiotomia. É muito difícil estabelecer o tamanho normal de uma Episiorrafia, já que o tamanho da Episiotomia pode ser bastante variável.)

* Gravidez e parto com assistência deficiente;

* Tumores malignos e benignos;

* Doenças que comprimem a bexiga;

* Obesidade;

* Tosse crônica dos fumantes;

* Quadros pulmonares obstrutivos que geram pressão abdominal;

* Bexigas hiperativas que contraem independentemente da vontade do portador;

* Procedimentos cirúrgicos ou irradiação que lesem os nervos do esfíncter masculino.

*Constipação intestinal.

*Enfraquecimento muscular causado perda da enervação que ocorre com a idade (a partir de 40 anos)

Os músculos do assoalho pélvico (a MAP) são os responsáveis pela sustentação da uretra, a vagina e o ânus, são também conhecidos como “músculos de Kegel”.

Eles foram detalhados pela primeira vez pelo médico Arnold Kegel em 1948, um ginecologista que desenvolveu exercícios para corrigir a frouxidão vaginal sem cirurgia. A prática dos exercícios de Kegel ou Cinesioterapia previne e recupera o tônus muscular, é o fim da incontinência e *prolapsos, além de melhora significativa na vida sexual, há relatos de mulheres que após os exercícios sentiram orgasmos mais intensos e até que pela primeira vez os sentiram.

Ou seja, com filhos, sem filhos, cesárea ou parto normal todas as mulheres estão sujeitas a passarem por problemas íntimos por culpa do enfraquecimento muscular, principalmente depois dos 30 anos de idade e podem reverter esse quadro com avaliação de fisioterapia perineal e evitar praticando exercícios constantes como Yoga, Pilates e o próprio Kegel  

 

expulsivo
Parto

Tudo sobre: O expulsivo

O trabalho de parto normal humanizado, como já conversamos aqui, pode levar desde algumas poucas horas até dias. Sim dias. Cada corpo tem um ritmo próprio para que a dilatação aconteça e isso costuma depender também da posição do bebê dentro do útero, que não se iluda, muda constantemente até o momento do nascimento.

E como o parto acaba? Com o nascimento do bebê. O período depois da dilatação total é chamado período expulsivo.

O que acontece

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O colo do útero já esta totalmente dilatado, ou muito próximo à isso, a sensação das contrações muda sendo substituídas por uma vontade intensa e involuntária de força.
Essa força vem das contrações intensas e coordenadas do útero que vão aos poucos fazendo com que o bebê passe pela bacia. A descida é normalmente lenta e conta com a ajuda da movimentação também do bebê.
Passada a bacia o bebê entra no canal de parto, nesse momento a mãe pode sentir perfeitamente a descida e localização do bebê, que avança e retorna um pouquinho a cada contração. Esse movimento de “vai e volta” é essencial para que a musculatura da vagina se alongue e relaxe lentamente sem provocar lacerações (ruptura muscular/rasgos)
Aqui que sentimos o “circulo de fogo”, parece toda a vagina estar circundada e muito quente, a mucosa parece queimar por conta do alongamento profundo.
Assim que a cabeça nasce o corpo do bebê faz sozinho um pequeno giro de 90 graus* (pode variar conforme a posição de saída do bebê essa é a mais comum), para facilitar a passagem dos ombros pela bacia.

Quanto tempo demora?

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Ainda hoje não existem estudos conclusivos sobre quanto tempo o período expulsivo demora. De acordo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a duração normal seria de três horas em primípara com analgesia (primeiro parto normal, com uso de anestesia), duas horas em primípara sem analgesia, duas horas em multípara com analgesia (mulher que teve mais de um parto normal sendo esse com anestesia) e uma hora em multípara sem analgesia.
A anestesia acaba fazendo com que o tempo de expulsivo fique maior por tirar a sensação de puxo (força) materna e provocar relaxamento muscular, normalmente é necessário combinar o uso de ocitocina para que as contrações voltem a se intensificar.

Fonte da imagem de nascimento maravilhosa:http://www.monetnicole.com/stories/beautiful-crowning-images

Fonte de pesquisa: Febrasco (http://www.febrasgo.org.br/site/wp-content/uploads/2013/05/Feminav38n11_583-591.pdf)

bolsa
Parto

E se romper a bolsa, o que fazer?

Os filmes e novelas mentiram para você. Pois é.
Você não precisa se desesperar e sair correndo quando a bolsa estourar! Milhares de florzinhas da gratidão para esse post, heim?!Para que serve o liquido amniótico?
-Durante a gestação o liquido é responsável pela proteção do bebê, ele amortece os impactos
-Possibilita a movimentação livre dentro do útero
-É com o liquido que os órgãos internos responsáveis pela respiração e digestão treinam o funcionamento
-É através do liquido também que o bebê treina o PALADAR, variando os “sabores” conforme o que a mãe come.
-O liquido se renova constantemente! A cada 18 ou 24 horas você tem entre 700ml até 1l de liquido novinho :)

Muito líquido ou pouco, qual o problema?

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Tudo na gestação tem uma curva de normalidade que é usada de parâmetro, sempre que se identifica alterações é um sinal que algo não está bem. O problema não é a quantidade de liquido e sim PORQUE ela está fora na curva considerada normal para o período. Pode ser por conta de alguma alteração hormonal, de funcionamento da placenta ou até mesmo má alimentação/hidratação.
E quando rompe a bolsa?!

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Existem duas membranas que envolvem o bebê e são preenchidas de liquido, como se fossem dois saquinhos.
As vezes uma dessas membranas tem uma pequena ruptura e a mulher passa a perder liquido aos poucos, quase sem sentir ou perceber. Não é preocupante, pois o liquido continua sendo produzido pelo corpo, mas é importante observar o bem estar do bebê.
Pode também acontecer o famoso PLOC, a mulher é capaz de ouvir o barulho da ruptura e uma grande quantidade de liquido escorre. Isso pode acontecer Antes ou mesmo Durante o trabalho de parto.
***IMPORTANTE: Infecções urinárias podem provocar o rompimento da bolsa e partos pré-maduros. Em caso de contrações com dor constantes que não evoluem, ou antes das 37 semanas fale para seu médico, investiguem!
De acordo com estudos atualizados o trabalho de parto normal costuma começar espontaneamente até 12 horas depois do rompimento da bolsa para 70 a 80% das mulheres. Por isso, não existe necessidade de correr para o hospital ou se desesperar caso a bolsa rompa e você ainda não sinta nenhuma contração.

****IMPORTANTE
A cor do líquido sempre deve ser observada.
transparente ou com bolinhas brancas = está tudo bem
liquido esverdeado, pouco ou muito chegando a parecer creme de ervilha= é preciso ir imediatamente ao hospital, a presença de mecônio pode ser um sinal que o bebê não esteja bem e não você não deve aguardar.

 

 
forceps
Parto

Fórceps, como funciona

Não tem romance, o parto a fórceps com certeza não está nos sonhos de nenhuma mulher que planeja viver o parto normal.
Acontece que quando bem utilizados o fórceps ou o vácuo-extrator podem ser decisivos para um bom desfecho no parto.

Quando são utilizados
Normalmente em trabalhos de parto com período expulsivo longo, quando a mãe já tem dilatação total, e os batimentos do bebê se tornam instáveis. O Sofrimento fetal é identificado através do monitoramento bem feito dos batimentos cardíacos do bebê e ele precisa ser retirado com rapidez.

O fórceps pode ajudar também em casos de desproporção cefálica relativa, quando a descida para em um ponto baixo e deixa de evoluir.

Pela posição já baixa do bebê (profundamente encaixado) os riscos de utilizar o fórceps ou um extrator a vácuo podem ser muito menores do que se recorressem a uma cesárea de emergência.

Contra-indicação
Utilização por profissional não capacitado
Uso indiscriminado (rotina) sem avaliação individual de caso

Vamos comparar?

  • O Fórceps
    Uso de anestesia sempre
    Frequente lesão de face
    Falha menos 

 

  • O extrator a vácuo
    Varia o uso de anestesia
    Cefalematoma maior
    Maiores chances de falha

 

Fonte: http://estudamelania.blogspot.com.br/2015/03/parto-instrumental-forceps-e-vacuo.htm

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Doula, Gestação, Parto

Como escolher a Doula?

Qualquer movimento de apoio ao parto humanizado por esse Brasilzão lindo vai falar das Doulas, como elas podem ser um apoio muitas vezes essencial para que o parto seja um momento inesquecível  para o casal. Mas a escolha certa pode fazer toda a diferença.

Mais do que um gasto ou uma pessoa a mais ao seu lado, a Doula ideal é aquela pessoa em quem você confia e se sente segura em ter por perto.

Como escolher?

Indicações

Sua amiga teve uma Doula? Pergunte sobre o parto como foi, como foi a atuação e principalmente pergunte o que essa amiga não gostou no atendimento. O que foi bom para ela pode não ser para você e o mesmo vale nos pontos que ela não gostou.

Busque por Grupos de Apoio

Normalmente Doulas fazem parte de grupos presenciais ou virtuais de apoio ao parto, esse primeiro contato é essencial para se conhecerem. Você pode em poucas conversas sentir se existe ou não uma conexão ali, gastando pouco para isso. Lembre que Doulagem é um trabalho como qualquer outro e o tempo para “conversar e se conhecerem” faz parte desse trabalho, se desejar que seja individualizado ele deve ser remunerado.

Saiba o que esperar

As vezes podemos ver de forma romântica  a figura da Doula, como um ser cheio de amor e servidão pronto para atender às nossas necessidades. Cada profissional tem um perfil único e uma força de atuar, então pergunte de forma clara:

Existem encontros antes e depois da gestação? Qual o tempo de duração, assuntos abordados e valor de cada um.

Qual o momento em que ela estará com você durante o parto?

Lembre que o fluxo de informação sempre deve funcionar +/- assim

Você pesquisa/tem dúvidas => Conversa com a Doula =>  Você recebe orientações

As doulas não vão te dar respostas prontas, ou dizer o que DEVE ou não fazer,  sua autonomia é parte principal do atendimento humanizado (se não for assim você apenas estará trocando o Go fofinho por uma Doula fofinha , te tratando como mãezinha empoderadinha)

Intimidade

Gestação e parto abordam os temas mais tabus da vida moderna, sexualidade, vida e morte. Você se sente a vontade para falar abertamente sobre esses assuntos com essa pessoa?  Ela respeita suas vontades e desejos?

Remuneração

Essa é a parte mais delicada e muito discutida inclusive entre as profissionais. Existem Doulas que cobram vários preços  para que seja possível atender ao maior numero de mulheres e perfis.  Converse sobre as formas de pagamento possíveis, muitas vezes até permutas são bem vindas.

Expectativas x Realidade

Falar abertamente sobre suas expectativas sobre a atuação do profissional evita  que você se sinta frustrada depois do parto. Pontue o que deseja e o que acha importante e escute com atenção o que a profissional está preparada/disposta a oferecer dentro disso.

Conhecimento

As informações que essa Doula passa tem embasamento cientifico atualizado? Peça pelas pesquisas para que você mesma possa ler. Mais importante ainda, ela conhece a realidade obstétrica da sua cidade/região?  Se ela não souber como poderá te orientar no que você pode ou não esperar?

 

Converse com quantas Doulas achar necessário até que encontre a ideal. É perfeito! E vale lembrar, é sempre de bom tom avisar as outras sobre a sua decisão :)

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Doula, Parto

Um resgate do acolhimento, a Doula e o nascer

Entre os grandes Mistérios, o parto foi por muito tempo o maior e mais bem cuidado pelas mãos femininas.

Eram através delas que a vida se fazia fluir dentro de suas casas, mulheres amparadas por irmãs, mães, filhas, observadas atentamente por uma outra, aquela que conhecia ervas, que acompanhava o luar e as estrelas no céu para se guiar.

A operação cesariana na Antiguidade só era praticada após a morte da parturiente, com a finalidade de salvar o feto ainda com vida. Desde 700 a.C. a lei romana proibia os funerais de toda gestante morta, antes que se fizesse a cesárea para retirada do feto. Os fetos que nasciam com vida eram chamados cesões ou césares (Vieira, 1871-1874).

A primeira cesárea realizada em mãe viva foi realizado ). Foi realizada em 1500, em Sigershaufen, pequena cidade da Suíça, por Jacob Nufer, em sua própria esposa. Jacob Nufer não era médico e nem sequer cirurgião-barbeiro. Era um homem simples do povo, habituado a castrar porcas.

Mesmo assim, a cesárea só foi ganhar popularidade no século XVIII e apresentava índices muito baixos de sobrevivência mãe-bebê.

No Brasil, nosso amor pela cesariana é creditada ao dr. José Correia Picanço, barão de Goiana, tendo sido realizada em Pernambuco no ano de 1822.

Mesmo assim o conhecimento passado através de gerações às parteiras ainda resistia.

Nosso histórico de violência obstétrica é centenário, começa em meados de 1894, com a inauguração de uma ala exclusiva para atendimento de gestantes na Santa Casa de São Paulo.

Era na maternidade que os médicos tinham seus primeiros contatos com partos reais, e era também lá onde as irmãs responsáveis faziam o possível para que a experiencia daquelas mulheres (pobres) fosse tão ruim a ponto de nunca mais quererem voltar. Sujeira, maus tratos, lençóis reaproveitados e escassez de alimentação. O parto hospitalar era “coisa de pobre”.

Parir nos hospitais na época era o que apenas mulheres sem recursos, prostitutas, viúvas, mães solteiras, enfim, toda a sorte de mulher renegada pela sociedade, tinham a recorrer. Com atendimento muitas vezes precário e alto índice de morte  materno-infantil por causa de infecções. Era um ambiente tudo, menos acolhedor.

Apesar dos poucos registros sabe-se que mesmo já em 1930 (em São Paulo) 85% dos nascimentos haviam sido domiciliares e acompanhados por parteiras tradicionais, 10% dos nascimentos haviam sido domiciliares com assistência de parteiras formadas e apenas 5% dentro dos hospitais.

Precisou de uma intensa política de incentivo governamental para que o ambiente hospitalar fosse o escolhido como melhor pelas parturientes.  Movimento social, politico e (como não) econômico que acabou resultando em partos na maioria hospitalares  nos anos 70 onde 15% dos nascimentos eram através de cesárea.

Em 10 anos esse numero já tinha duplicado.

Os partos seguros saíram de dentro das casas, escolheu-se os ambientes estéreis, o tempo foi otimizado, passou-se a dar mais confiabilidade à encubadoras do que aos corpos femininos para gerar.

Até meados de 2000 quando voltou-se a discutir a melhoria na assistência, se realmente os ambientes hospitalares eram os ideais, se o parto era realmente um evento CLÍNICO e não familiar.

Foi quando a figura da Doula, já quase esquecida no tempo, também é resgatada.

A mulher que Serve.

A mulher que serve a mulher que pari.

Aquela que apoia

Mas como será que as mulheres modernas recebiam essa figura? Como se sentiam em relação à esse acompanhamento?

Despretensiosamente divulguei um pequeno formulário para conhecer um pouco sobre a atuação das doulas de uma forma mais ampla, durante o trabalho de parto.  As perguntas e respostas foram compartilhadas através da rede social do joinha e você pode conhecer todas as perguntas aqui.

Acontece que para minha surpresa recebi não uma ou duas, quase 1.000 respostas!

Grande maioria das mulheres conhece sua Doula durante a gestação, por indicação de uma amiga ou através de grupos de apoio à gestação de sua cidade, e definem o acompanhamento já no segundo trimestre.

Talvez por isso, quando questionadas sobre o atendimento a opção de maior identificação tenha sido  essa

80% das mulheres afirmaram que a Doula fez tudo para que ela se sentisse confortável e segura. 79% das mulheres afirmaram que a presença da doula tranquilizou a ela e ao marido durante o trabalho de parto

Muito além de conhecimento sobre leis, orientações, massagens os vínculos de confiança formados entre casal e Doula se mostraram muito importantes. Reafirmando bom e velho “Doula não faz parto, faz parte”.  Acolher tem sido o maior papel desenvolvido por elas (nós!).

E a amamentação?

Doulas não são clinicamente capacitadas para avaliações, porém muitas recebem durante a formação informações suficientes para apoiar a amamentação, orientar massagens de alívio e ordenha, como armazenar o leite materno e como oferecer ele ao bebê.

70% das mulheres receberam de suas Doulas estímulo à amamentação exclusiva e orientações sobre amamentação, variações de posições possíveis e como poderiam observar se a forma que o bebê mamava estava legal ou não

Impressões recebidas, ficou a dúvida, de forma geral elas contratariam novamente uma Doula no próximo parto?

97% das mulheres entrevistadas disseram que sim

Dessas mulheres que contratariam novamente, 94% acreditam que ter mãe, sogra, amiga, conhecida, no parto não substituiriam a doula e não trariam a mesma tranquilidade e segurança. O acompanhamento teria que ser feito por uma Doula profissional.

E para fechar a enquete, elas poderiam falar qualquer coisa anonimamente para sua equipe, ou sobre suas experiências:

“Tive dois partos normais completamente diferentes e atribuo a diferença à presença da doula. O primeiro teve várias intervenções desnecessárias e o segundo foi completamente natural, como desejado. A confiança no meu corpo trabalhada durante a gestação e trabalho de parto foram essenciais. Saí do parto querendo parir de novo de tão bom que foi! “

“Acredito que muitas mulheres quando estão gestando, se foi uma gravidez planejada ou não, por falta de informações, se encontram em situação de medo, levando-as a optarem por uma cesarea sem necessidade, no meu caso, ter acompanhamento de uma doula me fez acreditar em nossa capacidade de parir, e enxergar os diversos caminhos positivos para um parto normal, sem medo.”

“Fui livre, amparada, ouvida e amada durante todo o processo pré, intra e pós parto. Presença, confiança e calma fundamentais.”

“Apesar do meu parto ter se encaminhado para uma cesárea de emergência(nunca saberei se realmente necessária), graças as informações que obtivemos da minha doula, tivemos um pós-parto muito respeitoso e meu bebê ficou comigo o tempo.”

Fontes: A Primeira Operação Cesariana em Parturiente Viva http://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-19.pdf

A operação Cesárea no Brasil. Incidência, tendências, causas, conseqüências e propostas de ação  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1991000200003 

Migração de Partos Domiciliares para ambiente Hospitalar http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-311X2003000100024&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Assistência ao parto: do domicílio ao hospital (1830-1960) / Child birth care: from home to the hospital http://pesquisa.bvs.br/brasil/resource/pt/his-8989

http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/viewFile/10588/7878

 

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Empoderamento, Parto

Como é parir em uma casa de Parto?

Casa de parto no estado de São Paulo temos tres, duas ficam na capital, Sapopemba (na zona Leste) e a casa Angela (na zona Sul) E você pode ler um texto muito bom sobre elas nesse post aqui .

Mas para quem mora no Interior de São Paulo, pode se tornar inviável recorrer a qualquer uma delas, foi pensando nisso que surgiu a 170lm da capital a primeira Casa de Parto particular do interior, Opima.

Se você deseja ter seu bebê lá, antes de mais nada, é importante participar das palestras realizadas mensalmente, temas relacionados à gestação e parto são desenvolvidos em grupos por profissionais locais capacitados. Ao final das palestras se você desejar pode também fazer um tour e conhecer a suíte de parto, com hidro, chuveiro, jardim de inverno e teto estrelado <3

Você pode também participar dos cursos de preparo ao parto oferecidos, são 4 módulos com 3 horas de duração cada, que abordam de forma prática e intima cada aspecto do parto. Você pode conferir os cursos oferecidos aqui.

O pré natal é feito pela enfermeira obstetriz responsável pelo acompanhamento na casa, a consulta dura em média 1 hora a 1:30 e é pré agendada sempre, não dispensa o acompanhamento médico, recomenda-se o pré-natal com a obstetriz como complemento à um bom pré-natal.

 

O atendimento ao parto funciona 24h, e conta com :

Duas enfermeiras Obstetras

Doula*de livre escolha da gestante

Neonatologista

Ambulância de prontidão na porta  (caso seja necessária a transferência para hospital)

 

E o PARTO?

Desde a 36 semana toda equipe já está a sua disposição, para tirar dúvidas ou qualquer necessidade a qualquer hora do dia ou da noite. Assim que as contrações vem de forma contínua, mesmo que ainda sem ritmo certinho, a sua doula já estará com você se assim desejar.

Quem dita a hora de ir é até a casa de parto é a parturiente, dentro das evidencias cientificas atualizadas a respeito já que a assistência clínica durante o trabalho de parto ativo é fundamental.

Toda equipe já estará esperando por você, a suite de parto ficará da forma que determinar no plano de parto , que é respeitado na integra, com música, com flores, com aromas, com/sem luz e é possível deixar ela ainda mais com ar de “casa da gente” com itens pessoais pelo ambiente.

A cada hora os batimentos fetais são verificados, entre e durante as contrações, pelas enfermeiras obstetras. Os exames de toque são mínimos e sempre acontecem  apenas após o seu consentimento.

O período expulsivo, pode ser em qualquer lugar e posição que você se sentir a vontade (banheira, banqueta, cama, sustentada pelo tecido, etc)

E a recepção do Bebê?

O bem estar do bebê ao nascer é assegurado pela Neonatologista, que deixa mãe bebê a vontade nos primeiros minutos de vida para que o imprint aconteça com todo respeito que o momento demanda. A pesagem e medição são feitas no quarto mesmo, à vista dos pais.

Caso exista qualquer complicação os primeiros socorros são oferecidos imediatamente já que a clinica conta com todo equipamento necessário (desde material de cateterismo umbilical até material para intubação)

 

O que Rola e o que NÃO ROLA 

  • Livre movimentação todo o tempo
  • Empurrarem sua barriga para ajudar o beber a descer (Kristeler)
  • Liberdade para comer e beber o que desejar
  • Jejum durante todo o TP
  • Ficar no chuveiro quentinho até enjoar
  • Permanecer deitada todo o TP
  • Parir na hidromassagens Like a DIVA
  • Ter que usar a camisolinha da vergonha e mostrar o bumbum para todo mundo
  • Parir com apoio da banqueta de parto
  • Parir na posição frango assado
  • Ter quantos acompanhantes você desejar
  • Brigar para poder ter pelo menos seu marido perto de você
  • GRITAR o quanto você quiser
  • Anestesia peridural
  • Receber massagem com óleos quentinhos
  • Pique, cortinho ou para os mais íntimos: Episiotomia
  • Ambiente todo preparado a base de aromaterapia
  • “sorinho” para ajudar o bebê a nascer
  • Risadas e conversas boas
  • Exames de toque de hora em hora
  • Relaxar sob um teto estrelado
  • Separação mãe-bebê para procedimentos com o recém nascido
  • Atenção exclusiva à parturiente
  • Fómula nas primeiras horas de vida
  • Respeito a cada minuto do seu parto, sem prazos
  • Apoio à amamentação nos primeiros minutos de vida e em todos os outros

 

Onde fica: Av. José Gomes de Camargo, 400, Jd. Marabá – Itapetininga, SP

Telefone:(15) 3273 2249

 

Aqui vão algumas fotos do lugar para você morrer de vontade de parir lá conhecerem melhor