Browsing Category

Parto

pelvis
Parto, Trabalho de Parto

Moça da bacia larga, moça da bacia estreita

Eu a vida toda acreditei que nossa pélvis (a bacia) tivesse um único formato, a passagem seria redondinha e pronto, tudo certo.

Você não imagina o tamanho dos meus olhos quando Gail apresentou na sua palestra do Siaparto 4 possíveis formas da pélvis. Não uma, não duas, ela não chegou com toda sua simpatia e dividiu as mulheres em “boas parideiras” ou não.  Q-U-A-T-RO formas possíveis.

 

formatos da passagem da pelve

Primeira coisa que me perguntei foi “E aí, qual é a forma melhor?” Afinal a vida toda ouvi, que existe sim quem é boa e quem é ruim pra coisa.  Mas nem precisei guardar para mim isso, logo em seguida, com um sorriso largo ela explicou:

Não existe formato melhor ou pior, cada formato é único, como é único também cada parto. A questão principal é lembrar que cada contração é importante, todo tempo é importante para que o bebê possa girar e se encaixar perfeitamente na passagem da mãe. As vezes o parto demora porque o bebê está ali, apenas esperando uma boa posição para se ajeitar e nascer.

Ok, tive um momento “Maísa” e meu mundo caiu, se o seu também, continue a leitura porque tudo que é bom pode ainda melhorar.

A pélvis não é um espaço aberto, vazio, oco. Você pode ter uma pelve enorme e ter um trabalho de parto longo, ou uma pelve mais estreita e um trabalho de parto rápido. Tudo graças ao relaxamento ou tensão muscular.

pelvis com musculos

A pélvis é toda recoberta por músculos (a MAP) que aliás já falamos bastante deles aqui e quanto mais relaxados esses músculos estiverem durante o trabalho de parto mais fácil será para o bebê se ajustar, aumentará a eficiência das contrações e  a abertura da passagem, consequentemente vai tornar o parto mais fácil.

Então hoje, o que eu espero que você guarde dentro do seu coração é:

O parto vai durar o tempo necessário

Cada contração é importante

Quanto mais relaxada você estiver, melhor

 

A cada dia ainda me surpreendo em como o corpo funciona de forma perfeita e coordenada.. incrível não é?

Quarta vamos falar aqui no blog mais sobre pelve, musculatura e movimentação, dicas da Sam para um trabalho de parto fluído.

 

Bjo grande e inté

 

 

 

 

 

12528146_987458604675574_1487694020_n
Doula, Parto, Relato de Parto

Relato de Pai: O Nascimento da Heloisa

Acho importante, antes de mais nada,  escrever o relato do nascimento de nosso primeiro filho de cesária para poder estabelecer uma base de comparação com nossa segunda experiência.  

O nascimento do Enzo

Nosso primeiro filho Enzo nasceu de cesária. O obstetra que acompanhou a gestação era bastante atencioso e gostávamos de sua forma de trabalhar. Porém ele nunca queria falar de parto quando puxávamos o assunto. Quando minha esposa Mileine estava com 36 semanas de gestação ele finalmente disse “para quando querem marcar o parto?”. Nós achamos muito estranho e eu pedi para discutirmos as opções, e enquanto conversávamos mencionei que minha esposa tinha escoliose e ele se agarrou nesse argumento para justificar a cesária. Nós, pais de primeira viagem, acatamos a “forte sugestão” do obstetra.

Me chamaram para a sala de cirurgia apenas quando já estavam tirando o Enzo e não queriam deixar eu filmar, então eu discuti com a enfermeira e continuei filmando. Imaginei que o motivo pelo qual não queriam filmagem era para evitar registrar um eventual erro médico. O Enzo nasceu com a ajuda de um equipamento de aço curvado que machucou sua cabeça e deixou uma cicatriz que não diminui e impede o crescimento de cabelo. Colocaram o Enzo perto da Mileine apenas pelo tempo de tirar uma foto e o levaram para outra sala onde fizeram todos os procedimentos padrões (e questionáveis) de aspirar, retirar o vérnix… Só o encontramos depois na sala de repouso onde estávamos esperando.

Resumindo ficamos muito irritados com o obstetra que nos enganou, que não queria nos deixar filmar o parto, que foi bastante mecânico e com pouca consideração pelos pais, especialmente pela mãe.    

O nascimento da Heloisa

Considero que estavamos relativamente bem informados com relação ao parto natural. Isso nos deu bastante tranquilidade para encarar cada etapa do processo de nascimento, até então desconhecidas na prática. O desenvolvimento da gestação foi normal, sem nenhum problema. Não contamos ao novo obstetra que queriamos fazer um parto natural, fora de um hospital, já que a maioria dos médicos realmente não gostam dessa idéia.

Decidimos ter a Heloisa em uma casa de parto (Clínica Opima) em nossa cidade Itapetininga que fica a 3 minutos do hospital da Unimed, uma suíte muito grande e agradável toda equipada, com temperatura controlada, cama, banheiro, banheira de hidromassagem, tecido para apoiar, bolas para exercicios, jardim de inverno, comida, bebida, equipamento de emergência e uma ambulância pronta para uma eventual transferência para o hospital. Fizemos cursos e estudamos como seria a experiência; as vantagens, os riscos… Escolhemos uma equipe incrível com uma médica pediatra (Andréa Golveia), 2 efermeiras (Giovana Fragoso e Priscila Colacioppo), uma doula (Samara Barth) e uma fotógrafa (Rithiele Mareca). Minha cunhada Mary tambem participou desde o inicio ajudando e acompanhando todo o parto. A enfermeira Karin Bienemann também se juntou à equipe.

Com 39 semanas e cinco dias 23/02 começou a sair o tampão e o que achamos ser um pouco de liquido amniótico. Mantivemos a equipe informada através de um grupo de Whatsapp. Durante a tarde a Mileine sentiu várias pequenas contrações que foram aumentando de frequência e intensidade até caracterizar efetivamente trabalho de parto as 21:30. Chamamos a doula Samara que monitorou um pouco as contrações até que sugeriu que fossemos para a casa de parto.

A partir daí começou o trabalho duro, a doula e eu o tempo todo com a Mileine. As contrações estavam muito fortes e revezamos o chuveiro, bola, tecido, cama, caminhadas até as 2:00 am. A Mileine estava bastante cansada e já estava no que os profissionais chamam de “partolândia”, um estado de consciência no qual a mulher fica completamente “chapada” com a quantidade de hormônios e substâncias secretadas no organismo naturalmente que preparam o corpo para um acontecimento tão extremo.  

A enfermeira Karin monitorava a bebê com frequência e ajudava no trabalho de parto. A enfermeira Giovana então avaliou a evolução do trabalho de parto e disse que ela estava com 4 cm de dilatação. Foi bastante frustante, já que havia passado bastante tempo com muitas contrações, para um avanço tão pequeno. Porém continuamos focados em ajudar a avançar o trabalho de parto. Ao redor das 4:312226409_987458654675569_1003362007_n0 am foi feita a segunda avaliação pela Giovana e estava com apenas 5 cm. Foi um balde de água fria, tanto esforço por tão pouca evolução. Começamos a temer não ser possível um parto natural e ter que nos transferir para o hospital para induzi-lo. A Mileine estava esgotada, eu realmente não sei como ela conseguiu aguentar tantas contrações intensas por tanto tempo. Então a enfermeira pediu para entrarmos na banheira e lá ficamos até nascer o dia, as contrações desaceleraram e todos pudemos descansar um pouco, inclusive a Mileine, que estava exausta.

Foi quando a Samara nos “despertou” e disse que tínhamos que continuar a trabalhar. Saímos da banheira e 12674507_987458548008913_479977343_napenas movimentando um pouco corpo fez com que as contrações voltassem. Ao redor das 10:00 am a enfermeira Priscila fez una nova avaliação, estávamos muito apreensivos, pois sabíamos que daquele momento dependia todo o planejamento, preparação, esforço e o desejo de um parto realmente humano. A priscila então disse, quase como uma revelação, “Graças a Deus, está com 8 cm, o colo parece uma geléia. A Heloisa vai nascer!”. Nesse momento me arrepiei inteiro, não consegui segurar a emoção e comecei a chorar, olhei em volta e todos no quarto estavam chorando. Depois de tanto esforço, tanto sacrifício, vamos conseguir ter nossa menininha como queríamos.

A partir daí tudo foi mais “fácil”, pois a Mileine se motivou e encarou as contrações com muita coragem, até que a enfermeira a tocou e sentiu a cabecinha da Heloisa, me pediu para sentir e me emocionei muito, estava acontecendo! Eu disse que tinha sentido sua cabecinha e duas contrações depois nasceu a Heloisa as 12:54 de 24/02. A enfermeira fez questão que eu tirasse a Heloisa e entregasse direto para a Mileine. Todos choramos, sentindo uma felicidade imensa, com nada além de alegria e realização no coração, um sentimento pleno. Enquanto a Mileine já a amamentava, a placenta nascia e o o sangue do cordão, que pertence ao bebe, voltava para seu pequeno corpo, e eu pude então cortar o cordão, fazendo-a respirar agora por conta própria. Em seguida chegou o Enzo e ficou fascinado com a irmãzinha.

A equipe foi simplesmente fantástica. A doula foi fundamental no trabalho de parto, ela apoiava fisica e emocionalmente minha esposa, ficou o tempo todo presente. As enfermeiras, que eram muito bem qualificadas e experientes, foram muito humanas e profissionais nos passando muita tranquilidade e segurança. A médica participou menos, como naturalmente deve ser, porém foi sempre muito carinhosa e preocupada, humana.

Minha es10584233_987458814675553_638511149_nposa foi literalmente um guerreira, mostrou que é uma mulher extremamente forte e determinada, muito mais do que eu imaginava. Ela encarou 15 horas de dor intensa e esgotamento físico com uma resiliência inimaginável. Os profissionais se referem muito à palavra “poder” que de fato reflete muito bem a experiência da mãe no parto.

Acredito que o parto normal é uma experiência da qual os pais tem o direito de não serem privados, seja por um sistema de saúde estúpido ou médicos de eticamente tortos. O parto natural, por sua vez, é uma experiência sem interferências desnecessárias ou anomalias técnicas que foram se tornando práticas comuns até os dias de hoje e que reduzem a magia do nascimento. É uma experiência transformadora que vai além de ser protagonistas do nascimento de nossos bens mais preciosos e fortalecer os vínculos familiares, mas nos faz descobrir aspectos pessoais desconhecidos por nós mesmos. A idéia desse texto é apenas descrever nossas experiências pessoais de parto, e não julgar decisões ou opiniões diferentes das nossas.

Caue Tacchini Bernardo – pai da Heloisa e do Enzo


grupo de gestantes
Doula, Empoderamento, Gestação, Parto

5 razões para dizer SIM

Você já viu o positivo no palitinho, já está em pelo menos 5 grupos virtuais de “gravidas” e aquela sua amiga com cara de hiponga te convidou para ir em um grupo presencial de apoio à gestação e parto humanizado?

Abra o peito, o sorrisão no rosto, coloque sua roupa mais confortável e diga SIM!

Nos grupos presenciais, mais do que a oportunidade de trocar experiências com outras gestantes, você provavelmente vai encontrar :

 

1: Informações baseadas em Evidencias

Os grupos costumam ter até 10 casais e os facilitadores buscam sempre embasar as informações passadas da forma mais confiável possível, dentro do tema abordado.

“Não existe escolha sem que exista antes conhecimento real sobre as opções”

Fala-se do que é normal, ou não na gestação e parto, dependendo do tema abordado no dia pelo grupo.

 

2: Vão te provocar a questionar

Dos primeiros passos para assumir a autonomia do próprio corpo é se permitir questionar. “Como isso acontece? Porque essa indicação? Esse procedimento seria feito por quê?”

Você estará rodeada de mulheres que descobrem a cada dia o poder de ter autonomia sob o próprio corpo.

 

3: Apontar caminhos

As mulheres nos grupos já viram muita coisa e estudaram outras tantas, acredite, elas mais do que ninguém gostariam que o parto normal respeitoso fosse um direito acessível e não algo que temos que lutar por ele. Vão falar no ato sobre as condutas conhecidas de profissionais e hospitais, indicar uma série de livros, filmes e blogs para que você possa escolher o que é melhor para  SUA realidade e se encaixa melhor nos SEUS desejos.

 

4: Relatos de Parto Reais

É bonito ler relatos de parto, mas ouvir da mulher que vivenciou cada contração, alegria e força é uma experiência completamente diferente. Ouça com respeito, é a história dela, mas significa que você também pode conquistar a sua. É possível e nem sempre tão simples e romântico como pode parecer no youtube.

 

5: Apoio

Seu grupo será sua rede de apoio, anote dúvidas, pergunte sempre que tiver espaço para isso, de preferencia abertamente para todo o grupo, sua dúvida pode gerar uma discussão muito boa e ajudar à outras mulheres. É intimo? Aproveite o final do encontro, se forem muitas dúvidas, vale recorrer a uma Doula para te dar a atenção e informação que precisa.

 

Você frequenta já algum grupo de apoio? Se ele puder ser divulgado poste aqui nos comentários que vou atualizando o post com “Nossas leitoras recomendam”

tirinha
Gestação, Parto

A Grávida e a tensão pré-maternagem

Um dia, sem nada de especial, você acorda e está absurdamente irritada…

Não quer sair da cama, com sono de mil ursos pardos no final do outono norte americano.

Mas a vida, minha amiga, não é grande bolo de cenoura com cobertura de chocolate feito pela sua avó.

Você respira fundo, se levanta e encara o dia.

Nenhuma roupa parece ficar bem, os peitos enormes e duros como nunca, doem até de bater a água do chuveiro.

Dai você vê o comercial de margarina e chora, poxa como nunca percebeu como era tão lindo ???

A lombar… ahhh a lombar!

Você tem a sensação nítida que lutou MMA com Anderson Silva e perdeu, toda a coluna dói e estaca, crocante!

Espinhas e cravos, ou seria um breve surto de pânico ao ver de forma um “pouco” exagerada todos e mais alguns defeitinhos que sua pele possa ter?

E a fome? Ahhh tudo parece tão bom, cheiroso, suculento, hummmm… que enjoo!

Poderia ser uma simples TPM, SE e apenas SE, tivesse “descido” , porém já se passaram alguns dias e nada, absolutamente NADA desceu, a cólica leve continua, parece que a TPM não tem fim!

Parabéns! Você está grávida!

Claro que essas observações, escrevo no auge da minha TPM, e rindo ao lembrar dos meus primeiros meses de gestação.

Aliás, família e amigos que me leem hoje, desculpa tá? Foi difícil para mim mas tenho leve noção de como foi difícil para vocês permanecerem por perto! Virei do avesso!

Entretanto isso não quer dizer que todas mulheres vão passar pelo mesmo.

Caso você que me lê se sinta fora de si e dominada por uma personalidade completamente nova, chorona, dolorida e enlouquecida (para não dizer raivosa), pense que isso é normal e vai passar . Se estiver muito pesado, peça ajuda a profissionais (sim, terapia é bom e a gente gosta, tem momentos que tudo o que precisamos é colocar para fora o que transborda no peito e se perdoar).

Antes de engravidar, durante todo o ciclo (que normalmente dura por volta de um mês) o corpo da mulher muda em função de diferentes níveis de hormônios liberados a cada estágio do ciclo, o efeito dessas mudanças são visíveis quando não se usa nenhum tipo de anticoncepcional hormonal.

Na gestação a mulher sente isso de forma mais intensa ainda, do inicio ao final da gestação é possível sentir essa enlouquecedora avalanche de hormônios, essencial para o preparo do corpo para gestar, nutrir e parir essa nova vida.

 

Como aliviar os sintomas?

  • Praticar atividades físicas leves e prazerosas,
  • Ter pessoas para conversar e dar risada,
  • Participar de encontros com outras gestantes (virtuais ou não, nada como uma grávida para entender outra!)
  • Lembrar que a loucura toda é culpa dos hormônios e logo vai passar, mas se não passar você pode e deve recorrer à profissionais
  • Ter uma alimentação o mais balanceada possível (para poder se deliciar nos docinhos quando for preciso)
  • Desenvolva um diário para gestação. Se permitir viver cada fase e aproveitar para se conhecer melhor, sem julgamentos

– Poxa Sam, se eu ficar maluca assim por 9 meses meu marido pede a conta!
Como eu disse antes, passa!

Varia de mulher para mulher, mas o incomodo e irritação duram um mês, no máximo dois… depois você pode entrar em um estado de GRAÇA incrível, onde tudo é gostoso, tudo é bom, o sexo fica divino, os perfumes mais cheirosos, a pele um deslumbre, os cabelos brilhantes e praticamente perfeitos sem nenhum esforço!
E lá no finalzinho, um mês antes do bebê nascer… lá vem ela… de volta a loucura do primeiro mês, nada parece bom, você só quer chocolates e ficar no seu canto, arrumar as coisas do bebê, roupas, quarto, se alimentar e dormir… se entregar a todas vontades e desejos do corpo, alma e coração, para receber essa linda e tão esperada vida, do lado de fora do ventre.

 

Como disse, eu fui uma grávida “difícil” e aqui tem um bom bocado de como me senti durante o período, me conta, por aí como foi/está sendo?

Luna e sua placenta
Gestação, Parto

Sua Majestade, a Placenta

Pouco se fala dela durante a gestação, a não ser em casos que observa-se qualquer falha no funcionamento ou sangramentos. Pobre placenta!

Você pode ainda não saber, mas a Placenta é um órgão-elo entre mãe e filho, surge logo no inicio da gestação e apenas no quarto mês está totalmente formada, pesando em torno de 500g.

Sua função principal é realizar as trocas de nutrientes e toxinas (eliminação das toxinas), oxigenação, produção de hormônios e proteção do feto. Tudo para que o bebê se desenvolva saudável e em segurança.

Anticorpos e proteção

A placenta transporta anticorpos ao feto, esses anticorpos são responsáveis pela imunidade, formando uma barreira contra certas doenças e substâncias nocivas. Porém existem substâncias que apresentam a capacidade de ultrapassar essa barreira: a nicotina e o alcatrão do cigarro, o álcool, as drogas, alguns medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios e sedativos), além de determinados vírus e bactérias, como os causadores da rubéola, varíola, hepatite, toxoplasmose e HIV.

O sangue que circula pelo cordão é do bebê

Os sangues da mãe e do bebê não se misturam, separados pela membrana placentária. Assim existem dois sistemas circulatórios completos funcionando simultaneamente durante a gestação, de forma complementar.

O sangue pouco oxigenado sai do bebê, percorre as artérias que se estendem pelo cordão umbilical até chegar a Placenta, onde o sangue é oxigenado, limpo de impurezas e recebe todos os nutrientes existentes no sangue da mãe, voltando pela veia umbilical, até chegar ao feto.

A Placenta acaba funcionando como uma grande filtro, com pequenas ramificações, que apesar de proporcionar a troca de substancias mantém a interinidade e individualidade de cada individuo.

Essa é uma das razões de ser possível que mães HIV+ tenham filhos sem transmitir o vírus durante a gestação.

Hormônios

Os hormônios que serão produzidos durante o período de gestação são:

  • Gonadotrofina Coriônioca (HCG) responsável pela permanência do bebê em formação até a 15 semana de gestação, quando a placenta passa a produzir estrogênio e progesterona, inibindo a menstruação e nova ovulação.
  • Hormônio melanotrófico, Hormônio lactogênio placentário e Aldosterona, aumentam a quantidade de melanina, o que pode causar as famosas manchinhas na pele, são também responsáveis pela manutenção do nível de sódio e insulina no corpo da mãe.

 

  • Progesterona, é responsável específico do útero, com relaxamento da musculatura lisa, o que diminui a intensidade e frequência das contrações uterinas para que não expulse o feto e prepara o endométrio, tornando-o mais espesso para a fixação do feto. Além disse ativa o cérebro áreas do cérebro responsáveis pela respiração/oxigenação, fazendo com que mãe e bebê recebam mais oxigênio. Atua também nas mamas aumentando a quantidade de glândulas produtoras de leite.

 

  • Estrogênio, promove rápida proliferação de musculatura uterina, e a circulação do sangue e toda região. Responsável pela maleabilidade, torna juntas e músculos mais flexíveis, já preparando o corpo para o parto. È também responsável pelo rápido aumento das mamas e contribui ainda para a manutenção hídrica (placenta e líquido amniótico)

 

Mesmo depois que o bebê nasce, via parto normal, a placenta se mantém ligada á parede uterina e vai se soltar apenas depois de alguns minutos, quando o cordão parar de pulsar e essa conexão mãe-bebe não seja mais necessária. Nesse momento o útero volta a contrair para que seja possível, agora, o nascimento da placenta.

Por todas essas funcionalidades vitais para a existência/vida do bebê em muitas culturas o descarte desse órgão, logo depois do parto é considerado desrespeitoso.

Mas afinal, o que fazer com a placenta?

Caso não deseje que ela seja descartada, coloque no seu plano de parto o que quer que seja feito, mesmo dentro de hospitais e casas de parto, existe a possibilidade de pedir para que alguém próximo a leve até que você mesma possa manuseá-la.

  • Parto de Lótus: Nesse parto o cordão da placenta ao bebê não é cortado e acaba por cair naturalmente em um curto período de tempo. A placenta é tratada com atenção, com sais e óleos para que não fique mal cheirosa.  Assim que o cordão desconecta-se do bebê naturalmente a placenta é enterrada em um lugar especial para a família.
  • Consumo: Por ser um órgão produtor de muitos hormônios que auxiliam no pós parto e na não incidência de depressão pós parto, mulheres e homens consomem uma parte da placenta para repor energias e melhorar a recuperação. Pode ser consumida frita, batida em shakes, como tintura, desidratada em capsulas ou até mesmo in natura. O exemplo mais famoso é de Ton Cruise, mas podemos citar também  Kourtney Kardashian.
  • Descarte respeitoso: Como qualquer material orgânico, a placenta pode ser absorvida pela terra como um excelente adubo. Pode ser mantida congelada (em uma sacola/pote de sorvete) após o parto, até que possa ser “plantada” junto com a árvore, flor, do bebê. Faz-se uma cova funda, coloca-se um travesseiro de material orgânico seco, coloca a placenta, segue uma camada de terra, outro travesseiro e finalmente a planta escolhida. É importante sempre seguir proporções de terra pelo menos mínimas, principalmente se o plantio for feito em vasos.
  • Carimbo:  a placenta tem duas “faces” uma que fica conectada à mãe, outra que fica conectada ao cordão e voltada para o bebe. Essa segunda apresenta ramificações circulatórias que formam um desenho similar ao de uma árvore, “A árvore da vida”. Logo após o parto pode-se aplicar essa face da placenta sob folha de papel A3  absorvente, formando a “Arvore da Vida” do bebê, dados como nome, horário de nascimento, peso, tamanho, apgar, podem ser anotados nessa linda lembrança.

 

 

E agora, que você já conhece um pouco mais sobre esse órgão incrível, vai fazer o que com o seu?

acredite
Empoderamento, Parto

Parto bom é parto “Loosho”

A escolha do parto normal respeitoso implica uma infinidades de fatores, principalmente relacionados aos valores e crenças pessoais de cada mulher.

Hoje, não vamos falar sobre isso.

Vou mostrar para vocês, porque nós, que já parimos, gostamos TANTO desse tal Parto Normal humanizado, ao ponto de falar para todos sobre o como é incrível.

É só seguir as imagens <3

Graças a D-eus
Parto, Plano de Parto

Animalizado sim, graças a D-eus!

Essa semana eu, como tantas outras pessoas, tive o desprazer de ler o texto de um senhor, onde ele sem o mínimo de pudor critica de forma inescrupulosa uma mulher e sua opção de parto.

Particularmente adoro críticas, costumam nos mostrar pontos  de vistas diferentes, nos fazem pensar, mas não nesse caso onde uma realidade paralela foi descrita de forma tendenciosa e fantasiosa.

A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro.” Ricardo Herbert Jones

O parto em questão era um Domiciliar Planejado assistido por Parteiras, que são as profissionais habilitadas para dar todo suporte técnico necessário, a mãe também contava com o apoio de Doulas, profissionais que como qualquer um que seja capaz de acessar o Google sabe que tem a função de dar suporte físico e emocional à parturiente mas não realizam nenhum procedimento clínico, ou seja não realizam parto.

Essa é a principal diferença de um parto domiciliar planejado, “o plano B” existe, uma equipe habilitada para assistência existe, e principalmente, embasamento cientifico existe.

Acredito que apenas por ignorância sobre o assunto, o senhor que escreveu sobre esse caso, afirma que “abrem mão de tudo que a humanidade desenvolveu para segurança de mãe e bebê”.  Uma pena que esse senhor, abra mão de usar seu senso crítico, seus muitos neurônios e o mínimo de boa vontade para pesquisar sobre o que escreve. A disponibilidade da equipe, comentários descabidos sobre o peso da parturiente, não vou me dar ao trabalho de comentar pois sensacionalismo não é meu forte, vou focar aqui no parto.

Nós, da humanização gostamos disso, pesquisa, evidencias científicas, dados atualizados. Não somos do time da preguiça e do “já que tá, que vá”.

O parto, ainda nas palavras do Dr Ric Jones, envolve as três coisas mais temidas na humanidade: vida, morte e sexualidade. É um processo fisiológico, e como tudo que é natural, não tem regras inflexíveis, cada caso pode e deve ser avaliado individualmente. Por isso a assistência de profissionais habilitados é fundamental.

Alguém completamente leigo realmente se assusta. Somos criados acreditando que sangue é sinal de morte, gritos sinal de sofrimento e mulher é frágil e sensível como as pétalas de uma flor.

Sangue é vida, gritos são libertadores e mulheres são donas de uma força visceral que só descobrem parindo, e gostam MUITO de conhecer essa força. Relatos e imagens de parto como o dessa mulher são importantes, representatividade importa, o parto dela importa. E sua bebê passa muito bem obrigada, é linda e muito saudável.

 

Que tal pontuar os descabimentos daquele texto animalizado e levar um pouco de unção baseada em evidencias científicas atualizadas?

 

-Episiotomia, trata-se de um corte realizado no períneo, àrea entre vagina e anus, em sentido determinado, podendo alcançar desde a mucosa até a musculatura do assoalho pélvico, não existe nenhuma evidencia que seja um procedimento necessário ou que proporcione qualquer benefício à parturiente ou ao bebê.

-Mecônio, primeiro cocô do bebê, comum estar presente em gestações a termo, pode ser encontrado em diferentes quantidades. A quantidade, espessura e vitalidade do bebê, evolução do parto, entre outros fatores são monitorados e avaliados para afirmar a viabilidade ou não do parto normal ou se existe necessidade de cesárea.

-Sobre médicos, contamos nos país com um índice superior à 80% de cesáreas por ano, número muito maior que os 15% recomendados pela OMS. Nossos médicos são muito bons, sim, mas talvez, essa falta de atualização na área, falta de prática na assistência à partos normais naturais, nenhuma busca por melhoria na assistência oferecida, fazem com que muitos fiquem a quem de acompanhar um nascimento respeitando a autonomia da mulher e seguindo todas as diretrizes técnicas necessárias para uma assistência de qualidade.

Para nossa alegria, a cada dia mais e mais médicos buscam por atualização, a pedido de… é das mulheres.

 

D-eus abençoe as evidencias cientificas!

 

Fontes:

Sobre Episiotomia:http://estudamelania.blogspot.com.br/2015/07/serie-videos-numero-1-episiotomia.html

Sobre taxa de transferência: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342013000100002

Prodromos
Empoderamento, Parto, Trabalho de Parto

Pródromos: Apenas um aperitivo para o parto

Parir é o prato principal, antes temos Aperitivos, sim.

Se você está no final da gestação, com 37 semanas ou mais e passou os últimos dias em uma série enlouquecedora de “falsos alarmes” esse post é para você Emoticon wink

Contrações que vem, ficam por algumas horas e vão embora como se nunca tivessem acontecido, perda de “meleca” ( tampão mucoso),intestino Solto, mudança súbita e intensa de humor (chorar muito/ficar muito irritada)

Tudo isso faz parte dos Pródromos, e pode ou não ser um período legal de vivenciar, tudo vai de como você e quem está perto encaram essa experiencia. Experimente:

1: Quando as contrações vierem no período da noite, tome banho de no minimo 1h de duração, elas irão sessar e você poderá dormir tranquila.

2: Deixe fluir, não tente segurar o choro, ou conter suas emoções, escreva tudo o que sente em um papel, depois o amasse o máximo possível e jogue fora. Não importa o que escreveu, o importante é que você deixou sair de você e não voltará mais.

3: Acredite no seu corpo, você saberá quando a hora chegar de verdade, todos esses sinais já indicam uma evolução, o parto não acontece de um minuto para outro. Foram 9 meses gerando uma vida, levamos uns dias para apresentá-la à esse mundão.

4: Divirta-se, tire fotos, desenhe na barriga, faça coisas bobas, ria de si mesma, dance! São seus últimos dias de “barrigão”.

Quando aceitamos que tudo acontece da forma que DEVE acontecer, paramos de nos angustiar, deixamos a ansiedade de lado e vivemos um dia de cada vez, da melhor forma possível

12087982_909989459083651_557354273397213249_n
Parto, Receitas Naturais, Relato de Parto

Nascimento do Lorenzo -VBAC no SUS

Meu relato começa um pouco antes do trabalho de parto em si. Sempre tive muito medo da famosa episiotomia, na minha família as mulheres que pariram precisaram fazer uma cirurgia para correção do períneo devido ao corte, suas experiências também eram desastrosas, parto normal para elas era algo pré- histórico e traumatizante. Isso me assustava.

Quando grávida do Pietro eu pensava num possível PN, ainda com muito medo, mas pensava. De qualquer forma não foi possível, descobri que estava com líquido oligoidrâmnio (abaixo do normal) as 36 semanas, passei a acompanhar com a cardiotocografia dia sim, dia não se meu filhote estava bem, depois de uma ultrassonografia o médico apenas disse: _ Suas coisas estão ai? Porque você ficará internada (uuuuoou como assim!?) – não, não era graça de um médico cesarista – e Pietro nasceu duma cesárea necessária com 38 semanas.

Segunda gestação… descobri com 9 semanas que meu feto havia parado de desenvolver com 6 semanas e dois dias (com 6s+1d tinha feito a primeira US), abortei naturalmente depois de 22 dias – vivenciei um mini trabalho de parto (se é que posso falar assim… rs) – senti cólicas, contrações e vontade de fazer força até que expeli, se doeu!? Sim, mas a dor na alma era muito maior.

12004094_901132109969386_4894719987009200192_nEngravidei mais uma vez… comecei a me informar, assisti ao documentário “O Renascimento do Parto”( que lindo!), pesquisei… Ainda assim pensava: _ Só sei que esta criança vai ter que sair de qualquer forma… seja por cesárea ou por vias naturais. A barriga foi crescendo, já não conseguia carregar o filhote (não conseguia e ai de mim se carregasse, mesmo se desse) e isso me machucava… Decidi que teria um PN para uma rápida recuperação, para poder o quanto antes dar aquilo que o Pietro exigia de mim.

Participei duma visita à Maternidade e vi que muitas coisas haviam mudado, a episiotomia era usada quando realmente necessária (ufa!), eu poderia ter um acompanhante, e eu teria o direito de escolher a posição que iria parir ( #sqn). Nesse mesmo dia Caf (meu marido- o nome dele é Charles-  o cara que mais detesta partos, seja ele qual for) viu a Samara na recepção acompanhando e massageando uma gestante. _ Amor aquela é a Samara, a doula. – _ Huumm, gostei dela, ela é bem roots (foi empatia à primeira vista rs, comigo foi assim também). Expliquei o que fazia, antes de chegar no carro ele disse pra voltar e dizer a ela que a contrataríamos ( o simples fato de ter alguém para me acompanhar que não fosse ele era maravilhoso).

Eu já tinha informação, mas passei a pesquisar mais (não adianta ter o batom, você precisa abrir para usá-lo), me empoderei e tive certeza do que eu queria.

36 Semanas- estamos chegando ao final da gestação e o medo de ter o ILA baixo de novo me rondava, exames… ok (tirei o mundo das costas) – tudo caminhando para o meu PN.

11907182_1507173689573831_8349765219481344866_n

 

38 Semanas – Comecei a me coçar além do normal ( não era culpa das estrias) e reclamei para a médica, para descartar hipótese de colestase gestacional ( se positivo faria uma cesárea de urgência) fui fazer exames – Papai do céu que não seja nada- não era! (normal, alergias e problemas de pele são comigo mesma).

Chegamos as 40 semanas e nada do carinha ( meu maior medo aqui era o mecônio), visitas a maternidade dia sim, dia não para avaliação… 40s +3d perda de tampão, 40s +5d dois centímetros de dilatação e escuto: Segunda- feira é seu prazo limite, você completara 41s, venha em jejum e bem cedo para que o medico de plantão decida o que fazer.

Segunda- feira, 41s pela DUM ou pela primeira US, 40s+5d, o médico avaliou pela US, ganhei dois dias. Avisei a Samara… dois dias eram o que precisávamos, em dois dias tudo pode acontecer e podia mesmo…

 

 

Terça-feira 02h07min – Ai! Que coliquinha chata, dor de barriga a essa hora… Aff!  =T

Aaaai! Elas chegavam como uma onda, eram curtas e irregulares – Avisei a Samara (minha espetacular doula), agradeci a Deus… Depois de uma semana com perda de tampão e 2 cm de dilatação, com 41 semanas o meu tão aguardado trabalho de parto estava começando. =]

03h39min: _ Sam, desculpa o horário, acho que começou, sinto cólicas a cada 5 a 7 minutos, duram no máximo 30 segundos. – Conversamos por mais ou menos uma hora, nesse tempo algumas contrações tiveram intervalo de nove minutos e como eram bem irregulares poderia ser alarme falso.  =[

_ Geh, não fala nada pra ninguém, não coloca no face (e eu louca pra colocar versos da música “Anunciação” rs) – era tarde, eu tinha acabado de enviar um zapzap para a dinda Taíse (oops). Avisar o marido podia, então lá fui eu… _Amor… Marido… CAF… Acho que começou, estou tendo contrações, mas pelo jeito vai demorar (eu só não sabia que seria tanto… rs) – Caf arregalou os olhos, ficou estático e voltou a dormir.

Entrei no chuveiro, as contrações passaram a durar um pouco mais de tempo e vinham mais regulares (ebaaa =], já era um bom sinal)

A vida continua… Como não sabíamos quanto tempo levaria para chegada do caçula, Caf foi trabalhar e o Pietro para a escola.

_ Amor pede para a minha mãe pegar o Pietro na escola, diz a ela que irei à maternidade a tarde para fazer exames, não diga nada que estou tendo contrações.

8h14min: Samara: _ Noticias?

_ Doooor!!

Samara: _ Tenta dormir!

Tentei dormir. Tentei, sim tentei… Porque além das contrações, Caf não parava de enviar mensagens querendo noticias (não respondi nenhuma, eu estava TENTANDO dormir)- cochilei. Já que eu não respondia Caf apelou para a Marina, ela chegou e juntas passamos a cronometrar as contrações. Elas duravam pouco mais de 1 minuto e vinham a cada 4 minutos (uhuuull =]), nos intervalos a Mah e eu conversamos sobre tudo (menos é claro sobre o que estava acontecendo – a ansiedade estava à milhão), arrumamos minha mala e deixamos a do Lorenzo (que já estava pronta desde as 36 semanas) no jeito também.

12h: Antes de ir Marina me disse algumas palavras que foram essenciais (obrigada Mah!!); chuveiro; Caf chega com a Samara, almoço – contração de 3 em 3 minutos pensava, agora vai… rs \O/

Alegria de pobre dura pouco, as contrações espaçaram =[

Bola Suíça, massagens, dança, canta, conversa, ri, descansa no colo do marido, rebola, respira – contrações vão e vêm… Chega de bola, vamos caminhar.

_Aaaah Sam eu não vou conseguir andar não.

_Angel, você quer que sua cria nasça hoje?

_Ok. Vamos lá! =T

Caminhamos os três por quase uma hora, a cada contração – pára, respira, solta o corpo, aperta a mão dos dois e… continua (caminhando, cantando e aguardando a próxima contração rs).

_ Não estou me agüentando em pé, eu PRECISO dormir! – E sim dormi, alias, apaguei, lembro-me da Samara sustentando minha perna durante as contrações que pareciam demorar a vir (nem me importei delas espaçarem mais uma vez- eu necessitava dum descanso).

Acordei, chuveiro mais uma vez- não percebi que ali fiquei por quase três horas- mas no chuveiro era tão bom, me trazia um alivio tão grande. Contração vem e vai, papo vem e vai, risada vem e vai – eu estava bem, cansada, mas muito bem e a Sam sempre me lembrava disso.

No chuveiro as contrações espaçaram MAIS UMA VEZ (aaaff!) e um intervalo chegou a durar 20 minutos. #chateada

Quero cama – estava exausta e com frio, muito frio – Caf veio se deitar comigo, oramos… era nítido em seus olhos que ele já não aguentava a minha dor, ah se ele pudesse intervir… assim teria feito, e com certeza encaminharia a uma cesárea, afinal eu já tinha passado por uma e as coisas tinham sido muito mais rápidas e “tranquilas”– já eram 22h até aqui tinham passado 20 horas desde que tudo começou.

IMG_20151013_231950398_HDRAs 23h decidi ir à maternidade, Caf e Samara quase aplaudiram minha decisão rs. Chegando à maternidade me dei conta de que meu lindo plano de parto havia ficado em casa (para minha infelicidade). Minhas contrações ficaram mais intensas e regulares (foi instantâneo). Examina – 6 cm de dilatação  \O/- fase ativa mode: ON. Minha internação foi a 00h:02min.

Agora já pode avisar a mãe, não demorou pra ela chegar e fazer companhia ao Caf na silenciosa recepção, apenas Lorenzo decidiu nascer naquela madrugada.

Samara e eu caminhávamos pelo corredor, contração vem – respira, solta o corpo, vocaliza, agacha. Num dado momento passamos pela porta da recepção, avistei minha mãe e tive a brilhante idéia de mostrar a ela que eu estava bem e… AAAAAAI!! Doeu, e muito, passou, Samara e eu caímos no riso – mostrar a mamãe que a filhota estava bem… Fail!

Com corpo pesado perguntei a Samara: _ Será que demora? Ela não pensou duas vezes e respondeu: _ Angel você ainda está sorrindo, quando pensar em desistir pode crer que ele está chegando. =T

_Já que é assim vou deitar um pouco.

_Tem certeza que vai encarar as contrações deitada!?

_ Vão vir de qualquer jeito mesmo e eu não estou aguentando mais (comecei a ficar um tanto quanto irritada)

Dormi uns minutinhos…

_Angel, vamos para a bola…

_Não, não quero.

_Angel você está muito bem, mas precisamos incentivar a cria.

_Não quero.

_ Angel…

Cedi. Na penumbra do quarto, rebolando na bola, chorei…

_ Desisto, não quero mais, eu não agüento mais Sam… não agüento mais. (Prazer, Partolândia).

Samara me confortou, me apoiou, o que seria de mim sem ela ali. Orei, pedi a Deus forças. E me lembrei do que a Marina havia me falado:

_Geh, lembre-se que antes mesmo de você desejar ter um parto natural, Deus já havia preparado tudo, Ele estará com você em todo tempo, então apenas confie, descanse, tudo vai dar certo.

Agradeci a Deus a vida da Mah, agradeci aquele momento, agradeci por ter chegado até ali, agradeci por ter a Samara comigo…

Examina… 7,5cm (agora falta pouco \O/)

Chuveiro mais uma vez, contrações, vocalizações, agachamentos… Passaram mais algumas horas e PLOC!  Aaai, aaaai, aaaaaai, – minha bolsa rompeu e senti muita vontade da fazer força.

A Samara correu chamar a EO… Eu já o sentia chegando, faltava pouco para o nosso primeiro encontro. Antes disso porém algumas coisas chatas e um pouco frustrante aconteceriam…

A EO chegou e pediu para irmos a sala de pré-parto para me examinar (cara, eu tinha colocado a mão no chuveiro e a cabecinha dele estava ali), andar não era nada fácil mas lá fui eu, e a gentil EO ainda dizia: _ vamos rápido!  No pré-parto senti um puxo muito forte: _ ele vai cair, eu estou sentindo que ele vai cair…

Ela de braços cruzados disse: _ Deita pra eu te examinar ou seu filho vai cair no chão e não vou poder fazer nada ( sim, ela disse isso, e isso ainda ecoa em minha mente)- deitei. Tá agora leva ela pro centro obstétrico ( uma sala a 2m da onde eu estava)- outro puxo, _ Vai rápido, ela disse. Samara pediu para que eu tivesse ali mesmo, ironicamente ela (a EO) sorriu – não!

Subi na maca já de lado e com a perna puxada para traz, veio mais um puxo e senti a cabecinha dele querer sair, mas voltou. Ela não me deixou ficar daquele jeito ( eram normas do hospital- huumm engraçado, quando participei da visita à maternidade disseram que eu poderia escolher a posição mais agradável para mim… acho que as coisas mudaram né). Comecei a sentir tudo queimar, sentia vontade de fazer força e fazia, mas não era o suficiente, parir na clássica posição ginecológica era ruim, muito ruim…

Os puxos vinham, eu fazia força, mas parecia que ia me rasgar toda, e não era o suficiente… Mais uma vez a adorável EO muito gentil disse: _ Vamos mãe, ou vou cortar você.

Soltei as costas na maca, chorei e disse: Samara não quero que me cortem.

_ Ninguém vai cortar você, quando o puxo vier apenas mantenha a força, você está fazendo direitinho só precisa segurar por mais tempo.

O puxo veio, fiz força, me superei e… Ah, a cabecinha já foi, só mais uma, respira… como num escorregador Lorenzo deslizou e veio direto para os meus braços, com aquele cheirinho tão bom, cheiro de amor, cheiro de vida.

_Consegui, conseguimos filho!Não havia mais dor, apenas ele e eu. Lorenzo chegou às 4h: 55min, pesando 3.340g e 48 cm, de parto natural, sem intervenções desnecessárias, tive pequenas lacerações no períneo sem necessidade de pontos.

Samara correu para chamar o papai que entraria e num momento lindo e único após parar de pulsar o cordão ele seria cortado… ah você acreditou, não, mais uma vez a gentil EO acabou com minha alegria. O cordão foi cortado por ela mesma… nem a mim ela deu esse privilégio.

Chamaram-me de louca, de corajosa… Perguntam-me se dói, minha mãe diz que sofri… Mas vivi o momento mais intenso da minha vida, meu corpo trabalhou a cada contração, e meu filho escolheu o dia e a hora de nascer. Sim, aos 27 anos, após uma cesárea, contra tudo e todos, superando os meus medos,pari, … Renasci, Venci!

lorenzo

Estrito pela mãe Angélica de Freitas

Diva Parideira

Capa
Empoderamento, Parto, Plano de Parto

Vamos construir o parto Real?

Ainda na série “experiencias na internê” em Maio eu estava animadíssima na pegada de video-resposta sobre as coisas.

Tirando o fato de eu ser bem ruim na produção de vídeos, esse foi um dos temas mais legais e acabou sento o start para que eu desenvolvesse um exercício para elaboração personalizada do plano de parto.

O que acaba sendo uma grande redundância, todo plano de parto deveria ser elaborado de forma única e exclusiva, mas sei também que as vezes é mais fácil copiar aqui e colar alí… é? É sim!

O parto acontece apenas em algumas horas, sim é verdade, também é verdade que durante essas horas TUDO NO MUNDO pode acontecer. Desde a aparição do segundo Sol até uma invasão apocalítica zumbi.

Vale a pena se dedicar algumas horas, sentar e ir visualizando desde o inicio do trabalho de parto até o retorno para casa depois do nascimento.  Em que momento quer ir para o hospital, o que gostaria de comer, músicas que quer ouvir, quem quer ter por perto….

Na época perguntaram também se quem está super empoderada com equipe 5 estrelas humanizada também precisa fazer o plano de parto. SIM, faça sim.

Mesmo dentro de uma equipe humanizada cada profissional irá agir como ele acredita ser melhor para a parturiente, se ela não pontuar claramente suas vontades e desejos, isso pode gerar uma profunda decepção com a equipe posteriormente.

Confiram o vídeo aqui, que apesar de não ser digno de uma produção de Steven Spielberg está recheado de informações boas.

E aqui, tem o exercício que criei e desenvolvi durante um curso em Itapetininga-SP :)

São perguntas simples, mas que vão te ajudar lá no final a visualizar com o que você precisa se preocupar e o que pode fazer para que não se torne um fator de tensão real no parto.

Responda item a item e no quaro final coloque os pontos principais levantados,com base nesse quadro poderá fazer seu plano de parto de forma bem mais consciente.

Discutir com seu acompanhante (quando tiver) é sempre importante, tanto para aliviar a tensão que alguns questionamentos poderão provocar quanto para trazer o outro junto com você para dentro do parto Real.

 

 

**Para saber detalhes sobre direito à assistência humanizada no SUS consulte a lei 15.759 (de 25/03/2015) http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2015/lei-15759-25.03.2015.html