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Parto

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Empoderamento, Parto

Roxinho, nascemos todos

Juro gente, todos, ou quase todos e é super normal, não tem nada de errado com isso.

Bebês que nascem via cesárea também?

Também!

Então porque nos assustamos tanto quando ouvimos a ameaça “Você vai tentar o parto normal, seu bebê vai nascer todo roxo, sem respirar!” ?

Talvez, pensando aqui com meus caracóis, isso aconteça porque perdemos o costume de assistir ao nascimentos, da irmã, mãe, vizinha e da amiga. O parto saiu do ambiente familiar, onde todo mundo podia ter acesso e virou um cantinho escondido em uma sala branca e totalmente estéril.

O que acontece nessa sala? Só quem está lá vê e normalmente, fora a equipe clinica, pouco entende.

E fica roxinho por que então?

Na verdade o bebê não fica, ele desde o inicio da sua formação tem essa corzinha porque dentro do útero a taxa de oxigenação é menor do que no ambiente externo.

Mas como?

Dentro do útero o bebê não respira através dos pulmões, a oxigenação do sangue acontece através da placenta e o sangue materno (por isso falamos tanto que é importante respirar muito bem durante todo trabalho de parto)

Fonte: Moore & Persaud (2003)

Fonte: Moore & Persaud (2003)

A placenta acaba realizando a função de três órgãos na verdade, “intestinos” (suprimento de nutrientes), “rins” (retirada dos produtos de degradação) e “pulmões” (trocas gasosas)

Se você observar na imagem aqui no lado fica mais fácil entender o caminho que o sangue percorre, em vermelho está sinalizado o sangue com bastante oxigênio, em roxo o sangue com média oxigenação e em azul o sangue com baixa oxigenação.

 

O bebê vai ficar cor de rosa quando?

Quando ele começar a respirar por conta própria, aos poucos ficará rosado e sua circulação toda irá se adaptar ao novo ambiente de vida em algumas horas ou dias.

 

E agora, ainda vai se assustar em ter um bebe Roxinho?

 

Fontes: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X1997000900013

http://www.maternidadeativa.com.br/artigo2.html

 

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Parto, Relato de Parto, Trabalho de Parto

O sofá -Conto da Doula

Conheci a Lu e o marido dela em um dos cursos que ministrei na Unimed. Os dois muito atentos e com os grandes olhos atentos à tudo o que eu dizia.

-Sam, você tem agenda para nos acompanhar?

E assim começou começou nossa caminhada juntos.

Nos vimos mais uma vez antes do parto e conversávamos com frequência. A grande preocupação era que eles moravam em São Paulo e iriam ter o bebê aqui. Será que daria tempo?

As contrações começaram, eles esperaram o quanto puderam e pegaram a estrada. Os encontrei já na maternidade pela manhã.

Serenidade, era o que tinha nos grandes olhos castanhos dela, um sorriso frouxo mas cheio de orgulho “Está tranquilo ainda Sam… dá para encarar!”

Ela não quis se movimentar muito, não me lembro de ficarmos muito tempo no chuveiro também.

O que me marcou e vejo nitidamente é  ela sentada no sofá do quarto, janela ao fundo com um sol quentinho, rindo sem saber do quê e se desligando do mundo entre cada contração. Marido ao lado dela o tempo todo, com olhos arregalados fazia carinho nos seus longos cabelos negros e rosto rosado, parecia desejar tirar toda aquela “dor” para ele.  -Sam, isso é normal? Ela está bem?

Eu ria, e dizia que sim.

Lu, vamos andar um pouco?

Não… esse sofá está muito bom… – ela dizia e se ria– Vou ficar aqui pra sempre! 

Tempo depois, não muito, ela aceitou se levantar e apoiada na escrivaninha do quarto começou a rebolar, chamando pelo seu pequeno, seu pequeno bebê tão querido. As ondas das contrações agora vinham fortes frequentes, faziam seu corpo arcar com a intensidade.

Você consegue, está indo muito bem respira e solta o corpo, solta o corpo todo

Quantos anos foram até poder estar assim, tão perto de ter ele nos braços? O que será que se passava no coração desses pais?

-Estou sentindo ele descer Sá! Estou sentindo ele descer!

Ela pôde passar todo seu trabalho de parto alí no quarto, só nós três, equipe clinica vinha, examinava e deixava todos a vontade. Como é diferente quando o casal é bem tratado… como foi bom, para mim, sentir um ambiente seguro e poder apenas concentrar em estar alí e me conectar com ela através de massagens, abraços e olhares na medida que ela precisava, na forma que ela queria.

Dilatação total chegou logo, mudamos de quarto, fomos para o quarto PPP.

E ela sorria e ela fazia força e seu parceiro a amparava e ela sorria de novo e ela fazia mais força..

E ela pariu.

E ela recebeu seu bebê quente e perfumado no peito

E ela o beijou e o cheirou com tanta ternura

E ela sorriu

E eu era apenas mais uma observadora da vida, da força e do pulso, da entrega e do amor. Uma família nascia alí, aquele momento era sagrado demais para ser maculado com palavras. Gratidão transbordava em forma de lágrimas quentes pelo meu rosto.  Eles conseguiram!

 

 

 

 

 

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Diversão e Relaxamento, Parto, Trabalho de Parto

A diferentona: Tobogã de bebê

Quem é que engravida e pensa imediatamente “Nossa quero um trabalho de parto beeem longo, umas 30 horas. Assim posso ouvir toda a playlist que eu fiz, comer todas as minhas guloseimas preferidas, dá para ficar na piscina, na cama, banqueta… ai vai ser demais!”

Eu, particularmente, ainda não conheci. ~mas se você é dessas se manifeste!~

O que acontece que a gente engravida já sonhando em ser a diferentona do parto, a tobogã de bebê, aquela que espirrou e bebê saiu voando praticamente. Único problema que essa meta é bem mais difícil de ser atingida. Querida leitora, se é seu primeiro parto, escreva esse sonho lindo de parto quiabo em um papelzinho bonito e guarde em uma gavetinha, depois do seu parto real você vai lá e lê esse papelzinho, aposto que irá rir muito ainda…rs

Lembra que segunda eu falei aqui: “Cada parto tem seu tempo para durar, cada minuto é importante, cada contração é importante”

Mas tem algumas coisas que podemos fazer para manter fluidez e tranquilidade do trabalho de parto, lembre sempre de manter as posições pelo tempo de 3 contrações pelo menos.

  • Deambular: andar com o quadril bem solto rebolando bastante
  • Respiração profunda e pausada:  inspira em 5 tempos, segura 5 tempos e solta em 5 tempos
  • Posição de 4 apoios (muito carinho e cuidado com os joelhos)
  • Posição de 4 apoios mas com braços dobrados sob a superfície e cabeça deitada sobre eles, quadril bem solto e para cima
  • Uso de Reboso nos quadris
  • Deitada de “ladinho” a mãe pode também com a ajuda de alguém apenas levantar a perna que está por cima, trazendo levemente para frente, durante a contração. Depois abaixa a perna e descansa um pouquinho até a próxima.
  • Depois de cada mudança de posição faça círculos com o quadril, para ajudar a relaxar todos os músculos, preste atenção em como eles ficam quando tensos e quando relaxados e ao perceber tensão, respire beeem fundo e solte.

Por favor, não vá fazer essa lista em sequencia! São sugestões, e você pode e deve alternar conforme sinta vontade.

Chuveiro, bola, banqueta, são sempre bem vindos, mas mais do que qualquer objeto de parto o essencial é manter um clima leve e seguro, diria até descontraído.

Eu particularmente amo o trabalho de parto, é um dia especial e inesquecível na vida de todos, então porque não fazer dele um momento delicioso? Conversem, riam, dancem.

 

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Parto, Trabalho de Parto

Moça da bacia larga, moça da bacia estreita

Eu a vida toda acreditei que nossa pélvis (a bacia) tivesse um único formato, a passagem seria redondinha e pronto, tudo certo.

Você não imagina o tamanho dos meus olhos quando Gail apresentou na sua palestra do Siaparto 4 possíveis formas da pélvis. Não uma, não duas, ela não chegou com toda sua simpatia e dividiu as mulheres em “boas parideiras” ou não.  Q-U-A-T-RO formas possíveis.

 

formatos da passagem da pelve

Primeira coisa que me perguntei foi “E aí, qual é a forma melhor?” Afinal a vida toda ouvi, que existe sim quem é boa e quem é ruim pra coisa.  Mas nem precisei guardar para mim isso, logo em seguida, com um sorriso largo ela explicou:

Não existe formato melhor ou pior, cada formato é único, como é único também cada parto. A questão principal é lembrar que cada contração é importante, todo tempo é importante para que o bebê possa girar e se encaixar perfeitamente na passagem da mãe. As vezes o parto demora porque o bebê está ali, apenas esperando uma boa posição para se ajeitar e nascer.

Ok, tive um momento “Maísa” e meu mundo caiu, se o seu também, continue a leitura porque tudo que é bom pode ainda melhorar.

A pélvis não é um espaço aberto, vazio, oco. Você pode ter uma pelve enorme e ter um trabalho de parto longo, ou uma pelve mais estreita e um trabalho de parto rápido. Tudo graças ao relaxamento ou tensão muscular.

pelvis com musculos

A pélvis é toda recoberta por músculos (a MAP) que aliás já falamos bastante deles aqui e quanto mais relaxados esses músculos estiverem durante o trabalho de parto mais fácil será para o bebê se ajustar, aumentará a eficiência das contrações e  a abertura da passagem, consequentemente vai tornar o parto mais fácil.

Então hoje, o que eu espero que você guarde dentro do seu coração é:

O parto vai durar o tempo necessário

Cada contração é importante

Quanto mais relaxada você estiver, melhor

 

A cada dia ainda me surpreendo em como o corpo funciona de forma perfeita e coordenada.. incrível não é?

Quarta vamos falar aqui no blog mais sobre pelve, musculatura e movimentação, dicas da Sam para um trabalho de parto fluído.

 

Bjo grande e inté

 

 

 

 

 

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Doula, Parto, Relato de Parto

Relato de Pai: O Nascimento da Heloisa

Acho importante, antes de mais nada,  escrever o relato do nascimento de nosso primeiro filho de cesária para poder estabelecer uma base de comparação com nossa segunda experiência.  

O nascimento do Enzo

Nosso primeiro filho Enzo nasceu de cesária. O obstetra que acompanhou a gestação era bastante atencioso e gostávamos de sua forma de trabalhar. Porém ele nunca queria falar de parto quando puxávamos o assunto. Quando minha esposa Mileine estava com 36 semanas de gestação ele finalmente disse “para quando querem marcar o parto?”. Nós achamos muito estranho e eu pedi para discutirmos as opções, e enquanto conversávamos mencionei que minha esposa tinha escoliose e ele se agarrou nesse argumento para justificar a cesária. Nós, pais de primeira viagem, acatamos a “forte sugestão” do obstetra.

Me chamaram para a sala de cirurgia apenas quando já estavam tirando o Enzo e não queriam deixar eu filmar, então eu discuti com a enfermeira e continuei filmando. Imaginei que o motivo pelo qual não queriam filmagem era para evitar registrar um eventual erro médico. O Enzo nasceu com a ajuda de um equipamento de aço curvado que machucou sua cabeça e deixou uma cicatriz que não diminui e impede o crescimento de cabelo. Colocaram o Enzo perto da Mileine apenas pelo tempo de tirar uma foto e o levaram para outra sala onde fizeram todos os procedimentos padrões (e questionáveis) de aspirar, retirar o vérnix… Só o encontramos depois na sala de repouso onde estávamos esperando.

Resumindo ficamos muito irritados com o obstetra que nos enganou, que não queria nos deixar filmar o parto, que foi bastante mecânico e com pouca consideração pelos pais, especialmente pela mãe.    

O nascimento da Heloisa

Considero que estavamos relativamente bem informados com relação ao parto natural. Isso nos deu bastante tranquilidade para encarar cada etapa do processo de nascimento, até então desconhecidas na prática. O desenvolvimento da gestação foi normal, sem nenhum problema. Não contamos ao novo obstetra que queriamos fazer um parto natural, fora de um hospital, já que a maioria dos médicos realmente não gostam dessa idéia.

Decidimos ter a Heloisa em uma casa de parto (Clínica Opima) em nossa cidade Itapetininga que fica a 3 minutos do hospital da Unimed, uma suíte muito grande e agradável toda equipada, com temperatura controlada, cama, banheiro, banheira de hidromassagem, tecido para apoiar, bolas para exercicios, jardim de inverno, comida, bebida, equipamento de emergência e uma ambulância pronta para uma eventual transferência para o hospital. Fizemos cursos e estudamos como seria a experiência; as vantagens, os riscos… Escolhemos uma equipe incrível com uma médica pediatra (Andréa Golveia), 2 efermeiras (Giovana Fragoso e Priscila Colacioppo), uma doula (Samara Barth) e uma fotógrafa (Rithiele Mareca). Minha cunhada Mary tambem participou desde o inicio ajudando e acompanhando todo o parto. A enfermeira Karin Bienemann também se juntou à equipe.

Com 39 semanas e cinco dias 23/02 começou a sair o tampão e o que achamos ser um pouco de liquido amniótico. Mantivemos a equipe informada através de um grupo de Whatsapp. Durante a tarde a Mileine sentiu várias pequenas contrações que foram aumentando de frequência e intensidade até caracterizar efetivamente trabalho de parto as 21:30. Chamamos a doula Samara que monitorou um pouco as contrações até que sugeriu que fossemos para a casa de parto.

A partir daí começou o trabalho duro, a doula e eu o tempo todo com a Mileine. As contrações estavam muito fortes e revezamos o chuveiro, bola, tecido, cama, caminhadas até as 2:00 am. A Mileine estava bastante cansada e já estava no que os profissionais chamam de “partolândia”, um estado de consciência no qual a mulher fica completamente “chapada” com a quantidade de hormônios e substâncias secretadas no organismo naturalmente que preparam o corpo para um acontecimento tão extremo.  

A enfermeira Karin monitorava a bebê com frequência e ajudava no trabalho de parto. A enfermeira Giovana então avaliou a evolução do trabalho de parto e disse que ela estava com 4 cm de dilatação. Foi bastante frustante, já que havia passado bastante tempo com muitas contrações, para um avanço tão pequeno. Porém continuamos focados em ajudar a avançar o trabalho de parto. Ao redor das 4:312226409_987458654675569_1003362007_n0 am foi feita a segunda avaliação pela Giovana e estava com apenas 5 cm. Foi um balde de água fria, tanto esforço por tão pouca evolução. Começamos a temer não ser possível um parto natural e ter que nos transferir para o hospital para induzi-lo. A Mileine estava esgotada, eu realmente não sei como ela conseguiu aguentar tantas contrações intensas por tanto tempo. Então a enfermeira pediu para entrarmos na banheira e lá ficamos até nascer o dia, as contrações desaceleraram e todos pudemos descansar um pouco, inclusive a Mileine, que estava exausta.

Foi quando a Samara nos “despertou” e disse que tínhamos que continuar a trabalhar. Saímos da banheira e 12674507_987458548008913_479977343_napenas movimentando um pouco corpo fez com que as contrações voltassem. Ao redor das 10:00 am a enfermeira Priscila fez una nova avaliação, estávamos muito apreensivos, pois sabíamos que daquele momento dependia todo o planejamento, preparação, esforço e o desejo de um parto realmente humano. A priscila então disse, quase como uma revelação, “Graças a Deus, está com 8 cm, o colo parece uma geléia. A Heloisa vai nascer!”. Nesse momento me arrepiei inteiro, não consegui segurar a emoção e comecei a chorar, olhei em volta e todos no quarto estavam chorando. Depois de tanto esforço, tanto sacrifício, vamos conseguir ter nossa menininha como queríamos.

A partir daí tudo foi mais “fácil”, pois a Mileine se motivou e encarou as contrações com muita coragem, até que a enfermeira a tocou e sentiu a cabecinha da Heloisa, me pediu para sentir e me emocionei muito, estava acontecendo! Eu disse que tinha sentido sua cabecinha e duas contrações depois nasceu a Heloisa as 12:54 de 24/02. A enfermeira fez questão que eu tirasse a Heloisa e entregasse direto para a Mileine. Todos choramos, sentindo uma felicidade imensa, com nada além de alegria e realização no coração, um sentimento pleno. Enquanto a Mileine já a amamentava, a placenta nascia e o o sangue do cordão, que pertence ao bebe, voltava para seu pequeno corpo, e eu pude então cortar o cordão, fazendo-a respirar agora por conta própria. Em seguida chegou o Enzo e ficou fascinado com a irmãzinha.

A equipe foi simplesmente fantástica. A doula foi fundamental no trabalho de parto, ela apoiava fisica e emocionalmente minha esposa, ficou o tempo todo presente. As enfermeiras, que eram muito bem qualificadas e experientes, foram muito humanas e profissionais nos passando muita tranquilidade e segurança. A médica participou menos, como naturalmente deve ser, porém foi sempre muito carinhosa e preocupada, humana.

Minha es10584233_987458814675553_638511149_nposa foi literalmente um guerreira, mostrou que é uma mulher extremamente forte e determinada, muito mais do que eu imaginava. Ela encarou 15 horas de dor intensa e esgotamento físico com uma resiliência inimaginável. Os profissionais se referem muito à palavra “poder” que de fato reflete muito bem a experiência da mãe no parto.

Acredito que o parto normal é uma experiência da qual os pais tem o direito de não serem privados, seja por um sistema de saúde estúpido ou médicos de eticamente tortos. O parto natural, por sua vez, é uma experiência sem interferências desnecessárias ou anomalias técnicas que foram se tornando práticas comuns até os dias de hoje e que reduzem a magia do nascimento. É uma experiência transformadora que vai além de ser protagonistas do nascimento de nossos bens mais preciosos e fortalecer os vínculos familiares, mas nos faz descobrir aspectos pessoais desconhecidos por nós mesmos. A idéia desse texto é apenas descrever nossas experiências pessoais de parto, e não julgar decisões ou opiniões diferentes das nossas.

Caue Tacchini Bernardo – pai da Heloisa e do Enzo


grupo de gestantes
Doula, Empoderamento, Gestação, Parto

5 razões para dizer SIM

Você já viu o positivo no palitinho, já está em pelo menos 5 grupos virtuais de “gravidas” e aquela sua amiga com cara de hiponga te convidou para ir em um grupo presencial de apoio à gestação e parto humanizado?

Abra o peito, o sorrisão no rosto, coloque sua roupa mais confortável e diga SIM!

Nos grupos presenciais, mais do que a oportunidade de trocar experiências com outras gestantes, você provavelmente vai encontrar :

 

1: Informações baseadas em Evidencias

Os grupos costumam ter até 10 casais e os facilitadores buscam sempre embasar as informações passadas da forma mais confiável possível, dentro do tema abordado.

“Não existe escolha sem que exista antes conhecimento real sobre as opções”

Fala-se do que é normal, ou não na gestação e parto, dependendo do tema abordado no dia pelo grupo.

 

2: Vão te provocar a questionar

Dos primeiros passos para assumir a autonomia do próprio corpo é se permitir questionar. “Como isso acontece? Porque essa indicação? Esse procedimento seria feito por quê?”

Você estará rodeada de mulheres que descobrem a cada dia o poder de ter autonomia sob o próprio corpo.

 

3: Apontar caminhos

As mulheres nos grupos já viram muita coisa e estudaram outras tantas, acredite, elas mais do que ninguém gostariam que o parto normal respeitoso fosse um direito acessível e não algo que temos que lutar por ele. Vão falar no ato sobre as condutas conhecidas de profissionais e hospitais, indicar uma série de livros, filmes e blogs para que você possa escolher o que é melhor para  SUA realidade e se encaixa melhor nos SEUS desejos.

 

4: Relatos de Parto Reais

É bonito ler relatos de parto, mas ouvir da mulher que vivenciou cada contração, alegria e força é uma experiência completamente diferente. Ouça com respeito, é a história dela, mas significa que você também pode conquistar a sua. É possível e nem sempre tão simples e romântico como pode parecer no youtube.

 

5: Apoio

Seu grupo será sua rede de apoio, anote dúvidas, pergunte sempre que tiver espaço para isso, de preferencia abertamente para todo o grupo, sua dúvida pode gerar uma discussão muito boa e ajudar à outras mulheres. É intimo? Aproveite o final do encontro, se forem muitas dúvidas, vale recorrer a uma Doula para te dar a atenção e informação que precisa.

 

Você frequenta já algum grupo de apoio? Se ele puder ser divulgado poste aqui nos comentários que vou atualizando o post com “Nossas leitoras recomendam”

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Gestação, Parto

A Grávida e a tensão pré-maternagem

Um dia, sem nada de especial, você acorda e está absurdamente irritada…

Não quer sair da cama, com sono de mil ursos pardos no final do outono norte americano.

Mas a vida, minha amiga, não é grande bolo de cenoura com cobertura de chocolate feito pela sua avó.

Você respira fundo, se levanta e encara o dia.

Nenhuma roupa parece ficar bem, os peitos enormes e duros como nunca, doem até de bater a água do chuveiro.

Dai você vê o comercial de margarina e chora, poxa como nunca percebeu como era tão lindo ???

A lombar… ahhh a lombar!

Você tem a sensação nítida que lutou MMA com Anderson Silva e perdeu, toda a coluna dói e estaca, crocante!

Espinhas e cravos, ou seria um breve surto de pânico ao ver de forma um “pouco” exagerada todos e mais alguns defeitinhos que sua pele possa ter?

E a fome? Ahhh tudo parece tão bom, cheiroso, suculento, hummmm… que enjoo!

Poderia ser uma simples TPM, SE e apenas SE, tivesse “descido” , porém já se passaram alguns dias e nada, absolutamente NADA desceu, a cólica leve continua, parece que a TPM não tem fim!

Parabéns! Você está grávida!

Claro que essas observações, escrevo no auge da minha TPM, e rindo ao lembrar dos meus primeiros meses de gestação.

Aliás, família e amigos que me leem hoje, desculpa tá? Foi difícil para mim mas tenho leve noção de como foi difícil para vocês permanecerem por perto! Virei do avesso!

Entretanto isso não quer dizer que todas mulheres vão passar pelo mesmo.

Caso você que me lê se sinta fora de si e dominada por uma personalidade completamente nova, chorona, dolorida e enlouquecida (para não dizer raivosa), pense que isso é normal e vai passar . Se estiver muito pesado, peça ajuda a profissionais (sim, terapia é bom e a gente gosta, tem momentos que tudo o que precisamos é colocar para fora o que transborda no peito e se perdoar).

Antes de engravidar, durante todo o ciclo (que normalmente dura por volta de um mês) o corpo da mulher muda em função de diferentes níveis de hormônios liberados a cada estágio do ciclo, o efeito dessas mudanças são visíveis quando não se usa nenhum tipo de anticoncepcional hormonal.

Na gestação a mulher sente isso de forma mais intensa ainda, do inicio ao final da gestação é possível sentir essa enlouquecedora avalanche de hormônios, essencial para o preparo do corpo para gestar, nutrir e parir essa nova vida.

 

Como aliviar os sintomas?

  • Praticar atividades físicas leves e prazerosas,
  • Ter pessoas para conversar e dar risada,
  • Participar de encontros com outras gestantes (virtuais ou não, nada como uma grávida para entender outra!)
  • Lembrar que a loucura toda é culpa dos hormônios e logo vai passar, mas se não passar você pode e deve recorrer à profissionais
  • Ter uma alimentação o mais balanceada possível (para poder se deliciar nos docinhos quando for preciso)
  • Desenvolva um diário para gestação. Se permitir viver cada fase e aproveitar para se conhecer melhor, sem julgamentos

– Poxa Sam, se eu ficar maluca assim por 9 meses meu marido pede a conta!
Como eu disse antes, passa!

Varia de mulher para mulher, mas o incomodo e irritação duram um mês, no máximo dois… depois você pode entrar em um estado de GRAÇA incrível, onde tudo é gostoso, tudo é bom, o sexo fica divino, os perfumes mais cheirosos, a pele um deslumbre, os cabelos brilhantes e praticamente perfeitos sem nenhum esforço!
E lá no finalzinho, um mês antes do bebê nascer… lá vem ela… de volta a loucura do primeiro mês, nada parece bom, você só quer chocolates e ficar no seu canto, arrumar as coisas do bebê, roupas, quarto, se alimentar e dormir… se entregar a todas vontades e desejos do corpo, alma e coração, para receber essa linda e tão esperada vida, do lado de fora do ventre.

 

Como disse, eu fui uma grávida “difícil” e aqui tem um bom bocado de como me senti durante o período, me conta, por aí como foi/está sendo?

Luna e sua placenta
Gestação, Parto

Sua Majestade, a Placenta

Pouco se fala dela durante a gestação, a não ser em casos que observa-se qualquer falha no funcionamento ou sangramentos. Pobre placenta!

Você pode ainda não saber, mas a Placenta é um órgão-elo entre mãe e filho, surge logo no inicio da gestação e apenas no quarto mês está totalmente formada, pesando em torno de 500g.

Sua função principal é realizar as trocas de nutrientes e toxinas (eliminação das toxinas), oxigenação, produção de hormônios e proteção do feto. Tudo para que o bebê se desenvolva saudável e em segurança.

Anticorpos e proteção

A placenta transporta anticorpos ao feto, esses anticorpos são responsáveis pela imunidade, formando uma barreira contra certas doenças e substâncias nocivas. Porém existem substâncias que apresentam a capacidade de ultrapassar essa barreira: a nicotina e o alcatrão do cigarro, o álcool, as drogas, alguns medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios e sedativos), além de determinados vírus e bactérias, como os causadores da rubéola, varíola, hepatite, toxoplasmose e HIV.

O sangue que circula pelo cordão é do bebê

Os sangues da mãe e do bebê não se misturam, separados pela membrana placentária. Assim existem dois sistemas circulatórios completos funcionando simultaneamente durante a gestação, de forma complementar.

O sangue pouco oxigenado sai do bebê, percorre as artérias que se estendem pelo cordão umbilical até chegar a Placenta, onde o sangue é oxigenado, limpo de impurezas e recebe todos os nutrientes existentes no sangue da mãe, voltando pela veia umbilical, até chegar ao feto.

A Placenta acaba funcionando como uma grande filtro, com pequenas ramificações, que apesar de proporcionar a troca de substancias mantém a interinidade e individualidade de cada individuo.

Essa é uma das razões de ser possível que mães HIV+ tenham filhos sem transmitir o vírus durante a gestação.

Hormônios

Os hormônios que serão produzidos durante o período de gestação são:

  • Gonadotrofina Coriônioca (HCG) responsável pela permanência do bebê em formação até a 15 semana de gestação, quando a placenta passa a produzir estrogênio e progesterona, inibindo a menstruação e nova ovulação.
  • Hormônio melanotrófico, Hormônio lactogênio placentário e Aldosterona, aumentam a quantidade de melanina, o que pode causar as famosas manchinhas na pele, são também responsáveis pela manutenção do nível de sódio e insulina no corpo da mãe.

 

  • Progesterona, é responsável específico do útero, com relaxamento da musculatura lisa, o que diminui a intensidade e frequência das contrações uterinas para que não expulse o feto e prepara o endométrio, tornando-o mais espesso para a fixação do feto. Além disse ativa o cérebro áreas do cérebro responsáveis pela respiração/oxigenação, fazendo com que mãe e bebê recebam mais oxigênio. Atua também nas mamas aumentando a quantidade de glândulas produtoras de leite.

 

  • Estrogênio, promove rápida proliferação de musculatura uterina, e a circulação do sangue e toda região. Responsável pela maleabilidade, torna juntas e músculos mais flexíveis, já preparando o corpo para o parto. È também responsável pelo rápido aumento das mamas e contribui ainda para a manutenção hídrica (placenta e líquido amniótico)

 

Mesmo depois que o bebê nasce, via parto normal, a placenta se mantém ligada á parede uterina e vai se soltar apenas depois de alguns minutos, quando o cordão parar de pulsar e essa conexão mãe-bebe não seja mais necessária. Nesse momento o útero volta a contrair para que seja possível, agora, o nascimento da placenta.

Por todas essas funcionalidades vitais para a existência/vida do bebê em muitas culturas o descarte desse órgão, logo depois do parto é considerado desrespeitoso.

Mas afinal, o que fazer com a placenta?

Caso não deseje que ela seja descartada, coloque no seu plano de parto o que quer que seja feito, mesmo dentro de hospitais e casas de parto, existe a possibilidade de pedir para que alguém próximo a leve até que você mesma possa manuseá-la.

  • Parto de Lótus: Nesse parto o cordão da placenta ao bebê não é cortado e acaba por cair naturalmente em um curto período de tempo. A placenta é tratada com atenção, com sais e óleos para que não fique mal cheirosa.  Assim que o cordão desconecta-se do bebê naturalmente a placenta é enterrada em um lugar especial para a família.
  • Consumo: Por ser um órgão produtor de muitos hormônios que auxiliam no pós parto e na não incidência de depressão pós parto, mulheres e homens consomem uma parte da placenta para repor energias e melhorar a recuperação. Pode ser consumida frita, batida em shakes, como tintura, desidratada em capsulas ou até mesmo in natura. O exemplo mais famoso é de Ton Cruise, mas podemos citar também  Kourtney Kardashian.
  • Descarte respeitoso: Como qualquer material orgânico, a placenta pode ser absorvida pela terra como um excelente adubo. Pode ser mantida congelada (em uma sacola/pote de sorvete) após o parto, até que possa ser “plantada” junto com a árvore, flor, do bebê. Faz-se uma cova funda, coloca-se um travesseiro de material orgânico seco, coloca a placenta, segue uma camada de terra, outro travesseiro e finalmente a planta escolhida. É importante sempre seguir proporções de terra pelo menos mínimas, principalmente se o plantio for feito em vasos.
  • Carimbo:  a placenta tem duas “faces” uma que fica conectada à mãe, outra que fica conectada ao cordão e voltada para o bebe. Essa segunda apresenta ramificações circulatórias que formam um desenho similar ao de uma árvore, “A árvore da vida”. Logo após o parto pode-se aplicar essa face da placenta sob folha de papel A3  absorvente, formando a “Arvore da Vida” do bebê, dados como nome, horário de nascimento, peso, tamanho, apgar, podem ser anotados nessa linda lembrança.

 

 

E agora, que você já conhece um pouco mais sobre esse órgão incrível, vai fazer o que com o seu?

acredite
Empoderamento, Parto

Parto bom é parto “Loosho”

A escolha do parto normal respeitoso implica uma infinidades de fatores, principalmente relacionados aos valores e crenças pessoais de cada mulher.

Hoje, não vamos falar sobre isso.

Vou mostrar para vocês, porque nós, que já parimos, gostamos TANTO desse tal Parto Normal humanizado, ao ponto de falar para todos sobre o como é incrível.

É só seguir as imagens <3

Graças a D-eus
Parto, Plano de Parto

Animalizado sim, graças a D-eus!

Essa semana eu, como tantas outras pessoas, tive o desprazer de ler o texto de um senhor, onde ele sem o mínimo de pudor critica de forma inescrupulosa uma mulher e sua opção de parto.

Particularmente adoro críticas, costumam nos mostrar pontos  de vistas diferentes, nos fazem pensar, mas não nesse caso onde uma realidade paralela foi descrita de forma tendenciosa e fantasiosa.

A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro.” Ricardo Herbert Jones

O parto em questão era um Domiciliar Planejado assistido por Parteiras, que são as profissionais habilitadas para dar todo suporte técnico necessário, a mãe também contava com o apoio de Doulas, profissionais que como qualquer um que seja capaz de acessar o Google sabe que tem a função de dar suporte físico e emocional à parturiente mas não realizam nenhum procedimento clínico, ou seja não realizam parto.

Essa é a principal diferença de um parto domiciliar planejado, “o plano B” existe, uma equipe habilitada para assistência existe, e principalmente, embasamento cientifico existe.

Acredito que apenas por ignorância sobre o assunto, o senhor que escreveu sobre esse caso, afirma que “abrem mão de tudo que a humanidade desenvolveu para segurança de mãe e bebê”.  Uma pena que esse senhor, abra mão de usar seu senso crítico, seus muitos neurônios e o mínimo de boa vontade para pesquisar sobre o que escreve. A disponibilidade da equipe, comentários descabidos sobre o peso da parturiente, não vou me dar ao trabalho de comentar pois sensacionalismo não é meu forte, vou focar aqui no parto.

Nós, da humanização gostamos disso, pesquisa, evidencias científicas, dados atualizados. Não somos do time da preguiça e do “já que tá, que vá”.

O parto, ainda nas palavras do Dr Ric Jones, envolve as três coisas mais temidas na humanidade: vida, morte e sexualidade. É um processo fisiológico, e como tudo que é natural, não tem regras inflexíveis, cada caso pode e deve ser avaliado individualmente. Por isso a assistência de profissionais habilitados é fundamental.

Alguém completamente leigo realmente se assusta. Somos criados acreditando que sangue é sinal de morte, gritos sinal de sofrimento e mulher é frágil e sensível como as pétalas de uma flor.

Sangue é vida, gritos são libertadores e mulheres são donas de uma força visceral que só descobrem parindo, e gostam MUITO de conhecer essa força. Relatos e imagens de parto como o dessa mulher são importantes, representatividade importa, o parto dela importa. E sua bebê passa muito bem obrigada, é linda e muito saudável.

 

Que tal pontuar os descabimentos daquele texto animalizado e levar um pouco de unção baseada em evidencias científicas atualizadas?

 

-Episiotomia, trata-se de um corte realizado no períneo, àrea entre vagina e anus, em sentido determinado, podendo alcançar desde a mucosa até a musculatura do assoalho pélvico, não existe nenhuma evidencia que seja um procedimento necessário ou que proporcione qualquer benefício à parturiente ou ao bebê.

-Mecônio, primeiro cocô do bebê, comum estar presente em gestações a termo, pode ser encontrado em diferentes quantidades. A quantidade, espessura e vitalidade do bebê, evolução do parto, entre outros fatores são monitorados e avaliados para afirmar a viabilidade ou não do parto normal ou se existe necessidade de cesárea.

-Sobre médicos, contamos nos país com um índice superior à 80% de cesáreas por ano, número muito maior que os 15% recomendados pela OMS. Nossos médicos são muito bons, sim, mas talvez, essa falta de atualização na área, falta de prática na assistência à partos normais naturais, nenhuma busca por melhoria na assistência oferecida, fazem com que muitos fiquem a quem de acompanhar um nascimento respeitando a autonomia da mulher e seguindo todas as diretrizes técnicas necessárias para uma assistência de qualidade.

Para nossa alegria, a cada dia mais e mais médicos buscam por atualização, a pedido de… é das mulheres.

 

D-eus abençoe as evidencias cientificas!

 

Fontes:

Sobre Episiotomia:http://estudamelania.blogspot.com.br/2015/07/serie-videos-numero-1-episiotomia.html

Sobre taxa de transferência: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342013000100002