Browsing Category

Relato de Parto

IMG-20160721-WA0045
Parto, Relato de Parto, Trabalho de Parto

O sofá -Conto da Doula

Conheci a Lu e o marido dela em um dos cursos que ministrei na Unimed. Os dois muito atentos e com os grandes olhos atentos à tudo o que eu dizia.

-Sam, você tem agenda para nos acompanhar?

E assim começou começou nossa caminhada juntos.

Nos vimos mais uma vez antes do parto e conversávamos com frequência. A grande preocupação era que eles moravam em São Paulo e iriam ter o bebê aqui. Será que daria tempo?

As contrações começaram, eles esperaram o quanto puderam e pegaram a estrada. Os encontrei já na maternidade pela manhã.

Serenidade, era o que tinha nos grandes olhos castanhos dela, um sorriso frouxo mas cheio de orgulho “Está tranquilo ainda Sam… dá para encarar!”

Ela não quis se movimentar muito, não me lembro de ficarmos muito tempo no chuveiro também.

O que me marcou e vejo nitidamente é  ela sentada no sofá do quarto, janela ao fundo com um sol quentinho, rindo sem saber do quê e se desligando do mundo entre cada contração. Marido ao lado dela o tempo todo, com olhos arregalados fazia carinho nos seus longos cabelos negros e rosto rosado, parecia desejar tirar toda aquela “dor” para ele.  -Sam, isso é normal? Ela está bem?

Eu ria, e dizia que sim.

Lu, vamos andar um pouco?

Não… esse sofá está muito bom… – ela dizia e se ria– Vou ficar aqui pra sempre! 

Tempo depois, não muito, ela aceitou se levantar e apoiada na escrivaninha do quarto começou a rebolar, chamando pelo seu pequeno, seu pequeno bebê tão querido. As ondas das contrações agora vinham fortes frequentes, faziam seu corpo arcar com a intensidade.

Você consegue, está indo muito bem respira e solta o corpo, solta o corpo todo

Quantos anos foram até poder estar assim, tão perto de ter ele nos braços? O que será que se passava no coração desses pais?

-Estou sentindo ele descer Sá! Estou sentindo ele descer!

Ela pôde passar todo seu trabalho de parto alí no quarto, só nós três, equipe clinica vinha, examinava e deixava todos a vontade. Como é diferente quando o casal é bem tratado… como foi bom, para mim, sentir um ambiente seguro e poder apenas concentrar em estar alí e me conectar com ela através de massagens, abraços e olhares na medida que ela precisava, na forma que ela queria.

Dilatação total chegou logo, mudamos de quarto, fomos para o quarto PPP.

E ela sorria e ela fazia força e seu parceiro a amparava e ela sorria de novo e ela fazia mais força..

E ela pariu.

E ela recebeu seu bebê quente e perfumado no peito

E ela o beijou e o cheirou com tanta ternura

E ela sorriu

E eu era apenas mais uma observadora da vida, da força e do pulso, da entrega e do amor. Uma família nascia alí, aquele momento era sagrado demais para ser maculado com palavras. Gratidão transbordava em forma de lágrimas quentes pelo meu rosto.  Eles conseguiram!

 

 

 

 

 

12528146_987458604675574_1487694020_n
Doula, Parto, Relato de Parto

Relato de Pai: O Nascimento da Heloisa

Acho importante, antes de mais nada,  escrever o relato do nascimento de nosso primeiro filho de cesária para poder estabelecer uma base de comparação com nossa segunda experiência.  

O nascimento do Enzo

Nosso primeiro filho Enzo nasceu de cesária. O obstetra que acompanhou a gestação era bastante atencioso e gostávamos de sua forma de trabalhar. Porém ele nunca queria falar de parto quando puxávamos o assunto. Quando minha esposa Mileine estava com 36 semanas de gestação ele finalmente disse “para quando querem marcar o parto?”. Nós achamos muito estranho e eu pedi para discutirmos as opções, e enquanto conversávamos mencionei que minha esposa tinha escoliose e ele se agarrou nesse argumento para justificar a cesária. Nós, pais de primeira viagem, acatamos a “forte sugestão” do obstetra.

Me chamaram para a sala de cirurgia apenas quando já estavam tirando o Enzo e não queriam deixar eu filmar, então eu discuti com a enfermeira e continuei filmando. Imaginei que o motivo pelo qual não queriam filmagem era para evitar registrar um eventual erro médico. O Enzo nasceu com a ajuda de um equipamento de aço curvado que machucou sua cabeça e deixou uma cicatriz que não diminui e impede o crescimento de cabelo. Colocaram o Enzo perto da Mileine apenas pelo tempo de tirar uma foto e o levaram para outra sala onde fizeram todos os procedimentos padrões (e questionáveis) de aspirar, retirar o vérnix… Só o encontramos depois na sala de repouso onde estávamos esperando.

Resumindo ficamos muito irritados com o obstetra que nos enganou, que não queria nos deixar filmar o parto, que foi bastante mecânico e com pouca consideração pelos pais, especialmente pela mãe.    

O nascimento da Heloisa

Considero que estavamos relativamente bem informados com relação ao parto natural. Isso nos deu bastante tranquilidade para encarar cada etapa do processo de nascimento, até então desconhecidas na prática. O desenvolvimento da gestação foi normal, sem nenhum problema. Não contamos ao novo obstetra que queriamos fazer um parto natural, fora de um hospital, já que a maioria dos médicos realmente não gostam dessa idéia.

Decidimos ter a Heloisa em uma casa de parto (Clínica Opima) em nossa cidade Itapetininga que fica a 3 minutos do hospital da Unimed, uma suíte muito grande e agradável toda equipada, com temperatura controlada, cama, banheiro, banheira de hidromassagem, tecido para apoiar, bolas para exercicios, jardim de inverno, comida, bebida, equipamento de emergência e uma ambulância pronta para uma eventual transferência para o hospital. Fizemos cursos e estudamos como seria a experiência; as vantagens, os riscos… Escolhemos uma equipe incrível com uma médica pediatra (Andréa Golveia), 2 efermeiras (Giovana Fragoso e Priscila Colacioppo), uma doula (Samara Barth) e uma fotógrafa (Rithiele Mareca). Minha cunhada Mary tambem participou desde o inicio ajudando e acompanhando todo o parto. A enfermeira Karin Bienemann também se juntou à equipe.

Com 39 semanas e cinco dias 23/02 começou a sair o tampão e o que achamos ser um pouco de liquido amniótico. Mantivemos a equipe informada através de um grupo de Whatsapp. Durante a tarde a Mileine sentiu várias pequenas contrações que foram aumentando de frequência e intensidade até caracterizar efetivamente trabalho de parto as 21:30. Chamamos a doula Samara que monitorou um pouco as contrações até que sugeriu que fossemos para a casa de parto.

A partir daí começou o trabalho duro, a doula e eu o tempo todo com a Mileine. As contrações estavam muito fortes e revezamos o chuveiro, bola, tecido, cama, caminhadas até as 2:00 am. A Mileine estava bastante cansada e já estava no que os profissionais chamam de “partolândia”, um estado de consciência no qual a mulher fica completamente “chapada” com a quantidade de hormônios e substâncias secretadas no organismo naturalmente que preparam o corpo para um acontecimento tão extremo.  

A enfermeira Karin monitorava a bebê com frequência e ajudava no trabalho de parto. A enfermeira Giovana então avaliou a evolução do trabalho de parto e disse que ela estava com 4 cm de dilatação. Foi bastante frustante, já que havia passado bastante tempo com muitas contrações, para um avanço tão pequeno. Porém continuamos focados em ajudar a avançar o trabalho de parto. Ao redor das 4:312226409_987458654675569_1003362007_n0 am foi feita a segunda avaliação pela Giovana e estava com apenas 5 cm. Foi um balde de água fria, tanto esforço por tão pouca evolução. Começamos a temer não ser possível um parto natural e ter que nos transferir para o hospital para induzi-lo. A Mileine estava esgotada, eu realmente não sei como ela conseguiu aguentar tantas contrações intensas por tanto tempo. Então a enfermeira pediu para entrarmos na banheira e lá ficamos até nascer o dia, as contrações desaceleraram e todos pudemos descansar um pouco, inclusive a Mileine, que estava exausta.

Foi quando a Samara nos “despertou” e disse que tínhamos que continuar a trabalhar. Saímos da banheira e 12674507_987458548008913_479977343_napenas movimentando um pouco corpo fez com que as contrações voltassem. Ao redor das 10:00 am a enfermeira Priscila fez una nova avaliação, estávamos muito apreensivos, pois sabíamos que daquele momento dependia todo o planejamento, preparação, esforço e o desejo de um parto realmente humano. A priscila então disse, quase como uma revelação, “Graças a Deus, está com 8 cm, o colo parece uma geléia. A Heloisa vai nascer!”. Nesse momento me arrepiei inteiro, não consegui segurar a emoção e comecei a chorar, olhei em volta e todos no quarto estavam chorando. Depois de tanto esforço, tanto sacrifício, vamos conseguir ter nossa menininha como queríamos.

A partir daí tudo foi mais “fácil”, pois a Mileine se motivou e encarou as contrações com muita coragem, até que a enfermeira a tocou e sentiu a cabecinha da Heloisa, me pediu para sentir e me emocionei muito, estava acontecendo! Eu disse que tinha sentido sua cabecinha e duas contrações depois nasceu a Heloisa as 12:54 de 24/02. A enfermeira fez questão que eu tirasse a Heloisa e entregasse direto para a Mileine. Todos choramos, sentindo uma felicidade imensa, com nada além de alegria e realização no coração, um sentimento pleno. Enquanto a Mileine já a amamentava, a placenta nascia e o o sangue do cordão, que pertence ao bebe, voltava para seu pequeno corpo, e eu pude então cortar o cordão, fazendo-a respirar agora por conta própria. Em seguida chegou o Enzo e ficou fascinado com a irmãzinha.

A equipe foi simplesmente fantástica. A doula foi fundamental no trabalho de parto, ela apoiava fisica e emocionalmente minha esposa, ficou o tempo todo presente. As enfermeiras, que eram muito bem qualificadas e experientes, foram muito humanas e profissionais nos passando muita tranquilidade e segurança. A médica participou menos, como naturalmente deve ser, porém foi sempre muito carinhosa e preocupada, humana.

Minha es10584233_987458814675553_638511149_nposa foi literalmente um guerreira, mostrou que é uma mulher extremamente forte e determinada, muito mais do que eu imaginava. Ela encarou 15 horas de dor intensa e esgotamento físico com uma resiliência inimaginável. Os profissionais se referem muito à palavra “poder” que de fato reflete muito bem a experiência da mãe no parto.

Acredito que o parto normal é uma experiência da qual os pais tem o direito de não serem privados, seja por um sistema de saúde estúpido ou médicos de eticamente tortos. O parto natural, por sua vez, é uma experiência sem interferências desnecessárias ou anomalias técnicas que foram se tornando práticas comuns até os dias de hoje e que reduzem a magia do nascimento. É uma experiência transformadora que vai além de ser protagonistas do nascimento de nossos bens mais preciosos e fortalecer os vínculos familiares, mas nos faz descobrir aspectos pessoais desconhecidos por nós mesmos. A idéia desse texto é apenas descrever nossas experiências pessoais de parto, e não julgar decisões ou opiniões diferentes das nossas.

Caue Tacchini Bernardo – pai da Heloisa e do Enzo


12087982_909989459083651_557354273397213249_n
Parto, Receitas Naturais, Relato de Parto

Nascimento do Lorenzo -VBAC no SUS

Meu relato começa um pouco antes do trabalho de parto em si. Sempre tive muito medo da famosa episiotomia, na minha família as mulheres que pariram precisaram fazer uma cirurgia para correção do períneo devido ao corte, suas experiências também eram desastrosas, parto normal para elas era algo pré- histórico e traumatizante. Isso me assustava.

Quando grávida do Pietro eu pensava num possível PN, ainda com muito medo, mas pensava. De qualquer forma não foi possível, descobri que estava com líquido oligoidrâmnio (abaixo do normal) as 36 semanas, passei a acompanhar com a cardiotocografia dia sim, dia não se meu filhote estava bem, depois de uma ultrassonografia o médico apenas disse: _ Suas coisas estão ai? Porque você ficará internada (uuuuoou como assim!?) – não, não era graça de um médico cesarista – e Pietro nasceu duma cesárea necessária com 38 semanas.

Segunda gestação… descobri com 9 semanas que meu feto havia parado de desenvolver com 6 semanas e dois dias (com 6s+1d tinha feito a primeira US), abortei naturalmente depois de 22 dias – vivenciei um mini trabalho de parto (se é que posso falar assim… rs) – senti cólicas, contrações e vontade de fazer força até que expeli, se doeu!? Sim, mas a dor na alma era muito maior.

12004094_901132109969386_4894719987009200192_nEngravidei mais uma vez… comecei a me informar, assisti ao documentário “O Renascimento do Parto”( que lindo!), pesquisei… Ainda assim pensava: _ Só sei que esta criança vai ter que sair de qualquer forma… seja por cesárea ou por vias naturais. A barriga foi crescendo, já não conseguia carregar o filhote (não conseguia e ai de mim se carregasse, mesmo se desse) e isso me machucava… Decidi que teria um PN para uma rápida recuperação, para poder o quanto antes dar aquilo que o Pietro exigia de mim.

Participei duma visita à Maternidade e vi que muitas coisas haviam mudado, a episiotomia era usada quando realmente necessária (ufa!), eu poderia ter um acompanhante, e eu teria o direito de escolher a posição que iria parir ( #sqn). Nesse mesmo dia Caf (meu marido- o nome dele é Charles-  o cara que mais detesta partos, seja ele qual for) viu a Samara na recepção acompanhando e massageando uma gestante. _ Amor aquela é a Samara, a doula. – _ Huumm, gostei dela, ela é bem roots (foi empatia à primeira vista rs, comigo foi assim também). Expliquei o que fazia, antes de chegar no carro ele disse pra voltar e dizer a ela que a contrataríamos ( o simples fato de ter alguém para me acompanhar que não fosse ele era maravilhoso).

Eu já tinha informação, mas passei a pesquisar mais (não adianta ter o batom, você precisa abrir para usá-lo), me empoderei e tive certeza do que eu queria.

36 Semanas- estamos chegando ao final da gestação e o medo de ter o ILA baixo de novo me rondava, exames… ok (tirei o mundo das costas) – tudo caminhando para o meu PN.

11907182_1507173689573831_8349765219481344866_n

 

38 Semanas – Comecei a me coçar além do normal ( não era culpa das estrias) e reclamei para a médica, para descartar hipótese de colestase gestacional ( se positivo faria uma cesárea de urgência) fui fazer exames – Papai do céu que não seja nada- não era! (normal, alergias e problemas de pele são comigo mesma).

Chegamos as 40 semanas e nada do carinha ( meu maior medo aqui era o mecônio), visitas a maternidade dia sim, dia não para avaliação… 40s +3d perda de tampão, 40s +5d dois centímetros de dilatação e escuto: Segunda- feira é seu prazo limite, você completara 41s, venha em jejum e bem cedo para que o medico de plantão decida o que fazer.

Segunda- feira, 41s pela DUM ou pela primeira US, 40s+5d, o médico avaliou pela US, ganhei dois dias. Avisei a Samara… dois dias eram o que precisávamos, em dois dias tudo pode acontecer e podia mesmo…

 

 

Terça-feira 02h07min – Ai! Que coliquinha chata, dor de barriga a essa hora… Aff!  =T

Aaaai! Elas chegavam como uma onda, eram curtas e irregulares – Avisei a Samara (minha espetacular doula), agradeci a Deus… Depois de uma semana com perda de tampão e 2 cm de dilatação, com 41 semanas o meu tão aguardado trabalho de parto estava começando. =]

03h39min: _ Sam, desculpa o horário, acho que começou, sinto cólicas a cada 5 a 7 minutos, duram no máximo 30 segundos. – Conversamos por mais ou menos uma hora, nesse tempo algumas contrações tiveram intervalo de nove minutos e como eram bem irregulares poderia ser alarme falso.  =[

_ Geh, não fala nada pra ninguém, não coloca no face (e eu louca pra colocar versos da música “Anunciação” rs) – era tarde, eu tinha acabado de enviar um zapzap para a dinda Taíse (oops). Avisar o marido podia, então lá fui eu… _Amor… Marido… CAF… Acho que começou, estou tendo contrações, mas pelo jeito vai demorar (eu só não sabia que seria tanto… rs) – Caf arregalou os olhos, ficou estático e voltou a dormir.

Entrei no chuveiro, as contrações passaram a durar um pouco mais de tempo e vinham mais regulares (ebaaa =], já era um bom sinal)

A vida continua… Como não sabíamos quanto tempo levaria para chegada do caçula, Caf foi trabalhar e o Pietro para a escola.

_ Amor pede para a minha mãe pegar o Pietro na escola, diz a ela que irei à maternidade a tarde para fazer exames, não diga nada que estou tendo contrações.

8h14min: Samara: _ Noticias?

_ Doooor!!

Samara: _ Tenta dormir!

Tentei dormir. Tentei, sim tentei… Porque além das contrações, Caf não parava de enviar mensagens querendo noticias (não respondi nenhuma, eu estava TENTANDO dormir)- cochilei. Já que eu não respondia Caf apelou para a Marina, ela chegou e juntas passamos a cronometrar as contrações. Elas duravam pouco mais de 1 minuto e vinham a cada 4 minutos (uhuuull =]), nos intervalos a Mah e eu conversamos sobre tudo (menos é claro sobre o que estava acontecendo – a ansiedade estava à milhão), arrumamos minha mala e deixamos a do Lorenzo (que já estava pronta desde as 36 semanas) no jeito também.

12h: Antes de ir Marina me disse algumas palavras que foram essenciais (obrigada Mah!!); chuveiro; Caf chega com a Samara, almoço – contração de 3 em 3 minutos pensava, agora vai… rs \O/

Alegria de pobre dura pouco, as contrações espaçaram =[

Bola Suíça, massagens, dança, canta, conversa, ri, descansa no colo do marido, rebola, respira – contrações vão e vêm… Chega de bola, vamos caminhar.

_Aaaah Sam eu não vou conseguir andar não.

_Angel, você quer que sua cria nasça hoje?

_Ok. Vamos lá! =T

Caminhamos os três por quase uma hora, a cada contração – pára, respira, solta o corpo, aperta a mão dos dois e… continua (caminhando, cantando e aguardando a próxima contração rs).

_ Não estou me agüentando em pé, eu PRECISO dormir! – E sim dormi, alias, apaguei, lembro-me da Samara sustentando minha perna durante as contrações que pareciam demorar a vir (nem me importei delas espaçarem mais uma vez- eu necessitava dum descanso).

Acordei, chuveiro mais uma vez- não percebi que ali fiquei por quase três horas- mas no chuveiro era tão bom, me trazia um alivio tão grande. Contração vem e vai, papo vem e vai, risada vem e vai – eu estava bem, cansada, mas muito bem e a Sam sempre me lembrava disso.

No chuveiro as contrações espaçaram MAIS UMA VEZ (aaaff!) e um intervalo chegou a durar 20 minutos. #chateada

Quero cama – estava exausta e com frio, muito frio – Caf veio se deitar comigo, oramos… era nítido em seus olhos que ele já não aguentava a minha dor, ah se ele pudesse intervir… assim teria feito, e com certeza encaminharia a uma cesárea, afinal eu já tinha passado por uma e as coisas tinham sido muito mais rápidas e “tranquilas”– já eram 22h até aqui tinham passado 20 horas desde que tudo começou.

IMG_20151013_231950398_HDRAs 23h decidi ir à maternidade, Caf e Samara quase aplaudiram minha decisão rs. Chegando à maternidade me dei conta de que meu lindo plano de parto havia ficado em casa (para minha infelicidade). Minhas contrações ficaram mais intensas e regulares (foi instantâneo). Examina – 6 cm de dilatação  \O/- fase ativa mode: ON. Minha internação foi a 00h:02min.

Agora já pode avisar a mãe, não demorou pra ela chegar e fazer companhia ao Caf na silenciosa recepção, apenas Lorenzo decidiu nascer naquela madrugada.

Samara e eu caminhávamos pelo corredor, contração vem – respira, solta o corpo, vocaliza, agacha. Num dado momento passamos pela porta da recepção, avistei minha mãe e tive a brilhante idéia de mostrar a ela que eu estava bem e… AAAAAAI!! Doeu, e muito, passou, Samara e eu caímos no riso – mostrar a mamãe que a filhota estava bem… Fail!

Com corpo pesado perguntei a Samara: _ Será que demora? Ela não pensou duas vezes e respondeu: _ Angel você ainda está sorrindo, quando pensar em desistir pode crer que ele está chegando. =T

_Já que é assim vou deitar um pouco.

_Tem certeza que vai encarar as contrações deitada!?

_ Vão vir de qualquer jeito mesmo e eu não estou aguentando mais (comecei a ficar um tanto quanto irritada)

Dormi uns minutinhos…

_Angel, vamos para a bola…

_Não, não quero.

_Angel você está muito bem, mas precisamos incentivar a cria.

_Não quero.

_ Angel…

Cedi. Na penumbra do quarto, rebolando na bola, chorei…

_ Desisto, não quero mais, eu não agüento mais Sam… não agüento mais. (Prazer, Partolândia).

Samara me confortou, me apoiou, o que seria de mim sem ela ali. Orei, pedi a Deus forças. E me lembrei do que a Marina havia me falado:

_Geh, lembre-se que antes mesmo de você desejar ter um parto natural, Deus já havia preparado tudo, Ele estará com você em todo tempo, então apenas confie, descanse, tudo vai dar certo.

Agradeci a Deus a vida da Mah, agradeci aquele momento, agradeci por ter chegado até ali, agradeci por ter a Samara comigo…

Examina… 7,5cm (agora falta pouco \O/)

Chuveiro mais uma vez, contrações, vocalizações, agachamentos… Passaram mais algumas horas e PLOC!  Aaai, aaaai, aaaaaai, – minha bolsa rompeu e senti muita vontade da fazer força.

A Samara correu chamar a EO… Eu já o sentia chegando, faltava pouco para o nosso primeiro encontro. Antes disso porém algumas coisas chatas e um pouco frustrante aconteceriam…

A EO chegou e pediu para irmos a sala de pré-parto para me examinar (cara, eu tinha colocado a mão no chuveiro e a cabecinha dele estava ali), andar não era nada fácil mas lá fui eu, e a gentil EO ainda dizia: _ vamos rápido!  No pré-parto senti um puxo muito forte: _ ele vai cair, eu estou sentindo que ele vai cair…

Ela de braços cruzados disse: _ Deita pra eu te examinar ou seu filho vai cair no chão e não vou poder fazer nada ( sim, ela disse isso, e isso ainda ecoa em minha mente)- deitei. Tá agora leva ela pro centro obstétrico ( uma sala a 2m da onde eu estava)- outro puxo, _ Vai rápido, ela disse. Samara pediu para que eu tivesse ali mesmo, ironicamente ela (a EO) sorriu – não!

Subi na maca já de lado e com a perna puxada para traz, veio mais um puxo e senti a cabecinha dele querer sair, mas voltou. Ela não me deixou ficar daquele jeito ( eram normas do hospital- huumm engraçado, quando participei da visita à maternidade disseram que eu poderia escolher a posição mais agradável para mim… acho que as coisas mudaram né). Comecei a sentir tudo queimar, sentia vontade de fazer força e fazia, mas não era o suficiente, parir na clássica posição ginecológica era ruim, muito ruim…

Os puxos vinham, eu fazia força, mas parecia que ia me rasgar toda, e não era o suficiente… Mais uma vez a adorável EO muito gentil disse: _ Vamos mãe, ou vou cortar você.

Soltei as costas na maca, chorei e disse: Samara não quero que me cortem.

_ Ninguém vai cortar você, quando o puxo vier apenas mantenha a força, você está fazendo direitinho só precisa segurar por mais tempo.

O puxo veio, fiz força, me superei e… Ah, a cabecinha já foi, só mais uma, respira… como num escorregador Lorenzo deslizou e veio direto para os meus braços, com aquele cheirinho tão bom, cheiro de amor, cheiro de vida.

_Consegui, conseguimos filho!Não havia mais dor, apenas ele e eu. Lorenzo chegou às 4h: 55min, pesando 3.340g e 48 cm, de parto natural, sem intervenções desnecessárias, tive pequenas lacerações no períneo sem necessidade de pontos.

Samara correu para chamar o papai que entraria e num momento lindo e único após parar de pulsar o cordão ele seria cortado… ah você acreditou, não, mais uma vez a gentil EO acabou com minha alegria. O cordão foi cortado por ela mesma… nem a mim ela deu esse privilégio.

Chamaram-me de louca, de corajosa… Perguntam-me se dói, minha mãe diz que sofri… Mas vivi o momento mais intenso da minha vida, meu corpo trabalhou a cada contração, e meu filho escolheu o dia e a hora de nascer. Sim, aos 27 anos, após uma cesárea, contra tudo e todos, superando os meus medos,pari, … Renasci, Venci!

lorenzo

Estrito pela mãe Angélica de Freitas

Diva Parideira

Parte 2
Empoderamento, Parto, Relato de Parto, Trabalho de Parto

Importante e visceral: O Relato de Parto

Vivo pensando em formas diferentes de abordar o tão temido “parto” saindo um pouco dos padrões que encontramos (inventação de moda, como diria meu avô, de quem cursou publicidade e propaganda talvez).

Eis que ontem, das 9 am até 22:30 nossa página no Facebook as pessoas puderam acompanhar o relato de parto em tempo real da Fabiana e do Eduardo.

A ideia era criar as personagens e fazê-las viver, contar e permitir que as pessoas da rede social participassem de forma ativa daquele momento, com orientações, dicas, conselhos. E foi muito bacana o resultado  acompanharam, torceram, se indignaram, empoderaram junto com o casal.

As leitoras indicaram massagens de alívio, respirações, leis! Se identificaram nos medos, conheceram fases do trabalho de parto….

E eu aqui, do lado de cá, eu que já vi ainda poucos partos de perto, mas que já não posso contar nos dedos das mãos, passei uma tarde inteira, para conseguir desenvolver o relato.

Com um nó na garganta. Por que se o relato não era o meu? Nem de ninguém real?

Porque a gente sabe que tudo isso realmente existe, foi como se eu visse, pequenos fragmentos de cada parto presenciado e montasse o da Fabiana.  Inclusive o meu, que também foi no SUS. Meu parto que foi excelente, mas longe do que eu idealizava.

Parir com a Fabiana ontem, me ajudou a entender como é difícil expor o que foi vivido, mesmo sabendo que muitas coisas poderiam ter sido diferentes (mas não foram, porque parto é real, perfeição não é).

Expor o parto da Fabiana ontem, me fez ver também, de maneira gritante como é importante a representatividade, o quanto significou para quem leu vivenciar aquele parto “imperfeito” mas tão palpável que duvidavam ser de fato fictício.

Recebi mais de 10 mensagens inbox (para minha página que ainda é pequena, achei um número enorme), falando sobre o quando inspirou, perguntando como poderia ter sido diferente, o que mais poderia ter sido feito, agradecendo pois conseguiram se ver no lugar da personagem, pariram junto com ela.

Considerando que o parto, acontece primeiro na cabeça, acredito ter ajudado muita gente, com apenas um relato.

Você que me lê agora, provavelmente já pariu. Conte sua experiência, mesmo que pareça dolorosa, faz bem livrar o peito de pesos que não te pertencem.

Cure a sí mesma e inspire à outras mulheres, você é motivo de orgulho e inspiração, afinal nosso país ainda bate a taxa média de 80% de CESÁREAS, todos os partos normais são grandes vitórias!

Compartilhe sua história, fortaleça outra mulher, mostre que é normal ter medo, se sentir frágil mas que mesmo assim você conseguiu, superou seus medos e obstáculos.

Representatividade importa. MUITO.

(se quiser, confira as postagens do dia 27/10 aqui)

Parto Hospitalar - Hipertensão
Relato de Parto

Com 44 anos de idade e hipertensa -Parí !

Eu, Lucy Mara Nicoletti, 44 anos, hipertensa, com endometriose, fiquei grávida por FIV (Fecundação In Vitro) na sétima tentativa,  depois de já desenganada por alguns médicos sobre ser mãe, mas nunca pela promessa de Deus.

Essa promessa se fez e me fez passar por tudo sem desistir, desgaste físico, emocional e financeiro (na última tentativa tomei mais de quarenta injeções)

E se hoje eu estou aqui, com minha filha Luisa, podendo cuidar dela, nós duas com saúde perfeita, eu devo isso primeiro a Deus e a toda uma equipe de profissionais que me fizeram acreditar que seria possível.

Dia 24 de junho às 18h, numa quarta feira, eu estava no hospital Santa Lucinda dando entrada nos papeis da minha internação. Tinha completado as 40 semanas de gestação, fiquei nervosa de cara e minha pressão subiu…na hora de fazer o cardiotoco também.

Estava muito nervosa…pelo momento do “agora é pra valer”. Também porque estranhei os profissionais, que não eram os mesmos do meu pré- natal.

Dr Bráulio veio, me deu atenção, e medicação….era o que eu precisava…..além de um bom banho pra acalmar.

As 20:30 foi introduzido o 1 comprimido para induzir o trabalho de parto. Era necessário porque a pressão alta estava prejudicando o bebe e não podia esperar mais uma reação natural como estourar bolsa, contrações etc….40 semanas era o nosso limite. Estava tudo bem eu muito calma porque agora finamente eu ia relaxar. Estava ali pra parir e mais nada era só esperar e segundo o medico o parto  seria lá pelo dia 26,27 ou 28 (sexta, sábado ou domingo).

Cardiotoco das 2:00am tudo bem.. Luisa mexendo muito que bom!!!! Minha barriga tava ate torta!

Ás 3.00am meu 2 comprimido e dai eu ia dormir….estava sozinha pois tinha dispensado o Junior, meu marido, pra dormir num hotel já que a coisa ia demorar….só que não….kkkk

Logo às 3: 30 deu um estalo  lá dentro. Uma dor que nem exame de colo de útero….fui ao banheiro…um sanguinho….seria o tampão….?

Chamei o enfermeiro, ele não sabia! Ás 3:42 outra cólica…..3:47 outra…..ai pensei…seria a tal contração de 5 em 5 minutos??? Alerta!!!! Luisa está vindooooooo….!

Dr Bráulio me deu boa noite depois da 2.a indução, íamos todos dormir….mas…..todo mundo convocado pelo grupo de whats….minha ultima postagem às 4:09 sentia muito frio,muita dor, eu gritava!

Pressão 18/11… E adeus celular….Dr Bráulio chegou logo. Minha dilatação tinha ido de 0 a 8 em 40 minutos!!!! Pensava,” tenho endometriose minha dor é fora do normal…vai ter q ser cesária!!! Não vou aguentar essa dor ate sexta.” Kkk

Fomos para o centro cirúrgico, eu estava em trabalho de parto mesmo!!!! Não teria que esperar tanto….então me animei …

E quando eu dei por mim estava vivendo o sonho do parto natural. Na verdade foi um pesadelo…rs. Sim na hora foi assim que senti porque me pegou de surpresa. Foi muito rápido!

Não ouvia direito nada. Não pensava em nada…só sentia dor.

Meu esposo chegou e a presença dele foi muito tranquilizante. Mas não conseguia nem falar com ele…o top que levei pra por naquela hora nem lembrei …fui enfiando a camisola que me deram e saindo….a única coisa que consegui pensar foi “Não vai dar tempo da Andrea, nem da Samara, nem da Thais chegarem….que pena!!!!!”

E qual não foi minha alegria quando ouvi uma musica de fundo….a Thais veio!!! Ela ficou de selecionar minhas musicas pro parto! E a doula Samara e a Dra Andrea….minhas divas chegaram, sem menosprezar a presença do medico e do meu esposo, mas elas eram de muita importância completando o quadro do parto humanizado.

Não conseguia pegar na mão da Thais, minha sobrinha, estudante de medicina do 5 ano. A mãozinha dela parecia frágil quando eu apertava na hora da contração. Só a presença dela ali já me bastava.

Também  não conseguia pegar na mão da Andrea…pasmem….eu olhava pra ela e pensava….”foi você que me colocou nessa! Tão mais fácil cortar minha barriga e já estaria com minha filha nos braços!!” Então sobrou meu esposo e a doula pra eu apertar a mão na hora do grito da contração.

Siim a doula!!!

Sabe aqle profissional que você não conhece direito e acha que é desnecessário? Pois eh….a doula Samara me fez massagens, passou óleo, se colocou como apoio ao meu corpo, me deu força, ela aliviava minha dor!!!!! Apoio físico e emocional.

Meu esposo também foi forte …aguentou junto comigo, me deu a mão pra eu apertar e a roupa pra eu morder….quando eu apelava pra ver se ele tomava minhas dores ele me dizia palavras de alegria como ..”logo veremos nossa filha Lu”…”Você aguenta…você é forte”

Na hora até ficava brava por ele não me defender….no fundo eu queria que ele falasse “parem tudo…não estão vendo como ela está com dor?” Porque eu falava para ele, “Ju você não está entendendo, eu vou morrer!”  Mas ele já conhecia a esposa melindrosa e foi orientado pelos profissionais que eu ia chegar nesse ponto.

Ai minha doula querida….te vi só duas vezes… Mas só  você pra me amparar!! E assim foi….de aflição “ranquei” a camisola…fiquei peladona…não liguei pra mais nada…andei de um lado pra outro procurando uma posição, um  lugar pra parir naquela sala.

Todo tempo lembrava da minha cadela Nyla, me sentia como ela quando foi parir….mas ela não gritava…Eu sim gritava muitooooo.e essa energia liberada mais fazia a Luisa descer

….enfim….reta final….falei….”Vocês estão judiando de mim”

” Que você quer Lucy?” Perguntou Dr Bráulio….

“Eu quero aquela anestesia do final…não estou aguentando mais”.

” Se eu disser que você está no final? Que esse bebê vai nascer em mais poucas contrações? “

“Eu não consigo doutooooor”

“E se você disser “eu consigo”?”

“Tá bom…eu consigo!!!” – Ouvi um ehhhhh da equipe….e fui pra maca. E em poucas contrações Luisa nasceu!!!!

Eu já estava exausta, mas sem força nunca, o corpo é maravilhoso!!! Sem anestesia tive força pra ver minha filha nascendo naturalmente!!!! E meu  sorriso se abriu e…..e o paraíso chegou!!!

Saiu primeiro a cabeça da Luisa, ficou alí parada quietinha até a próxima contração quando saiu o corpinho todo. O médico pediu minha mão para sentir a cabeça dela, mas eu tive medo de colocar e ela voltar para trás (rs) foi aí que veioa ultima contração e Luisa chegou. Nunca vou me esquecer da vóz do meu marido “Nasceu amor”

E imediatamente ela já foi colocada em meus braços, e ué?! Cadê a dor??? Só senti mais uma contração para eliminar a placenta…nem sabia que isso aconteceria! Me senti meio índia, meio animal., mas muito mãe!!!!Muito guerreira! Vitoriosa!

Dra.Andreia já veio no meu peito estimular a amamentação, a  bebe já mamou em menos de 5 minutos de nascida!!!!

Que instinto lindo! Que maravilhoso!!! Junior cortou o cordão umbilical….Muitos Beijos, fotos, sorrisos….o premio do final era muito melhor do que eu imaginava!!! Talvez faltasse uma preparação melhor minha para aquele momento….assistir mais vídeos, compartilhar experiências….viver aquele momento com mais tranquilidade…transformar a dor em coisa boa, esperada….mas sei que procurei os profissionais quase no 9  mês e o o meu parto durou apenas 4hs!!!

Luisa chegou as 8.15 do dia 25 de junho de 2015. Havia uma torcida na data.. Meu cunhado fazia aniversario dia 24, meu sogro dia 26, minha sobrinha Thais e meu enteado dia 28…

Mas ela nasceu dia 25. o dia só dela.

Minha recuperação foi rápida, fui ao banheiro sozinha, apenas amparada pelo meu esposo , em 3hs, depois de 6 hs já tomei banho sozinha também,  sai do hospital com a minha filha no colo, andando, subindo escada, entrando no carro tranquilamente.

Meu agradecimento especial a Dra Andrea que me abriu o caminho nessa trilha, nesse caminho que me levou a esse prêmio compensador de tudo no final…LUISA, MINHA FILHA!, NASCIDA DE PARTO NORMAL !!! E O MELHOR, PARTO NORMAL E HUMANIZADO…

Amei minha equipe….meu esposo sempre comigo, Thais minha sobrinha, Dr Bráulio em sua magnânima competência e paciência, Samara Barth, minha doula querida. sem vocês toda emoção  que vivi no parto não seria possível….

Que experiência inesquecível, criou laços afetivos inesquecíveis!  Só vejo coraçõezinhos quando lembro de tudo, mesmo da dor….aliás essa sim é a única a ser esquecida nessa historia,  diante do poder do amor e da  vida !

 

Vem acompanhar também no facebook :) https://www.facebook.com/casadadoula

Luisa Nasceu!