Maternagem

“Criação com Apego” não, obrigada

Infelizmente existe uma  distancia tênue entre o apego amoroso e o apego castrador, aquele que a mãe faz absolutamente tudo pelo bebê o privando de ter suas próprias experiencias de aprendizagem, além de instaurar dentro da maternagem regras duras que não podem ser aplicadas à todas as famílias sem exceção.

Então quando você ver, nas redes sociais, ou na vida como ela é, uma mãe fazendo algo diferente de você ao invés de atirar mil pedras pergunte como foi o dia dela, se pode ajudar de alguma forma. Converse de forma empática com essa mulher, sem impor as suas verdades com o que funcionou dentro da sua casa, ou na teoria apenas. “Era uma ótima mãe, até ter meus próprios filhos”

Apego (ê/) substantivo masculino
  1. ligação afetuosa; afeição, estima.
    “tem grande a. aos pais”
    2. dedicação constante e excessiva a (algo).
    “a. aos estudos, a. ao dinheiro”

“É só a partir do século XVI que mudanças de concepções referentes à criança e a infância são notadas. Do século XVI para o XVII, na Europa, começam a perceber a criança como um ser diferente do adulto. Surge um sentimento de infância. Sentimento esse um pouco distorcido, uma vez que as crianças eram vistas como objeto lúdico dos adultos. “Um sentimento que poderíamos chamar de ‘paparicação” fonte

Na contramão dessa linha, hoje discutimos e vivenciamos uma geração que procura construir novas relações familiares com seus pequenos. De acordo com Winnicott, pediatra e psicanalista britânico , durante o primeiro ano de vida a mãe é o ambiente do bebê:

O bebê como uma extensão da mãe, mesmo depois do nascimento o bebê reage diretamente ao estado físico e emocional da mãe, se ela estiver triste, irritada, insatisfeita, o bebê irá refletir esses desconfortos e reagirá da forma que para ele for conhecida. Ou seja, o bebê ficará irritado, chorará mais, irar demandar mais atenção e carinho.

Para aquele bebê que chora “sem motivo”, muitas vezes um tempo de qualidade juntos basta para sair do estado de angustia, sugerir uma brincadeira, mudar ambiente/foco de atenção, isso se mantém inclusive aos 2/3 anos, quando as reações que vemos das crias parecem “malucas” mas são apenas reflexos de como a criança realmente se sente e não consegue externalizar de uma forma bacana, por ainda não ter COMO fazer isso.

APOIO é necessário, e pode existir na figura do companheiro que paterna, da escolinha, da babá, para que não sobrecarregue a mulher, a mãe precisa estar bem para que o bebê também esteja.

*apoio é diferente de terceirização de criação, ok?

A mãe não é/deve ser como uma extensão do bebê, mesmo que queira, a mãe, não é tudo o que basta para o bom desenvolvimento da criança, vivenciar experiencias também com outras pessoas é fundamental. Deixar o bebê experimentar coisas, explorar espaços e sabores, deixar que o bebê realize tarefas que ele é capaz de fazer, oferecendo incentivo, mas nunca fazendo por ele.

Agora…

Se o parto, que é um evento 100% natural e fisiológico, sofre com deturpações sobre o que é, o que deveria ser, quem pode, quem deve e quem sofre, imagine querida leitora o que acontece com a teoria da criação com apego…

-“Quer dizer que antes de criação com apego virar moda, os pais não amavam seus filhos?”

Não, apenas que existia, e ainda existe vale ressaltar, uma cultura ocidental pautada em focar nas necessidades dos adultos, sem considerar as necessidades dos bebês e crianças para um desenvolvimento sadio, tanto físico quanto emocional.

O que precisa ser questionado dentro da maternagem em geral é: Quem dita as regras? O que serve para mim, serve para o outro? Qual é a realidade daquela família?

 

Criação com Apego não é viver única e exclusivamente para o bebê

Criação com Apego não é deixar de estabelecer regras e limites para a criança

Criação com Apego não é obrigatoriedade, da mãe, em deixar de trabalhar/se divertir

Criação com Apego não é amamentar eternamente

Criação com Apego não é fazer da mãe única responsável

Criação com Apego não é um tipo de criação

 

Criação com apego sadia, nada mais é que o resgate da criação instintiva/intuitiva, onde família e bebê  se reconhecem diariamente e desenvolvem sintonia em crescer com liberdade e carinho, em ambiente não violento que respeita necessidades e limitações de todos os envolvidos.

 

É possível e sadio administrar as necessidades do bebê sem anular a mãe, como mulher e indivíduo.

Antes da entrada da mulher no mercado de trabalho (entenda trabalho fora de casa) era dela exclusivamente a responsabilidade pelos cuidados da casa e filhos.

Essas mulheres passaram a trabalhar e muitas assumiram também o papel de únicas provedoras do lar, mesmo lutando diariamente com o machismo que as diminuía.

Agora já não eram donas do lar, nem do trabalho.

Afinal, quem cuidou, educou, amamentou, acalentou as crianças dos anos 90?

Hoje ainda muitas mulheres se veem encurraladas, com casa, filhos e o sustento da família por sua conta, porém o desejo de preencher essa lacuna de “abandono” emocional e físico sofridos vem, como uma onda fortíssima. Será que não é peso demais para uma única pessoa?

Somos mães que acreditam que nosso leite é mais forte do que o da latinha e que apanhar não educa por sentirmos isso na pele. Estamos todas, apenas buscando o equilíbrio, precisamos mais do que nunca de apoio uma das outras.

Chá de Bebê
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5 Comments

  • Reply Aline Akiw 23 de setembro de 2015 at 15:50

    Olá, Doula Sam, li mais de uma vez seu texto, mas permaneci sem entender se você concorda ou não com a “criação com apego”.
    E a Manoella tem razão, o Título nos traz incoerência com o contexto.
    Mas obrigada pelo tema.
    Abraço.

    • Reply Doula Sam 23 de setembro de 2015 at 16:00

      Oi Aline!

      É um tema dificílimo para se escrever, juro me esforcei demais mas sempre ficam arestas.
      Eu sou a favor da criação com apego, porém não a cartilha que consumimos com beábá cheio de exigências. Acredito que o resgate da criação de forma intuitiva, com carinho e respeitando espaço mãe-bebê seja fundamental.
      O título foi uma critica mesmo, a criação com apego no sentido de criação com dedicação constante e excessiva a (algo).

  • Reply Manoella 21 de setembro de 2015 at 15:43

    Só não entendi o título Sam…

    • Reply Doula Sam 21 de setembro de 2015 at 16:53

      Porque muito do que é falado e exigido das mães não é o apego bom. Foge do afeto e hostiliza mães. Por isso as aspas. Essa linha exagerada e castradora, não recomendo nem quero para mim.

    • Reply Gisele Gama 7 de Janeiro de 2017 at 4:34

      Adorei a matéria. Minha filha tem 15 anos, mas tenho amigas com filhos bebês que não vida além do filho. Vou indicar o texto.

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