Parto, Receitas Naturais, Relato de Parto

Nascimento do Lorenzo -VBAC no SUS

Meu relato começa um pouco antes do trabalho de parto em si. Sempre tive muito medo da famosa episiotomia, na minha família as mulheres que pariram precisaram fazer uma cirurgia para correção do períneo devido ao corte, suas experiências também eram desastrosas, parto normal para elas era algo pré- histórico e traumatizante. Isso me assustava.

Quando grávida do Pietro eu pensava num possível PN, ainda com muito medo, mas pensava. De qualquer forma não foi possível, descobri que estava com líquido oligoidrâmnio (abaixo do normal) as 36 semanas, passei a acompanhar com a cardiotocografia dia sim, dia não se meu filhote estava bem, depois de uma ultrassonografia o médico apenas disse: _ Suas coisas estão ai? Porque você ficará internada (uuuuoou como assim!?) – não, não era graça de um médico cesarista – e Pietro nasceu duma cesárea necessária com 38 semanas.

Segunda gestação… descobri com 9 semanas que meu feto havia parado de desenvolver com 6 semanas e dois dias (com 6s+1d tinha feito a primeira US), abortei naturalmente depois de 22 dias – vivenciei um mini trabalho de parto (se é que posso falar assim… rs) – senti cólicas, contrações e vontade de fazer força até que expeli, se doeu!? Sim, mas a dor na alma era muito maior.

12004094_901132109969386_4894719987009200192_nEngravidei mais uma vez… comecei a me informar, assisti ao documentário “O Renascimento do Parto”( que lindo!), pesquisei… Ainda assim pensava: _ Só sei que esta criança vai ter que sair de qualquer forma… seja por cesárea ou por vias naturais. A barriga foi crescendo, já não conseguia carregar o filhote (não conseguia e ai de mim se carregasse, mesmo se desse) e isso me machucava… Decidi que teria um PN para uma rápida recuperação, para poder o quanto antes dar aquilo que o Pietro exigia de mim.

Participei duma visita à Maternidade e vi que muitas coisas haviam mudado, a episiotomia era usada quando realmente necessária (ufa!), eu poderia ter um acompanhante, e eu teria o direito de escolher a posição que iria parir ( #sqn). Nesse mesmo dia Caf (meu marido- o nome dele é Charles-  o cara que mais detesta partos, seja ele qual for) viu a Samara na recepção acompanhando e massageando uma gestante. _ Amor aquela é a Samara, a doula. – _ Huumm, gostei dela, ela é bem roots (foi empatia à primeira vista rs, comigo foi assim também). Expliquei o que fazia, antes de chegar no carro ele disse pra voltar e dizer a ela que a contrataríamos ( o simples fato de ter alguém para me acompanhar que não fosse ele era maravilhoso).

Eu já tinha informação, mas passei a pesquisar mais (não adianta ter o batom, você precisa abrir para usá-lo), me empoderei e tive certeza do que eu queria.

36 Semanas- estamos chegando ao final da gestação e o medo de ter o ILA baixo de novo me rondava, exames… ok (tirei o mundo das costas) – tudo caminhando para o meu PN.

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38 Semanas – Comecei a me coçar além do normal ( não era culpa das estrias) e reclamei para a médica, para descartar hipótese de colestase gestacional ( se positivo faria uma cesárea de urgência) fui fazer exames – Papai do céu que não seja nada- não era! (normal, alergias e problemas de pele são comigo mesma).

Chegamos as 40 semanas e nada do carinha ( meu maior medo aqui era o mecônio), visitas a maternidade dia sim, dia não para avaliação… 40s +3d perda de tampão, 40s +5d dois centímetros de dilatação e escuto: Segunda- feira é seu prazo limite, você completara 41s, venha em jejum e bem cedo para que o medico de plantão decida o que fazer.

Segunda- feira, 41s pela DUM ou pela primeira US, 40s+5d, o médico avaliou pela US, ganhei dois dias. Avisei a Samara… dois dias eram o que precisávamos, em dois dias tudo pode acontecer e podia mesmo…

 

 

Terça-feira 02h07min – Ai! Que coliquinha chata, dor de barriga a essa hora… Aff!  =T

Aaaai! Elas chegavam como uma onda, eram curtas e irregulares – Avisei a Samara (minha espetacular doula), agradeci a Deus… Depois de uma semana com perda de tampão e 2 cm de dilatação, com 41 semanas o meu tão aguardado trabalho de parto estava começando. =]

03h39min: _ Sam, desculpa o horário, acho que começou, sinto cólicas a cada 5 a 7 minutos, duram no máximo 30 segundos. – Conversamos por mais ou menos uma hora, nesse tempo algumas contrações tiveram intervalo de nove minutos e como eram bem irregulares poderia ser alarme falso.  =[

_ Geh, não fala nada pra ninguém, não coloca no face (e eu louca pra colocar versos da música “Anunciação” rs) – era tarde, eu tinha acabado de enviar um zapzap para a dinda Taíse (oops). Avisar o marido podia, então lá fui eu… _Amor… Marido… CAF… Acho que começou, estou tendo contrações, mas pelo jeito vai demorar (eu só não sabia que seria tanto… rs) – Caf arregalou os olhos, ficou estático e voltou a dormir.

Entrei no chuveiro, as contrações passaram a durar um pouco mais de tempo e vinham mais regulares (ebaaa =], já era um bom sinal)

A vida continua… Como não sabíamos quanto tempo levaria para chegada do caçula, Caf foi trabalhar e o Pietro para a escola.

_ Amor pede para a minha mãe pegar o Pietro na escola, diz a ela que irei à maternidade a tarde para fazer exames, não diga nada que estou tendo contrações.

8h14min: Samara: _ Noticias?

_ Doooor!!

Samara: _ Tenta dormir!

Tentei dormir. Tentei, sim tentei… Porque além das contrações, Caf não parava de enviar mensagens querendo noticias (não respondi nenhuma, eu estava TENTANDO dormir)- cochilei. Já que eu não respondia Caf apelou para a Marina, ela chegou e juntas passamos a cronometrar as contrações. Elas duravam pouco mais de 1 minuto e vinham a cada 4 minutos (uhuuull =]), nos intervalos a Mah e eu conversamos sobre tudo (menos é claro sobre o que estava acontecendo – a ansiedade estava à milhão), arrumamos minha mala e deixamos a do Lorenzo (que já estava pronta desde as 36 semanas) no jeito também.

12h: Antes de ir Marina me disse algumas palavras que foram essenciais (obrigada Mah!!); chuveiro; Caf chega com a Samara, almoço – contração de 3 em 3 minutos pensava, agora vai… rs \O/

Alegria de pobre dura pouco, as contrações espaçaram =[

Bola Suíça, massagens, dança, canta, conversa, ri, descansa no colo do marido, rebola, respira – contrações vão e vêm… Chega de bola, vamos caminhar.

_Aaaah Sam eu não vou conseguir andar não.

_Angel, você quer que sua cria nasça hoje?

_Ok. Vamos lá! =T

Caminhamos os três por quase uma hora, a cada contração – pára, respira, solta o corpo, aperta a mão dos dois e… continua (caminhando, cantando e aguardando a próxima contração rs).

_ Não estou me agüentando em pé, eu PRECISO dormir! – E sim dormi, alias, apaguei, lembro-me da Samara sustentando minha perna durante as contrações que pareciam demorar a vir (nem me importei delas espaçarem mais uma vez- eu necessitava dum descanso).

Acordei, chuveiro mais uma vez- não percebi que ali fiquei por quase três horas- mas no chuveiro era tão bom, me trazia um alivio tão grande. Contração vem e vai, papo vem e vai, risada vem e vai – eu estava bem, cansada, mas muito bem e a Sam sempre me lembrava disso.

No chuveiro as contrações espaçaram MAIS UMA VEZ (aaaff!) e um intervalo chegou a durar 20 minutos. #chateada

Quero cama – estava exausta e com frio, muito frio – Caf veio se deitar comigo, oramos… era nítido em seus olhos que ele já não aguentava a minha dor, ah se ele pudesse intervir… assim teria feito, e com certeza encaminharia a uma cesárea, afinal eu já tinha passado por uma e as coisas tinham sido muito mais rápidas e “tranquilas”– já eram 22h até aqui tinham passado 20 horas desde que tudo começou.

IMG_20151013_231950398_HDRAs 23h decidi ir à maternidade, Caf e Samara quase aplaudiram minha decisão rs. Chegando à maternidade me dei conta de que meu lindo plano de parto havia ficado em casa (para minha infelicidade). Minhas contrações ficaram mais intensas e regulares (foi instantâneo). Examina – 6 cm de dilatação  \O/- fase ativa mode: ON. Minha internação foi a 00h:02min.

Agora já pode avisar a mãe, não demorou pra ela chegar e fazer companhia ao Caf na silenciosa recepção, apenas Lorenzo decidiu nascer naquela madrugada.

Samara e eu caminhávamos pelo corredor, contração vem – respira, solta o corpo, vocaliza, agacha. Num dado momento passamos pela porta da recepção, avistei minha mãe e tive a brilhante idéia de mostrar a ela que eu estava bem e… AAAAAAI!! Doeu, e muito, passou, Samara e eu caímos no riso – mostrar a mamãe que a filhota estava bem… Fail!

Com corpo pesado perguntei a Samara: _ Será que demora? Ela não pensou duas vezes e respondeu: _ Angel você ainda está sorrindo, quando pensar em desistir pode crer que ele está chegando. =T

_Já que é assim vou deitar um pouco.

_Tem certeza que vai encarar as contrações deitada!?

_ Vão vir de qualquer jeito mesmo e eu não estou aguentando mais (comecei a ficar um tanto quanto irritada)

Dormi uns minutinhos…

_Angel, vamos para a bola…

_Não, não quero.

_Angel você está muito bem, mas precisamos incentivar a cria.

_Não quero.

_ Angel…

Cedi. Na penumbra do quarto, rebolando na bola, chorei…

_ Desisto, não quero mais, eu não agüento mais Sam… não agüento mais. (Prazer, Partolândia).

Samara me confortou, me apoiou, o que seria de mim sem ela ali. Orei, pedi a Deus forças. E me lembrei do que a Marina havia me falado:

_Geh, lembre-se que antes mesmo de você desejar ter um parto natural, Deus já havia preparado tudo, Ele estará com você em todo tempo, então apenas confie, descanse, tudo vai dar certo.

Agradeci a Deus a vida da Mah, agradeci aquele momento, agradeci por ter chegado até ali, agradeci por ter a Samara comigo…

Examina… 7,5cm (agora falta pouco \O/)

Chuveiro mais uma vez, contrações, vocalizações, agachamentos… Passaram mais algumas horas e PLOC!  Aaai, aaaai, aaaaaai, – minha bolsa rompeu e senti muita vontade da fazer força.

A Samara correu chamar a EO… Eu já o sentia chegando, faltava pouco para o nosso primeiro encontro. Antes disso porém algumas coisas chatas e um pouco frustrante aconteceriam…

A EO chegou e pediu para irmos a sala de pré-parto para me examinar (cara, eu tinha colocado a mão no chuveiro e a cabecinha dele estava ali), andar não era nada fácil mas lá fui eu, e a gentil EO ainda dizia: _ vamos rápido!  No pré-parto senti um puxo muito forte: _ ele vai cair, eu estou sentindo que ele vai cair…

Ela de braços cruzados disse: _ Deita pra eu te examinar ou seu filho vai cair no chão e não vou poder fazer nada ( sim, ela disse isso, e isso ainda ecoa em minha mente)- deitei. Tá agora leva ela pro centro obstétrico ( uma sala a 2m da onde eu estava)- outro puxo, _ Vai rápido, ela disse. Samara pediu para que eu tivesse ali mesmo, ironicamente ela (a EO) sorriu – não!

Subi na maca já de lado e com a perna puxada para traz, veio mais um puxo e senti a cabecinha dele querer sair, mas voltou. Ela não me deixou ficar daquele jeito ( eram normas do hospital- huumm engraçado, quando participei da visita à maternidade disseram que eu poderia escolher a posição mais agradável para mim… acho que as coisas mudaram né). Comecei a sentir tudo queimar, sentia vontade de fazer força e fazia, mas não era o suficiente, parir na clássica posição ginecológica era ruim, muito ruim…

Os puxos vinham, eu fazia força, mas parecia que ia me rasgar toda, e não era o suficiente… Mais uma vez a adorável EO muito gentil disse: _ Vamos mãe, ou vou cortar você.

Soltei as costas na maca, chorei e disse: Samara não quero que me cortem.

_ Ninguém vai cortar você, quando o puxo vier apenas mantenha a força, você está fazendo direitinho só precisa segurar por mais tempo.

O puxo veio, fiz força, me superei e… Ah, a cabecinha já foi, só mais uma, respira… como num escorregador Lorenzo deslizou e veio direto para os meus braços, com aquele cheirinho tão bom, cheiro de amor, cheiro de vida.

_Consegui, conseguimos filho!Não havia mais dor, apenas ele e eu. Lorenzo chegou às 4h: 55min, pesando 3.340g e 48 cm, de parto natural, sem intervenções desnecessárias, tive pequenas lacerações no períneo sem necessidade de pontos.

Samara correu para chamar o papai que entraria e num momento lindo e único após parar de pulsar o cordão ele seria cortado… ah você acreditou, não, mais uma vez a gentil EO acabou com minha alegria. O cordão foi cortado por ela mesma… nem a mim ela deu esse privilégio.

Chamaram-me de louca, de corajosa… Perguntam-me se dói, minha mãe diz que sofri… Mas vivi o momento mais intenso da minha vida, meu corpo trabalhou a cada contração, e meu filho escolheu o dia e a hora de nascer. Sim, aos 27 anos, após uma cesárea, contra tudo e todos, superando os meus medos,pari, … Renasci, Venci!

lorenzo

Estrito pela mãe Angélica de Freitas

Diva Parideira

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