Doula atuando
Doula

Doula, jogue fora sua bolsa

Eu aqui sou cheia de manias desde 2014, quando fiz o Revelando Doulas, minha maior preocupação a partir desse dia passou a ser montar a minha “Bolsa de Doula”

Pesquisei várias coisas que poderia utilizar: elásticos para o cabelo da gestante, touca para banho, pente, óleos essenciais caros, óleos vegetais puros para massagear, bolsa térmica, bolsa de sementes, redinha para pescar , luz colorida para usar como terapia alternativa, caixa de som portátil com wifii, bolas suiças, livros de orientação, Epi-no que pedi para trazerem direto da Alemanha…

Passei a estudar muito também, quase em uma corrida contra o tempo, estudava um assunto e publicava minhas descobertas no blog, em um caderno a parte fazia minhas marcações que deixo guardadas para estudos depois.

Aos poucos fui reduzindo meu arsenal, nunca gostei mesmo de levar muitas coisas comigo seja dentro ou fora do parto.

Mas eu tinha um apego ímpar pelos meus óleos essenciais… Ah como eu acreditava que eles eram mágicos!

 

Laranja para dar energia e reduzir enjoos

Lavanda para relaxar e descansar

Gerânio para liberar as emoções

Hortelã pimenta para auxiliar nas dores musculares de ombros, quadris, pernas e braços

Sálvia esclareia, a mágica expulsadora de bebês e placentas que demoram a dequitar

 

Até o dia, o lindo dia, em que um bebê adiantou seu nascimento e meus óleos preciosos tinham acabado. Minha encomenda ainda levaria uns dias para chegar…

Cheguei na casa dela triste, angustiada. Como eu ia oferecer um bom trabalho seus meus óleos?

Pedi desculpas logo de cara. Ela sorriu e disse que tudo bem.

Eram 4:30 de uma manhã úmida quando o Frederico resolveu nascer. Ficamos todos muitas horas juntos. À noite ele foi recebido e ninado nos braços dos pais.

Durante todo esse período me peguei correndo os olhos para a minha bolsa desejando ter uma das minhas poções secretas, eu precisava delas. Até que um momento eu percebi isso.

Era eu quem precisava.

Foquei na parturiente, foquei nela, na sua força e no seu cansaço. Me entreguei ali sem pensar em concertar nada, ajudar nada, não havia nada que eu tivesse para melhorar. Ela dançava e cantava sua própria música de parir, cabia a mim apenas acompanhar seus movimentos e amparar quando ela precisasse.

Foi o que fiz.

Dias depois voltei vê-los com um medinho por dentro semelhante a quando somos criança se sabemos que fizemos algo errado, fui esperando algum feedback negativo sabe? Conversamos bastante eu e a mãe sobre a ultima semana, sobre o Fred, sobre o parto.

E confesso meus olhos marejaram tanto que as lentes dos óculos se tornaram embaçadas, algumas lágrimas escorreram ao ouvir dela: “SAm, sua presença fez toda diferença, eu sabia que estava tudo bem de olhar para você e ver a sua calma. E mesmo quando eu não acreditei em mim você estava lá sorrindo, acreditando mais do que eu.”

Não foram meus óleos, nem minhas massagens, nem meu rebozo lindo que comprei no Siaparto desse ano. Foi a presença e a segurança.

Obrigada Luiza, por essa linda lição:

A ferramenta mais importante de trabalho de uma Doula fica do lado de dentro.

Bebe não passa da hora
Gestação

Quando a gravidez acaba

Engravidar são duas alegrias, vamos ser bem sinceras, uma quando acontece e a segunda quando pegamos o bebê todo lindo e quentinho nos nossos braços.

Ok, ok, grávidas são lindas, a gestação é um momento único, muito amor envolvido etc e tal. Mas chega a trigésima semana de gestação a gente já não vê mais a hora dessa criança abençoada nascer e a gente voltar a usar todas as roupas de antes de engravidar botar a cara no mundo.

Ter filhos é legal, estar grávida “pra sempre” não é tanto não.

Que mulher nesse mundo não olhou na net aquele colchão inflável com um circulo vazado no centro e pensou “Preciso!” baseada 100% no prazer de dormir de bruços?

Verdade seja dita, as ultimas semanas são uma série de desconfortos físicos, como crocância de todo o esqueleto, inchaços, falta de ar, bebê pelo amor de Deus saia de baixo da minha costela, com uma pitada de ansiedade nossa e uma enorme de todos os parentes, amigos, vizinhos e porque não, desconhecidos também.

Afinal, quando esse bebê vai nascer?

Quando a gente escolhe o parto normal, praticamente rí das reações das pessoas à essa resposta

“Olha, a previsão é dia 10 de novembro, mas pode nascer a qualquer momento entre 20 de outubro e 20 de Novembro… Sim, eu sei que hoje é dia 25 de outubro… não, não precisa! Juro que estou bem, não precisa me levar pra casa não…”

Nos tornamos verdadeiras “bombas” prestes a explodir. Bem… pelo menos somos vistas assim.

Acontece que, a partir das 37 semanas de gestação o bebê realmente já pode estar pronto e nascer, o intervalo de normalidade vai até 42 semanas de gestação.

Q-U-A-R-E-N-T-A    E     D-U-A-S

O que a maioria dos médicos nos passam durante o pre natal é a nossa DPP, data improvável do parto, que é uma data onde o bebê tem maires chances de nascer. Chances, tá?

Até porque se a gestante teve uma ovulação tardia por ex isso não será contabilizado, não vamos nem saber. Então o bebê que nas nossas contas tem 40 semanas tem na verdade 38 semanas de gestação.

Pareceu confuso?

Vou mostrar então em gráficos quais as chances do seu bebê nascer em cada semana

Quando o parto acontece

Quando o parto acontece

Agora facilitou, não é?

Perceba que mais de 50% dos bebês nascem entre 39 e 40 semanas (40 semanas e 6 dias ainda são “quarenta semanas”) e os demais tem uma porcentagem pequena.

Inclusive os nascimentos depois das 41 semanas.

Por isso vale a pena já na 37 semana de gestação termos definido:

  • Local de parto
  • Equipe clínica que vai te assistir/acompanhar
  • Doula
  • “Mala de maternidade” pronta, inclusive se o parto for domiciliar

Caso a sua família, seja meio ansiosa e essa coisa de “não ter data” possa causar um climão ruim com os parentes no almoço de domingo, dica de amigona, fale para todos que a sua data para o bebê nascer é a limite estabelecida por você e sua equipe.

Sim, vocês podem e devem conversar sobre isso. Até quantas semanas você está afim de aguardar que o parto normal se inicie sozinho?

Tem muitas mulheres que tem as 41 semanas como limite pessoal e a partir daí optam por induções, que são aliás uma alternativa bem bacana nesse período gestacional.

Ser mãe é um aprendizado gigante, começamos assim, aprendendo a esperar nossos pequenos estarem prontos pra vida no mundão aqui fora, e é só o começo.

 

 

Fontes: Induction of labour in women with normal pregnancies at or beyond term (http://www.cochrane.org/CD004945/PREG_induction-of-labour-in-women-with-normal-pregnancies-at-or-beyond-term)

Duração da Gestação (http://www.partolandia.com.br/single-post/2014/11/04/ESTAT%C3%8DSTICAS-Dura%C3%A7%C3%A3o-da-gesta%C3%A7%C3%A3o)

Estudando a gravidez prolongada (http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/estudando-gravidez-prolongada.html)

Mãe rainha
Maternagem

Mãe- a rainha da Po*** toda

Nós temos o instinto materno…

Quando nasce um bebê também nasce uma mãe

A mãe sabe, sente dentro dela o que o bebê precisa

 

Olha, pode ser verdade para alguma mulher, mas nenhuma dessas frases representa a maternidade real. Não.

Mães são rainhas, Deusas e se tornam absolutas. Rainhas da Po*** toda!

Mas não, ninguém nos entrega um reinado, uma coroa cravejada de papinha e alguns fios brancos, assim de mão beijada. Conquistamos a realeza da maternidade com a audácia e loucura dignas de Ragnar Lodbrok, com tempos de calmaria e festa e lutas gigantescas.

Ragnar para inspirar seu dia

Ragnar para inspirar seu dia

Começamos logo na gestação, encarando sombras e esqueletos escondidos no meio dos nossos próprios medos e inseguranças.  Vencemos, cada uma a sua forma. SIM NÓS VENCEMOS SEMPRE.

Criança nasceu, o parto passou (ufa! o dia mais temido e esperado dos últimos quase dez meses)

É agora que você deveria chegar em casa, ser recebida com tapete vermelho, flores frescas, agua aromatizada geladinha do lado da cama.

Mas a maternagem, minha querida amiga, a maternidade SIM é uma caixinha de surpresas. E logo de cara temos um reino para conquistar e ele se resume ao ser pititico nos seus braços.

A primeira batalha, sem sombra de dúvidas é a amamentação;

Se mantenha tranquila, o bebê é capaz de sentir suas emoções e vai reagir à elas

Não exite em tirar o peito da boca do bebê, não tenha piedade, esses olhos grandes e lindos não devem te tirar do foco: Uma pega perfeita.

Oferece peito, tira peito…

Faz bocão…

Olha a boca de peixinho! Conseguiu!

A Segunda batalha, sem dúvida alguma é contra a exaustão, o bebê pode ficar um número incrível de horas plugado no seu peito, eu sei, não tem jeito ele precisa disso, precisa de você e você precisa dele e mais uma ou duas semanas de sono ininterruptas.

Esse é o ponto onde se pede apoio, onde já se viu uma grande rainha sem súditos?

Marido, parceiro, amiga, mãe, sobrinha, doula.

Vale ajuda de todos.

Não para cuidar do bebê, isso eu sei, você sabe, que pode fazer com maestria.

Mas aquela força para deixar as roupas em ordem, a casa arrumada, supermercado em dia é fundamental! Assim quando o bebê dormir, você pode dormir também o sono dos justos.

Terceira e pior luta é contra os “E SE’S”, “E se ele não está ganhando peso suficiente”, “E se esse coco não é saudável”, “E se ele dormir demais e não mamar nas próximas 3 horas”, “E se ele adoecer”.  Amada… são tantos E SES que podem vir na nossa cabeça cansada, não é verdade?

Mas isso tudo é amor, é amor demais da conta que a gente tem no peito, amor tão grande que quer ser maravilhosa e evitar que qualquer coisa não seja menos do que FABULOSA na existência daquela pequena criatura que você pôs no mundo.

Acontece que você, rainha da po*** toda, não tem esse poder. Porque a vida é pra ser vivida e aprendemos isso desde o inicio.  Para um bebê muitas vezes um pum é incomodo. Crescer dói, a gente aprende com erros, com tentativas e falhas, surpresas. Com seu bebê não vai ser diferente.

Sua função nessa vida não é colocá-lo numa bolha protetora, mas estar de braços abertos para acolher quando eles precisarem, orientar, ensinar e deixar ir. Deixa viver.

Antes de se angustiar, olhe para seu bebê, sinta sua temperatura, seu cheirinho e pergunte para você mesma, mais uma vez: tem realmente alguma coisa errada aqui?

Nessa fase o apoio de outras mães é fundamental, ninguém entende melhor uma mãe do que outra, principalmente se estiverem travando a mesma batalha. As vezes tudo o que a gente precisa é só desabafar.

As lutas seguem, há quem afirme que os primeiros 50 anos de maternagem são os mais complicados, mas que depois disso tudo segue com muita serenidade.

Ainda bem!

 

 

Leite Materno
Amamentação, Saúde

Nosso TOP 10 curiosidades sobre o LM

“GOT MILK” foi uma campanha norte americana que literalmente estimulava o consumo de leite com celebridades das telonas ostentando um lindo bigodinho branco.

o-gotmilk-facebookE é nessa linha divertida e saudável que vou falar hoje sobre o Leite Materno e algumas maravilhas curiosidades.

(Para não ficar repetitivo aqui, vou usar a sigla LM para leite materno, ok?)

 

 

  1. A OMS recomenda que até os 6 meses de idade o bebê consuma LM exclusivamente e que continue a consumir até pelo menos os dois anos de idade
  2. Você pode utilizar o LM para cicatrizar assaduras, depois de lavar o bumbum do bebê com água e sabão passe algodão embebido em LM nas partes vermelhas e deixe sem fralda por alguns instantes Tira com a mão todo vermelhão
  3. Sabe aquela conjuntivite chata que a maioria dos bebês tem quando nascem? Algodão com LM nela, sempre passar do sentido das têmporas até o nariz e não utilizar o mesmo algodão para os dois olhos
  4. SEDE, sim melhor forma de bebês matarem sua sede é com o leite anterior (o primeiro que sai) que costuma ser rico em líquidos e nutrientes mas com baixa concentração de gordura
  5. Engorda, depois do primeiro leite que mata a sede, o corpo produz o leite Posterior, rico em gorduras e maravilhoso para auxiliar no ganho de peso do bebê. Você pode inclusive ordenhar um pouco a mama para descartar o primeiro leite e oferecer o peito em seguida.
  6. Melhor remédio do mundo, é beijo de mãe seguido de LM. Quando a mãe beija o bebê absorve também vírus e bactérias presentes, isso faz com que seu corpo produza anticorpos específicos que PASSAM DIRETO PARA O LEITE e fazem o bebê sarar rapidinho . Mães são farmácias ambulantes.
  7. Mães adotivas e até avós são capazes de produzir LM, através do auxílio de uma sondinha e um copo com leite, processo conhecido também como Relactação através de sonda.
  8. O Colostro, primeiro leite que sai após o parto, é riquíssimo em anticorpos e essencial para a saúde do recém nascido que tem seu sistema imunológico completamente em branco.
  9. Apojatura , ou descida do leite, pode acontecer até 7 dias depois do parto.
  10. Quanto mais o bebê mamar, mais o peito vai produzir leite (isso vale para qualquer tipo de retirada do LM)

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Incrível, não é? E tudo isso sendo produzido no nosso corpo gratuitamente e na melhor qualidade. Não tem complemento no mundo que supere o Leite Materno.

 

Se você quer ler muito mais sobre indico o GVA (Grupo Virtual de Amamentação) Blog incrível que aborda a amamentação com embasamento cientifico e muita empatia.

beleza
Empoderamento

O seu corpo é lindo

Talvez ao longo da sua vida tenha visto sempre alguém mais bonita que você, seja a atriz na novela, ou em capas de revista.

Talvez tenha tido relacionamentos em que não se sentiu tão bem, se não estivesse sempre maquiada, bem depilada, perfeitamente penteada e no peso ideal.

Mas você é e sempre foi linda.

A gestação vai mudar seu corpo, mas não a culpe, o tempo iria de qualquer forma.

Mas você talvez não se reconheça nos quase dez meses que se seguirão.

Suas formas ficarão arredondadas, os seios fartos, o nariz “batatinha” e talvez algumas estrias apareçam, seus cabelos também vão mudar, ficarão absurdamente brilhantes, a pele “de pêssego”

E você, mesmo não se reconhecendo ao olhar no espelho, estará na fase mais deslumbrante da beleza mamífera, feminina, visceral.

Talvez ainda não tenha percebido que sua beleza vem de dentro. Da sua força em seguir em frente, de ser ouvida e respeitada. Da luta e do amor que é feita e agora transborda.

Hoje só vim para te falar mesmo que você está, é e sempre foi LINDA.

tampao
Sinal de Trabalho de Parto

Meleca e sangue? Tampão!

Toda Doula “é meio maluca”, tem seus trejeitos, tem sua personalidade bem delineada, sua forma de trabalhar e servir.

E tem também suas manias e amores no mundo do parto/doulagem.

Quem me acompanha no facebook sabe que a minha maluquice, amor, xodó, apego, encantamento é por TAMPÕES.

“Mas SAm, como assim?”

O Tampão mucoso é das coisas mais incríveis que podem existir antes do parto. Vou explicar aqui rapidinho e aposto que até o final do post você vai estar/ser tão apaixonada por eles quanto eu. Vamos lá.

O QUE É O TAMPÃO

Colo do útero grosso e sem dilatação

Colo do útero grosso e sem dilatação

Ele é nada mais, nada menos, do que uma “rolha” feita de meleca semelhante a muco nasal (vulgo ranho/meleca de nariz) Sim!

A função principal do tampão é proteger o interior do útero de qualquer bactéria ou sujeira que possa existir fora dele. O colo do útero tem naturalmente uma abertura pequena, que é vedada pelo tampão durante toda a gestação.

Ele pode ser transparente, levemente esverdeado ou amarelado.

A consistência também pode variar, para bem liquido (semelhante ao período fértil) ou bem espesso, parecendo uma gelatina.

 

 

 

 

 

 

AI que nojo, quando isso sai?

Colo do útero dilatado- ou apagado

Colo do útero dilatado- ou apagado

Deve ser até crime em algum país desse mundo ter nojo do tampão, não fala assim poxa.

Como ele tem função protetora e serve como uma rolha vai sair conforme o buraquinho que ele protege ampliar.

OU SEJA! <3 

O tampão é dos primeiros sinais que a gente pode ver fácil fácil que o parto está próximo e que o o colo do útero já começou a se preparar para o parto.

Já se apaixonou por ele?

Não?

Calma, tem ainda mais!

O colo do útero quando dilata costuma ter um leve sangramento, o tampão como reveste todo o colo internamente vai sair em maior quantidade e com filetes ou bem ensanguentado nesses casos.

O tampão é uma forma simples de você saber que seu parto está evoluindo e que está tudo bem.

Dá para termos uma noção de como “as coisas estão” só através da observação

Pouco muco no papel e transparente: Provável que ainda leve algumas semanas para o parto

Pouco muco e marrom: Provável que o colo tenha trabalhado um pouco, através de contrações de treino ou mesmo pelo peso do bebê. Nada com o que se preocupar.

Muito Muco sem sangue: EBA! Está perto, provável que o parto ocorra em até uma semana.

Muito Muco com sangue: Provavelmente colo está dilatando consideravelmente, se a mãe não está sentindo nenhuma contração provável que comece em pouco tempo, o parto pode ocorrer nas horas/dias que seguem.

 

E essa é minha -ainda humilde- coleção de tampões, cada um deles enviado pelas donas como presente que eu óbvio amei. Manda mais que tá pouco ainda gente!

fogueira
Doula, Parto

Um resgate do acolhimento, a Doula e o nascer

Entre os grandes Mistérios, o parto foi por muito tempo o maior e mais bem cuidado pelas mãos femininas.

Eram através delas que a vida se fazia fluir dentro de suas casas, mulheres amparadas por irmãs, mães, filhas, observadas atentamente por uma outra, aquela que conhecia ervas, que acompanhava o luar e as estrelas no céu para se guiar.

A operação cesariana na Antiguidade só era praticada após a morte da parturiente, com a finalidade de salvar o feto ainda com vida. Desde 700 a.C. a lei romana proibia os funerais de toda gestante morta, antes que se fizesse a cesárea para retirada do feto. Os fetos que nasciam com vida eram chamados cesões ou césares (Vieira, 1871-1874).

A primeira cesárea realizada em mãe viva foi realizado ). Foi realizada em 1500, em Sigershaufen, pequena cidade da Suíça, por Jacob Nufer, em sua própria esposa. Jacob Nufer não era médico e nem sequer cirurgião-barbeiro. Era um homem simples do povo, habituado a castrar porcas.

Mesmo assim, a cesárea só foi ganhar popularidade no século XVIII e apresentava índices muito baixos de sobrevivência mãe-bebê.

No Brasil, nosso amor pela cesariana é creditada ao dr. José Correia Picanço, barão de Goiana, tendo sido realizada em Pernambuco no ano de 1822.

Mesmo assim o conhecimento passado através de gerações às parteiras ainda resistia.

Nosso histórico de violência obstétrica é centenário, começa em meados de 1894, com a inauguração de uma ala exclusiva para atendimento de gestantes na Santa Casa de São Paulo.

Era na maternidade que os médicos tinham seus primeiros contatos com partos reais, e era também lá onde as irmãs responsáveis faziam o possível para que a experiencia daquelas mulheres (pobres) fosse tão ruim a ponto de nunca mais quererem voltar. Sujeira, maus tratos, lençóis reaproveitados e escassez de alimentação. O parto hospitalar era “coisa de pobre”.

Parir nos hospitais na época era o que apenas mulheres sem recursos, prostitutas, viúvas, mães solteiras, enfim, toda a sorte de mulher renegada pela sociedade, tinham a recorrer. Com atendimento muitas vezes precário e alto índice de morte  materno-infantil por causa de infecções. Era um ambiente tudo, menos acolhedor.

Apesar dos poucos registros sabe-se que mesmo já em 1930 (em São Paulo) 85% dos nascimentos haviam sido domiciliares e acompanhados por parteiras tradicionais, 10% dos nascimentos haviam sido domiciliares com assistência de parteiras formadas e apenas 5% dentro dos hospitais.

Precisou de uma intensa política de incentivo governamental para que o ambiente hospitalar fosse o escolhido como melhor pelas parturientes.  Movimento social, politico e (como não) econômico que acabou resultando em partos na maioria hospitalares  nos anos 70 onde 15% dos nascimentos eram através de cesárea.

Em 10 anos esse numero já tinha duplicado.

Os partos seguros saíram de dentro das casas, escolheu-se os ambientes estéreis, o tempo foi otimizado, passou-se a dar mais confiabilidade à encubadoras do que aos corpos femininos para gerar.

Até meados de 2000 quando voltou-se a discutir a melhoria na assistência, se realmente os ambientes hospitalares eram os ideais, se o parto era realmente um evento CLÍNICO e não familiar.

Foi quando a figura da Doula, já quase esquecida no tempo, também é resgatada.

A mulher que Serve.

A mulher que serve a mulher que pari.

Aquela que apoia

Mas como será que as mulheres modernas recebiam essa figura? Como se sentiam em relação à esse acompanhamento?

Despretensiosamente divulguei um pequeno formulário para conhecer um pouco sobre a atuação das doulas de uma forma mais ampla, durante o trabalho de parto.  As perguntas e respostas foram compartilhadas através da rede social do joinha e você pode conhecer todas as perguntas aqui.

Acontece que para minha surpresa recebi não uma ou duas, quase 1.000 respostas!

Grande maioria das mulheres conhece sua Doula durante a gestação, por indicação de uma amiga ou através de grupos de apoio à gestação de sua cidade, e definem o acompanhamento já no segundo trimestre.

Talvez por isso, quando questionadas sobre o atendimento a opção de maior identificação tenha sido  essa

80% das mulheres afirmaram que a Doula fez tudo para que ela se sentisse confortável e segura. 79% das mulheres afirmaram que a presença da doula tranquilizou a ela e ao marido durante o trabalho de parto

Muito além de conhecimento sobre leis, orientações, massagens os vínculos de confiança formados entre casal e Doula se mostraram muito importantes. Reafirmando bom e velho “Doula não faz parto, faz parte”.  Acolher tem sido o maior papel desenvolvido por elas (nós!).

E a amamentação?

Doulas não são clinicamente capacitadas para avaliações, porém muitas recebem durante a formação informações suficientes para apoiar a amamentação, orientar massagens de alívio e ordenha, como armazenar o leite materno e como oferecer ele ao bebê.

70% das mulheres receberam de suas Doulas estímulo à amamentação exclusiva e orientações sobre amamentação, variações de posições possíveis e como poderiam observar se a forma que o bebê mamava estava legal ou não

Impressões recebidas, ficou a dúvida, de forma geral elas contratariam novamente uma Doula no próximo parto?

97% das mulheres entrevistadas disseram que sim

Dessas mulheres que contratariam novamente, 94% acreditam que ter mãe, sogra, amiga, conhecida, no parto não substituiriam a doula e não trariam a mesma tranquilidade e segurança. O acompanhamento teria que ser feito por uma Doula profissional.

E para fechar a enquete, elas poderiam falar qualquer coisa anonimamente para sua equipe, ou sobre suas experiências:

“Tive dois partos normais completamente diferentes e atribuo a diferença à presença da doula. O primeiro teve várias intervenções desnecessárias e o segundo foi completamente natural, como desejado. A confiança no meu corpo trabalhada durante a gestação e trabalho de parto foram essenciais. Saí do parto querendo parir de novo de tão bom que foi! “

“Acredito que muitas mulheres quando estão gestando, se foi uma gravidez planejada ou não, por falta de informações, se encontram em situação de medo, levando-as a optarem por uma cesarea sem necessidade, no meu caso, ter acompanhamento de uma doula me fez acreditar em nossa capacidade de parir, e enxergar os diversos caminhos positivos para um parto normal, sem medo.”

“Fui livre, amparada, ouvida e amada durante todo o processo pré, intra e pós parto. Presença, confiança e calma fundamentais.”

“Apesar do meu parto ter se encaminhado para uma cesárea de emergência(nunca saberei se realmente necessária), graças as informações que obtivemos da minha doula, tivemos um pós-parto muito respeitoso e meu bebê ficou comigo o tempo.”

Fontes: A Primeira Operação Cesariana em Parturiente Viva http://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-19.pdf

A operação Cesárea no Brasil. Incidência, tendências, causas, conseqüências e propostas de ação  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1991000200003 

Migração de Partos Domiciliares para ambiente Hospitalar http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-311X2003000100024&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Assistência ao parto: do domicílio ao hospital (1830-1960) / Child birth care: from home to the hospital http://pesquisa.bvs.br/brasil/resource/pt/his-8989

http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/viewFile/10588/7878

 

depressão gestacional, puerpério
Gestação, Maternagem, Puerpério, Saúde

Depressão e Maternidade – Vamos falar sobre isso?

Engravidar, no consenso geral, é sinônimo de alegria.

Ah que bonito!

Uma nova vida sendo gerada, uma família que está crescendo.

Acontece que junto com esse novo ser, cheio de fragilidade e amor, vem uma série de mudanças intensas na vida de todos os diretamente envolvidos. Principalmente na vida dessa mulher que no decorrer de 9 meses deixará de ser filha para se tornar mãe e plenamente responsável por outra vida além da sua.

Sentimentos como ansiedade, angustia, insegurança, medo, solidão, parecem não fazer parte do vocabulário aceitável da gestante para os outros meros mortais.

Não podemos senti-los?

Podemos sim! Podemos muito e deveríamos poder falar sobre esses sentimentos abertamente.

Infelizmente são poucos os ambientes que vão acolher sem julgamentos, mas o erro é deles, não nosso.

No pós parto, com noites seguidas mal dormidas, alterações corporais e hormonais a avalanche de sentimentos pode se tronar ainda mais intensa e densa.

Vamos ser honestas? Parece que parte da gente morreu, morreu e se perdeu. Agora dentro da gente (daquela barriga ainda grande e oca) vive um luto, embebido em lágrimas e leite.

E tudo bem. Ninguém é monstro por isso ou uma péssima mãe.

Aqui o que salvou de me afogar dentro de mim mesma e do monte de expectativas e cobranças que colocaram e coloquei sob mim e a maternagem no geral foi falar.

   1- Primeiro parei de mentir para meu médico, dizendo que estava tudo bem

“Olha Dr, tá HORRÍVEL, mas ta ruim MESMO. Eu estou com medo, acho que não vou dar conta, estou comendo compulsivamente e todos os dias eu choro pelo menos por uma hora. Me odeio por sentir assim e sei que faço mal a minha bebê estar assim, não aguento mais”

2- Depois falei para meus amigos (Aliás foram meus amores, me acolheram de uma forma que ainda hoje meus olhos ficam marejados)

“Não to bem gente, não quero sair para balada com vocês mas me sinto só. Será que rola fazer coisas em casa como “esquenta” e dai vocês saem?”

 3-Abri a real para minha família

“TudoQueVocêPodeImaginar e muitas muitas lágrimas”

 4- Encontrei um terapeuta para chamar de meu

Mesmo que todos ao meu redor aparentemente tenham me entendido, não eram pessoas imparciais, que poderia falar o que eu sinto sem medo de ferir os sentimentos deles ou ser julgada. Eu precisava disso, precisava por para fora e as sessões de terapia foram maravilhosas para minha saúde física e emocional.

 5- Entendi e aceitei  

  • Que a gestação e maternagem não é comercial de margarina.
  • Tudo bem chorar, minha filha não seria infeliz por isso, só ia saber que a mãe dela é humana
  • Que meu empoderamento teria que ser para tudo na minha vida, porque eu mesma era minha maior força
  • Ficar de pijama por dias seguidos, tudo bem, mas banho e escovar os dentes é fundamental
  • Estava passando por uma fase dura como nenhuma outra que já tinha vivido até então, mas muitas outras mulheres também passaram pela mesma fase e conseguiram seguir em frente, tinha fim! A minha também teria.

 

Bem, esse foi daqueles textos doloridinhos para sair… mas que aqui me aliviou a alma, mais uma vez, falar sobre isso. Espero que minhas palavras tenham chego ai em forma de abraços demorados e um sincero “estamos juntas”. Depressão gestacional, Baby Blues, Depressão pós parto, fazem parte do pacote, mas nunca deveriam ser enfrentados sem apoio.

 

 

 

 


 

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Têm se a estimativa que no Brasil todos os dias em média 35 pessoas cometam suicídio todos os dias, o que o torna mais letal do que o Câncer e a Aids no nosso pais. 9 a cada 10 suicídios poderiam ser evitados, com conversas francas e apoio de profissionais qualificados.

Fonte: http://www.setembroamarelo.org.br/


 

Bolsa rota
Empoderamento, Sinal de Trabalho de Parto

A bolsa estourou, mas o parto não rolou

Vamos repetir um mantra juntas?

BOLSA ROMPIDA NÃO É SINAL DE TRABALHO DE PARTO

BOLSA ROTA NÃO É SINAL DE TRABALHO DE PARTO

A BOLSA ESTOURAR NÃO SIGNIFICA QUE O TRABALHO DE PARTO COMEÇOU

 

A rotura das membranas, não significa isoladamente que o trabalho de parto se iniciou. Isso é um mito muito difundido, pela televisão, pela população em geral.

Mas Sam, minha bolsa rompeu, e ai? O que acontece??? 

Acontece, que 70 a 80% das mulheres entram em trabalho de parto de forma espontânea até 12 HORAS depois do rompimento da bolsa  :)

De acordo com Melania Amorim, existem duas formas de encarar esse quadro

1) De forma Ativa, com indução do parto

2) Forma Expectante, aguardando o inicio do trabalho de parto espontâneo

Esses processos podem levar até 4 DIAS para “engrenarem” nesse período – a partir das 12 horas de rotura- o ideal é monitoramento fetal e materno, vitalidade, mudanças de temperatura, presença-ou não- de mecônio.

E porque exite tanto medo ao redor da bolsa rompida?

1: A gente desacostumou com o que é normal em parto normal

2:Como a membrana está rompida o risco de infecções aumenta, e gira em torno de 2% a 3% neonatal e de 4% a 8,6% nas mães (Sendo os maiores valores quando se esperou até 4 dias o inicio de trabalho de parto espontâneo)

O que fazer então?

1: Evitar ao MÁXIMO qualquer exame de toque, principalmente fora de trabalho de parto, quanto mais exames, maiores as chances de desenvolvimento de infecção.

2: Manter a calma, com a consciência que o parto pode demorar muitas horas para iniciar

3: Monitoramento da vitalidade fetal (bebê esta se mexendo normalmente?)

4: Alimentação normal a cada 3 hora no mínimo

5: Se manter hidratada

6: Avaliar os riscos e vantagens da indução, você pode escolher, faça isso de forma consciente.


 

Glossário da “bolsa estourada”

Amniorrexe prematura = ruptura da bolsa das águas (perda de líquido
amniótico) ANTES de se iniciar o trabalho de parto. Inclui todos os casos em que o trabalho de parto não se desencadeia nas primeiras duas horas depois da ruptura.

Amniorrexe precoce = ruptura da bolsa das águas no início ou até
duas horas antes do trabalho de parto.

Amniorrexe prematura A TERMO = a bolsa se rompe antes do início do trabalho de parto mas a gravidez já atingiu ou ultrapassa as 37 semanas de gravidez.

Amniorrexe prematura PRÉ-TERMO = a bolsa se rompe antes do início do trabalho de parto ANTES de 37 semanas de gravidez.

Corioamnionite = infecção da câmara âmnica, ou seja, das membranas e do líquido amniótico. Pode complicar os casos de bolsa rota prolongada e é mais freqüente quanto maior for o número de toques e maior o tempo entre o primeiro toque e o parto.


 

Fontes: http://parir.blogspot.com.br/2006/12/sobre-tempo-de-bolsa-rota.html

http://estudamelania.blogspot.com.br/

http://luzdavidagravatai.blogspot.com.br/2011/11/bolsa-rota-qual-conduta-adequada.html

massagem para gestantes
Diversão e Relaxamento, Doula

Massagem reduz tempo de duração de parto

Acompanhar a mulher durante a gestação e parto é muito mais que uma função ou profissão, é sem dúvida um dom acompanhado de muito estudo.

 

E não existe coisa melhor do que massagem de doula.

Durante a gestação

  • Auxilia no relaxamento
  • São profissionais que conhecem a fisiologia do parto e que não realizarão manobras que interfiram no bem estar mãe-bebê
  • Conhecem os pontos de maior tensão e como aliviá-los
  • São capazes de orientar acompanhantes e parceiros em como aliviar as tensões também em casa
  • A doula pode realizar as massagens juntamente com exercícios de respiração e aromaterapia para potencializar os resultados
  • Ajudam a diminuir inchaços, muito comuns no terceiro trimestre

Durante o trabalho de parto e parto

Nem toda mulher gosta de ser tocada durante o trabalho de parto, isso é importante sempre lembrar, mas para quem gosta um estudo global (Klaus & Kennel, 1993), aponta  que a presença da Doula no trabalho de parto traz benefícios eficientes também para a redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural.

  • Auxilia no alívio das dores durante o trabalho de parto
  • Proporciona relaxamento e diminuição da ansiedade
  • Auxilia no bom posicionamento do bebê
  • Aumenta o vinculo entre o casal (em vista que os movimentos são ensinados também ao acompanhante)
  • Podem auxiliar na redução do tempo do trabalho de parto (mãe relaxada, trabalho de parto fluído!)

 

Durante a Amamentação

As mãos de fada auxiliam até nesse momento único, apesar de pouco falado sobre o assunto a doula pode também auxiliar a tornar mais fácil e prazeroso essa fase quase esquecida durante a gestação.

  • Pode ensinar a mãe massagens de alívio de dores nas mamas
  • Auxilia na ordenha
  • Pode ajudar a aliviar tensões musculares em braços, ombros e pescoço. Além de indicar posições favoráveis para que elas deixem de existir.

 

Não é a toa que as Doulas são conhecidas por suas mãos de fada <3