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Doula

Diversão e Relaxamento, Gestação

Meu segredo para iniciar o parto

Final de gestação, entramos na fase da eternidade. Nada parece durar mais que a gravidez, nem mesmo as propagandas do Spotfy.

Acontece que mais de 60% das mulheres vai entrar espontaneamente em trabalho de parto a partir das 39 semanas (maioria depois das 40!). É preciso desapegar da data (im)provável de parto que recebemos no primeiro ultrassom e lembrar que o bebê nasce quando o pulmão dele está maduro suficiente para funcionar bem no mundo externo.

Dito isso, fora as induções medicamentosas ou mecânicas que são feitas dentro do ambiente hospitalar, vou te contar algumas dicas que eu vejo funcionar muito bem por aqui .

1: Uma coisa que mulher com gestação a termo não é, é OBRIGADA a nada. Nem a caminhar, dançar, namorar, arrumar a casa. Nada mesmo.

2: A ansiedade costuma aparecer e tem um time forte de apoio, com ligações e mensagens até de quem você não lembra que existe perguntando QUANDO O BEBÊ VAI NASCER. Recomendo fortemente: Minta a data. Diga que o parto está previsto para 2 semanas depois da data real. Vai manter a torcida mais calma e você em paz por mais algumas semanas.

3: Foque em você. Só você. Procure fazer coisas que te relaxem e te façam feliz. Atividades manuais são ótimas para isso por prenderem sua atenção completamente.

4: Relaxe e esqueça do parto! O principal hormônio para o trabalho de parto é a Oxitocina (hormônio do amor) mas para o parto acontecer precisa existir a combinação dele com a Prostaglantina (exerce função de hormônio e é liberada quando relaxamos profundamente).

Você pode experimentar essa receita base de escalda-pés para auxiliar no seu relaxamento <3 Se você for alérgica a algum item não utilize.

Em uma bacia grande o suficiente para servir seus dois pés confortavelmente e alta misture:

*Água quente, na temperatura suportável que não te queime e cubra completamente seus pés
*Um punhado de sal grosso
*Duas colheres de flores de Camomila frescas
*Uma colher de Hortelã, fresca ou desidratada
*Uma colher de Lavanda, ou 15 gotas de óleo essencial de Lavanda
* 3 flores de Anis Estrelado

Deixe os pés submersos até que a água esfrie, pode colocar mais água quente para ficar por mais tempo se quiser. Aproveite esse tempo para ouvir suas musicas preferidas, praticar a respiração abdominal profunda, conversar com seu bebê ou simplesmente tirar um cochilo 🙂

Doula, Gestação, Parto

Como escolher a Doula?

Qualquer movimento de apoio ao parto humanizado por esse Brasilzão lindo vai falar das Doulas, como elas podem ser um apoio muitas vezes essencial para que o parto seja um momento inesquecível  para o casal. Mas a escolha certa pode fazer toda a diferença.

Mais do que um gasto ou uma pessoa a mais ao seu lado, a Doula ideal é aquela pessoa em quem você confia e se sente segura em ter por perto.

Como escolher?

Indicações

Sua amiga teve uma Doula? Pergunte sobre o parto como foi, como foi a atuação e principalmente pergunte o que essa amiga não gostou no atendimento. O que foi bom para ela pode não ser para você e o mesmo vale nos pontos que ela não gostou.

Busque por Grupos de Apoio

Normalmente Doulas fazem parte de grupos presenciais ou virtuais de apoio ao parto, esse primeiro contato é essencial para se conhecerem. Você pode em poucas conversas sentir se existe ou não uma conexão ali, gastando pouco para isso. Lembre que Doulagem é um trabalho como qualquer outro e o tempo para “conversar e se conhecerem” faz parte desse trabalho, se desejar que seja individualizado ele deve ser remunerado.

Saiba o que esperar

As vezes podemos ver de forma romântica  a figura da Doula, como um ser cheio de amor e servidão pronto para atender às nossas necessidades. Cada profissional tem um perfil único e uma força de atuar, então pergunte de forma clara:

Existem encontros antes e depois da gestação? Qual o tempo de duração, assuntos abordados e valor de cada um.

Qual o momento em que ela estará com você durante o parto?

Lembre que o fluxo de informação sempre deve funcionar +/- assim

Você pesquisa/tem dúvidas => Conversa com a Doula =>  Você recebe orientações

As doulas não vão te dar respostas prontas, ou dizer o que DEVE ou não fazer,  sua autonomia é parte principal do atendimento humanizado (se não for assim você apenas estará trocando o Go fofinho por uma Doula fofinha , te tratando como mãezinha empoderadinha)

Intimidade

Gestação e parto abordam os temas mais tabus da vida moderna, sexualidade, vida e morte. Você se sente a vontade para falar abertamente sobre esses assuntos com essa pessoa?  Ela respeita suas vontades e desejos?

Remuneração

Essa é a parte mais delicada e muito discutida inclusive entre as profissionais. Existem Doulas que cobram vários preços  para que seja possível atender ao maior numero de mulheres e perfis.  Converse sobre as formas de pagamento possíveis, muitas vezes até permutas são bem vindas.

Expectativas x Realidade

Falar abertamente sobre suas expectativas sobre a atuação do profissional evita  que você se sinta frustrada depois do parto. Pontue o que deseja e o que acha importante e escute com atenção o que a profissional está preparada/disposta a oferecer dentro disso.

Conhecimento

As informações que essa Doula passa tem embasamento cientifico atualizado? Peça pelas pesquisas para que você mesma possa ler. Mais importante ainda, ela conhece a realidade obstétrica da sua cidade/região?  Se ela não souber como poderá te orientar no que você pode ou não esperar?

 

Converse com quantas Doulas achar necessário até que encontre a ideal. É perfeito! E vale lembrar, é sempre de bom tom avisar as outras sobre a sua decisão 🙂

Doula, Parto

Um resgate do acolhimento, a Doula e o nascer

Entre os grandes Mistérios, o parto foi por muito tempo o maior e mais bem cuidado pelas mãos femininas.

Eram através delas que a vida se fazia fluir dentro de suas casas, mulheres amparadas por irmãs, mães, filhas, observadas atentamente por uma outra, aquela que conhecia ervas, que acompanhava o luar e as estrelas no céu para se guiar.

A operação cesariana na Antiguidade só era praticada após a morte da parturiente, com a finalidade de salvar o feto ainda com vida. Desde 700 a.C. a lei romana proibia os funerais de toda gestante morta, antes que se fizesse a cesárea para retirada do feto. Os fetos que nasciam com vida eram chamados cesões ou césares (Vieira, 1871-1874).

A primeira cesárea realizada em mãe viva foi realizado ). Foi realizada em 1500, em Sigershaufen, pequena cidade da Suíça, por Jacob Nufer, em sua própria esposa. Jacob Nufer não era médico e nem sequer cirurgião-barbeiro. Era um homem simples do povo, habituado a castrar porcas.

Mesmo assim, a cesárea só foi ganhar popularidade no século XVIII e apresentava índices muito baixos de sobrevivência mãe-bebê.

No Brasil, nosso amor pela cesariana é creditada ao dr. José Correia Picanço, barão de Goiana, tendo sido realizada em Pernambuco no ano de 1822.

Mesmo assim o conhecimento passado através de gerações às parteiras ainda resistia.

Nosso histórico de violência obstétrica é centenário, começa em meados de 1894, com a inauguração de uma ala exclusiva para atendimento de gestantes na Santa Casa de São Paulo.

Era na maternidade que os médicos tinham seus primeiros contatos com partos reais, e era também lá onde as irmãs responsáveis faziam o possível para que a experiencia daquelas mulheres (pobres) fosse tão ruim a ponto de nunca mais quererem voltar. Sujeira, maus tratos, lençóis reaproveitados e escassez de alimentação. O parto hospitalar era “coisa de pobre”.

Parir nos hospitais na época era o que apenas mulheres sem recursos, prostitutas, viúvas, mães solteiras, enfim, toda a sorte de mulher renegada pela sociedade, tinham a recorrer. Com atendimento muitas vezes precário e alto índice de morte  materno-infantil por causa de infecções. Era um ambiente tudo, menos acolhedor.

Apesar dos poucos registros sabe-se que mesmo já em 1930 (em São Paulo) 85% dos nascimentos haviam sido domiciliares e acompanhados por parteiras tradicionais, 10% dos nascimentos haviam sido domiciliares com assistência de parteiras formadas e apenas 5% dentro dos hospitais.

Precisou de uma intensa política de incentivo governamental para que o ambiente hospitalar fosse o escolhido como melhor pelas parturientes.  Movimento social, politico e (como não) econômico que acabou resultando em partos na maioria hospitalares  nos anos 70 onde 15% dos nascimentos eram através de cesárea.

Em 10 anos esse numero já tinha duplicado.

Os partos seguros saíram de dentro das casas, escolheu-se os ambientes estéreis, o tempo foi otimizado, passou-se a dar mais confiabilidade à encubadoras do que aos corpos femininos para gerar.

Até meados de 2000 quando voltou-se a discutir a melhoria na assistência, se realmente os ambientes hospitalares eram os ideais, se o parto era realmente um evento CLÍNICO e não familiar.

Foi quando a figura da Doula, já quase esquecida no tempo, também é resgatada.

A mulher que Serve.

A mulher que serve a mulher que pari.

Aquela que apoia

Mas como será que as mulheres modernas recebiam essa figura? Como se sentiam em relação à esse acompanhamento?

Despretensiosamente divulguei um pequeno formulário para conhecer um pouco sobre a atuação das doulas de uma forma mais ampla, durante o trabalho de parto.  As perguntas e respostas foram compartilhadas através da rede social do joinha e você pode conhecer todas as perguntas aqui.

Acontece que para minha surpresa recebi não uma ou duas, quase 1.000 respostas!

Grande maioria das mulheres conhece sua Doula durante a gestação, por indicação de uma amiga ou através de grupos de apoio à gestação de sua cidade, e definem o acompanhamento já no segundo trimestre.

Talvez por isso, quando questionadas sobre o atendimento a opção de maior identificação tenha sido  essa

80% das mulheres afirmaram que a Doula fez tudo para que ela se sentisse confortável e segura. 79% das mulheres afirmaram que a presença da doula tranquilizou a ela e ao marido durante o trabalho de parto

Muito além de conhecimento sobre leis, orientações, massagens os vínculos de confiança formados entre casal e Doula se mostraram muito importantes. Reafirmando bom e velho “Doula não faz parto, faz parte”.  Acolher tem sido o maior papel desenvolvido por elas (nós!).

E a amamentação?

Doulas não são clinicamente capacitadas para avaliações, porém muitas recebem durante a formação informações suficientes para apoiar a amamentação, orientar massagens de alívio e ordenha, como armazenar o leite materno e como oferecer ele ao bebê.

70% das mulheres receberam de suas Doulas estímulo à amamentação exclusiva e orientações sobre amamentação, variações de posições possíveis e como poderiam observar se a forma que o bebê mamava estava legal ou não

Impressões recebidas, ficou a dúvida, de forma geral elas contratariam novamente uma Doula no próximo parto?

97% das mulheres entrevistadas disseram que sim

Dessas mulheres que contratariam novamente, 94% acreditam que ter mãe, sogra, amiga, conhecida, no parto não substituiriam a doula e não trariam a mesma tranquilidade e segurança. O acompanhamento teria que ser feito por uma Doula profissional.

E para fechar a enquete, elas poderiam falar qualquer coisa anonimamente para sua equipe, ou sobre suas experiências:

“Tive dois partos normais completamente diferentes e atribuo a diferença à presença da doula. O primeiro teve várias intervenções desnecessárias e o segundo foi completamente natural, como desejado. A confiança no meu corpo trabalhada durante a gestação e trabalho de parto foram essenciais. Saí do parto querendo parir de novo de tão bom que foi! “

“Acredito que muitas mulheres quando estão gestando, se foi uma gravidez planejada ou não, por falta de informações, se encontram em situação de medo, levando-as a optarem por uma cesarea sem necessidade, no meu caso, ter acompanhamento de uma doula me fez acreditar em nossa capacidade de parir, e enxergar os diversos caminhos positivos para um parto normal, sem medo.”

“Fui livre, amparada, ouvida e amada durante todo o processo pré, intra e pós parto. Presença, confiança e calma fundamentais.”

“Apesar do meu parto ter se encaminhado para uma cesárea de emergência(nunca saberei se realmente necessária), graças as informações que obtivemos da minha doula, tivemos um pós-parto muito respeitoso e meu bebê ficou comigo o tempo.”

Fontes: A Primeira Operação Cesariana em Parturiente Viva http://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-19.pdf

A operação Cesárea no Brasil. Incidência, tendências, causas, conseqüências e propostas de ação  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1991000200003 

Migração de Partos Domiciliares para ambiente Hospitalar http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-311X2003000100024&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Assistência ao parto: do domicílio ao hospital (1830-1960) / Child birth care: from home to the hospital http://pesquisa.bvs.br/brasil/resource/pt/his-8989

http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/viewFile/10588/7878

 

Diversão e Relaxamento, Doula

Massagem reduz tempo de duração de parto

Acompanhar a mulher durante a gestação e parto é muito mais que uma função ou profissão, é sem dúvida um dom acompanhado de muito estudo.

 

E não existe coisa melhor do que massagem de doula.

Durante a gestação

  • Auxilia no relaxamento
  • São profissionais que conhecem a fisiologia do parto e que não realizarão manobras que interfiram no bem estar mãe-bebê
  • Conhecem os pontos de maior tensão e como aliviá-los
  • São capazes de orientar acompanhantes e parceiros em como aliviar as tensões também em casa
  • A doula pode realizar as massagens juntamente com exercícios de respiração e aromaterapia para potencializar os resultados
  • Ajudam a diminuir inchaços, muito comuns no terceiro trimestre

Durante o trabalho de parto e parto

Nem toda mulher gosta de ser tocada durante o trabalho de parto, isso é importante sempre lembrar, mas para quem gosta um estudo global (Klaus & Kennel, 1993), aponta  que a presença da Doula no trabalho de parto traz benefícios eficientes também para a redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural.

  • Auxilia no alívio das dores durante o trabalho de parto
  • Proporciona relaxamento e diminuição da ansiedade
  • Auxilia no bom posicionamento do bebê
  • Aumenta o vinculo entre o casal (em vista que os movimentos são ensinados também ao acompanhante)
  • Podem auxiliar na redução do tempo do trabalho de parto (mãe relaxada, trabalho de parto fluído!)

 

Durante a Amamentação

As mãos de fada auxiliam até nesse momento único, apesar de pouco falado sobre o assunto a doula pode também auxiliar a tornar mais fácil e prazeroso essa fase quase esquecida durante a gestação.

  • Pode ensinar a mãe massagens de alívio de dores nas mamas
  • Auxilia na ordenha
  • Pode ajudar a aliviar tensões musculares em braços, ombros e pescoço. Além de indicar posições favoráveis para que elas deixem de existir.

 

Não é a toa que as Doulas são conhecidas por suas mãos de fada <3

 

Amamentação

Amamentei, na medida da minha informação

Pode soar como um desabafo, quase um pedido de desculpas, direcionado à quem?

A OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida do bebê e que se mantenha até os dois anos ou mais. A Organização Mundial da Saúde faz essa recomendação.

Mas e na prática?

No Brasil, 67,7% das crianças mamam na primeira hora de vida e a duração média do aleitamento materno exclusivo é 54 dias. Além disso, 41% dos menores de 6 meses tiveram alimentação exclusivamente por leite materno. Fonte EBC Agencia Brasil

Na prática o aleitamento materno segue os meses na corda bamba, entre sorte, palpites, muita hipocrisia e muitos profissionais da saúde mal informados.

Não saí do hospital sabendo amamentar, colocaram minha filha nos meus braços, meu peito dentro da boca dela, sorriram e disseram “Está ótimo mãe! Parabéns”

Saímos da maternidade, minha filha com uma chupeta na boca. Eu não sabia, não sabia que poderia prejudicar nossos processo de conhecimento e aprendizagem, não sabia que aquela chupeta inocente poderia ser uma grande pedra no nosso caminho. Mas seguimos.

Em casa, com as mamas febris, chorava escondida, minha filha mamava mas nunca parecia satisfeita. Eram várias mamadas, eram muitas horas, eram muitos choros era muita angustia.

Não me receitaram ajuda, receitaram uma lata cheia de um pó que “tinha tudo o que meu bebê precisava”

Olhar para a lata, fechada ainda no armário, era como se eu declarasse minha derrota. “Ok mundo, você venceu, não sou capaz de nutrir minha filha!”

Chorei

Mas reagi, não aceitei minha suposta derrota, busquei quem sabia, mas sabia mesmo o que eu estava passando.

Fui ouvida, me abraçaram sem pressa, abraçaram meu cansaço e meu medo e disseram “está tudo bem”.

Não sai com nenhuma fórmula mágica, nem soluções mirabolantes. Me apresentaram apenas meu corpo, apresentaram a minha filha e me explicaram como nós combinávamos perfeitamente e poderíamos fazer dar certo, juntas.

Nosso caminho foi suave diante de tantas histórias que conheço de mulheres que ouviram e ainda ouvem que “Amamentar mesmo sangrando é bom”, “Normal sofrer para amamentar”, “Seu leite é fraco”, “Seu bico tem problema”, “Seu bebê passa fome”. Queria ter braços suficientes para oferecer a cada uma delas. Eles não sabem de nada, não sabem mesmo.

Se você não tiver a mesma sorte que eu, não conseguir encontrar quem te estenda os braços e te mostre como pode ser linda a amamentação, vamos conversar, vamos juntas fazer isso acontecer.

Você e seu bebê merecem viver em plenitude esse momento.

Cinquenta e quatro dias*, seis meses, um ano, dois ou até mais. Nós amamentamos na medida da nossa informação.

 

*Cinquenta e quatro dias é a média nacional de amamentação exclusiva no Brasil.

 

Fonte: http://www.redeblh.fiocruz.br/media/pamuni.pdf

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-05/ministerio-lanca-campanha-de-doacao-de-leite-materno-para-bebes-prematuros

 

Empoderamento, Parto

Como é parir em uma casa de Parto?

Casa de parto no estado de São Paulo temos tres, duas ficam na capital, Sapopemba (na zona Leste) e a casa Angela (na zona Sul) E você pode ler um texto muito bom sobre elas nesse post aqui .

Mas para quem mora no Interior de São Paulo, pode se tornar inviável recorrer a qualquer uma delas, foi pensando nisso que surgiu a 170lm da capital a primeira Casa de Parto particular do interior, Opima.

Se você deseja ter seu bebê lá, antes de mais nada, é importante participar das palestras realizadas mensalmente, temas relacionados à gestação e parto são desenvolvidos em grupos por profissionais locais capacitados. Ao final das palestras se você desejar pode também fazer um tour e conhecer a suíte de parto, com hidro, chuveiro, jardim de inverno e teto estrelado <3

Você pode também participar dos cursos de preparo ao parto oferecidos, são 4 módulos com 3 horas de duração cada, que abordam de forma prática e intima cada aspecto do parto. Você pode conferir os cursos oferecidos aqui.

O pré natal é feito pela enfermeira obstetriz responsável pelo acompanhamento na casa, a consulta dura em média 1 hora a 1:30 e é pré agendada sempre, não dispensa o acompanhamento médico, recomenda-se o pré-natal com a obstetriz como complemento à um bom pré-natal.

 

O atendimento ao parto funciona 24h, e conta com :

Duas enfermeiras Obstetras

Doula*de livre escolha da gestante

Neonatologista

Ambulância de prontidão na porta  (caso seja necessária a transferência para hospital)

 

E o PARTO?

Desde a 36 semana toda equipe já está a sua disposição, para tirar dúvidas ou qualquer necessidade a qualquer hora do dia ou da noite. Assim que as contrações vem de forma contínua, mesmo que ainda sem ritmo certinho, a sua doula já estará com você se assim desejar.

Quem dita a hora de ir é até a casa de parto é a parturiente, dentro das evidencias cientificas atualizadas a respeito já que a assistência clínica durante o trabalho de parto ativo é fundamental.

Toda equipe já estará esperando por você, a suite de parto ficará da forma que determinar no plano de parto , que é respeitado na integra, com música, com flores, com aromas, com/sem luz e é possível deixar ela ainda mais com ar de “casa da gente” com itens pessoais pelo ambiente.

A cada hora os batimentos fetais são verificados, entre e durante as contrações, pelas enfermeiras obstetras. Os exames de toque são mínimos e sempre acontecem  apenas após o seu consentimento.

O período expulsivo, pode ser em qualquer lugar e posição que você se sentir a vontade (banheira, banqueta, cama, sustentada pelo tecido, etc)

E a recepção do Bebê?

O bem estar do bebê ao nascer é assegurado pela Neonatologista, que deixa mãe bebê a vontade nos primeiros minutos de vida para que o imprint aconteça com todo respeito que o momento demanda. A pesagem e medição são feitas no quarto mesmo, à vista dos pais.

Caso exista qualquer complicação os primeiros socorros são oferecidos imediatamente já que a clinica conta com todo equipamento necessário (desde material de cateterismo umbilical até material para intubação)

 

O que Rola e o que NÃO ROLA 

  • Livre movimentação todo o tempo
  • Empurrarem sua barriga para ajudar o beber a descer (Kristeler)
  • Liberdade para comer e beber o que desejar
  • Jejum durante todo o TP
  • Ficar no chuveiro quentinho até enjoar
  • Permanecer deitada todo o TP
  • Parir na hidromassagens Like a DIVA
  • Ter que usar a camisolinha da vergonha e mostrar o bumbum para todo mundo
  • Parir com apoio da banqueta de parto
  • Parir na posição frango assado
  • Ter quantos acompanhantes você desejar
  • Brigar para poder ter pelo menos seu marido perto de você
  • GRITAR o quanto você quiser
  • Anestesia peridural
  • Receber massagem com óleos quentinhos
  • Pique, cortinho ou para os mais íntimos: Episiotomia
  • Ambiente todo preparado a base de aromaterapia
  • “sorinho” para ajudar o bebê a nascer
  • Risadas e conversas boas
  • Exames de toque de hora em hora
  • Relaxar sob um teto estrelado
  • Separação mãe-bebê para procedimentos com o recém nascido
  • Atenção exclusiva à parturiente
  • Fómula nas primeiras horas de vida
  • Respeito a cada minuto do seu parto, sem prazos
  • Apoio à amamentação nos primeiros minutos de vida e em todos os outros

 

Onde fica: Av. José Gomes de Camargo, 400, Jd. Marabá – Itapetininga, SP

Telefone:(15) 3273 2249

 

Aqui vão algumas fotos do lugar para você morrer de vontade de parir lá conhecerem melhor

 

 

 

 

 

Parto, Relato de Parto, Trabalho de Parto

O sofá -Conto da Doula

Conheci a Lu e o marido dela em um dos cursos que ministrei na Unimed. Os dois muito atentos e com os grandes olhos atentos à tudo o que eu dizia.

-Sam, você tem agenda para nos acompanhar?

E assim começou começou nossa caminhada juntos.

Nos vimos mais uma vez antes do parto e conversávamos com frequência. A grande preocupação era que eles moravam em São Paulo e iriam ter o bebê aqui. Será que daria tempo?

As contrações começaram, eles esperaram o quanto puderam e pegaram a estrada. Os encontrei já na maternidade pela manhã.

Serenidade, era o que tinha nos grandes olhos castanhos dela, um sorriso frouxo mas cheio de orgulho “Está tranquilo ainda Sam… dá para encarar!”

Ela não quis se movimentar muito, não me lembro de ficarmos muito tempo no chuveiro também.

O que me marcou e vejo nitidamente é  ela sentada no sofá do quarto, janela ao fundo com um sol quentinho, rindo sem saber do quê e se desligando do mundo entre cada contração. Marido ao lado dela o tempo todo, com olhos arregalados fazia carinho nos seus longos cabelos negros e rosto rosado, parecia desejar tirar toda aquela “dor” para ele.  -Sam, isso é normal? Ela está bem?

Eu ria, e dizia que sim.

Lu, vamos andar um pouco?

Não… esse sofá está muito bom… – ela dizia e se ria– Vou ficar aqui pra sempre! 

Tempo depois, não muito, ela aceitou se levantar e apoiada na escrivaninha do quarto começou a rebolar, chamando pelo seu pequeno, seu pequeno bebê tão querido. As ondas das contrações agora vinham fortes frequentes, faziam seu corpo arcar com a intensidade.

Você consegue, está indo muito bem respira e solta o corpo, solta o corpo todo

Quantos anos foram até poder estar assim, tão perto de ter ele nos braços? O que será que se passava no coração desses pais?

-Estou sentindo ele descer Sá! Estou sentindo ele descer!

Ela pôde passar todo seu trabalho de parto alí no quarto, só nós três, equipe clinica vinha, examinava e deixava todos a vontade. Como é diferente quando o casal é bem tratado… como foi bom, para mim, sentir um ambiente seguro e poder apenas concentrar em estar alí e me conectar com ela através de massagens, abraços e olhares na medida que ela precisava, na forma que ela queria.

Dilatação total chegou logo, mudamos de quarto, fomos para o quarto PPP.

E ela sorria e ela fazia força e seu parceiro a amparava e ela sorria de novo e ela fazia mais força..

E ela pariu.

E ela recebeu seu bebê quente e perfumado no peito

E ela o beijou e o cheirou com tanta ternura

E ela sorriu

E eu era apenas mais uma observadora da vida, da força e do pulso, da entrega e do amor. Uma família nascia alí, aquele momento era sagrado demais para ser maculado com palavras. Gratidão transbordava em forma de lágrimas quentes pelo meu rosto.  Eles conseguiram!

 

 

 

 

 

Doula, Empoderamento

Um encontro 360 graus sobre humanização

Quero dividir com vocês uma experiência muito bacana que tivemos aqui essa semana.

Na minha página na rede social do joinha e nos e-mails volta e meia me questionavam “o que é um parto humanizado” ou afirmando que queriam um, como quem pede um lanche no Mc Donalds pelo número, mas sem conhecer os ingredientes um a um. E isso só deixava claro uma coisa, não estou falando claramente sobre.

Bolei então um encontro, com coquetel porque pessoas com estômagos felizes são mais receptivas à novas ideias.  Fizemos o seguinte:

Dentro do meu perfil pessoal tenho grande parte das mulheres que acompanhei o parto, joguei lá o convite para que viessem contar seus relatos para outras mulheres. A meta era ter um parto em casa local possível na cidade (Sus, Pelo Convenio, Hosp Particular, Hosp de Fora, Domiciliar e Casa de Parto).

Tinha os relatos garantidos agora precisava apresentar os profissionais envolvidos, de forma clara e objetiva para que as famílias entendessem o papel de cada um e funções. Convidei a Giovana Fragoso, Enfermeira Obstetriz que realiza partos domiciliares, Andréa Gouveia, neonatologista ótima na recepção de bebês, Cláudia Clemente, fotógrafa e o Bráulio Zorzella, Go humanizado da cidade vizinha que infelizmente adoeceu no dia e não pôde comparecer. Claro, a apresentação e fala de Doula foi  minha.

 

Abri as inscrições por e-mail, e simultaneamente rolava um grupo no whats app específico para esse dia, para as mães já se conhecerem e conversarem entre si.

 

No dia do Evento

Iniciamos com a apresentação dos profissionais, resumo do currículo acadêmico e  profissional e um pequeno depoimento sobre seu papel no parto. Após cada apresentação abria-se espaço para perguntas.

Depois de uma rápida pausa, iniciamos os relatos de parto.

A previsão de término era meio dia, 13:30 ainda estávamos nos despedindo.

 

Ponto positivo: apresentamos a humanização de forma integral e real para 20 gestantes de variadas idades gestacionais.

Ponto negativo: Programei apenas duas horas para esse evento, o que foi absurdamente pouco. Em todo curso ou palestra que ministro gosto de começar pedindo para que as gestantes se apresentassem e por medo de não dar tempo pulei isso, o que deixou todas bem menos a vontade do que eu gostaria.

 

Cada evento é um aprendizado, sem sombra de dúvidas. Espero que essa minha experiência aqui inspire outras ainda mais lindas.

Doula, Empoderamento, Gestação

Humanizado, por quê?

Conversando com uma gestante ela me questionou, nessas palavras: “Sá, parto humanizado pra que? Por quê?” . Um parto humanizado hospitalar seria um investimento extra e ela arcaria sozinha, afinal, poxa, ela tem convênio e o parceiro via como um “mimo” desnecessário.

Eu me vi nela alguns anos atrás, realidades diferentes mas angustias parecidas. Decidir tudo sozinha e arcar com todas as escolhas e consequências exclusivamente sozinha. Mesmo e apesar do medo gritante do desconhecido. A gente luta.

Eu optei por um parto humanizado, por mim principalmente.

Era o momento em que EU queria ser muito bem tratada

Era o momento em que EU gostaria de me sentir segura

Era o momento em que EU gostaria de ser 100% respeitada

Seria o dia que eu, mesmo de memória péssima, nunca iria me esquecer.

 

Fiz a minha escolha, dentro do que eu suportei. As opções na época eram

 

Um parto vaginal cheio de intervenções e violência obstétrica, na maternidade pública da cidade (Minha gestação foi difícil emocionalmente, era inaceitável me colocar a disposição de mais violências enquanto eu estivesse tão vulnerável)

Uma cesárea agendada ou com plantonistas, no hospital particular da cidade (Desejava um parto de cócoras, só aceitaria essa opção se não pudesse parir com dignidade, sim, antes uma cesa que um parto normal absurdamente violento)

Um parto domiciliar -na casa da minha mãe- com parteiras “importadas” de longe. (Minha mãe aguentaria? Não sei… Teríamos tranquilidade? Não… Podia investir tanta grana? Não também, eu sabia que seria despedida assim que terminasse minha licença maternidade)

Um parto normal em um hospital que tinha UMA EO bacana, no Sus em uma cidade a 60min de distancia. (Foi essa minha opção, banquei a distancia, o tempo de viagem, a possibilidade da EO não estar lá, ou não poder entrar comigo, banquei não ter Doula, banquei ter que brigar para não sofrer intervenções desnecessárias. Pari de cócoras com auxilio de uma banqueta.)

Hoje o panorama geral na minha região não está tão ruim, mas ainda estamos longe de ter um tendimento gratuito ou através do convênio que possa ser chamado honestamente de humanizado. Ou se está disposta a brigar antes e durante o parto, ou se está disposta a pagar por uma equipe que te respeite.

 

Voltando a minha conversa com a gestante…

“O que você espera viver no seu parto? Quais são suas opções, de verdade?”

“Não quero mais ter que brigar, quero me entregar e apenas me preocupar em parir, preciso disso”

“Onde você se sente mais segura?”

“Só vejo isso possível com o Dr particular… usarei o hospital pelo convênio, mas a equipe… não quero ter que arriscar”

 

Escolhemos o parto humanizado particular, não por frescura ou modinha, é pelo medo de não termos um tratamento digno dentro das opções disponíveis.

E você, consegue responder como sonha em vivenciar seu parto e quais as opções possíveis (com prós e contras) ai?

Amamentação, Maternagem, Puerpério

Somos todas Adele

A cantora -maravilhosa- Adele esbanjando humor falou com todas as letras no meio de um show:

A pressão em cima de nós é absolutamente ridícula. E aquelas pessoas que reforçam essa pressão podem ir se foder, ok? Porque é difícil. Algumas de nós não conseguem fazer. Meu seios aguentaram cerca de nove semanas — disse a cantora ao ser questionado por um dos fãs que assistia ao show.

 


“Ryca” famosa e cheia de recursos. Adele não é como a maioria das puérperas “reles mortais”, e mesmo assim teve dificuldades durante a amamentação. Na verdade, mal conseguiu amamentar.

Bebês não nascem sabendo mamar, é um trabalho diário de aprendizado. Muitas vezes mulheres precisam de apoio e orientações específicas nesse período de adaptação, e por não o terem acabam abrindo mão da amamentação. Como Adele.

Apoio é Fundamental.

Estudos mostram claramente que a presença da doula no pré-parto e parto trazem benefícios de ordem emocional e psicológica para mãe e bebê, incluindo resultados positivos da 4ª a 8ª semanas após o parto, onde foi observado:

·Aumento no sucesso da amamentação;
·Interação satisfatória entre mãe e bebê;
·Satisfação com a experiência do parto;
·Redução da incidência de depressão pós-parto;
·Diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto-estima.

 

Você sabia?

  • O leite costuma descer até 7 dias após o nascimento do bebê, nesse período a mama produz o Colostro, muito nutritivo e recheado de anticorpos vitais para o bebê
  • Dores e sangramentos ao amamentar, não são normais, são sinais claros que a pega do bebê não está correta
  • Amamentar consome tantas calorias quanto uma aula de Spinning e estimula todo o corpo a voltar ao normal.

Se você está tendo dificuldades para amamentar, procure por um especialista em amamentação para te ajudar e orientar, sua doula ou nos grupos de apoio à gestação saberão indicar. E se você desistiu, por não encontrar melhor alternativa, meu abraço e beijo na testa. Só você sabe as dores e angustias que passou sozinha.