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Doula, Gestação, Parto

Como escolher a Doula?

Qualquer movimento de apoio ao parto humanizado por esse Brasilzão lindo vai falar das Doulas, como elas podem ser um apoio muitas vezes essencial para que o parto seja um momento inesquecível  para o casal. Mas a escolha certa pode fazer toda a diferença.

Mais do que um gasto ou uma pessoa a mais ao seu lado, a Doula ideal é aquela pessoa em quem você confia e se sente segura em ter por perto.

Como escolher?

Indicações

Sua amiga teve uma Doula? Pergunte sobre o parto como foi, como foi a atuação e principalmente pergunte o que essa amiga não gostou no atendimento. O que foi bom para ela pode não ser para você e o mesmo vale nos pontos que ela não gostou.

Busque por Grupos de Apoio

Normalmente Doulas fazem parte de grupos presenciais ou virtuais de apoio ao parto, esse primeiro contato é essencial para se conhecerem. Você pode em poucas conversas sentir se existe ou não uma conexão ali, gastando pouco para isso. Lembre que Doulagem é um trabalho como qualquer outro e o tempo para “conversar e se conhecerem” faz parte desse trabalho, se desejar que seja individualizado ele deve ser remunerado.

Saiba o que esperar

As vezes podemos ver de forma romântica  a figura da Doula, como um ser cheio de amor e servidão pronto para atender às nossas necessidades. Cada profissional tem um perfil único e uma força de atuar, então pergunte de forma clara:

Existem encontros antes e depois da gestação? Qual o tempo de duração, assuntos abordados e valor de cada um.

Qual o momento em que ela estará com você durante o parto?

Lembre que o fluxo de informação sempre deve funcionar +/- assim

Você pesquisa/tem dúvidas => Conversa com a Doula =>  Você recebe orientações

As doulas não vão te dar respostas prontas, ou dizer o que DEVE ou não fazer,  sua autonomia é parte principal do atendimento humanizado (se não for assim você apenas estará trocando o Go fofinho por uma Doula fofinha , te tratando como mãezinha empoderadinha)

Intimidade

Gestação e parto abordam os temas mais tabus da vida moderna, sexualidade, vida e morte. Você se sente a vontade para falar abertamente sobre esses assuntos com essa pessoa?  Ela respeita suas vontades e desejos?

Remuneração

Essa é a parte mais delicada e muito discutida inclusive entre as profissionais. Existem Doulas que cobram vários preços  para que seja possível atender ao maior numero de mulheres e perfis.  Converse sobre as formas de pagamento possíveis, muitas vezes até permutas são bem vindas.

Expectativas x Realidade

Falar abertamente sobre suas expectativas sobre a atuação do profissional evita  que você se sinta frustrada depois do parto. Pontue o que deseja e o que acha importante e escute com atenção o que a profissional está preparada/disposta a oferecer dentro disso.

Conhecimento

As informações que essa Doula passa tem embasamento cientifico atualizado? Peça pelas pesquisas para que você mesma possa ler. Mais importante ainda, ela conhece a realidade obstétrica da sua cidade/região?  Se ela não souber como poderá te orientar no que você pode ou não esperar?

 

Converse com quantas Doulas achar necessário até que encontre a ideal. É perfeito! E vale lembrar, é sempre de bom tom avisar as outras sobre a sua decisão :)

Mãe rainha
Maternagem

Mãe- a rainha da Po*** toda

Nós temos o instinto materno…

Quando nasce um bebê também nasce uma mãe

A mãe sabe, sente dentro dela o que o bebê precisa

 

Olha, pode ser verdade para alguma mulher, mas nenhuma dessas frases representa a maternidade real. Não.

Mães são rainhas, Deusas e se tornam absolutas. Rainhas da Po*** toda!

Mas não, ninguém nos entrega um reinado, uma coroa cravejada de papinha e alguns fios brancos, assim de mão beijada. Conquistamos a realeza da maternidade com a audácia e loucura dignas de Ragnar Lodbrok, com tempos de calmaria e festa e lutas gigantescas.

Ragnar para inspirar seu dia

Ragnar para inspirar seu dia

Começamos logo na gestação, encarando sombras e esqueletos escondidos no meio dos nossos próprios medos e inseguranças.  Vencemos, cada uma a sua forma. SIM NÓS VENCEMOS SEMPRE.

Criança nasceu, o parto passou (ufa! o dia mais temido e esperado dos últimos quase dez meses)

É agora que você deveria chegar em casa, ser recebida com tapete vermelho, flores frescas, agua aromatizada geladinha do lado da cama.

Mas a maternagem, minha querida amiga, a maternidade SIM é uma caixinha de surpresas. E logo de cara temos um reino para conquistar e ele se resume ao ser pititico nos seus braços.

A primeira batalha, sem sombra de dúvidas é a amamentação;

Se mantenha tranquila, o bebê é capaz de sentir suas emoções e vai reagir à elas

Não exite em tirar o peito da boca do bebê, não tenha piedade, esses olhos grandes e lindos não devem te tirar do foco: Uma pega perfeita.

Oferece peito, tira peito…

Faz bocão…

Olha a boca de peixinho! Conseguiu!

A Segunda batalha, sem dúvida alguma é contra a exaustão, o bebê pode ficar um número incrível de horas plugado no seu peito, eu sei, não tem jeito ele precisa disso, precisa de você e você precisa dele e mais uma ou duas semanas de sono ininterruptas.

Esse é o ponto onde se pede apoio, onde já se viu uma grande rainha sem súditos?

Marido, parceiro, amiga, mãe, sobrinha, doula.

Vale ajuda de todos.

Não para cuidar do bebê, isso eu sei, você sabe, que pode fazer com maestria.

Mas aquela força para deixar as roupas em ordem, a casa arrumada, supermercado em dia é fundamental! Assim quando o bebê dormir, você pode dormir também o sono dos justos.

Terceira e pior luta é contra os “E SE’S”, “E se ele não está ganhando peso suficiente”, “E se esse coco não é saudável”, “E se ele dormir demais e não mamar nas próximas 3 horas”, “E se ele adoecer”.  Amada… são tantos E SES que podem vir na nossa cabeça cansada, não é verdade?

Mas isso tudo é amor, é amor demais da conta que a gente tem no peito, amor tão grande que quer ser maravilhosa e evitar que qualquer coisa não seja menos do que FABULOSA na existência daquela pequena criatura que você pôs no mundo.

Acontece que você, rainha da po*** toda, não tem esse poder. Porque a vida é pra ser vivida e aprendemos isso desde o inicio.  Para um bebê muitas vezes um pum é incomodo. Crescer dói, a gente aprende com erros, com tentativas e falhas, surpresas. Com seu bebê não vai ser diferente.

Sua função nessa vida não é colocá-lo numa bolha protetora, mas estar de braços abertos para acolher quando eles precisarem, orientar, ensinar e deixar ir. Deixa viver.

Antes de se angustiar, olhe para seu bebê, sinta sua temperatura, seu cheirinho e pergunte para você mesma, mais uma vez: tem realmente alguma coisa errada aqui?

Nessa fase o apoio de outras mães é fundamental, ninguém entende melhor uma mãe do que outra, principalmente se estiverem travando a mesma batalha. As vezes tudo o que a gente precisa é só desabafar.

As lutas seguem, há quem afirme que os primeiros 50 anos de maternagem são os mais complicados, mas que depois disso tudo segue com muita serenidade.

Ainda bem!

 

 

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Sinal de Trabalho de Parto

Meleca e sangue? Tampão!

Toda Doula “é meio maluca”, tem seus trejeitos, tem sua personalidade bem delineada, sua forma de trabalhar e servir.

E tem também suas manias e amores no mundo do parto/doulagem.

Quem me acompanha no facebook sabe que a minha maluquice, amor, xodó, apego, encantamento é por TAMPÕES.

“Mas SAm, como assim?”

O Tampão mucoso é das coisas mais incríveis que podem existir antes do parto. Vou explicar aqui rapidinho e aposto que até o final do post você vai estar/ser tão apaixonada por eles quanto eu. Vamos lá.

O QUE É O TAMPÃO

Colo do útero grosso e sem dilatação

Colo do útero grosso e sem dilatação

Ele é nada mais, nada menos, do que uma “rolha” feita de meleca semelhante a muco nasal (vulgo ranho/meleca de nariz) Sim!

A função principal do tampão é proteger o interior do útero de qualquer bactéria ou sujeira que possa existir fora dele. O colo do útero tem naturalmente uma abertura pequena, que é vedada pelo tampão durante toda a gestação.

Ele pode ser transparente, levemente esverdeado ou amarelado.

A consistência também pode variar, para bem liquido (semelhante ao período fértil) ou bem espesso, parecendo uma gelatina.

 

 

 

 

 

 

AI que nojo, quando isso sai?

Colo do útero dilatado- ou apagado

Colo do útero dilatado- ou apagado

Deve ser até crime em algum país desse mundo ter nojo do tampão, não fala assim poxa.

Como ele tem função protetora e serve como uma rolha vai sair conforme o buraquinho que ele protege ampliar.

OU SEJA! <3 

O tampão é dos primeiros sinais que a gente pode ver fácil fácil que o parto está próximo e que o o colo do útero já começou a se preparar para o parto.

Já se apaixonou por ele?

Não?

Calma, tem ainda mais!

O colo do útero quando dilata costuma ter um leve sangramento, o tampão como reveste todo o colo internamente vai sair em maior quantidade e com filetes ou bem ensanguentado nesses casos.

O tampão é uma forma simples de você saber que seu parto está evoluindo e que está tudo bem.

Dá para termos uma noção de como “as coisas estão” só através da observação

Pouco muco no papel e transparente: Provável que ainda leve algumas semanas para o parto

Pouco muco e marrom: Provável que o colo tenha trabalhado um pouco, através de contrações de treino ou mesmo pelo peso do bebê. Nada com o que se preocupar.

Muito Muco sem sangue: EBA! Está perto, provável que o parto ocorra em até uma semana.

Muito Muco com sangue: Provavelmente colo está dilatando consideravelmente, se a mãe não está sentindo nenhuma contração provável que comece em pouco tempo, o parto pode ocorrer nas horas/dias que seguem.

 

E essa é minha -ainda humilde- coleção de tampões, cada um deles enviado pelas donas como presente que eu óbvio amei. Manda mais que tá pouco ainda gente!

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Diversão e Relaxamento, Empoderamento, Gestação, Maternagem

Ser mãe é se permitir sentir, por inteiro

A vida para fluir precisa de tempo, precisamos respeitar o tempo orgânico e não do relógio.

Ansiedade aqui é minha amiga cruel desde a infância. Sou a cara do “quem come quente queima a língua”.

Claro, sei que isso é um privilégio único e exclusivo meu, nenhuma outra mulher além de mim engravida pensando no parto ou chora com medo de não saber amamentar o filho que nem nasceu.

Sei também que apenas euzinha me olhava intrigada no espelho pensando “Que raios é isso que eu fiz com meu corpo? Quando ele volta ao normal? UFA ainda bem que amamentar emagrece…”

E poxa, me caiu a ficha disso tudo apenas nessa ultima semana ouvindo a Camila Goyataz e Vera Iaconelli falando sobre o quanto é importante para nós respeitarmos o nosso próprio tempo, vi alí tantas vezes que fui cruel comigo. Quantas vezes, mesmo sem querer, fui cruel com o outro.

O corpo grita por toda a vida “Meu tempo é importante”, mas o dia a dia nos desconecta  de nós mesmos e do outro, não permitindo ouvir.

 

Por quanto tempo ficarei grávida?

Quanto tempo demorarei para voltar meu corpo ao normal? *esse assunto é tão importante que Thatiane Menedez também abordou em sua palestra, onde falava da importância do tempo de descanso para que os músculos do assoalho pélvico se readaptassem ao corpo nesse novo formato (sem bebe).

Quanto tempo durará o puerpério? Não vou me sentir feliz como nos comerciais de margarina nunca ????

Quanto tempo durará o luto? Quantas lágrimas ainda preciso chorar para a dor parecer ser suportável?

Para cada mulher a resposta será diferente e nunca dada de antemão. O que eu posso fazer e você também caso essa pressa da vida não seja exclusividade minha,  é permitir sentir profundamente cada fase, por mais difícil que ela pareça.

Como quem entrega o peso do mundo ao mar e se deixa boiar concentrando apenas em respirar, devagar e sempre.

 

Vale chorar

Vale dormir

Vale dançar

Vale abraçar

Vale crochetear

Vale caminhar

Vale Yogar

Vale Malhar

 

Tudo é válido quando se trata de permitir dar o tempo necessário para que o corpo reaja sozinho. Sem culpas, sem pressão.

Só vamos fazer um acordo aqui, acordo de Doula entre eu e você, nunca mais depois de hoje vamos olhar para alguém que está passando por um momento difícil com ar de “Você PRECISA sacudir a poeira e dar a volta por cima”  Ofereça, se puder, as mãos, um abraço e até seu silêncio caso essa pessoa precise de um apoio ao longo do tempo. Mas nunca mais vamos cobrar recuperação instantânea, a vida não é um lamem que se resolve em 3 minutos 😉

Doula, Empoderamento

Um encontro 360 graus sobre humanização

Quero dividir com vocês uma experiência muito bacana que tivemos aqui essa semana.

Na minha página na rede social do joinha e nos e-mails volta e meia me questionavam “o que é um parto humanizado” ou afirmando que queriam um, como quem pede um lanche no Mc Donalds pelo número, mas sem conhecer os ingredientes um a um. E isso só deixava claro uma coisa, não estou falando claramente sobre.

Bolei então um encontro, com coquetel porque pessoas com estômagos felizes são mais receptivas à novas ideias.  Fizemos o seguinte:

Dentro do meu perfil pessoal tenho grande parte das mulheres que acompanhei o parto, joguei lá o convite para que viessem contar seus relatos para outras mulheres. A meta era ter um parto em casa local possível na cidade (Sus, Pelo Convenio, Hosp Particular, Hosp de Fora, Domiciliar e Casa de Parto).

Tinha os relatos garantidos agora precisava apresentar os profissionais envolvidos, de forma clara e objetiva para que as famílias entendessem o papel de cada um e funções. Convidei a Giovana Fragoso, Enfermeira Obstetriz que realiza partos domiciliares, Andréa Gouveia, neonatologista ótima na recepção de bebês, Cláudia Clemente, fotógrafa e o Bráulio Zorzella, Go humanizado da cidade vizinha que infelizmente adoeceu no dia e não pôde comparecer. Claro, a apresentação e fala de Doula foi  minha.

 

Abri as inscrições por e-mail, e simultaneamente rolava um grupo no whats app específico para esse dia, para as mães já se conhecerem e conversarem entre si.

 

No dia do Evento

Iniciamos com a apresentação dos profissionais, resumo do currículo acadêmico e  profissional e um pequeno depoimento sobre seu papel no parto. Após cada apresentação abria-se espaço para perguntas.

Depois de uma rápida pausa, iniciamos os relatos de parto.

A previsão de término era meio dia, 13:30 ainda estávamos nos despedindo.

 

Ponto positivo: apresentamos a humanização de forma integral e real para 20 gestantes de variadas idades gestacionais.

Ponto negativo: Programei apenas duas horas para esse evento, o que foi absurdamente pouco. Em todo curso ou palestra que ministro gosto de começar pedindo para que as gestantes se apresentassem e por medo de não dar tempo pulei isso, o que deixou todas bem menos a vontade do que eu gostaria.

 

Cada evento é um aprendizado, sem sombra de dúvidas. Espero que essa minha experiência aqui inspire outras ainda mais lindas.

Não
Diversão e Relaxamento, Empoderamento

Você torce o nariz com o Empoderamento, tudo bem

99% dos textos sobre gestação e parto falam sobre empoderamento, que você tem que se empoderar, que você precisa se empoderar, que só poderá ser respeitada se for empoderada.

De inicio a palavra Empoderamento assusta. Grande, de sentido vago, muito ligada ao feminismo e nessa já entra política e uma série de outras coisas.

De forma bem direta empoderamento não passa da habilidade de dizer NÃO.

Treine dizer NÃO para os outros!

Parece bem simples, não?

Na prática você vai perceber quantas vezes se cala, aceita situações e a fazer coisas que realmente nunca quis, que não te fazem feliz. Dizer NÃO para o outro é dizer SIM para você mesma.

Se você torce o nariz com o Empoderamento, te convido para fazer um exercício bem legal comigo.

Separe um tempo do seu dia, sente e escreva em uma papel frases e situações do dia que foram difíceis, que você foi diminuída e machucada.

Em frente a um espelho, leia essa frase para sí mesma da forma mais dura que conseguir.

Em seguida olhe no fundo dos seus olhos e diga NÃO.

Com força, alto.

Pode parecer pesado e doloroso no inicio, mas depois se sentirá muito mais leve, de alma lavada de dentro para fora, como quem faz uma confissão do seu eu mais verdadeiro, desnudo de qualquer julgamento.

Durante o dia, treine seus NÃOs. Não há necessidade de grosseria, apenas diga não para coisas e situações que não quer de verdade viver.

Hoje começamos na minha página no facebook  “Sim para mim”, com ilustrações para esse primeiro exercício. Espero que gostem.

Aliás, me ajudem a fazer o blog mais legal! Mandem e-mail para samara@acasadadoula.com.br com dúvidas ou sugestões para os próximos textos.

Beijo grande

 

Sam

Olhar de Claudia Clemente Fotografia
Doula, Empoderamento, Gestação

Humanizado, por quê?

Conversando com uma gestante ela me questionou, nessas palavras: “Sá, parto humanizado pra que? Por quê?” . Um parto humanizado hospitalar seria um investimento extra e ela arcaria sozinha, afinal, poxa, ela tem convênio e o parceiro via como um “mimo” desnecessário.

Eu me vi nela alguns anos atrás, realidades diferentes mas angustias parecidas. Decidir tudo sozinha e arcar com todas as escolhas e consequências exclusivamente sozinha. Mesmo e apesar do medo gritante do desconhecido. A gente luta.

Eu optei por um parto humanizado, por mim principalmente.

Era o momento em que EU queria ser muito bem tratada

Era o momento em que EU gostaria de me sentir segura

Era o momento em que EU gostaria de ser 100% respeitada

Seria o dia que eu, mesmo de memória péssima, nunca iria me esquecer.

 

Fiz a minha escolha, dentro do que eu suportei. As opções na época eram

 

Um parto vaginal cheio de intervenções e violência obstétrica, na maternidade pública da cidade (Minha gestação foi difícil emocionalmente, era inaceitável me colocar a disposição de mais violências enquanto eu estivesse tão vulnerável)

Uma cesárea agendada ou com plantonistas, no hospital particular da cidade (Desejava um parto de cócoras, só aceitaria essa opção se não pudesse parir com dignidade, sim, antes uma cesa que um parto normal absurdamente violento)

Um parto domiciliar -na casa da minha mãe- com parteiras “importadas” de longe. (Minha mãe aguentaria? Não sei… Teríamos tranquilidade? Não… Podia investir tanta grana? Não também, eu sabia que seria despedida assim que terminasse minha licença maternidade)

Um parto normal em um hospital que tinha UMA EO bacana, no Sus em uma cidade a 60min de distancia. (Foi essa minha opção, banquei a distancia, o tempo de viagem, a possibilidade da EO não estar lá, ou não poder entrar comigo, banquei não ter Doula, banquei ter que brigar para não sofrer intervenções desnecessárias. Pari de cócoras com auxilio de uma banqueta.)

Hoje o panorama geral na minha região não está tão ruim, mas ainda estamos longe de ter um tendimento gratuito ou através do convênio que possa ser chamado honestamente de humanizado. Ou se está disposta a brigar antes e durante o parto, ou se está disposta a pagar por uma equipe que te respeite.

 

Voltando a minha conversa com a gestante…

“O que você espera viver no seu parto? Quais são suas opções, de verdade?”

“Não quero mais ter que brigar, quero me entregar e apenas me preocupar em parir, preciso disso”

“Onde você se sente mais segura?”

“Só vejo isso possível com o Dr particular… usarei o hospital pelo convênio, mas a equipe… não quero ter que arriscar”

 

Escolhemos o parto humanizado particular, não por frescura ou modinha, é pelo medo de não termos um tratamento digno dentro das opções disponíveis.

E você, consegue responder como sonha em vivenciar seu parto e quais as opções possíveis (com prós e contras) ai?

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Doula, Parto, Relato de Parto

Relato de Pai: O Nascimento da Heloisa

Acho importante, antes de mais nada,  escrever o relato do nascimento de nosso primeiro filho de cesária para poder estabelecer uma base de comparação com nossa segunda experiência.  

O nascimento do Enzo

Nosso primeiro filho Enzo nasceu de cesária. O obstetra que acompanhou a gestação era bastante atencioso e gostávamos de sua forma de trabalhar. Porém ele nunca queria falar de parto quando puxávamos o assunto. Quando minha esposa Mileine estava com 36 semanas de gestação ele finalmente disse “para quando querem marcar o parto?”. Nós achamos muito estranho e eu pedi para discutirmos as opções, e enquanto conversávamos mencionei que minha esposa tinha escoliose e ele se agarrou nesse argumento para justificar a cesária. Nós, pais de primeira viagem, acatamos a “forte sugestão” do obstetra.

Me chamaram para a sala de cirurgia apenas quando já estavam tirando o Enzo e não queriam deixar eu filmar, então eu discuti com a enfermeira e continuei filmando. Imaginei que o motivo pelo qual não queriam filmagem era para evitar registrar um eventual erro médico. O Enzo nasceu com a ajuda de um equipamento de aço curvado que machucou sua cabeça e deixou uma cicatriz que não diminui e impede o crescimento de cabelo. Colocaram o Enzo perto da Mileine apenas pelo tempo de tirar uma foto e o levaram para outra sala onde fizeram todos os procedimentos padrões (e questionáveis) de aspirar, retirar o vérnix… Só o encontramos depois na sala de repouso onde estávamos esperando.

Resumindo ficamos muito irritados com o obstetra que nos enganou, que não queria nos deixar filmar o parto, que foi bastante mecânico e com pouca consideração pelos pais, especialmente pela mãe.    

O nascimento da Heloisa

Considero que estavamos relativamente bem informados com relação ao parto natural. Isso nos deu bastante tranquilidade para encarar cada etapa do processo de nascimento, até então desconhecidas na prática. O desenvolvimento da gestação foi normal, sem nenhum problema. Não contamos ao novo obstetra que queriamos fazer um parto natural, fora de um hospital, já que a maioria dos médicos realmente não gostam dessa idéia.

Decidimos ter a Heloisa em uma casa de parto (Clínica Opima) em nossa cidade Itapetininga que fica a 3 minutos do hospital da Unimed, uma suíte muito grande e agradável toda equipada, com temperatura controlada, cama, banheiro, banheira de hidromassagem, tecido para apoiar, bolas para exercicios, jardim de inverno, comida, bebida, equipamento de emergência e uma ambulância pronta para uma eventual transferência para o hospital. Fizemos cursos e estudamos como seria a experiência; as vantagens, os riscos… Escolhemos uma equipe incrível com uma médica pediatra (Andréa Golveia), 2 efermeiras (Giovana Fragoso e Priscila Colacioppo), uma doula (Samara Barth) e uma fotógrafa (Rithiele Mareca). Minha cunhada Mary tambem participou desde o inicio ajudando e acompanhando todo o parto. A enfermeira Karin Bienemann também se juntou à equipe.

Com 39 semanas e cinco dias 23/02 começou a sair o tampão e o que achamos ser um pouco de liquido amniótico. Mantivemos a equipe informada através de um grupo de Whatsapp. Durante a tarde a Mileine sentiu várias pequenas contrações que foram aumentando de frequência e intensidade até caracterizar efetivamente trabalho de parto as 21:30. Chamamos a doula Samara que monitorou um pouco as contrações até que sugeriu que fossemos para a casa de parto.

A partir daí começou o trabalho duro, a doula e eu o tempo todo com a Mileine. As contrações estavam muito fortes e revezamos o chuveiro, bola, tecido, cama, caminhadas até as 2:00 am. A Mileine estava bastante cansada e já estava no que os profissionais chamam de “partolândia”, um estado de consciência no qual a mulher fica completamente “chapada” com a quantidade de hormônios e substâncias secretadas no organismo naturalmente que preparam o corpo para um acontecimento tão extremo.  

A enfermeira Karin monitorava a bebê com frequência e ajudava no trabalho de parto. A enfermeira Giovana então avaliou a evolução do trabalho de parto e disse que ela estava com 4 cm de dilatação. Foi bastante frustante, já que havia passado bastante tempo com muitas contrações, para um avanço tão pequeno. Porém continuamos focados em ajudar a avançar o trabalho de parto. Ao redor das 4:312226409_987458654675569_1003362007_n0 am foi feita a segunda avaliação pela Giovana e estava com apenas 5 cm. Foi um balde de água fria, tanto esforço por tão pouca evolução. Começamos a temer não ser possível um parto natural e ter que nos transferir para o hospital para induzi-lo. A Mileine estava esgotada, eu realmente não sei como ela conseguiu aguentar tantas contrações intensas por tanto tempo. Então a enfermeira pediu para entrarmos na banheira e lá ficamos até nascer o dia, as contrações desaceleraram e todos pudemos descansar um pouco, inclusive a Mileine, que estava exausta.

Foi quando a Samara nos “despertou” e disse que tínhamos que continuar a trabalhar. Saímos da banheira e 12674507_987458548008913_479977343_napenas movimentando um pouco corpo fez com que as contrações voltassem. Ao redor das 10:00 am a enfermeira Priscila fez una nova avaliação, estávamos muito apreensivos, pois sabíamos que daquele momento dependia todo o planejamento, preparação, esforço e o desejo de um parto realmente humano. A priscila então disse, quase como uma revelação, “Graças a Deus, está com 8 cm, o colo parece uma geléia. A Heloisa vai nascer!”. Nesse momento me arrepiei inteiro, não consegui segurar a emoção e comecei a chorar, olhei em volta e todos no quarto estavam chorando. Depois de tanto esforço, tanto sacrifício, vamos conseguir ter nossa menininha como queríamos.

A partir daí tudo foi mais “fácil”, pois a Mileine se motivou e encarou as contrações com muita coragem, até que a enfermeira a tocou e sentiu a cabecinha da Heloisa, me pediu para sentir e me emocionei muito, estava acontecendo! Eu disse que tinha sentido sua cabecinha e duas contrações depois nasceu a Heloisa as 12:54 de 24/02. A enfermeira fez questão que eu tirasse a Heloisa e entregasse direto para a Mileine. Todos choramos, sentindo uma felicidade imensa, com nada além de alegria e realização no coração, um sentimento pleno. Enquanto a Mileine já a amamentava, a placenta nascia e o o sangue do cordão, que pertence ao bebe, voltava para seu pequeno corpo, e eu pude então cortar o cordão, fazendo-a respirar agora por conta própria. Em seguida chegou o Enzo e ficou fascinado com a irmãzinha.

A equipe foi simplesmente fantástica. A doula foi fundamental no trabalho de parto, ela apoiava fisica e emocionalmente minha esposa, ficou o tempo todo presente. As enfermeiras, que eram muito bem qualificadas e experientes, foram muito humanas e profissionais nos passando muita tranquilidade e segurança. A médica participou menos, como naturalmente deve ser, porém foi sempre muito carinhosa e preocupada, humana.

Minha es10584233_987458814675553_638511149_nposa foi literalmente um guerreira, mostrou que é uma mulher extremamente forte e determinada, muito mais do que eu imaginava. Ela encarou 15 horas de dor intensa e esgotamento físico com uma resiliência inimaginável. Os profissionais se referem muito à palavra “poder” que de fato reflete muito bem a experiência da mãe no parto.

Acredito que o parto normal é uma experiência da qual os pais tem o direito de não serem privados, seja por um sistema de saúde estúpido ou médicos de eticamente tortos. O parto natural, por sua vez, é uma experiência sem interferências desnecessárias ou anomalias técnicas que foram se tornando práticas comuns até os dias de hoje e que reduzem a magia do nascimento. É uma experiência transformadora que vai além de ser protagonistas do nascimento de nossos bens mais preciosos e fortalecer os vínculos familiares, mas nos faz descobrir aspectos pessoais desconhecidos por nós mesmos. A idéia desse texto é apenas descrever nossas experiências pessoais de parto, e não julgar decisões ou opiniões diferentes das nossas.

Caue Tacchini Bernardo – pai da Heloisa e do Enzo


grupo de gestantes
Doula, Empoderamento, Gestação, Parto

5 razões para dizer SIM

Você já viu o positivo no palitinho, já está em pelo menos 5 grupos virtuais de “gravidas” e aquela sua amiga com cara de hiponga te convidou para ir em um grupo presencial de apoio à gestação e parto humanizado?

Abra o peito, o sorrisão no rosto, coloque sua roupa mais confortável e diga SIM!

Nos grupos presenciais, mais do que a oportunidade de trocar experiências com outras gestantes, você provavelmente vai encontrar :

 

1: Informações baseadas em Evidencias

Os grupos costumam ter até 10 casais e os facilitadores buscam sempre embasar as informações passadas da forma mais confiável possível, dentro do tema abordado.

“Não existe escolha sem que exista antes conhecimento real sobre as opções”

Fala-se do que é normal, ou não na gestação e parto, dependendo do tema abordado no dia pelo grupo.

 

2: Vão te provocar a questionar

Dos primeiros passos para assumir a autonomia do próprio corpo é se permitir questionar. “Como isso acontece? Porque essa indicação? Esse procedimento seria feito por quê?”

Você estará rodeada de mulheres que descobrem a cada dia o poder de ter autonomia sob o próprio corpo.

 

3: Apontar caminhos

As mulheres nos grupos já viram muita coisa e estudaram outras tantas, acredite, elas mais do que ninguém gostariam que o parto normal respeitoso fosse um direito acessível e não algo que temos que lutar por ele. Vão falar no ato sobre as condutas conhecidas de profissionais e hospitais, indicar uma série de livros, filmes e blogs para que você possa escolher o que é melhor para  SUA realidade e se encaixa melhor nos SEUS desejos.

 

4: Relatos de Parto Reais

É bonito ler relatos de parto, mas ouvir da mulher que vivenciou cada contração, alegria e força é uma experiência completamente diferente. Ouça com respeito, é a história dela, mas significa que você também pode conquistar a sua. É possível e nem sempre tão simples e romântico como pode parecer no youtube.

 

5: Apoio

Seu grupo será sua rede de apoio, anote dúvidas, pergunte sempre que tiver espaço para isso, de preferencia abertamente para todo o grupo, sua dúvida pode gerar uma discussão muito boa e ajudar à outras mulheres. É intimo? Aproveite o final do encontro, se forem muitas dúvidas, vale recorrer a uma Doula para te dar a atenção e informação que precisa.

 

Você frequenta já algum grupo de apoio? Se ele puder ser divulgado poste aqui nos comentários que vou atualizando o post com “Nossas leitoras recomendam”

Capa
Empoderamento, Parto, Plano de Parto

Vamos construir o parto Real?

Ainda na série “experiencias na internê” em Maio eu estava animadíssima na pegada de video-resposta sobre as coisas.

Tirando o fato de eu ser bem ruim na produção de vídeos, esse foi um dos temas mais legais e acabou sento o start para que eu desenvolvesse um exercício para elaboração personalizada do plano de parto.

O que acaba sendo uma grande redundância, todo plano de parto deveria ser elaborado de forma única e exclusiva, mas sei também que as vezes é mais fácil copiar aqui e colar alí… é? É sim!

O parto acontece apenas em algumas horas, sim é verdade, também é verdade que durante essas horas TUDO NO MUNDO pode acontecer. Desde a aparição do segundo Sol até uma invasão apocalítica zumbi.

Vale a pena se dedicar algumas horas, sentar e ir visualizando desde o inicio do trabalho de parto até o retorno para casa depois do nascimento.  Em que momento quer ir para o hospital, o que gostaria de comer, músicas que quer ouvir, quem quer ter por perto….

Na época perguntaram também se quem está super empoderada com equipe 5 estrelas humanizada também precisa fazer o plano de parto. SIM, faça sim.

Mesmo dentro de uma equipe humanizada cada profissional irá agir como ele acredita ser melhor para a parturiente, se ela não pontuar claramente suas vontades e desejos, isso pode gerar uma profunda decepção com a equipe posteriormente.

Confiram o vídeo aqui, que apesar de não ser digno de uma produção de Steven Spielberg está recheado de informações boas.

E aqui, tem o exercício que criei e desenvolvi durante um curso em Itapetininga-SP :)

São perguntas simples, mas que vão te ajudar lá no final a visualizar com o que você precisa se preocupar e o que pode fazer para que não se torne um fator de tensão real no parto.

Responda item a item e no quaro final coloque os pontos principais levantados,com base nesse quadro poderá fazer seu plano de parto de forma bem mais consciente.

Discutir com seu acompanhante (quando tiver) é sempre importante, tanto para aliviar a tensão que alguns questionamentos poderão provocar quanto para trazer o outro junto com você para dentro do parto Real.

 

 

**Para saber detalhes sobre direito à assistência humanizada no SUS consulte a lei 15.759 (de 25/03/2015) http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2015/lei-15759-25.03.2015.html