Browsing Tag

Parto Humanizado

19423992_1766230670334797_4707753575432078280_n
Parto

Guia prático sobre: Parto Domiciliar

Se você sonha com um parto domiciliar e não sabe por onde começar a organizar o seu esse texto é para você.
Se você acha a ideia de ter um bebê em casa algo assustador, esse texto também é para você.

“O parto domiciliar é uma opção segura para as parturientes de baixo risco atendidas por profissionais qualificados e é um direito da mulher.” Melania Amorim

Começamos por ai, quem pode ter um parto domiciliar?
Em geral, mulheres com gestação de baixo risco.

E o que é necessário?
Acompanhamento clínico é essencial, durante toda a gestação o pré natal bem feito é REGRA, independente de onde você deseja ter seu bebê. No parto isso não muda.

No geral nos partos domiciliares quem é responsável e habilitado para prestar assistência são Médicos Obstetras, Enfermeiras Obstetras e Obstetrizes. Normalmente as equipes são sempre constituídas de dois profissionais para caso haja qualquer intercorrência seja possível prestar o atendimento imediato necessário e levam consigo todo aparato para isso.

Não recomendo parto desassistido, ou seja, sem esses profissionais presentes e acompanhando todo o processo. Doula não faz parto e em nenhum momento deve realizar qualquer tipo de procedimento clinico, seja auscutar o bebê ou realizar exames de toque, independente de sua formação NÃO É SUA FUNÇÃO. Então, não existe essa de “Quero um parto em casa, vou contratar APENAS uma doula”

Converse com todas as equipes disponíveis, pergunte sobre suas condutas, principalmente em casos em que as coisas aconteçam completamente diferentes do que você sonha. Plano B é fundamental e estar ciente e preparada para isso também.

Busque relatos de parto onde a equipe escolhida atuou, conversar com essas mulheres é também parte importante. Você e quem estiver contigo precisam estar seguros de sua escolha. É seu parto, de mais ninguém.

Pré natal bem feito, equipe escolhida, plano de parto pronto. Agora é hora de preparar a casa!

Não é preciso ter o ambiente estéril, mas limpeza e organização são fundamentais, deixe a dispensa abastecida também. A equipe e você precisarão de espaço para se movimentar e você precisará se alimentar antes, durante e depois.

O que comprar? 

Cada equipe tem sua própria lista de recomendações no geral muito parecidas:

=> Espelho de mão
=> Fraldas de algodão bem macias lavadas e passadas para fazer compressas (10 unidades)
=> Lençóis, daqueles que você não irá se importar em sujar (4 unidades)
=> Toalhas de banho, daquelas que você não irá se importar em sujar (8 unidades)
=>Lençóis descartáveis com dry-gel, Biofral® ou similar à venda em lojas de produtos para a saúde
=>Forminhas de gelo em cubos para compressas no períneo após o parto ou absorventes refrescantes (tem a receita no meu blog!)
=> Absorvente externo grande: para a pós-parto
=> Tintura de calêndula ou álcool 70% para higiene do coto umbilical
=> Kanakion ou vitamina K via oral 2mg, serão utilizados 3 doses( nascimento, 7dias e 30 dias)
=> Fraldas e/ou cueiros de algodão macio lavados e passados (15 unidades)
=> Toalhas de banho pequenas ou de rosto grandes, bem macias (6 unidades)
=> Touca de algodão para o bebê (2 unidades) ( não serve de lã)
=> Panos de chão para limpeza depois do parto (6 unidades)
=> Plástico para forrar o colchão (colocar no colchão no início do trabalho de parto)
=> Sacos plásticos de tamanhos variados para placenta (sem furos), lixo descartável do parto
=> Aquecedor de ambiente caso seja época de frio
=> Piscina (se a mulher quiser e não possuir banheira) inflável 318 litros com as bordas bem sustentadas (para que você possa se apoiar nelas sem que se dobrem)
=> Bomba para inflar a piscina
=> Se for usar a banheira, é necessário uma mangueira nova que possa ser conectada ao chuveiro
=> Velas, pétalas de flores e demais “frusfrus” que você queira no seu parto, para tornar a experiencia ainda mais linda e romântica 😉

 

 

Desejo que tudo ocorra maravilhosamente bem no seu parto domiciliar, se quiser ler relatos de quem viveu essa experiencia única clique aqui 

19553843_1766197813671416_384829270003646418_n
Parto

Parto orgásmico, porque não?

Das coisas que mais impressionam nos “moderninhos” partos normais, os relatos de mulheres que sentiram prazer durante o parto são os que mais chocam. Não é de se espantar, não é mesmo?

Onde já se viu, nós que fomos destinadas a “parir na dor” tal qual Eva e toda sua descendência punidas depois da ousadia de provar do fruto proibido, sentirem PRAZER ao dar a luz?

Como pode o parto, um momento lindo, mágico, puro de todo o mal envolver algo “sujo” como a sexualidade feminina e o orgasmo?

Ainda separamos ter um filho da experiência sexual, como se um nada tivesse a ver com o outro, como se a santidade nos cobrisse, nós mulheres todas enquanto geramos outra vida em nossos ventres. Seria o “TER QUE SER RUIM” um castigo por antes ter se permitido o prazer?

Isso queria muito saber de vocês mesmo.

Agora, se pensarmos fisiologicamente, não tem porque o nascimento respeitoso não ser um momento intenso de prazer principalmente quando a mulher é respeitada, bem tratada, tem um ambiente reservado e pessoas que ela confia ao seu redor.

O clitóris, esse órgão bonitão da imagem, é o principal responsável por esse prazer durante o parto ser possível, sua estrutura vai muito além da pequena parte externa que antes se conhecia. Ele abrange grande parte da vulva e se estende até a entrada da vagina.

Ou seja, é imensamente estimulado pela quantidade de sangue no corpo aumentada durante a gestação e durante o parto pela enxurrada de hormônios. E no período expulsivo, que tanto assusta a maioria de nós, toda a musculatura da vagina se alonga e mais uma vez,todas as partes do clitóris que fazem parte dessa estrutura são estimuladas.

Por isso sim, o parto orgásmico é possível. E não, não tem nada de sujo ou imoral. Assim como não existe nada de sujo ou imoral no nosso prazer.

19059410_1760210814270116_7788179999083996223_n
Parto

As contrações são você

Nem mais fracas nem mais fortes, as contrações são suportáveis por serem parte de você. Expressão mais clara da sua própria força.

Isso assusta, muitas vezes.

Começam tímidas, lá pelo sétimo mês de gestação, deixando a barriga bem redondinha e provocando desconforto na pelve algumas vezes, nada de dor ainda nesse momento.

Mais tarde, próximo ao parto, elas começam a mudar.

Curtas de duração e bem doloridas, com enormes intervalos (uma a cada hora, ou algumas seguidas e depois param espontaneamente)
Ou longas com intervalos curtos (1 minuto de duração e 3 de intervalo = trabalho de parto ativo!)

Como você pode lidar com suas contrações?

1: Encare o seu Medo, lembre que elas são essenciais para que seu bebê nasça e é importante que venham e sejam fortes para que isso aconteça

2: Respire profunda e pausadamente, Yoga e Pilates durante a gestação podem dar o treino e ritmo certos para esse momento. Quanto mais profundamente respirar mais você irá soltar as tensões musculares e aliviar as dores.

3: Se puder, tenha uma Doula ao seu lado. Ela irá de ajudar a se acalmar e focar no que realmente importa a cada momento e te lembrar que você é capaz e forte o suficiente.

4: Abuse da água quente, vão te ajudar a relaxar e aliviarão muito a sensação das contrações

5: Rebole, faça círculos grandes com os quadris, pequenos, vá para frente e para trás… Não importa. Deixe seu corpo te mostrar quais são as posições e movimentos melhores para aquele momento, mesmo que você não acredite em mim agora vai saber e sentir exatamente como deve ficar.

6: Vocalize, soltar o ar relaxando a garganta com sons de “As” ou “Os” são ótimos para aliviar as contrações mais intensas e vão te ajudar a mudar o foco, ao invés de pensar na sensação vai prestar atenção no som que estará fazendo

7: Evite ficar deitada, costuma ser a posição mais desconfortável para se estar quando se tem contrações. Diferente da cólica menstrual, as contrações não vão passar com um comprimido, o melhor remédio é sua participação ativa na expulsão do bebê.

8: Você quer gritar? Grite!
Quer gemer? Ótimo!
Quer rebolar? Tenha apoio
Você precisa de um tempo para descansar? Deixe que seu corpo descanse, tenha por perto quem te ajude a relaxar.

As contrações duram no máximo 60 segundos cada uma, é um tempo curto, não acha?

8: Converse sobre como se sente antes do parto.
Existem duas escolas muito antigas sobre o parto sem dor, uma delas afirma que quanto mais segura a mulher se sentir mais fluído será o parto, isso envolve equipe, ambiente, acolhimento. O medo gera tensão muscular, que por sua vez gera mais dor. A ansiedade pode ser um alerta já na gestação que você não se sente segura com um ou mais pontos, é bom resolver essas questões antes do parto em si.

Parir dói, mas nunca mais do que podemos suportar é a nossa própria força. Seu próprio poder escancarado para você e todo mundo ver. Isso assusta, mas você É CAPAZ.

O que atrapalha mesmo no parto é o medo/angustia alheio, falta de apoio, intervenções desnecessárias e desrespeito às vontades da mulher.

19059687_1760144214276776_5877271875061375316_n
Parto, Períneo

Parto normal não estraga a perereca de ninguém

Pois é, as terríveis histórias das vísceras que “caem”, da vagina larga, da incontinência urinária e fecal depois do parto normal tem outros responsáveis que não O terrível, animalesco e destruidor parto normal.

A função de controle e apoio de órgãos é de uma malha muscular chamada MAP que pode enfraquecer e ser danificada nas seguintes situações:

* Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico; ( ex : Episiotomia. Após feito o corte na vagina da mulher no momento do nascimento do bebê, é necessário reparar os danos à área. A Episiorrafia é a sutura da Episiotomia. É muito difícil estabelecer o tamanho normal de uma Episiorrafia, já que o tamanho da Episiotomia pode ser bastante variável.)

* Gravidez e parto com assistência deficiente;

* Tumores malignos e benignos;

* Doenças que comprimem a bexiga;

* Obesidade;

* Tosse crônica dos fumantes;

* Quadros pulmonares obstrutivos que geram pressão abdominal;

* Bexigas hiperativas que contraem independentemente da vontade do portador;

* Procedimentos cirúrgicos ou irradiação que lesem os nervos do esfíncter masculino.

*Constipação intestinal.

*Enfraquecimento muscular causado perda da enervação que ocorre com a idade (a partir de 40 anos)

Os músculos do assoalho pélvico (a MAP) são os responsáveis pela sustentação da uretra, a vagina e o ânus, são também conhecidos como “músculos de Kegel”.

Eles foram detalhados pela primeira vez pelo médico Arnold Kegel em 1948, um ginecologista que desenvolveu exercícios para corrigir a frouxidão vaginal sem cirurgia. A prática dos exercícios de Kegel ou Cinesioterapia previne e recupera o tônus muscular, é o fim da incontinência e *prolapsos, além de melhora significativa na vida sexual, há relatos de mulheres que após os exercícios sentiram orgasmos mais intensos e até que pela primeira vez os sentiram.

Ou seja, com filhos, sem filhos, cesárea ou parto normal todas as mulheres estão sujeitas a passarem por problemas íntimos por culpa do enfraquecimento muscular, principalmente depois dos 30 anos de idade e podem reverter esse quadro com avaliação de fisioterapia perineal e evitar praticando exercícios constantes como Yoga, Pilates e o próprio Kegel  

 

bolsa
Parto

E se romper a bolsa, o que fazer?

Os filmes e novelas mentiram para você. Pois é.
Você não precisa se desesperar e sair correndo quando a bolsa estourar! Milhares de florzinhas da gratidão para esse post, heim?!Para que serve o liquido amniótico?
-Durante a gestação o liquido é responsável pela proteção do bebê, ele amortece os impactos
-Possibilita a movimentação livre dentro do útero
-É com o liquido que os órgãos internos responsáveis pela respiração e digestão treinam o funcionamento
-É através do liquido também que o bebê treina o PALADAR, variando os “sabores” conforme o que a mãe come.
-O liquido se renova constantemente! A cada 18 ou 24 horas você tem entre 700ml até 1l de liquido novinho :)

Muito líquido ou pouco, qual o problema?

200w_d (14)
Tudo na gestação tem uma curva de normalidade que é usada de parâmetro, sempre que se identifica alterações é um sinal que algo não está bem. O problema não é a quantidade de liquido e sim PORQUE ela está fora na curva considerada normal para o período. Pode ser por conta de alguma alteração hormonal, de funcionamento da placenta ou até mesmo má alimentação/hidratação.
E quando rompe a bolsa?!

giphy (4)

Existem duas membranas que envolvem o bebê e são preenchidas de liquido, como se fossem dois saquinhos.
As vezes uma dessas membranas tem uma pequena ruptura e a mulher passa a perder liquido aos poucos, quase sem sentir ou perceber. Não é preocupante, pois o liquido continua sendo produzido pelo corpo, mas é importante observar o bem estar do bebê.
Pode também acontecer o famoso PLOC, a mulher é capaz de ouvir o barulho da ruptura e uma grande quantidade de liquido escorre. Isso pode acontecer Antes ou mesmo Durante o trabalho de parto.
***IMPORTANTE: Infecções urinárias podem provocar o rompimento da bolsa e partos pré-maduros. Em caso de contrações com dor constantes que não evoluem, ou antes das 37 semanas fale para seu médico, investiguem!
De acordo com estudos atualizados o trabalho de parto normal costuma começar espontaneamente até 12 horas depois do rompimento da bolsa para 70 a 80% das mulheres. Por isso, não existe necessidade de correr para o hospital ou se desesperar caso a bolsa rompa e você ainda não sinta nenhuma contração.

****IMPORTANTE
A cor do líquido sempre deve ser observada.
transparente ou com bolinhas brancas = está tudo bem
liquido esverdeado, pouco ou muito chegando a parecer creme de ervilha= é preciso ir imediatamente ao hospital, a presença de mecônio pode ser um sinal que o bebê não esteja bem e não você não deve aguardar.

 

 
13645351_1613039015653964_8372662075152729055_n
Empoderamento, Parto

Como é parir em uma casa de Parto?

Casa de parto no estado de São Paulo temos tres, duas ficam na capital, Sapopemba (na zona Leste) e a casa Angela (na zona Sul) E você pode ler um texto muito bom sobre elas nesse post aqui .

Mas para quem mora no Interior de São Paulo, pode se tornar inviável recorrer a qualquer uma delas, foi pensando nisso que surgiu a 170lm da capital a primeira Casa de Parto particular do interior, Opima.

Se você deseja ter seu bebê lá, antes de mais nada, é importante participar das palestras realizadas mensalmente, temas relacionados à gestação e parto são desenvolvidos em grupos por profissionais locais capacitados. Ao final das palestras se você desejar pode também fazer um tour e conhecer a suíte de parto, com hidro, chuveiro, jardim de inverno e teto estrelado <3

Você pode também participar dos cursos de preparo ao parto oferecidos, são 4 módulos com 3 horas de duração cada, que abordam de forma prática e intima cada aspecto do parto. Você pode conferir os cursos oferecidos aqui.

O pré natal é feito pela enfermeira obstetriz responsável pelo acompanhamento na casa, a consulta dura em média 1 hora a 1:30 e é pré agendada sempre, não dispensa o acompanhamento médico, recomenda-se o pré-natal com a obstetriz como complemento à um bom pré-natal.

 

O atendimento ao parto funciona 24h, e conta com :

Duas enfermeiras Obstetras

Doula*de livre escolha da gestante

Neonatologista

Ambulância de prontidão na porta  (caso seja necessária a transferência para hospital)

 

E o PARTO?

Desde a 36 semana toda equipe já está a sua disposição, para tirar dúvidas ou qualquer necessidade a qualquer hora do dia ou da noite. Assim que as contrações vem de forma contínua, mesmo que ainda sem ritmo certinho, a sua doula já estará com você se assim desejar.

Quem dita a hora de ir é até a casa de parto é a parturiente, dentro das evidencias cientificas atualizadas a respeito já que a assistência clínica durante o trabalho de parto ativo é fundamental.

Toda equipe já estará esperando por você, a suite de parto ficará da forma que determinar no plano de parto , que é respeitado na integra, com música, com flores, com aromas, com/sem luz e é possível deixar ela ainda mais com ar de “casa da gente” com itens pessoais pelo ambiente.

A cada hora os batimentos fetais são verificados, entre e durante as contrações, pelas enfermeiras obstetras. Os exames de toque são mínimos e sempre acontecem  apenas após o seu consentimento.

O período expulsivo, pode ser em qualquer lugar e posição que você se sentir a vontade (banheira, banqueta, cama, sustentada pelo tecido, etc)

E a recepção do Bebê?

O bem estar do bebê ao nascer é assegurado pela Neonatologista, que deixa mãe bebê a vontade nos primeiros minutos de vida para que o imprint aconteça com todo respeito que o momento demanda. A pesagem e medição são feitas no quarto mesmo, à vista dos pais.

Caso exista qualquer complicação os primeiros socorros são oferecidos imediatamente já que a clinica conta com todo equipamento necessário (desde material de cateterismo umbilical até material para intubação)

 

O que Rola e o que NÃO ROLA 

  • Livre movimentação todo o tempo
  • Empurrarem sua barriga para ajudar o beber a descer (Kristeler)
  • Liberdade para comer e beber o que desejar
  • Jejum durante todo o TP
  • Ficar no chuveiro quentinho até enjoar
  • Permanecer deitada todo o TP
  • Parir na hidromassagens Like a DIVA
  • Ter que usar a camisolinha da vergonha e mostrar o bumbum para todo mundo
  • Parir com apoio da banqueta de parto
  • Parir na posição frango assado
  • Ter quantos acompanhantes você desejar
  • Brigar para poder ter pelo menos seu marido perto de você
  • GRITAR o quanto você quiser
  • Anestesia peridural
  • Receber massagem com óleos quentinhos
  • Pique, cortinho ou para os mais íntimos: Episiotomia
  • Ambiente todo preparado a base de aromaterapia
  • “sorinho” para ajudar o bebê a nascer
  • Risadas e conversas boas
  • Exames de toque de hora em hora
  • Relaxar sob um teto estrelado
  • Separação mãe-bebê para procedimentos com o recém nascido
  • Atenção exclusiva à parturiente
  • Fómula nas primeiras horas de vida
  • Respeito a cada minuto do seu parto, sem prazos
  • Apoio à amamentação nos primeiros minutos de vida e em todos os outros

 

Onde fica: Av. José Gomes de Camargo, 400, Jd. Marabá – Itapetininga, SP

Telefone:(15) 3273 2249

 

Aqui vão algumas fotos do lugar para você morrer de vontade de parir lá conhecerem melhor

 

 

 

 

 

pelvis
Parto, Trabalho de Parto

Moça da bacia larga, moça da bacia estreita

Eu a vida toda acreditei que nossa pélvis (a bacia) tivesse um único formato, a passagem seria redondinha e pronto, tudo certo.

Você não imagina o tamanho dos meus olhos quando Gail apresentou na sua palestra do Siaparto 4 possíveis formas da pélvis. Não uma, não duas, ela não chegou com toda sua simpatia e dividiu as mulheres em “boas parideiras” ou não.  Q-U-A-T-RO formas possíveis.

 

formatos da passagem da pelve

Primeira coisa que me perguntei foi “E aí, qual é a forma melhor?” Afinal a vida toda ouvi, que existe sim quem é boa e quem é ruim pra coisa.  Mas nem precisei guardar para mim isso, logo em seguida, com um sorriso largo ela explicou:

Não existe formato melhor ou pior, cada formato é único, como é único também cada parto. A questão principal é lembrar que cada contração é importante, todo tempo é importante para que o bebê possa girar e se encaixar perfeitamente na passagem da mãe. As vezes o parto demora porque o bebê está ali, apenas esperando uma boa posição para se ajeitar e nascer.

Ok, tive um momento “Maísa” e meu mundo caiu, se o seu também, continue a leitura porque tudo que é bom pode ainda melhorar.

A pélvis não é um espaço aberto, vazio, oco. Você pode ter uma pelve enorme e ter um trabalho de parto longo, ou uma pelve mais estreita e um trabalho de parto rápido. Tudo graças ao relaxamento ou tensão muscular.

pelvis com musculos

A pélvis é toda recoberta por músculos (a MAP) que aliás já falamos bastante deles aqui e quanto mais relaxados esses músculos estiverem durante o trabalho de parto mais fácil será para o bebê se ajustar, aumentará a eficiência das contrações e  a abertura da passagem, consequentemente vai tornar o parto mais fácil.

Então hoje, o que eu espero que você guarde dentro do seu coração é:

O parto vai durar o tempo necessário

Cada contração é importante

Quanto mais relaxada você estiver, melhor

 

A cada dia ainda me surpreendo em como o corpo funciona de forma perfeita e coordenada.. incrível não é?

Quarta vamos falar aqui no blog mais sobre pelve, musculatura e movimentação, dicas da Sam para um trabalho de parto fluído.

 

Bjo grande e inté

 

 

 

 

 

Olhar de Claudia Clemente Fotografia
Doula, Empoderamento, Gestação

Humanizado, por quê?

Conversando com uma gestante ela me questionou, nessas palavras: “Sá, parto humanizado pra que? Por quê?” . Um parto humanizado hospitalar seria um investimento extra e ela arcaria sozinha, afinal, poxa, ela tem convênio e o parceiro via como um “mimo” desnecessário.

Eu me vi nela alguns anos atrás, realidades diferentes mas angustias parecidas. Decidir tudo sozinha e arcar com todas as escolhas e consequências exclusivamente sozinha. Mesmo e apesar do medo gritante do desconhecido. A gente luta.

Eu optei por um parto humanizado, por mim principalmente.

Era o momento em que EU queria ser muito bem tratada

Era o momento em que EU gostaria de me sentir segura

Era o momento em que EU gostaria de ser 100% respeitada

Seria o dia que eu, mesmo de memória péssima, nunca iria me esquecer.

 

Fiz a minha escolha, dentro do que eu suportei. As opções na época eram

 

Um parto vaginal cheio de intervenções e violência obstétrica, na maternidade pública da cidade (Minha gestação foi difícil emocionalmente, era inaceitável me colocar a disposição de mais violências enquanto eu estivesse tão vulnerável)

Uma cesárea agendada ou com plantonistas, no hospital particular da cidade (Desejava um parto de cócoras, só aceitaria essa opção se não pudesse parir com dignidade, sim, antes uma cesa que um parto normal absurdamente violento)

Um parto domiciliar -na casa da minha mãe- com parteiras “importadas” de longe. (Minha mãe aguentaria? Não sei… Teríamos tranquilidade? Não… Podia investir tanta grana? Não também, eu sabia que seria despedida assim que terminasse minha licença maternidade)

Um parto normal em um hospital que tinha UMA EO bacana, no Sus em uma cidade a 60min de distancia. (Foi essa minha opção, banquei a distancia, o tempo de viagem, a possibilidade da EO não estar lá, ou não poder entrar comigo, banquei não ter Doula, banquei ter que brigar para não sofrer intervenções desnecessárias. Pari de cócoras com auxilio de uma banqueta.)

Hoje o panorama geral na minha região não está tão ruim, mas ainda estamos longe de ter um tendimento gratuito ou através do convênio que possa ser chamado honestamente de humanizado. Ou se está disposta a brigar antes e durante o parto, ou se está disposta a pagar por uma equipe que te respeite.

 

Voltando a minha conversa com a gestante…

“O que você espera viver no seu parto? Quais são suas opções, de verdade?”

“Não quero mais ter que brigar, quero me entregar e apenas me preocupar em parir, preciso disso”

“Onde você se sente mais segura?”

“Só vejo isso possível com o Dr particular… usarei o hospital pelo convênio, mas a equipe… não quero ter que arriscar”

 

Escolhemos o parto humanizado particular, não por frescura ou modinha, é pelo medo de não termos um tratamento digno dentro das opções disponíveis.

E você, consegue responder como sonha em vivenciar seu parto e quais as opções possíveis (com prós e contras) ai?

12528146_987458604675574_1487694020_n
Doula, Parto, Relato de Parto

Relato de Pai: O Nascimento da Heloisa

Acho importante, antes de mais nada,  escrever o relato do nascimento de nosso primeiro filho de cesária para poder estabelecer uma base de comparação com nossa segunda experiência.  

O nascimento do Enzo

Nosso primeiro filho Enzo nasceu de cesária. O obstetra que acompanhou a gestação era bastante atencioso e gostávamos de sua forma de trabalhar. Porém ele nunca queria falar de parto quando puxávamos o assunto. Quando minha esposa Mileine estava com 36 semanas de gestação ele finalmente disse “para quando querem marcar o parto?”. Nós achamos muito estranho e eu pedi para discutirmos as opções, e enquanto conversávamos mencionei que minha esposa tinha escoliose e ele se agarrou nesse argumento para justificar a cesária. Nós, pais de primeira viagem, acatamos a “forte sugestão” do obstetra.

Me chamaram para a sala de cirurgia apenas quando já estavam tirando o Enzo e não queriam deixar eu filmar, então eu discuti com a enfermeira e continuei filmando. Imaginei que o motivo pelo qual não queriam filmagem era para evitar registrar um eventual erro médico. O Enzo nasceu com a ajuda de um equipamento de aço curvado que machucou sua cabeça e deixou uma cicatriz que não diminui e impede o crescimento de cabelo. Colocaram o Enzo perto da Mileine apenas pelo tempo de tirar uma foto e o levaram para outra sala onde fizeram todos os procedimentos padrões (e questionáveis) de aspirar, retirar o vérnix… Só o encontramos depois na sala de repouso onde estávamos esperando.

Resumindo ficamos muito irritados com o obstetra que nos enganou, que não queria nos deixar filmar o parto, que foi bastante mecânico e com pouca consideração pelos pais, especialmente pela mãe.    

O nascimento da Heloisa

Considero que estavamos relativamente bem informados com relação ao parto natural. Isso nos deu bastante tranquilidade para encarar cada etapa do processo de nascimento, até então desconhecidas na prática. O desenvolvimento da gestação foi normal, sem nenhum problema. Não contamos ao novo obstetra que queriamos fazer um parto natural, fora de um hospital, já que a maioria dos médicos realmente não gostam dessa idéia.

Decidimos ter a Heloisa em uma casa de parto (Clínica Opima) em nossa cidade Itapetininga que fica a 3 minutos do hospital da Unimed, uma suíte muito grande e agradável toda equipada, com temperatura controlada, cama, banheiro, banheira de hidromassagem, tecido para apoiar, bolas para exercicios, jardim de inverno, comida, bebida, equipamento de emergência e uma ambulância pronta para uma eventual transferência para o hospital. Fizemos cursos e estudamos como seria a experiência; as vantagens, os riscos… Escolhemos uma equipe incrível com uma médica pediatra (Andréa Golveia), 2 efermeiras (Giovana Fragoso e Priscila Colacioppo), uma doula (Samara Barth) e uma fotógrafa (Rithiele Mareca). Minha cunhada Mary tambem participou desde o inicio ajudando e acompanhando todo o parto. A enfermeira Karin Bienemann também se juntou à equipe.

Com 39 semanas e cinco dias 23/02 começou a sair o tampão e o que achamos ser um pouco de liquido amniótico. Mantivemos a equipe informada através de um grupo de Whatsapp. Durante a tarde a Mileine sentiu várias pequenas contrações que foram aumentando de frequência e intensidade até caracterizar efetivamente trabalho de parto as 21:30. Chamamos a doula Samara que monitorou um pouco as contrações até que sugeriu que fossemos para a casa de parto.

A partir daí começou o trabalho duro, a doula e eu o tempo todo com a Mileine. As contrações estavam muito fortes e revezamos o chuveiro, bola, tecido, cama, caminhadas até as 2:00 am. A Mileine estava bastante cansada e já estava no que os profissionais chamam de “partolândia”, um estado de consciência no qual a mulher fica completamente “chapada” com a quantidade de hormônios e substâncias secretadas no organismo naturalmente que preparam o corpo para um acontecimento tão extremo.  

A enfermeira Karin monitorava a bebê com frequência e ajudava no trabalho de parto. A enfermeira Giovana então avaliou a evolução do trabalho de parto e disse que ela estava com 4 cm de dilatação. Foi bastante frustante, já que havia passado bastante tempo com muitas contrações, para um avanço tão pequeno. Porém continuamos focados em ajudar a avançar o trabalho de parto. Ao redor das 4:312226409_987458654675569_1003362007_n0 am foi feita a segunda avaliação pela Giovana e estava com apenas 5 cm. Foi um balde de água fria, tanto esforço por tão pouca evolução. Começamos a temer não ser possível um parto natural e ter que nos transferir para o hospital para induzi-lo. A Mileine estava esgotada, eu realmente não sei como ela conseguiu aguentar tantas contrações intensas por tanto tempo. Então a enfermeira pediu para entrarmos na banheira e lá ficamos até nascer o dia, as contrações desaceleraram e todos pudemos descansar um pouco, inclusive a Mileine, que estava exausta.

Foi quando a Samara nos “despertou” e disse que tínhamos que continuar a trabalhar. Saímos da banheira e 12674507_987458548008913_479977343_napenas movimentando um pouco corpo fez com que as contrações voltassem. Ao redor das 10:00 am a enfermeira Priscila fez una nova avaliação, estávamos muito apreensivos, pois sabíamos que daquele momento dependia todo o planejamento, preparação, esforço e o desejo de um parto realmente humano. A priscila então disse, quase como uma revelação, “Graças a Deus, está com 8 cm, o colo parece uma geléia. A Heloisa vai nascer!”. Nesse momento me arrepiei inteiro, não consegui segurar a emoção e comecei a chorar, olhei em volta e todos no quarto estavam chorando. Depois de tanto esforço, tanto sacrifício, vamos conseguir ter nossa menininha como queríamos.

A partir daí tudo foi mais “fácil”, pois a Mileine se motivou e encarou as contrações com muita coragem, até que a enfermeira a tocou e sentiu a cabecinha da Heloisa, me pediu para sentir e me emocionei muito, estava acontecendo! Eu disse que tinha sentido sua cabecinha e duas contrações depois nasceu a Heloisa as 12:54 de 24/02. A enfermeira fez questão que eu tirasse a Heloisa e entregasse direto para a Mileine. Todos choramos, sentindo uma felicidade imensa, com nada além de alegria e realização no coração, um sentimento pleno. Enquanto a Mileine já a amamentava, a placenta nascia e o o sangue do cordão, que pertence ao bebe, voltava para seu pequeno corpo, e eu pude então cortar o cordão, fazendo-a respirar agora por conta própria. Em seguida chegou o Enzo e ficou fascinado com a irmãzinha.

A equipe foi simplesmente fantástica. A doula foi fundamental no trabalho de parto, ela apoiava fisica e emocionalmente minha esposa, ficou o tempo todo presente. As enfermeiras, que eram muito bem qualificadas e experientes, foram muito humanas e profissionais nos passando muita tranquilidade e segurança. A médica participou menos, como naturalmente deve ser, porém foi sempre muito carinhosa e preocupada, humana.

Minha es10584233_987458814675553_638511149_nposa foi literalmente um guerreira, mostrou que é uma mulher extremamente forte e determinada, muito mais do que eu imaginava. Ela encarou 15 horas de dor intensa e esgotamento físico com uma resiliência inimaginável. Os profissionais se referem muito à palavra “poder” que de fato reflete muito bem a experiência da mãe no parto.

Acredito que o parto normal é uma experiência da qual os pais tem o direito de não serem privados, seja por um sistema de saúde estúpido ou médicos de eticamente tortos. O parto natural, por sua vez, é uma experiência sem interferências desnecessárias ou anomalias técnicas que foram se tornando práticas comuns até os dias de hoje e que reduzem a magia do nascimento. É uma experiência transformadora que vai além de ser protagonistas do nascimento de nossos bens mais preciosos e fortalecer os vínculos familiares, mas nos faz descobrir aspectos pessoais desconhecidos por nós mesmos. A idéia desse texto é apenas descrever nossas experiências pessoais de parto, e não julgar decisões ou opiniões diferentes das nossas.

Caue Tacchini Bernardo – pai da Heloisa e do Enzo


sinais de trabalho de parto
Empoderamento, Trabalho de Parto

10 sinais que o TP finalmente começou

O parto não acontece de uma hora para outra, podemos passar dias e até semanas com falsos sinais.

Com ajuda de algumas mães, e um pouco de memória, fiz aqui  a lista dos TOP 10 sinais de que seu trabalho de parto realmente começou!

 

1: Intestino solto, costuma ser dos primeiros sinais, o corpo manda embora tudo o que não é necessário antes do trabalho de parto começar para valer

2: Você SABE, simplesmente SABE

3: Ondas de Frio e de calor intensas e repentinas

4: Pressão na pelve constante, como se “algo” empurrasse para baixo

5: Boca seca

6: Sono muito intenso

7: Perda de apetite

8: Perda de vontade de falar, a mulher costuma falar cada vez menos

9: Contrações com um minuto de duração e intervalos de 3 em 3 minutos

10: Perda de tampão mucoso

 

Impossível não se sentir ansiosa, ou bater aquele medinho do “é agora”, então busque ter por perto pessoas que te apoiem e que saibam como se comportar nesse momento tão especial.

Keep Calm and call your Doula  😉