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Parto Normal

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Parto

Parto orgásmico, porque não?

Das coisas que mais impressionam nos “moderninhos” partos normais, os relatos de mulheres que sentiram prazer durante o parto são os que mais chocam. Não é de se espantar, não é mesmo?

Onde já se viu, nós que fomos destinadas a “parir na dor” tal qual Eva e toda sua descendência punidas depois da ousadia de provar do fruto proibido, sentirem PRAZER ao dar a luz?

Como pode o parto, um momento lindo, mágico, puro de todo o mal envolver algo “sujo” como a sexualidade feminina e o orgasmo?

Ainda separamos ter um filho da experiência sexual, como se um nada tivesse a ver com o outro, como se a santidade nos cobrisse, nós mulheres todas enquanto geramos outra vida em nossos ventres. Seria o “TER QUE SER RUIM” um castigo por antes ter se permitido o prazer?

Isso queria muito saber de vocês mesmo.

Agora, se pensarmos fisiologicamente, não tem porque o nascimento respeitoso não ser um momento intenso de prazer principalmente quando a mulher é respeitada, bem tratada, tem um ambiente reservado e pessoas que ela confia ao seu redor.

O clitóris, esse órgão bonitão da imagem, é o principal responsável por esse prazer durante o parto ser possível, sua estrutura vai muito além da pequena parte externa que antes se conhecia. Ele abrange grande parte da vulva e se estende até a entrada da vagina.

Ou seja, é imensamente estimulado pela quantidade de sangue no corpo aumentada durante a gestação e durante o parto pela enxurrada de hormônios. E no período expulsivo, que tanto assusta a maioria de nós, toda a musculatura da vagina se alonga e mais uma vez,todas as partes do clitóris que fazem parte dessa estrutura são estimuladas.

Por isso sim, o parto orgásmico é possível. E não, não tem nada de sujo ou imoral. Assim como não existe nada de sujo ou imoral no nosso prazer.

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Parto, Períneo

Parto normal não estraga a perereca de ninguém

Pois é, as terríveis histórias das vísceras que “caem”, da vagina larga, da incontinência urinária e fecal depois do parto normal tem outros responsáveis que não O terrível, animalesco e destruidor parto normal.

A função de controle e apoio de órgãos é de uma malha muscular chamada MAP que pode enfraquecer e ser danificada nas seguintes situações:

* Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico; ( ex : Episiotomia. Após feito o corte na vagina da mulher no momento do nascimento do bebê, é necessário reparar os danos à área. A Episiorrafia é a sutura da Episiotomia. É muito difícil estabelecer o tamanho normal de uma Episiorrafia, já que o tamanho da Episiotomia pode ser bastante variável.)

* Gravidez e parto com assistência deficiente;

* Tumores malignos e benignos;

* Doenças que comprimem a bexiga;

* Obesidade;

* Tosse crônica dos fumantes;

* Quadros pulmonares obstrutivos que geram pressão abdominal;

* Bexigas hiperativas que contraem independentemente da vontade do portador;

* Procedimentos cirúrgicos ou irradiação que lesem os nervos do esfíncter masculino.

*Constipação intestinal.

*Enfraquecimento muscular causado perda da enervação que ocorre com a idade (a partir de 40 anos)

Os músculos do assoalho pélvico (a MAP) são os responsáveis pela sustentação da uretra, a vagina e o ânus, são também conhecidos como “músculos de Kegel”.

Eles foram detalhados pela primeira vez pelo médico Arnold Kegel em 1948, um ginecologista que desenvolveu exercícios para corrigir a frouxidão vaginal sem cirurgia. A prática dos exercícios de Kegel ou Cinesioterapia previne e recupera o tônus muscular, é o fim da incontinência e *prolapsos, além de melhora significativa na vida sexual, há relatos de mulheres que após os exercícios sentiram orgasmos mais intensos e até que pela primeira vez os sentiram.

Ou seja, com filhos, sem filhos, cesárea ou parto normal todas as mulheres estão sujeitas a passarem por problemas íntimos por culpa do enfraquecimento muscular, principalmente depois dos 30 anos de idade e podem reverter esse quadro com avaliação de fisioterapia perineal e evitar praticando exercícios constantes como Yoga, Pilates e o próprio Kegel  

 

expulsivo
Parto

Tudo sobre: O expulsivo

O trabalho de parto normal humanizado, como já conversamos aqui, pode levar desde algumas poucas horas até dias. Sim dias. Cada corpo tem um ritmo próprio para que a dilatação aconteça e isso costuma depender também da posição do bebê dentro do útero, que não se iluda, muda constantemente até o momento do nascimento.

E como o parto acaba? Com o nascimento do bebê. O período depois da dilatação total é chamado período expulsivo.

O que acontece

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O colo do útero já esta totalmente dilatado, ou muito próximo à isso, a sensação das contrações muda sendo substituídas por uma vontade intensa e involuntária de força.
Essa força vem das contrações intensas e coordenadas do útero que vão aos poucos fazendo com que o bebê passe pela bacia. A descida é normalmente lenta e conta com a ajuda da movimentação também do bebê.
Passada a bacia o bebê entra no canal de parto, nesse momento a mãe pode sentir perfeitamente a descida e localização do bebê, que avança e retorna um pouquinho a cada contração. Esse movimento de “vai e volta” é essencial para que a musculatura da vagina se alongue e relaxe lentamente sem provocar lacerações (ruptura muscular/rasgos)
Aqui que sentimos o “circulo de fogo”, parece toda a vagina estar circundada e muito quente, a mucosa parece queimar por conta do alongamento profundo.
Assim que a cabeça nasce o corpo do bebê faz sozinho um pequeno giro de 90 graus* (pode variar conforme a posição de saída do bebê essa é a mais comum), para facilitar a passagem dos ombros pela bacia.

Quanto tempo demora?

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Ainda hoje não existem estudos conclusivos sobre quanto tempo o período expulsivo demora. De acordo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a duração normal seria de três horas em primípara com analgesia (primeiro parto normal, com uso de anestesia), duas horas em primípara sem analgesia, duas horas em multípara com analgesia (mulher que teve mais de um parto normal sendo esse com anestesia) e uma hora em multípara sem analgesia.
A anestesia acaba fazendo com que o tempo de expulsivo fique maior por tirar a sensação de puxo (força) materna e provocar relaxamento muscular, normalmente é necessário combinar o uso de ocitocina para que as contrações voltem a se intensificar.

Fonte da imagem de nascimento maravilhosa:http://www.monetnicole.com/stories/beautiful-crowning-images

Fonte de pesquisa: Febrasco (http://www.febrasgo.org.br/site/wp-content/uploads/2013/05/Feminav38n11_583-591.pdf)

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Sinal de Trabalho de Parto

Meleca e sangue? Tampão!

Toda Doula “é meio maluca”, tem seus trejeitos, tem sua personalidade bem delineada, sua forma de trabalhar e servir.

E tem também suas manias e amores no mundo do parto/doulagem.

Quem me acompanha no facebook sabe que a minha maluquice, amor, xodó, apego, encantamento é por TAMPÕES.

“Mas SAm, como assim?”

O Tampão mucoso é das coisas mais incríveis que podem existir antes do parto. Vou explicar aqui rapidinho e aposto que até o final do post você vai estar/ser tão apaixonada por eles quanto eu. Vamos lá.

O QUE É O TAMPÃO

Colo do útero grosso e sem dilatação

Colo do útero grosso e sem dilatação

Ele é nada mais, nada menos, do que uma “rolha” feita de meleca semelhante a muco nasal (vulgo ranho/meleca de nariz) Sim!

A função principal do tampão é proteger o interior do útero de qualquer bactéria ou sujeira que possa existir fora dele. O colo do útero tem naturalmente uma abertura pequena, que é vedada pelo tampão durante toda a gestação.

Ele pode ser transparente, levemente esverdeado ou amarelado.

A consistência também pode variar, para bem liquido (semelhante ao período fértil) ou bem espesso, parecendo uma gelatina.

 

 

 

 

 

 

AI que nojo, quando isso sai?

Colo do útero dilatado- ou apagado

Colo do útero dilatado- ou apagado

Deve ser até crime em algum país desse mundo ter nojo do tampão, não fala assim poxa.

Como ele tem função protetora e serve como uma rolha vai sair conforme o buraquinho que ele protege ampliar.

OU SEJA! <3 

O tampão é dos primeiros sinais que a gente pode ver fácil fácil que o parto está próximo e que o o colo do útero já começou a se preparar para o parto.

Já se apaixonou por ele?

Não?

Calma, tem ainda mais!

O colo do útero quando dilata costuma ter um leve sangramento, o tampão como reveste todo o colo internamente vai sair em maior quantidade e com filetes ou bem ensanguentado nesses casos.

O tampão é uma forma simples de você saber que seu parto está evoluindo e que está tudo bem.

Dá para termos uma noção de como “as coisas estão” só através da observação

Pouco muco no papel e transparente: Provável que ainda leve algumas semanas para o parto

Pouco muco e marrom: Provável que o colo tenha trabalhado um pouco, através de contrações de treino ou mesmo pelo peso do bebê. Nada com o que se preocupar.

Muito Muco sem sangue: EBA! Está perto, provável que o parto ocorra em até uma semana.

Muito Muco com sangue: Provavelmente colo está dilatando consideravelmente, se a mãe não está sentindo nenhuma contração provável que comece em pouco tempo, o parto pode ocorrer nas horas/dias que seguem.

 

E essa é minha -ainda humilde- coleção de tampões, cada um deles enviado pelas donas como presente que eu óbvio amei. Manda mais que tá pouco ainda gente!

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Parto, Relato de Parto, Trabalho de Parto

O sofá -Conto da Doula

Conheci a Lu e o marido dela em um dos cursos que ministrei na Unimed. Os dois muito atentos e com os grandes olhos atentos à tudo o que eu dizia.

-Sam, você tem agenda para nos acompanhar?

E assim começou começou nossa caminhada juntos.

Nos vimos mais uma vez antes do parto e conversávamos com frequência. A grande preocupação era que eles moravam em São Paulo e iriam ter o bebê aqui. Será que daria tempo?

As contrações começaram, eles esperaram o quanto puderam e pegaram a estrada. Os encontrei já na maternidade pela manhã.

Serenidade, era o que tinha nos grandes olhos castanhos dela, um sorriso frouxo mas cheio de orgulho “Está tranquilo ainda Sam… dá para encarar!”

Ela não quis se movimentar muito, não me lembro de ficarmos muito tempo no chuveiro também.

O que me marcou e vejo nitidamente é  ela sentada no sofá do quarto, janela ao fundo com um sol quentinho, rindo sem saber do quê e se desligando do mundo entre cada contração. Marido ao lado dela o tempo todo, com olhos arregalados fazia carinho nos seus longos cabelos negros e rosto rosado, parecia desejar tirar toda aquela “dor” para ele.  -Sam, isso é normal? Ela está bem?

Eu ria, e dizia que sim.

Lu, vamos andar um pouco?

Não… esse sofá está muito bom… – ela dizia e se ria– Vou ficar aqui pra sempre! 

Tempo depois, não muito, ela aceitou se levantar e apoiada na escrivaninha do quarto começou a rebolar, chamando pelo seu pequeno, seu pequeno bebê tão querido. As ondas das contrações agora vinham fortes frequentes, faziam seu corpo arcar com a intensidade.

Você consegue, está indo muito bem respira e solta o corpo, solta o corpo todo

Quantos anos foram até poder estar assim, tão perto de ter ele nos braços? O que será que se passava no coração desses pais?

-Estou sentindo ele descer Sá! Estou sentindo ele descer!

Ela pôde passar todo seu trabalho de parto alí no quarto, só nós três, equipe clinica vinha, examinava e deixava todos a vontade. Como é diferente quando o casal é bem tratado… como foi bom, para mim, sentir um ambiente seguro e poder apenas concentrar em estar alí e me conectar com ela através de massagens, abraços e olhares na medida que ela precisava, na forma que ela queria.

Dilatação total chegou logo, mudamos de quarto, fomos para o quarto PPP.

E ela sorria e ela fazia força e seu parceiro a amparava e ela sorria de novo e ela fazia mais força..

E ela pariu.

E ela recebeu seu bebê quente e perfumado no peito

E ela o beijou e o cheirou com tanta ternura

E ela sorriu

E eu era apenas mais uma observadora da vida, da força e do pulso, da entrega e do amor. Uma família nascia alí, aquele momento era sagrado demais para ser maculado com palavras. Gratidão transbordava em forma de lágrimas quentes pelo meu rosto.  Eles conseguiram!

 

 

 

 

 

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Doula, Parto, Relato de Parto

Relato de Pai: O Nascimento da Heloisa

Acho importante, antes de mais nada,  escrever o relato do nascimento de nosso primeiro filho de cesária para poder estabelecer uma base de comparação com nossa segunda experiência.  

O nascimento do Enzo

Nosso primeiro filho Enzo nasceu de cesária. O obstetra que acompanhou a gestação era bastante atencioso e gostávamos de sua forma de trabalhar. Porém ele nunca queria falar de parto quando puxávamos o assunto. Quando minha esposa Mileine estava com 36 semanas de gestação ele finalmente disse “para quando querem marcar o parto?”. Nós achamos muito estranho e eu pedi para discutirmos as opções, e enquanto conversávamos mencionei que minha esposa tinha escoliose e ele se agarrou nesse argumento para justificar a cesária. Nós, pais de primeira viagem, acatamos a “forte sugestão” do obstetra.

Me chamaram para a sala de cirurgia apenas quando já estavam tirando o Enzo e não queriam deixar eu filmar, então eu discuti com a enfermeira e continuei filmando. Imaginei que o motivo pelo qual não queriam filmagem era para evitar registrar um eventual erro médico. O Enzo nasceu com a ajuda de um equipamento de aço curvado que machucou sua cabeça e deixou uma cicatriz que não diminui e impede o crescimento de cabelo. Colocaram o Enzo perto da Mileine apenas pelo tempo de tirar uma foto e o levaram para outra sala onde fizeram todos os procedimentos padrões (e questionáveis) de aspirar, retirar o vérnix… Só o encontramos depois na sala de repouso onde estávamos esperando.

Resumindo ficamos muito irritados com o obstetra que nos enganou, que não queria nos deixar filmar o parto, que foi bastante mecânico e com pouca consideração pelos pais, especialmente pela mãe.    

O nascimento da Heloisa

Considero que estavamos relativamente bem informados com relação ao parto natural. Isso nos deu bastante tranquilidade para encarar cada etapa do processo de nascimento, até então desconhecidas na prática. O desenvolvimento da gestação foi normal, sem nenhum problema. Não contamos ao novo obstetra que queriamos fazer um parto natural, fora de um hospital, já que a maioria dos médicos realmente não gostam dessa idéia.

Decidimos ter a Heloisa em uma casa de parto (Clínica Opima) em nossa cidade Itapetininga que fica a 3 minutos do hospital da Unimed, uma suíte muito grande e agradável toda equipada, com temperatura controlada, cama, banheiro, banheira de hidromassagem, tecido para apoiar, bolas para exercicios, jardim de inverno, comida, bebida, equipamento de emergência e uma ambulância pronta para uma eventual transferência para o hospital. Fizemos cursos e estudamos como seria a experiência; as vantagens, os riscos… Escolhemos uma equipe incrível com uma médica pediatra (Andréa Golveia), 2 efermeiras (Giovana Fragoso e Priscila Colacioppo), uma doula (Samara Barth) e uma fotógrafa (Rithiele Mareca). Minha cunhada Mary tambem participou desde o inicio ajudando e acompanhando todo o parto. A enfermeira Karin Bienemann também se juntou à equipe.

Com 39 semanas e cinco dias 23/02 começou a sair o tampão e o que achamos ser um pouco de liquido amniótico. Mantivemos a equipe informada através de um grupo de Whatsapp. Durante a tarde a Mileine sentiu várias pequenas contrações que foram aumentando de frequência e intensidade até caracterizar efetivamente trabalho de parto as 21:30. Chamamos a doula Samara que monitorou um pouco as contrações até que sugeriu que fossemos para a casa de parto.

A partir daí começou o trabalho duro, a doula e eu o tempo todo com a Mileine. As contrações estavam muito fortes e revezamos o chuveiro, bola, tecido, cama, caminhadas até as 2:00 am. A Mileine estava bastante cansada e já estava no que os profissionais chamam de “partolândia”, um estado de consciência no qual a mulher fica completamente “chapada” com a quantidade de hormônios e substâncias secretadas no organismo naturalmente que preparam o corpo para um acontecimento tão extremo.  

A enfermeira Karin monitorava a bebê com frequência e ajudava no trabalho de parto. A enfermeira Giovana então avaliou a evolução do trabalho de parto e disse que ela estava com 4 cm de dilatação. Foi bastante frustante, já que havia passado bastante tempo com muitas contrações, para um avanço tão pequeno. Porém continuamos focados em ajudar a avançar o trabalho de parto. Ao redor das 4:312226409_987458654675569_1003362007_n0 am foi feita a segunda avaliação pela Giovana e estava com apenas 5 cm. Foi um balde de água fria, tanto esforço por tão pouca evolução. Começamos a temer não ser possível um parto natural e ter que nos transferir para o hospital para induzi-lo. A Mileine estava esgotada, eu realmente não sei como ela conseguiu aguentar tantas contrações intensas por tanto tempo. Então a enfermeira pediu para entrarmos na banheira e lá ficamos até nascer o dia, as contrações desaceleraram e todos pudemos descansar um pouco, inclusive a Mileine, que estava exausta.

Foi quando a Samara nos “despertou” e disse que tínhamos que continuar a trabalhar. Saímos da banheira e 12674507_987458548008913_479977343_napenas movimentando um pouco corpo fez com que as contrações voltassem. Ao redor das 10:00 am a enfermeira Priscila fez una nova avaliação, estávamos muito apreensivos, pois sabíamos que daquele momento dependia todo o planejamento, preparação, esforço e o desejo de um parto realmente humano. A priscila então disse, quase como uma revelação, “Graças a Deus, está com 8 cm, o colo parece uma geléia. A Heloisa vai nascer!”. Nesse momento me arrepiei inteiro, não consegui segurar a emoção e comecei a chorar, olhei em volta e todos no quarto estavam chorando. Depois de tanto esforço, tanto sacrifício, vamos conseguir ter nossa menininha como queríamos.

A partir daí tudo foi mais “fácil”, pois a Mileine se motivou e encarou as contrações com muita coragem, até que a enfermeira a tocou e sentiu a cabecinha da Heloisa, me pediu para sentir e me emocionei muito, estava acontecendo! Eu disse que tinha sentido sua cabecinha e duas contrações depois nasceu a Heloisa as 12:54 de 24/02. A enfermeira fez questão que eu tirasse a Heloisa e entregasse direto para a Mileine. Todos choramos, sentindo uma felicidade imensa, com nada além de alegria e realização no coração, um sentimento pleno. Enquanto a Mileine já a amamentava, a placenta nascia e o o sangue do cordão, que pertence ao bebe, voltava para seu pequeno corpo, e eu pude então cortar o cordão, fazendo-a respirar agora por conta própria. Em seguida chegou o Enzo e ficou fascinado com a irmãzinha.

A equipe foi simplesmente fantástica. A doula foi fundamental no trabalho de parto, ela apoiava fisica e emocionalmente minha esposa, ficou o tempo todo presente. As enfermeiras, que eram muito bem qualificadas e experientes, foram muito humanas e profissionais nos passando muita tranquilidade e segurança. A médica participou menos, como naturalmente deve ser, porém foi sempre muito carinhosa e preocupada, humana.

Minha es10584233_987458814675553_638511149_nposa foi literalmente um guerreira, mostrou que é uma mulher extremamente forte e determinada, muito mais do que eu imaginava. Ela encarou 15 horas de dor intensa e esgotamento físico com uma resiliência inimaginável. Os profissionais se referem muito à palavra “poder” que de fato reflete muito bem a experiência da mãe no parto.

Acredito que o parto normal é uma experiência da qual os pais tem o direito de não serem privados, seja por um sistema de saúde estúpido ou médicos de eticamente tortos. O parto natural, por sua vez, é uma experiência sem interferências desnecessárias ou anomalias técnicas que foram se tornando práticas comuns até os dias de hoje e que reduzem a magia do nascimento. É uma experiência transformadora que vai além de ser protagonistas do nascimento de nossos bens mais preciosos e fortalecer os vínculos familiares, mas nos faz descobrir aspectos pessoais desconhecidos por nós mesmos. A idéia desse texto é apenas descrever nossas experiências pessoais de parto, e não julgar decisões ou opiniões diferentes das nossas.

Caue Tacchini Bernardo – pai da Heloisa e do Enzo


Luna e sua placenta
Gestação, Parto

Sua Majestade, a Placenta

Pouco se fala dela durante a gestação, a não ser em casos que observa-se qualquer falha no funcionamento ou sangramentos. Pobre placenta!

Você pode ainda não saber, mas a Placenta é um órgão-elo entre mãe e filho, surge logo no inicio da gestação e apenas no quarto mês está totalmente formada, pesando em torno de 500g.

Sua função principal é realizar as trocas de nutrientes e toxinas (eliminação das toxinas), oxigenação, produção de hormônios e proteção do feto. Tudo para que o bebê se desenvolva saudável e em segurança.

Anticorpos e proteção

A placenta transporta anticorpos ao feto, esses anticorpos são responsáveis pela imunidade, formando uma barreira contra certas doenças e substâncias nocivas. Porém existem substâncias que apresentam a capacidade de ultrapassar essa barreira: a nicotina e o alcatrão do cigarro, o álcool, as drogas, alguns medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios e sedativos), além de determinados vírus e bactérias, como os causadores da rubéola, varíola, hepatite, toxoplasmose e HIV.

O sangue que circula pelo cordão é do bebê

Os sangues da mãe e do bebê não se misturam, separados pela membrana placentária. Assim existem dois sistemas circulatórios completos funcionando simultaneamente durante a gestação, de forma complementar.

O sangue pouco oxigenado sai do bebê, percorre as artérias que se estendem pelo cordão umbilical até chegar a Placenta, onde o sangue é oxigenado, limpo de impurezas e recebe todos os nutrientes existentes no sangue da mãe, voltando pela veia umbilical, até chegar ao feto.

A Placenta acaba funcionando como uma grande filtro, com pequenas ramificações, que apesar de proporcionar a troca de substancias mantém a interinidade e individualidade de cada individuo.

Essa é uma das razões de ser possível que mães HIV+ tenham filhos sem transmitir o vírus durante a gestação.

Hormônios

Os hormônios que serão produzidos durante o período de gestação são:

  • Gonadotrofina Coriônioca (HCG) responsável pela permanência do bebê em formação até a 15 semana de gestação, quando a placenta passa a produzir estrogênio e progesterona, inibindo a menstruação e nova ovulação.
  • Hormônio melanotrófico, Hormônio lactogênio placentário e Aldosterona, aumentam a quantidade de melanina, o que pode causar as famosas manchinhas na pele, são também responsáveis pela manutenção do nível de sódio e insulina no corpo da mãe.

 

  • Progesterona, é responsável específico do útero, com relaxamento da musculatura lisa, o que diminui a intensidade e frequência das contrações uterinas para que não expulse o feto e prepara o endométrio, tornando-o mais espesso para a fixação do feto. Além disse ativa o cérebro áreas do cérebro responsáveis pela respiração/oxigenação, fazendo com que mãe e bebê recebam mais oxigênio. Atua também nas mamas aumentando a quantidade de glândulas produtoras de leite.

 

  • Estrogênio, promove rápida proliferação de musculatura uterina, e a circulação do sangue e toda região. Responsável pela maleabilidade, torna juntas e músculos mais flexíveis, já preparando o corpo para o parto. È também responsável pelo rápido aumento das mamas e contribui ainda para a manutenção hídrica (placenta e líquido amniótico)

 

Mesmo depois que o bebê nasce, via parto normal, a placenta se mantém ligada á parede uterina e vai se soltar apenas depois de alguns minutos, quando o cordão parar de pulsar e essa conexão mãe-bebe não seja mais necessária. Nesse momento o útero volta a contrair para que seja possível, agora, o nascimento da placenta.

Por todas essas funcionalidades vitais para a existência/vida do bebê em muitas culturas o descarte desse órgão, logo depois do parto é considerado desrespeitoso.

Mas afinal, o que fazer com a placenta?

Caso não deseje que ela seja descartada, coloque no seu plano de parto o que quer que seja feito, mesmo dentro de hospitais e casas de parto, existe a possibilidade de pedir para que alguém próximo a leve até que você mesma possa manuseá-la.

  • Parto de Lótus: Nesse parto o cordão da placenta ao bebê não é cortado e acaba por cair naturalmente em um curto período de tempo. A placenta é tratada com atenção, com sais e óleos para que não fique mal cheirosa.  Assim que o cordão desconecta-se do bebê naturalmente a placenta é enterrada em um lugar especial para a família.
  • Consumo: Por ser um órgão produtor de muitos hormônios que auxiliam no pós parto e na não incidência de depressão pós parto, mulheres e homens consomem uma parte da placenta para repor energias e melhorar a recuperação. Pode ser consumida frita, batida em shakes, como tintura, desidratada em capsulas ou até mesmo in natura. O exemplo mais famoso é de Ton Cruise, mas podemos citar também  Kourtney Kardashian.
  • Descarte respeitoso: Como qualquer material orgânico, a placenta pode ser absorvida pela terra como um excelente adubo. Pode ser mantida congelada (em uma sacola/pote de sorvete) após o parto, até que possa ser “plantada” junto com a árvore, flor, do bebê. Faz-se uma cova funda, coloca-se um travesseiro de material orgânico seco, coloca a placenta, segue uma camada de terra, outro travesseiro e finalmente a planta escolhida. É importante sempre seguir proporções de terra pelo menos mínimas, principalmente se o plantio for feito em vasos.
  • Carimbo:  a placenta tem duas “faces” uma que fica conectada à mãe, outra que fica conectada ao cordão e voltada para o bebe. Essa segunda apresenta ramificações circulatórias que formam um desenho similar ao de uma árvore, “A árvore da vida”. Logo após o parto pode-se aplicar essa face da placenta sob folha de papel A3  absorvente, formando a “Arvore da Vida” do bebê, dados como nome, horário de nascimento, peso, tamanho, apgar, podem ser anotados nessa linda lembrança.

 

 

E agora, que você já conhece um pouco mais sobre esse órgão incrível, vai fazer o que com o seu?

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Empoderamento, Plano de Parto, Preparo ao Parto

Socorro! Não posso mais agendar minha cesárea.

 

Dia 7 de janeiro de 2015 a ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar apresentou a resolução que determina o fim dos agendamentos prévios de cesárea através de Convênios de Saúde, sem indicações clínicas reais.

Essa medida foi tomada devido aos altíssimos índices de cesáreas realizadas no Brasil, em alguns hospitais superior a 98% dos casos quando o máximo aceitado pela OMS é de 15%

 

“Não podemos aceitar que as cesarianas sejam realizadas em função do poder econômico ou por comodidade. O normal é o parto normal. Não há justificativa de nenhuma ordem, financeira, técnica, científica, que possa continuar dando validade a essa taxa alta de cesáreas na saúde suplementar. Temos que reverter essa situação que se instalou no país”, enfatizou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. O Ministro reforçou ainda que a redução de cesáreas não é uma responsabilidade exclusiva do poder público, mas de toda a sociedade brasileira. “É inaceitável a epidemia de cesáreas que há hoje no país e não há outra forma de tratá-la senão como um problema de saúde pública”, destacou.

 

Segue abaixo, algumas indicações para cesárea, você pode ver mais detalhadamente AQUI.

 

1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;

2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;

3) Placenta prévia parcial ou total (total ou centro-parcial);

4) Apresentação córmica (situação transversa) – durante o trabalho de parto (antes pode ser tentada a versão);

5) Ruptura de vasa previa;

6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto (em algumas diretrizes, somente se for a primoinfecção herpética).

 

Não apresentar, nenhum desses itens é sem dúvida motivo de grande alegria para qualquer mãe, mas como lidar com o trabalho de parto e parto normal quando não se espera por isso?

 

1: Confie no seu CORPO

Se você foi capaz de gestar um bebê durante nove meses, suas chances de ter um parto ótimo são enormes, você foi feita para dar luz, você é capaz.

 

2: Busque por informações

Como a mais ou menos 50 anos a cesárea tem sido a  principal opção de nascimento no Brasil, medos e informações equivocadas fazem parte do nosso dia a dia.

Ah a dor é horrível, você não vai aguentar é muito sofrido!!!//O bebê tava com cordão enrolado no pescoço, não respirava!//Parto normal é coisa de índia!/Seu primeiro filho, vai arriscar no normal? Que maluca!!//Você vaificar toda larga, seu marido vai te trocar por outra depois, vai ver só!” 

Tudo isso é a mais pura e linda BOBAGEM, como a crença que comer manga com leite faz mal! Clique na desculpa que já ouviu, fiz uma seleção de ótimos textos falando sobre cada assunto!

Relatos de parto são ótimas formas de ler, nas palavras de outra mulher, sobre a experiência real de um parto normal.

 

3: Busque pessoas que te acolham

Ultima coisa que qualquer mulher precisa é de dedos apontados, olhares inquisitores e histórias horrorosas sobres partos. FUJA para as colinas, não perca energia ouvindo ou argumentando só fará você se sentir ainda mais pressionada.

Procure por grupos de Apoio! Só uma gestante entende outra!

Procure por uma Doula, elas entendem o momento que você vive e vão te ajudar com indicações de leituras e exercícios que te tranquilizarão, elas auxiliam antes do parto, durante o parto e depois, com amamentação e cuidados com o bebê, você pode conversar com a sua e contratar apenas nos momentos que você desejar.

 

4: Converse com seu parceiro

Sempre que buscar informações, discuta com o seu parceiro ou pessoas mais próximas, assim você cria um verdadeiro muro contra palpiteiros agourentos de plantão, além de passar a ter um super apoio dentro de casa com as pessoas que você mais ama.

 

5: Questione! Muito e SEMPRE

O mais prazeroso e assustador do parto normal, não é a dor, ou a espera. É que pela primeira vez na sua vida você vai se ver completamente no comando da sua própria vida e corpo.

De inicio, isso assusta, mas aos poucos você verá que se descobrirá muito mais poderosa e forte do que imagina.

Pergunte, busque por respostas a todos os seus medos, mas lembre-se se a resposta parecer meio estranha…desconfie, busque por outra…  as vezes repetir em voz alta ajuda para nos darmos conta dos absurdos que nos dizem!

 

6: Respeite o tempo do seu bebê e o SEU

Já reparou que a data prevista para sue parto, é calculada com base na data da sua ultima menstruação? Mas o bebê é gerado apenas quando você ovula (ou seja até 15 dias depois a menstruação!) Sim,  o calculo do tempo de gestação é aproximado, e pode ter uma semana de erro para mais.

Uma gestação normal, pode ir até 42 semanas,  a partir da 41 semana exames dia sim dia não são feitos para monitorar o bebê. NENHUM profissional vai te forçar a um parto normal se seu bebê apresentar sinais de sofrimento fetal.

Trabalho de parto, é trabalho mesmo, só inicia quando tem contrações de 5 em 5 minutos durante mais de uma hora. Cada mulher tem seu tempo próprio para parir e ritmo também, seu corpo é sábio!

 

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Fontes: http://www.ans.gov.br/aans/noticias-ans/consumidor/2718-ministerio-da-saude-e-ans-publicam-resolucao-para-estimular-parto-normal-na-saude-suplementar#sthash.JnxfXBG1.dpuf

http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html

http://www.ans.gov.br/aans/noticias-ans/consumidor/2718-ministerio-da-saude-e-ans-publicam-resolucao-para-estimular-parto-normal-na-saude-suplementar