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Puerpério

Quanto tempo dura o puerpério??

Texto da minha amiga e partner: Luiza Prado Moreau, Nutricionista, mulher, mãe do Fred e pessoa maravilhosa.

Eu me preparei (ou achei que tinha me preparado) para o puerpério, li textos falando das dificuldades das primeiras semanas, a famosa quarentena, e como era normal se sentir triste, melancólica, ter oscilações (abalos sísmicos, rs) de humor, aceitei que seria assim e tentei me preparar fisica e mentalmente para essa fase.

Pois bem, nasceu meu filho, a primeira semana foi louca, nossa família é toda de fora e foi uma loucura só eu e meu marido, mas passou. Aos poucos fomos nos organizando, foi surgindo um princípio de rotina, as oscilações de humor vinham, mas eu sabia que era normal, aceitava (com choro, vontade de fugir e tudo o mais, rs) e passava.

Com 3 meses, meu bebê passou a dormir a noite toda, que alívio! Dormia bem, mamava bem, interagia mais, sorria, brincava, uma delícia! E eu acreditei que estava passando (olha, até que não foi tão difícil…). Pois bem, com 4 para 5 meses meu bebê passou a acordar berrando, dava tetê, colocava para dormir, 10min e acordava berrando. Durante o dia brincava, chorava e mamava em ciclos instantâneos e intermináveis, eu mal conseguia ir ao banheiro (benditos picos de crescimento e desenvolvimento!). Via as mães ao meu redor falando que estava mais fácil, que o bebê estava mais independente, que dormia melhor, etc etc… E foi ai que o bicho pegou, rs.

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Bebê chorando, mamãe desesperada, papai sem entender. Não era para ir ficando mais fácil? Pelo jeito não necessariamente, então afinal, quanto tempo dura o puerpério?

“Puerpério ou pós-parto é o período do ciclo grávido-puerperal, que vai da dequitação da placenta à volta do organismo materno às condições pré gravídicas.”
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde…/MariaCristinaGuimaraesdaCosta.pdf

“O puerpério tem seu término imprevisto, pois enquanto a mulher amamentar ela estará sofrendo modificações da gestação (lactância), não retornando seus ciclos menstruais completamente à normalidade.”.
https://revistas.pucsp.br/index.php/RFCMS/article/viewFile/359/pdf

“Isso ocorre porque os hormônios produzidos durante o aleitamento materno bloqueiam a ovulação. E tende a permanecer assim enquanto a amamentação for contínua. Em geral, o ciclo menstrual só reaparece quando o bebê mamar menos – seja por dormir a noite inteira ou por começar a se alimentar com sólidos, por exemplo. […] Só que, como nada é exato em medicina, algumas mulheres podem começar a ovular enquanto ainda amamentam, correndo o risco de engravidar sem querer.”
http://www.febrasgo.org.br/site/?p=8401

Ou seja, não existe um período definido para o fim do puerpério… saber disso para mim foi um alívio (por mais estranho que pareça), pois passei a aceitar e lidar melhor, sabendo que é uma fase, que tem suas características, e que, mais cedo ou mais tarde, vai passar…

Enfim, eu decidi escrever esse texto para clarear minhas ideias, aliviar meu coração e compartilhar minha experiência, pois é isso que tem me ajudado a passar por esse período, compartilhar vivências e perceber que não estamos sozinhas. Minha dica: converse, divida, leia, alivie… saber que tem mais gente no mesmo barco e poder trocar experiências torna a maternidade e a vida mais leves.

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E agora eu queria saber, como está sendo o puerpério por ai?

Gestação, Maternagem, Puerpério, Saúde

Depressão e Maternidade – Vamos falar sobre isso?

Engravidar, no consenso geral, é sinônimo de alegria.

Ah que bonito!

Uma nova vida sendo gerada, uma família que está crescendo.

Acontece que junto com esse novo ser, cheio de fragilidade e amor, vem uma série de mudanças intensas na vida de todos os diretamente envolvidos. Principalmente na vida dessa mulher que no decorrer de 9 meses deixará de ser filha para se tornar mãe e plenamente responsável por outra vida além da sua.

Sentimentos como ansiedade, angustia, insegurança, medo, solidão, parecem não fazer parte do vocabulário aceitável da gestante para os outros meros mortais.

Não podemos senti-los?

Podemos sim! Podemos muito e deveríamos poder falar sobre esses sentimentos abertamente.

Infelizmente são poucos os ambientes que vão acolher sem julgamentos, mas o erro é deles, não nosso.

No pós parto, com noites seguidas mal dormidas, alterações corporais e hormonais a avalanche de sentimentos pode se tronar ainda mais intensa e densa.

Vamos ser honestas? Parece que parte da gente morreu, morreu e se perdeu. Agora dentro da gente (daquela barriga ainda grande e oca) vive um luto, embebido em lágrimas e leite.

E tudo bem. Ninguém é monstro por isso ou uma péssima mãe.

Aqui o que salvou de me afogar dentro de mim mesma e do monte de expectativas e cobranças que colocaram e coloquei sob mim e a maternagem no geral foi falar.

   1- Primeiro parei de mentir para meu médico, dizendo que estava tudo bem

“Olha Dr, tá HORRÍVEL, mas ta ruim MESMO. Eu estou com medo, acho que não vou dar conta, estou comendo compulsivamente e todos os dias eu choro pelo menos por uma hora. Me odeio por sentir assim e sei que faço mal a minha bebê estar assim, não aguento mais”

2- Depois falei para meus amigos (Aliás foram meus amores, me acolheram de uma forma que ainda hoje meus olhos ficam marejados)

“Não to bem gente, não quero sair para balada com vocês mas me sinto só. Será que rola fazer coisas em casa como “esquenta” e dai vocês saem?”

 3-Abri a real para minha família

“TudoQueVocêPodeImaginar e muitas muitas lágrimas”

 4- Encontrei um terapeuta para chamar de meu

Mesmo que todos ao meu redor aparentemente tenham me entendido, não eram pessoas imparciais, que poderia falar o que eu sinto sem medo de ferir os sentimentos deles ou ser julgada. Eu precisava disso, precisava por para fora e as sessões de terapia foram maravilhosas para minha saúde física e emocional.

 5- Entendi e aceitei  

  • Que a gestação e maternagem não é comercial de margarina.
  • Tudo bem chorar, minha filha não seria infeliz por isso, só ia saber que a mãe dela é humana
  • Que meu empoderamento teria que ser para tudo na minha vida, porque eu mesma era minha maior força
  • Ficar de pijama por dias seguidos, tudo bem, mas banho e escovar os dentes é fundamental
  • Estava passando por uma fase dura como nenhuma outra que já tinha vivido até então, mas muitas outras mulheres também passaram pela mesma fase e conseguiram seguir em frente, tinha fim! A minha também teria.

 

Bem, esse foi daqueles textos doloridinhos para sair… mas que aqui me aliviou a alma, mais uma vez, falar sobre isso. Espero que minhas palavras tenham chego ai em forma de abraços demorados e um sincero “estamos juntas”. Depressão gestacional, Baby Blues, Depressão pós parto, fazem parte do pacote, mas nunca deveriam ser enfrentados sem apoio.

 

 

 

 


 

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Têm se a estimativa que no Brasil todos os dias em média 35 pessoas cometam suicídio todos os dias, o que o torna mais letal do que o Câncer e a Aids no nosso pais. 9 a cada 10 suicídios poderiam ser evitados, com conversas francas e apoio de profissionais qualificados.

Fonte: http://www.setembroamarelo.org.br/


 

Diversão e Relaxamento, Empoderamento, Gestação, Maternagem

Ser mãe é se permitir sentir, por inteiro

A vida para fluir precisa de tempo, precisamos respeitar o tempo orgânico e não do relógio.

Ansiedade aqui é minha amiga cruel desde a infância. Sou a cara do “quem come quente queima a língua”.

Claro, sei que isso é um privilégio único e exclusivo meu, nenhuma outra mulher além de mim engravida pensando no parto ou chora com medo de não saber amamentar o filho que nem nasceu.

Sei também que apenas euzinha me olhava intrigada no espelho pensando “Que raios é isso que eu fiz com meu corpo? Quando ele volta ao normal? UFA ainda bem que amamentar emagrece…”

E poxa, me caiu a ficha disso tudo apenas nessa ultima semana ouvindo a Camila Goyataz e Vera Iaconelli falando sobre o quanto é importante para nós respeitarmos o nosso próprio tempo, vi alí tantas vezes que fui cruel comigo. Quantas vezes, mesmo sem querer, fui cruel com o outro.

O corpo grita por toda a vida “Meu tempo é importante”, mas o dia a dia nos desconecta  de nós mesmos e do outro, não permitindo ouvir.

 

Por quanto tempo ficarei grávida?

Quanto tempo demorarei para voltar meu corpo ao normal? *esse assunto é tão importante que Thatiane Menedez também abordou em sua palestra, onde falava da importância do tempo de descanso para que os músculos do assoalho pélvico se readaptassem ao corpo nesse novo formato (sem bebe).

Quanto tempo durará o puerpério? Não vou me sentir feliz como nos comerciais de margarina nunca ????

Quanto tempo durará o luto? Quantas lágrimas ainda preciso chorar para a dor parecer ser suportável?

Para cada mulher a resposta será diferente e nunca dada de antemão. O que eu posso fazer e você também caso essa pressa da vida não seja exclusividade minha,  é permitir sentir profundamente cada fase, por mais difícil que ela pareça.

Como quem entrega o peso do mundo ao mar e se deixa boiar concentrando apenas em respirar, devagar e sempre.

 

Vale chorar

Vale dormir

Vale dançar

Vale abraçar

Vale crochetear

Vale caminhar

Vale Yogar

Vale Malhar

 

Tudo é válido quando se trata de permitir dar o tempo necessário para que o corpo reaja sozinho. Sem culpas, sem pressão.

Só vamos fazer um acordo aqui, acordo de Doula entre eu e você, nunca mais depois de hoje vamos olhar para alguém que está passando por um momento difícil com ar de “Você PRECISA sacudir a poeira e dar a volta por cima”  Ofereça, se puder, as mãos, um abraço e até seu silêncio caso essa pessoa precise de um apoio ao longo do tempo. Mas nunca mais vamos cobrar recuperação instantânea, a vida não é um lamem que se resolve em 3 minutos 😉

Puerpério

O que levar à uma casa com bebê

Mulher parida não quer fazer sala, não apareça de surpresa, com vozes altas e na hora do lanche da tarde, ou em qualquer outro horário de refeição.

Mulher parida quer abraço e a mais honesta das perguntas “Você precisa de alguma coisa?”

O bebê tão esperado nasceu e agora a mãe precisa ser cuidada para bem cuidar.

Não ofereça conselhos, se ofereça para lavar a louça, colocar roupas na máquina de lavar, preparar uma refeição fresquinha, ou várias, e deixe congelada para os próximos dias.

Traga frutas frescas, suco de uva integral, traga carinho.

Traga abraços e massagens.

Traga companhia, mesmo que silenciosa.

Cuide do bebê para que ela possa tomar um banho longo sem se preocupar.

Mulher parida quer ninho e cria. Mas também quer carinho e poder cuidar um pouco de sí.