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Suporte

Doula, Empoderamento

Doulas e Gos querem a mesma coisa

Sim, o que nos conecta é a dedicação ao nosso trabalho e o desejo de desfechos positivos em todos os nascimentos.

Sinto que com a explosão de Doulas, de mulheres questionadoras, de informação baseada em evidencias, apareceu também uma trincheira entre nós. Talvez por uma série de informações que se desencontram no caminho, nos vemos pouco e quase não conversamos pessoalmente, como poderíamos realmente nos conhecer, não é verdade?

Eu Doula, estimulo as mulheres e famílias a pesquisarem e conhecerem mais sobre seus próprios corpos e o processo de parto normal, falo também sobre a cesárea e pós parto/amamentação.  Muitas vezes isso bate de frente com a forma que tradicionalmente o nascer acontece.

Não é culpa exclusiva de vocês ou da mulher, penso que em um país onde as taxas de cesárea chegam a 80% é medíocre apontar dedos apenas para pessoas e desconsiderar tudo o que nos envolve. Pressão social, de instituições, remuneração inadequada, falta de estímulos e políticas de trabalho que muitas vezes deixam a desejar. Acontece que eu e vocês queremos a mesma coisa.

Desejamos nascimentos seguros, para mãe e bebê

Quando procedimentos de rotina são questionados não significa que não existe confiança no seu trabalho ou formação. Acontece que muitas vezes é possível recorrer a alternativas que sejam bem vindas por todos, equipe e parturiente, afinal queremos apenas

Promover o nascimento de forma respeitosa utilizando tecnologia e evidencias cientificas atualizadas

A cada dia terão mais e mais mulheres nos seus consultórios querendo conversar com vocês sobre fisiologia, parto e amamentação. Não apenas falando do enxoval e ansiosas pelo próximo ultra. Existe espaço no seu atendimento para isso?

Sabem, tenho visto e ouvido muitas, muitas mulheres falarem sobre vocês depois dos partos e em nenhum momento falam dos procedimentos feitos, falam sim coisas como “Meu médico foi bem legal, explicou o que estava acontecendo e fiquei mais tranquila depois”, “A enfermeira que me acompanhou foi um verdadeiro anjo e me acalmou”, “Estava com medo e o anestesista foi muito gentil, perguntou meu nome, que dor me incomodava e o que eu queria sentir, disse que faria o melhor para me atender” . Infelizmente o total oposto também existe e são essas mulheres que se sentiram desrespeitadas e violentadas que irão, a cada dia mais, falar sobre isso.

Somos lados opostos da mesma moeda. Se trabalharmos em sintonia grandes mudanças virão. Na verdade, são inevitáveis.

Doula, Empoderamento

Um encontro 360 graus sobre humanização

Quero dividir com vocês uma experiência muito bacana que tivemos aqui essa semana.

Na minha página na rede social do joinha e nos e-mails volta e meia me questionavam “o que é um parto humanizado” ou afirmando que queriam um, como quem pede um lanche no Mc Donalds pelo número, mas sem conhecer os ingredientes um a um. E isso só deixava claro uma coisa, não estou falando claramente sobre.

Bolei então um encontro, com coquetel porque pessoas com estômagos felizes são mais receptivas à novas ideias.  Fizemos o seguinte:

Dentro do meu perfil pessoal tenho grande parte das mulheres que acompanhei o parto, joguei lá o convite para que viessem contar seus relatos para outras mulheres. A meta era ter um parto em casa local possível na cidade (Sus, Pelo Convenio, Hosp Particular, Hosp de Fora, Domiciliar e Casa de Parto).

Tinha os relatos garantidos agora precisava apresentar os profissionais envolvidos, de forma clara e objetiva para que as famílias entendessem o papel de cada um e funções. Convidei a Giovana Fragoso, Enfermeira Obstetriz que realiza partos domiciliares, Andréa Gouveia, neonatologista ótima na recepção de bebês, Cláudia Clemente, fotógrafa e o Bráulio Zorzella, Go humanizado da cidade vizinha que infelizmente adoeceu no dia e não pôde comparecer. Claro, a apresentação e fala de Doula foi  minha.

 

Abri as inscrições por e-mail, e simultaneamente rolava um grupo no whats app específico para esse dia, para as mães já se conhecerem e conversarem entre si.

 

No dia do Evento

Iniciamos com a apresentação dos profissionais, resumo do currículo acadêmico e  profissional e um pequeno depoimento sobre seu papel no parto. Após cada apresentação abria-se espaço para perguntas.

Depois de uma rápida pausa, iniciamos os relatos de parto.

A previsão de término era meio dia, 13:30 ainda estávamos nos despedindo.

 

Ponto positivo: apresentamos a humanização de forma integral e real para 20 gestantes de variadas idades gestacionais.

Ponto negativo: Programei apenas duas horas para esse evento, o que foi absurdamente pouco. Em todo curso ou palestra que ministro gosto de começar pedindo para que as gestantes se apresentassem e por medo de não dar tempo pulei isso, o que deixou todas bem menos a vontade do que eu gostaria.

 

Cada evento é um aprendizado, sem sombra de dúvidas. Espero que essa minha experiência aqui inspire outras ainda mais lindas.

frio
Maternagem

Meu bebê gripou, let it go

Dificilmente um bebê que mama no peito vai adoecer gravemente, porém resfriados e tosses são muito comuns, ainda mais com mudanças bruscas de temperatura. Mesmo assim a recuperação costuma ser muito rápida. Os bebês nascem sem sistema imunológico formado, por isso o aleitamento materno é tão importante nos primeiros seis meses onde recebem todos anticorpos maternos e depois enquanto desenvolvem e fortalecem o seu próprio sistema.

Ainda em casa o bebê pode ser cuidado com coisas bem simples, que parecem mais pequenos carinhos em maioria.

  • Amamentação

Vale repetir sempre, leite materno é o melhore remédio, ofereça o peito em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê pedir. Mesmo que pelo desconforto causado pela doença ele mame pouco por vez se manterá alimentado e hidratado.

 

  •  Lavar o nariz com soro fisiológico

De todos é o que os bebês menos gostam, e o que mais ajuda a limpar as vias superiores de muco e corpos estranhos. Pode ser feito antes de cada mamada ou todas as vezes que o nariz do bebê parecer obstruído.

Pode ser aplicado com spray, mas é importante lavar uma narina de cada vez e dar um tempinho entre uma e outra.

 

  • Banho de vapor, recomendado antes do sono

É uma alternativa à inalação,  pode ser em um ambiente vaporizado (como o banheiro quente) ou colocar ao lado da cama uma bacia com agua quente, de forma que o bebê respire o vapor.

Orégano e folhas de hortelã podem ser colocadas na água, o primeiro é tem propriedades antissépticas e anti-inflamatórias já a hortelã ajuda no relaxamento e auxilia no sono.

 

  • Tapotagem

Com o bebe deitado de bruços no colo e sempre com o rostinho livre para respirar, deixe a mão em formato de concha e dê pequenos “tapinhas” nas costas do bebê, a intenção é gerar vibração e essa auxiliar na saída do muco acumulado.

 

Gostou das dicas aqui? Conta pra gente, o que você costuma fazer em casa para cuidar do seu pequeno?

Amamentação
Amamentação, Maternagem, Puerpério

Somos todas Adele

A cantora -maravilhosa- Adele esbanjando humor falou com todas as letras no meio de um show:

A pressão em cima de nós é absolutamente ridícula. E aquelas pessoas que reforçam essa pressão podem ir se foder, ok? Porque é difícil. Algumas de nós não conseguem fazer. Meu seios aguentaram cerca de nove semanas — disse a cantora ao ser questionado por um dos fãs que assistia ao show.

 


“Ryca” famosa e cheia de recursos. Adele não é como a maioria das puérperas “reles mortais”, e mesmo assim teve dificuldades durante a amamentação. Na verdade, mal conseguiu amamentar.

Bebês não nascem sabendo mamar, é um trabalho diário de aprendizado. Muitas vezes mulheres precisam de apoio e orientações específicas nesse período de adaptação, e por não o terem acabam abrindo mão da amamentação. Como Adele.

Apoio é Fundamental.

Estudos mostram claramente que a presença da doula no pré-parto e parto trazem benefícios de ordem emocional e psicológica para mãe e bebê, incluindo resultados positivos da 4ª a 8ª semanas após o parto, onde foi observado:

·Aumento no sucesso da amamentação;
·Interação satisfatória entre mãe e bebê;
·Satisfação com a experiência do parto;
·Redução da incidência de depressão pós-parto;
·Diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto-estima.

 

Você sabia?

  • O leite costuma descer até 7 dias após o nascimento do bebê, nesse período a mama produz o Colostro, muito nutritivo e recheado de anticorpos vitais para o bebê
  • Dores e sangramentos ao amamentar, não são normais, são sinais claros que a pega do bebê não está correta
  • Amamentar consome tantas calorias quanto uma aula de Spinning e estimula todo o corpo a voltar ao normal.

Se você está tendo dificuldades para amamentar, procure por um especialista em amamentação para te ajudar e orientar, sua doula ou nos grupos de apoio à gestação saberão indicar. E se você desistiu, por não encontrar melhor alternativa, meu abraço e beijo na testa. Só você sabe as dores e angustias que passou sozinha.

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Doula, Parto, Relato de Parto

Relato de Pai: O Nascimento da Heloisa

Acho importante, antes de mais nada,  escrever o relato do nascimento de nosso primeiro filho de cesária para poder estabelecer uma base de comparação com nossa segunda experiência.  

O nascimento do Enzo

Nosso primeiro filho Enzo nasceu de cesária. O obstetra que acompanhou a gestação era bastante atencioso e gostávamos de sua forma de trabalhar. Porém ele nunca queria falar de parto quando puxávamos o assunto. Quando minha esposa Mileine estava com 36 semanas de gestação ele finalmente disse “para quando querem marcar o parto?”. Nós achamos muito estranho e eu pedi para discutirmos as opções, e enquanto conversávamos mencionei que minha esposa tinha escoliose e ele se agarrou nesse argumento para justificar a cesária. Nós, pais de primeira viagem, acatamos a “forte sugestão” do obstetra.

Me chamaram para a sala de cirurgia apenas quando já estavam tirando o Enzo e não queriam deixar eu filmar, então eu discuti com a enfermeira e continuei filmando. Imaginei que o motivo pelo qual não queriam filmagem era para evitar registrar um eventual erro médico. O Enzo nasceu com a ajuda de um equipamento de aço curvado que machucou sua cabeça e deixou uma cicatriz que não diminui e impede o crescimento de cabelo. Colocaram o Enzo perto da Mileine apenas pelo tempo de tirar uma foto e o levaram para outra sala onde fizeram todos os procedimentos padrões (e questionáveis) de aspirar, retirar o vérnix… Só o encontramos depois na sala de repouso onde estávamos esperando.

Resumindo ficamos muito irritados com o obstetra que nos enganou, que não queria nos deixar filmar o parto, que foi bastante mecânico e com pouca consideração pelos pais, especialmente pela mãe.    

O nascimento da Heloisa

Considero que estavamos relativamente bem informados com relação ao parto natural. Isso nos deu bastante tranquilidade para encarar cada etapa do processo de nascimento, até então desconhecidas na prática. O desenvolvimento da gestação foi normal, sem nenhum problema. Não contamos ao novo obstetra que queriamos fazer um parto natural, fora de um hospital, já que a maioria dos médicos realmente não gostam dessa idéia.

Decidimos ter a Heloisa em uma casa de parto (Clínica Opima) em nossa cidade Itapetininga que fica a 3 minutos do hospital da Unimed, uma suíte muito grande e agradável toda equipada, com temperatura controlada, cama, banheiro, banheira de hidromassagem, tecido para apoiar, bolas para exercicios, jardim de inverno, comida, bebida, equipamento de emergência e uma ambulância pronta para uma eventual transferência para o hospital. Fizemos cursos e estudamos como seria a experiência; as vantagens, os riscos… Escolhemos uma equipe incrível com uma médica pediatra (Andréa Golveia), 2 efermeiras (Giovana Fragoso e Priscila Colacioppo), uma doula (Samara Barth) e uma fotógrafa (Rithiele Mareca). Minha cunhada Mary tambem participou desde o inicio ajudando e acompanhando todo o parto. A enfermeira Karin Bienemann também se juntou à equipe.

Com 39 semanas e cinco dias 23/02 começou a sair o tampão e o que achamos ser um pouco de liquido amniótico. Mantivemos a equipe informada através de um grupo de Whatsapp. Durante a tarde a Mileine sentiu várias pequenas contrações que foram aumentando de frequência e intensidade até caracterizar efetivamente trabalho de parto as 21:30. Chamamos a doula Samara que monitorou um pouco as contrações até que sugeriu que fossemos para a casa de parto.

A partir daí começou o trabalho duro, a doula e eu o tempo todo com a Mileine. As contrações estavam muito fortes e revezamos o chuveiro, bola, tecido, cama, caminhadas até as 2:00 am. A Mileine estava bastante cansada e já estava no que os profissionais chamam de “partolândia”, um estado de consciência no qual a mulher fica completamente “chapada” com a quantidade de hormônios e substâncias secretadas no organismo naturalmente que preparam o corpo para um acontecimento tão extremo.  

A enfermeira Karin monitorava a bebê com frequência e ajudava no trabalho de parto. A enfermeira Giovana então avaliou a evolução do trabalho de parto e disse que ela estava com 4 cm de dilatação. Foi bastante frustante, já que havia passado bastante tempo com muitas contrações, para um avanço tão pequeno. Porém continuamos focados em ajudar a avançar o trabalho de parto. Ao redor das 4:312226409_987458654675569_1003362007_n0 am foi feita a segunda avaliação pela Giovana e estava com apenas 5 cm. Foi um balde de água fria, tanto esforço por tão pouca evolução. Começamos a temer não ser possível um parto natural e ter que nos transferir para o hospital para induzi-lo. A Mileine estava esgotada, eu realmente não sei como ela conseguiu aguentar tantas contrações intensas por tanto tempo. Então a enfermeira pediu para entrarmos na banheira e lá ficamos até nascer o dia, as contrações desaceleraram e todos pudemos descansar um pouco, inclusive a Mileine, que estava exausta.

Foi quando a Samara nos “despertou” e disse que tínhamos que continuar a trabalhar. Saímos da banheira e 12674507_987458548008913_479977343_napenas movimentando um pouco corpo fez com que as contrações voltassem. Ao redor das 10:00 am a enfermeira Priscila fez una nova avaliação, estávamos muito apreensivos, pois sabíamos que daquele momento dependia todo o planejamento, preparação, esforço e o desejo de um parto realmente humano. A priscila então disse, quase como uma revelação, “Graças a Deus, está com 8 cm, o colo parece uma geléia. A Heloisa vai nascer!”. Nesse momento me arrepiei inteiro, não consegui segurar a emoção e comecei a chorar, olhei em volta e todos no quarto estavam chorando. Depois de tanto esforço, tanto sacrifício, vamos conseguir ter nossa menininha como queríamos.

A partir daí tudo foi mais “fácil”, pois a Mileine se motivou e encarou as contrações com muita coragem, até que a enfermeira a tocou e sentiu a cabecinha da Heloisa, me pediu para sentir e me emocionei muito, estava acontecendo! Eu disse que tinha sentido sua cabecinha e duas contrações depois nasceu a Heloisa as 12:54 de 24/02. A enfermeira fez questão que eu tirasse a Heloisa e entregasse direto para a Mileine. Todos choramos, sentindo uma felicidade imensa, com nada além de alegria e realização no coração, um sentimento pleno. Enquanto a Mileine já a amamentava, a placenta nascia e o o sangue do cordão, que pertence ao bebe, voltava para seu pequeno corpo, e eu pude então cortar o cordão, fazendo-a respirar agora por conta própria. Em seguida chegou o Enzo e ficou fascinado com a irmãzinha.

A equipe foi simplesmente fantástica. A doula foi fundamental no trabalho de parto, ela apoiava fisica e emocionalmente minha esposa, ficou o tempo todo presente. As enfermeiras, que eram muito bem qualificadas e experientes, foram muito humanas e profissionais nos passando muita tranquilidade e segurança. A médica participou menos, como naturalmente deve ser, porém foi sempre muito carinhosa e preocupada, humana.

Minha es10584233_987458814675553_638511149_nposa foi literalmente um guerreira, mostrou que é uma mulher extremamente forte e determinada, muito mais do que eu imaginava. Ela encarou 15 horas de dor intensa e esgotamento físico com uma resiliência inimaginável. Os profissionais se referem muito à palavra “poder” que de fato reflete muito bem a experiência da mãe no parto.

Acredito que o parto normal é uma experiência da qual os pais tem o direito de não serem privados, seja por um sistema de saúde estúpido ou médicos de eticamente tortos. O parto natural, por sua vez, é uma experiência sem interferências desnecessárias ou anomalias técnicas que foram se tornando práticas comuns até os dias de hoje e que reduzem a magia do nascimento. É uma experiência transformadora que vai além de ser protagonistas do nascimento de nossos bens mais preciosos e fortalecer os vínculos familiares, mas nos faz descobrir aspectos pessoais desconhecidos por nós mesmos. A idéia desse texto é apenas descrever nossas experiências pessoais de parto, e não julgar decisões ou opiniões diferentes das nossas.

Caue Tacchini Bernardo – pai da Heloisa e do Enzo


sinais de trabalho de parto
Empoderamento, Trabalho de Parto

10 sinais que o TP finalmente começou

O parto não acontece de uma hora para outra, podemos passar dias e até semanas com falsos sinais.

Com ajuda de algumas mães, e um pouco de memória, fiz aqui  a lista dos TOP 10 sinais de que seu trabalho de parto realmente começou!

 

1: Intestino solto, costuma ser dos primeiros sinais, o corpo manda embora tudo o que não é necessário antes do trabalho de parto começar para valer

2: Você SABE, simplesmente SABE

3: Ondas de Frio e de calor intensas e repentinas

4: Pressão na pelve constante, como se “algo” empurrasse para baixo

5: Boca seca

6: Sono muito intenso

7: Perda de apetite

8: Perda de vontade de falar, a mulher costuma falar cada vez menos

9: Contrações com um minuto de duração e intervalos de 3 em 3 minutos

10: Perda de tampão mucoso

 

Impossível não se sentir ansiosa, ou bater aquele medinho do “é agora”, então busque ter por perto pessoas que te apoiem e que saibam como se comportar nesse momento tão especial.

Keep Calm and call your Doula  😉  

Projeto existente desde Maio em Itapetininga-SP.
Hoje parceria da Casa da Doula e Casa Opima.
Curso, Diversão e Relaxamento, Doula, Maternagem

Mãe, to na Globo!

Ok, é na Tv tem… mas trabalho de Doula sendo bem falado e divulgado na Globo é para se comemorar!

Eu busco sempre trazer para minha cidade (Itapetininga-SP) atividades exclusivas , e porque não inusitadas, na região. É trabalhoso, normalmente tem pouca adesão… mas o resultado é sempre muito bom.

 

Em maio convidei a Pâmela Souza, do Ventre Materno, para um workshop.

 

Foi tão encantador, o resgate do feminino, a re-conexão com o corpo principalmente para as mães que já tinham tido bebê, que o Work virou aula.

 

E hoje a matéria saiu, no jornal local ao meio dia, com depoimento das mães e dessa doula que vos escreve. Confiram que bacana que ficou!

 

Pela primeira vez os jornalistas daqui falaram corretamente o papel/função da Doula, apesar de errarem meu sobrenome rs), fiquei emocionada!

Clique aqui => Dança do Ventre Mãe e Bebê -Casa da Doula e Opima 

 

Abraço
Empoderamento, Maternagem

Para mudar o mundo, é preciso se permitir ser

Oi! Tudo bem com você?

Escrevo hoje com ar de “Meu querido diário”, porque essa semana aconteceram muitas coisas por aqui.

Como você já deve imaginar, sou Doula e ativista.

Sou também mãe solteira de uma menina linda (rs) de 3 anos de idade.Sou filha de mãe que foi Pãe por anos a fio e sempre senti muito orgulho dela, hoje penso que ela carregou um peso que não era seu…

Taurina, daquelas que encasqueta com alguma coisa vai lá e faz acontecer, mesmo que precise bater a cabeça algumas várias vezes para aprender.

Escuto conselhos e argumentos, argumento/justifico imediatamente e em seguida digiro aos poucos todas as informações, depois de algum tempo aceito o que me é possível, o restante fica lá sendo assimilado.

Nunca fui mulher-perua (no melhor sentido do termo), gostava de uma roupa por ser confortável, não me mostrasse muito e não precisasse passar a ferro.

Maquiagem…rs em casa sempre fui a que menos usava. Lápis, rímel e batom, sempre me bastaram, uma vez na faculdade comprei um duo de sombras, rosa e marrom…rs

Mas quando se trata de trabalho, nunca medi esforços. Abraçava, me jogava mesmo!

Ficava sem almoçar, ficava até mais tarde, já tomei chuva, muita, já reprovei em uma matéria por não conseguir coordenar MEU tempo e tempo do meu trabalho.

Me tornei mãe e voltei para o interior onde mora minha família, fiquei um ano inteiro dedicada apenas a minha filha, não trabalhava fora, não saía passear sozinha… na verdade, hoje em dia fora meu trabalho, continuo vivendo apenas para a maternagem.

Quando me envolvi com a humanização do nascimento não foi muito diferente. Fundei o AGE, junto com a querida E.O. Giovana Fragoso e ele passou a ser meu coração. Era um trabalho voluntário que fazíamos na cidade, que demandava trabalho de verdade, organização de palestras, divulgação, captação de parcerias, desenvolvimento de Blog, Fanpage. Sei que mudei de emprego 3 vezes em um ano, se o emprego não me permitisse “ser AGE” eu saía…

Percebe que até aí, abracei, carreira, ativismo, maternagem e a mim nada? NADA!

Agora me vejo, com 30 anos, com poucos momentos que me faltam o ar de emoção descomprometida, toda trabalhada na flacidez e gordelícia.

É difícil, me olhar, me abraçar… queria uma Doula para mim, só que, né? Doula não empodera ninguém…tem que vir de dentro…

Defini a partir dessa semana, cuidar de mim. Entrar no tal do equilíbrio corpo/coração, aceitação… palavra bonita.

Talvez o que eu lute aqui seja o aceitar que SOU MERECEDORA

De ter um tempo para cuidar do meu corpo

De ter meu quarto da forma mais linda que ele puder ser

De unhas feitas com carinho toda semana

De gastar um tempo no espelho com uma maquiagem delicada

“Para mudar o mundo, é preciso antes mudar a forma de nascer” afirma Michel Odent, humildemente complemento, “Para mudar o mundo, é preciso antes renascer e se permitir ser”.

 

Se me leu até aqui, minha gratidão :) É difícil se achar por aí também? Como tem feito para se encontrar nesse turbilhão que é a vida?

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Doula, Preparo ao Parto

Afirmações de Parto, como reprogramar a mente

 É na mente que primeiro nasce o Sonho, o amor. Onde nasce a criança, a vida e o impensável

Antes, muito antes  de sentir com o toque, cheiro ou olhar, os mais profundos desejos são nutridos na nossa mente.

A carreira, o casamento, o filho…E é ela também quem comanda o trabalho de parto.

Ao manter a mente tranquila, a gestante fica relaxada, sem medo e de forma alguma se sente ameaçada. Instintivamente seu corpo todo se abre, “solta” o bebê ao mesmo tempo que os músculos trabalham involuntariamente para expeli-lo.

Isso acontece quando a mulher se mantém fora da “tríade maldita” Medo-Tensão-Dor, teoria desenvolvida por Grantly Dick-Read obstetra britânico “pai” no primeiro programa de Nascimento Natural em 1930 na Inglaterra. Grantly defende que, se durante o trabalho de parto a mulher estiver com medo, vai tensionar os músculos e essa tensão por ser justamente oposta ao movimento do corpo (abertura e expulsão) causa dores fortes, que por sua vez geram mais medo e o ciclo continua….

“Nós sabemos que os neurotransmissores do estresse liberados pelo corpo (catecolaminas) podem interferir com o trabalho de parto, diminuindo o fluxo de sangue para o útero e da placenta, diminuindo as contrações uterinas, e diminui o oxigênio para o bebê.”

 

O ideal é que ao longo da gestação, identifique, e desconstrua os medos, que sim, aparecem sempre para todas!

Você pode preparar sua mente junto com o enxoval, com cuidado especial aos detalhes, desde o começo da gestação, vai se surpreender como a ansiedade diminui e os sentimentos fluem com mais leveza!

Durante os dois Primeiros Trimestres:

Experimente  montar um diário de gestação e a cada mês concluído escrever bilhetes para você mesma com as respostas para suas angustias

“Meu bebê está se desenvolvendo Perfeitamente”

“Sou uma ótima mãe”

“Amo o meu corpo”

“As mudanças da gravidez me deixam ainda mais bonita”

“Sou amada pelo meu companheiro e família”

“Confio no meu corpo”

“Sou corajosa e estou amparada por quem amo”

“Fui escolhida para gerar uma vida, sou merecedora dessa alegria!”

 

No terceiro Trimestre é bacana já trabalhar com carinho para o parto, com palavras de força e apoio que te fortalecerão durante essas últimas semanas e durante o trabalho de parto ajudarão a respirar fundo e se concentrar!

Afirmações de Parto #1

Afirmações de Parto #1

 

 “Meu bebê sabe nascer”

“Aceito, confio e me entrego, à força do meu corpo”

“Sou merecedora de um parto lindo”

“Com amor meu bebê foi concebido, com amor será recebido”

“Cada onda vivida, é uma a menos a espera”

“Cada onda, traz o meu bebê aos meus braços”

“Eu sei Parir”

 

Escreva seus bilhetes de força, sozinha ou em dupla com a ajuda do seu companheiro e/ou sua  Doula.

Deixe eles bonitos, letras grandes, que chamem a sua atenção. Coloque em lugares que você olhe todos os dias, vale espelho do banheiro, no lado de dentro da porta do guarda-roupa, na penteadeira… 

 O importante é que você todos os dias veja e se lembre do quanto é amada, forte e capaz de vivenciar sua gestação e parto da MELHOR forma possível!

Toda mulher sente medo, ou frágil, em vários momentos da vida, é normal. Não se deixe abater, és muito mais forte do que imagina!

Fiz aqui algumas frases de apoio, que você pode imprimir se desejar.

 

“Em Atlanta, Angela Cavallo, de 65 kg, 51 anos de idade, de 1,76 metros de altura, alheia ao mundo do treinamento, no entanto, também deu mostras de uma força extraordinária na sexta-feira santa de 1982, quando seu filho ficou preso sob o Chevrolet Impala que estava consertando. O macaco que segurava o carro falhou e o carro desabou deixando o garoto preso e inconsciente bem no vão da roda que previamente tinha retirado.Angela não titubeou, de modo que meteu os braços por debaixo do carro e agarrou o brilhante parachoque de metal. O Impala pesava 1.500 quilos, mas ela conseguiu levantá-lo alguns centímetros com a intenção de “aliviar a pressão” sobre seu filho que saiu debaixo do veículo sem nenhum arranhão.” -a mente sem barreiras conquista o inimaginável-

 

Casa da Doula
Doula

Quem doula a Doula?!

 

Tudo pode ter começado em um processo lento, se envolvendo com gestantes, partos lindos ou assustadores.

Ou o desejo veio com tudo, inundando o peito junto com o leite após um parto maravilhoso.

Ou ainda veio como um contínuo processo de cura, pelas falsas verdades que aceitaram, pelo não parto vivido.

O que têm todas em comum é que antes de ser a Doula,  de voz suave e toque certeiro, são mulheres, mães, filhas, amigas. E para exercer bem a profissão precisam de apoio, suporte e orientações contínuos como qualquer profissional. Parimos todos os dias.

Sim querida colega de vocação, quem cuida de você?

Tão importante quanto nosso amor e conhecimentos é uma boa rede de contatos e um bocado bom de organização, principalmente às mulheres que abriram mão do antigo emprego para se dedicar exclusivamente a doulagem.

Dicas para Doulas

Trocar experiências: com outras doulas é sempre enriquecedor, existem diversos grupos no facebook para suporte, são essenciais principalmente quando não tem outras na mesma cidade. Se na sua cidade tem outras doulas se juntem para conversar! Vale lembrar que apesar de inicialmente parecerem concorrentes a escolha é da mulher, que fará isso por afinidade. Cada doula é única, no seu modo de agir, falar, etc.

Rede de Apoio: Se você tem filhos é essencial ter com quem contar, afinal partos acontecem muito no período da noite, ter quem cuide da sua cria é vital. Conheça também os profissionais da sua cidade que possam dar suporte às gestantes, como nutricionista, Gos, Eos, fisioterapeutas, psicólogos. Tenha uma lista também de taxis caso precise.

Metas e planejamentos: Agora você é um profissional autônomo, precisa saber onde você está e onde quer chegar, metas de atendimentos, planejamento de encontros, divulgação, palestras é fundamental. Com tudo organizado seu tempo e trabalho rendem muito mais sem sacrificar sua vida pessoal.

Contabilizar: Doulas não vivem de AMOR, infelizmente. Coloque no papel seus gastos e entradas, uma planilha financeira pode te ajudar muito a visualizar a curto e longo prazo se sua vida financeira está saudável.

Cuide de você: Como poderá oferecer suporte à mulheres se estiver cansada, doente ou fragilizada? Ter um psicólogo para conversar sobre as experiências de parto podem ser uma boa, como também reservar um tempo para atividades físicas, leitura (sem ser sobre parto e afins), namorar e se divertir. Seu corpo e mente são suas principais ferramentas de trabalho, cuide deles com carinho.

Toda Doula precisa de uma Doula, ou várias 😉