Empoderamento, inspiração, Mulheres Negras

AFRONTAMENTO

Uana Mahin é cantora, empresária, mãe de Akin e rainha do youtube. Falar sobre seu canal Afrontamento é falar sobre representatividade, empoderamento e resistência. As mulheres negras que produzem conteúdo também precisam protagonizar esses espaços. No seu novo quadro, Café Preto, Uana entrevista e arranca histórias de outras pretas. Fui convidada para participar e falei um pouco sobre assuntos que quero muito escrever por aqui.

Começamos com um papo sobre empreendedorismo. Contei um pouco da Manga Rosa Lab, estúdio em que sou sócia, e  da rotina de trabalho com Amora. Depois falamos sobre minha adoção e, de forma resumida, problematizamos o lugar que a sociedade reserva para nós. Máximo respeito a todas as mulheres negras que são maioria no trabalho doméstico, deixam seus filhos para cuidar dos filhos dos outros, e dos filhos dos filhos dos outros. Sofrem com a solidão, ouvem que são ”praticamente da família”, mas comem em pratos diferentes. Precisam lutar por seus direitos trabalhistas como nenhum outro trabalhador precisa. Dão duro na vida que é dura. Não precisei de muito esforço, nem de muito teste do pescoço para perceber que os únicos negros ao meu redor eram domésticas, babás, garçons, motoristas, seguranças. E os diretores, médicos, advogados, engenheiros, jornalistas, nômades digitais, eram brancos. Adulta, percebi que dois verbos não poderiam sair de mim: o primeiro é HONRAR. Aprender, exercitar a eterna empatia e me reconhecer nas mulheres negras e suas histórias que precisam ser contadas. A segunda é OCUPAR. Entender que, ainda que minha cor grite, o meu lugar de classe média privilegiada me coloca em ambientes em que sou minoria, quase sempre hostis a minha identidade. E é questão de luta ocupá-los.

Conversar com Uana me deixou mais forte para o exercício de saber o que somos. Ela também fala como é enxergar o racismo nas suas vivências mais óbvias-para-uns-duras-para-outros, como formar uma família, por exemplo. Seu vídeo sobre Mulheres Negras e Maternidade precisa ser visto. E o Dia dos Namorados e a Solidão da Mulher Negra também. No Metida não, Subversiva! podemos ver o quanto incomoda uma mulher negra que não está em posição de submissão. E no Whitesplaining e Protagonismo ela levanta pontos super importantes, principalmente se você é uma pessoa branca.

Segue lá o Afrontamento para ficar por dentro dos vídeos que são postados toda segunda-feira, às 20h. Abaixo listei alguns textos sobre os assuntos que foram tocados aqui. :)

LINKS

Precisamos romper com os silêncios, de Djamila Ribeiro no TEDx-SP.

Trabalho doméstico: ‘ela é da família’ não é amor, é navalha na carne, de Charô Nunes.

A única negra da criação, de Joana Mendes.

Youtube Negro, de Nátaly Neri e vários youtubers maravilhosos.

 

 

 

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