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perguntas idiotas

EXTRA! EXTRA! Mães também curtem carnaval.

A odisséia

Vai dar certo? Será que tirei leite suficiente? E se acontecer alguma coisa? E se eu tiver que voltar? Vou mesmo? Mas eu gosto tanto de carnaval. Tenho me dedicado tanto, dormido de pouco e tomado café de muito. Então eu tenho direito, oras. Ela vai ficar com a avó. Eu mereço. Ela vai ficar com a madrinha que não curte tanto carnaval. Eu tô precisando. Ela vai ficar com Márcia, a babá que não queremos chamar de babá, mas que ajuda minha mãe a cuidar dela enquanto eu trabalho. Tá tudo certo.

O apogeu

Milhões de pensamentos por segundo: URRRRRRUUU AINDA BEM QUE EU VIM. Que calor, meo deos. Que alegria. Que liberdade. Olha o frevo, olha o mangue, olha o confete, olha a espuma, olha lá que galera loka. Ih, encontrei uma colega de barriga. Ih, olha lá outra. Corta pra aquele abraço que não é apenas um abraço, mas quer dizer também um ”eai-tamojunta-aproveita-tá-tudo-bem-com-as-cria. Sobre trilha: Uma voz interna não para de gritar URRUUU AINDA BEM QUE EU VIM enquanto minha voz externa canta  ”Eu quero me trepar no pé de coco/eu quero me trepar pra ver se é oco”.  A mão automática checa o celular, provando que meu instinto materno também funciona no carnaval. Tá tudo bem por lá. Tá tudo lindo! Ih, olha lá outra mãe! URRRUUU MÃES BRINCAM CARNAVAL!

O frevo na cara da sociedade

Não é possível que pessoas sem noção gostem de carnaval, não é possível. Que olhar é esse? Um, dois, três. De repente, a amiga da amiga pergunta por Amora e eu digo que tá em casa, linda e maravilhosa. Ela diz ”tu nem sabe onde ela tá, né, mulher?” e eu digo ”claro que eu sei, acabei de te dizer que tá em casa. A madrinha acabou de mandar mensagem com foto e tudo”. Mas aí a loka me responde ”que mentiraaaaa”. E eu me pergunto o que cargas d’água ela quer dizer com isso. Como se não bastasse, ela vira e diz pra amiga, apontando pra mim: ”olha lá, sabe nem onde a filha tá.” OI, MEU BEM? Digo em alto e bom som que não é possível que ainda tem gente que não aceita ver uma mãe feliz, no auge da diversão. Algumas pessoas (onde elas vivem? o que comem? como se reproduzem?) ainda acham que maternidade significa abandonar por completo uma vida de confetes e serpentinas, seja qual for a época do ano, seja qual for o motivo da comemoração. Mãe tem que passar a noite em claro, viver dentro de casa e acompanhar a diversão alheia pelo instagram. OI? Tenho vontade de perguntar o que elas sabem sobre o meu estoque de leite materno no freezer. Se elas querem ajudar a pagar as consultas na pediatra. Se elas querem sentar para estudar e decidir comigo o que Amora vai comer, consumir, que horas vai dormir, que roupa vai usar.

Vão subir naquele mesmo pé de coco pra catar coquinho, vão. Vão ver se eu tô lá na esquina da ladeira da sé com a prudente de moraes, por favor. AFF.

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BEIJOS CARNAVALESCOS

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