Maternagem, primeiras impressões, puerpério

Lembrar do puerpério

”Ela faz tudo em câmera lenta. Levanta os bracinhos, boceja, abre e fecha os olhos numa calma que ainda vai me ensinar bastante. Cenas do parto ainda vão e voltam. Consigo lembrar (e sei que logo vou esquecer) da dor aguda na ponta da barriga e das visões que só agora me dei conta que tive. O meu primeiro banho-sem-barriga será, com toda certeza, um desses momentos inesquecíveis. Toquei meu corpo, abaixei e levantei várias vezes, estranhando estar sozinha (e leve) de novo. Que sensação louca! Olhei no espelho e meus peitos estavam enormes, cheios, escorrendo de tanto leite. Depois olhei meus joelhos, abracei Paolo por uns 40 minutos, barriga minha com barriga dele. Então era assim o nosso abraço… preciso me acostumar a ser uma só outra vez.” 
Recife, 23 de Dezembro de 2013.

Essa fui eu 4 dias depois de Amora nascer. Ainda cheia de ocitocina, sensível, nova num mundo completamente desconhecido (ao menos na teoria). O puerpério é uma fase muito delicada: pode ser um mar de rosas, mas também pode ser muito difícil. As transformações no nosso corpo não param.  Os hormônios estão com tudo. A amamentação exige doação completa do nosso corpo, o bebê precisa de colo e a gente também.

WTF is puerpério? 

É aquele momento pós-parto em que a nova família entra em sintonia. A mulher continua passando por uma série de transformações, mas agora o bebê está do lado de fora, precisando de colo e muito, muito leite. Cada uma tem sua forma de viver essas primeiras impressões. As minhas eu já contei aqui, mas só agora, depois de uns meses, consigo entender como realmente foi.

Como Paolo conseguiu juntar a licença paternidade (sim, essa que é vergonhosa, que exclui o homem e reforça o patriarcalismo ainda tão e tão presente na nossa cultura) com um mês de férias, tive apoio, carinho e conforto 24 horas por dia para poder me conectar com Amora e amamentar tranquilamente. Ficávamos os três juntos, praticamente isolados. Senti uma necessidade enorme de esquecer o mundo e viver apenas aquilo ali. Lia algumas das lindas mensagens que recebemos da família e dos amigos, mas na maior parte do tempo esquecia telefone, computador, porta. O puerpério é uma enorme mistura de sentimentos. Eu estava tranquila por perceber instintivamente que, sim, sabia cuidar de um bebê. Mas ao mesmo tempo ainda estava ansiosa por toda a vida que tínhamos pela frente, por aquela criança ser nossa responsabilidade e ainda necessitar tanto do meu corpo.

Ao mesmo tempo eu:

– me sentia completamente feliz e realizada com a minha família
– estranhava minha barriga ”murcha”
– amava minha barriga ”murcha”
– odiava minha barriga ”murcha”
– ria com besteiras significativas (tipo rolar na cama ou levantar sem sentir dor)
– chorava com comercial de margarina
– comia muito
– queria ficar apenas dentro de casa
– queria sair, nem que fosse para o supermercado
– ouvia opiniões
– ignorava opiniões
– me isolava
– gostava de receber amigos íntimos com notícias ”do mundo lá fora”
– não queria saber de assunto que não fosse amamentação/criação com apego
– sentia (muita) vontade de fazer sexo
– tinha insônia
– tinha sono
– queria deixar nossa casa linda
– passava uma semana sem varrer a casa

OU SEJA

Falando sério.

Não podemos abrir mão desse momento. Tudo passa tão rápido que, quando a gente para pra pensar, já está em outra fase. Com informação, preparo e feeling, as coisas ficam muito mais fáceis de digerir. Dificuldades nos deixam cada vez mais mamíferas. Siga seu instinto, deixe de lado a opinião dos outros, por mais que a intenção seja boa. Você vai saber o que fazer, tenha certeza. Recomendo a leitura destes textos, principalmente para quem está prestes a parir:

PUERPÉRIO, POR LAURA GUTMAN.

PRECISAMOS FALAR SOBRE O PUERPÉRIO

LUA DE LEITE: O QUE, POR QUE E COMO.

E bom momentoincrível pra você,
beijos.

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1 Comment

  • Reply DIZDIZENDO 28 de agosto de 2014 at 18:48

    Putz… Escrevi o comentário mais sentimental da terra e perdi… Mas volto pra contar td de novo!

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