transformação

LIÇÃO NÚMERO 1: Deixar é sempre morte.

são 3h33 da madrugada e o apartamento só não está vazio porque insistimos em deixar rastros totalmente desorganizados.

hoje foi nosso último dia por aqui. domingo tivemos uma festa de despedida, mas a vida ainda me deu a chance de ver pessoas preciosas hoje, nos ajudando até o último segundo. olhava para cada uma delas lembrando de momentos especiais que passamos juntos. deve ter sido isso que me ajudou a não perder o controle ao ver os quadros serem retirados da parede, móveis ficando ocos e gavetas completamente nuas, revelando tudo o que eu guardava não apenas nelas, mas dentro de mim – afinal, pq guardamos tantas coisas? percebi que em vários momentos do dia o meu coração sentiu a morte que as escolhas causam. no meu atestado de óbito está escrito saudade. até já tinha alguma ideia, mas hoje aprendi de vez que deixar é um verbo muito doloroso. e não estou falando apenas daquela mesinha linda da sala, do espelho que já viu as várias faces de mim ou do piso de taco que me lembra tantas coisas. também falo sobre deixar de receber as mesmas visitas, passar pelas mesmas ruas, comer nos mesmos lugares. ora, é óbvio que estou mudando para uma realidade que me parece ser muito mais agradável. então pq a mudança ainda é tão sofrida? sei que os amigos bons continuarão ali. sei que, apesar de não existir mais o conforto de morar no mesmo bairro dos meus pais, eles estarão comigo em qualquer lugar que eu esteja. mas a racionalidade perde e sinto medo do novo. vou dormir sem saber o que me aguarda, apesar de sonhar com isso há tempos.  tudo isso parece ser sintoma de morte. nascer de novo não é nada fácil, mas até que excita. há dois anos morri pela primeira vez. voltei mãe. hoje, madrugada do dia 17 de fevereiro, morro de novo e sinto o mesmo frio na barriga. voltarei quem? um misto de céu e inferno no meu coração. uma vontade de ser tranquila e uma necessidade de me manter agitada. deixo no testamento nada além de uma vontade enorme de viver.

recebemos as mais lindas e sinceras mensagens e amigos e familiares. sentimos abraços amorosos e cheios de boas energias. obrigada a todos. de coração. <3 té já.

Chá de Bebê
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1 Comment

  • Reply Candinha 18 de Fevereiro de 2016 at 10:58

    Que a próxima jornada seja inesquecível e repleta de VIDA pra vocês, Aida, Paolin e Amorinha. Um beijo!

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