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LIÇÃO NÚMERO 2: CRIANÇAS NÃO SEGUEM O SCRIPT

Não, nunca me passou pela cabeça que logo no primeiro mês a serra transformaria minha filha num pequeno ser zen-namastê-gratidão. Mas ainda assim eu cometi o maior pecado de todos: criei expectativas em cima dela. 

Amora está com dois anos e três meses. Se você leu ”terrible two” vem cá me dar um abraço. Eu nunca gostei de classificações que generalizam crianças e pais, mas Amora iniciou uma fase que está além do seu ascendente em câncer: chora por tudo.

A equação mudança x adaptação elevado à saudade + as descobertas excitantes de um mundo novo transformou a minha filha numa panelinha de pressão. Dia desses ela olhou para o céu e comentou ”a lua tá voando”, eu disse ”nossa, que legal! tá voando mesmo” e foi aí que ela soltou um ”quero pegar”. Levantou os bracinhos, fez força, me olhou e iniciou o que deve ter sido uma meia hora de choro inconsolável porque, claro, não conseguia pegar a lua. Não adiantou exercício lúdico. Não adiantou inventar historinha. Ela sofria, sofria, sofria. E assim segue até… hoje.

Colocar para dormir virou um problema de três horas, no mínimo. Andar, nem pensar. Só que colo. As crianças não têm mais o poder de distraí-la, os brinquedos tampouco. Eu e o pai nos dividimos para que um trabalhe enquanto o outro consola cuida. Dia desses me peguei chorando junto, como se eu tivesse voltado aos dois anos de idade. A gente faz umas coisas loucas nesse momento, não é? Enquanto isso, tem trabalho pra entregar, casa pra deixar bonita e familiares e amigos distantes cobrando notícias/atenção. Quem virou uma panela de pressão fui eu.

Enquanto escrevo, escuto a respiração dos dois, que dormem logo alí no quarto. Ouço barulho de grilos e das folhas das bananeiras que batem no telhado quando o vento vem. Percebo que Amora é apenas a esponjinha que absorve toda a nossa ansiedade. Ela é apenas um espelho da nossa própria adaptação. Meu coração apertado por acompanhar de longe as notícias do parto lindo de um casal de amigos mais do que queridos. Meu pai fez aniversário e pela primeira vez estamos longe. Outros amigos juntaram seus projetos de vida numa casa que, com certeza, vai viver de amor. Duas comadres também comemoraram seus dias. A vida continua em todos os cantos do mundo e, enquanto isso, eu e Paolo seguimos necessitando de uma rotina, como crianças. Excitados com a nova vida, como crianças e seus brinquedinhos novos. Pedimos colo um do outro, como crianças que sentem a necessidade de segurança. E, olhando agora a lua pela janela, devo confessar: adoraria pegá-la também.

Amora, esponjinha, você é que sabe das coisas.

 

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1 Comment

  • Reply ju 16 de julho de 2016 at 0:23

    ai, que lindo! obrigada!

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