comecandoA
criação com apego

Minha filha andou e eu fiquei arrasada.

São muitos os desafios para quem quer criar com apego mesmo trabalhando fora de casa. E a maior parte deles acontece dentro da gente. Os sentimentos borbulham, confundem, mexem com a gente de uma forma incontrolável. O que fazer, além de terapia?

Já disse aqui que meu mundo caiu quando a licença maternidade acabou. Essa é uma ferida que eu sei muito bem que nunca vai sarar. Tenho a sorte de contar com o apoio dos meus pais para cuidar de Amora enquanto eu trabalho, mas isso não diminui a frustração que sinto por simplesmente ainda não poder jogar tudo pro alto para acompanhar de perto cada segundo do desenvolvimento dela. Durante a licença eu fiz questão de me internar, me isolar na maternagem. Passava os dias inteiros sozinha com ela. Evitava visitas e curtia aquele momento com um gostinho amargo que fazia questão de permanecer, pois eu sabia que logo passaria pelo menos oito horas do dia sem ela.

Lembro de ouvir de uma mãe que a primeira vez que ela viu sua filha andar foi através de um video. Aquilo pra mim soou tão violento. Como tiraram esse direito dela? Dar os primeiros passos é um ato tão simbólico que ouvir esse relato me chocou profundamente. Desejei, durante todos os dias, que isso não acontecesse comigo. Mas eu sabia que era apenas questão de tempo.

Assim como eu, Amora não teve essa pressa toda para andar. Com 1 ano e pouco mais de um mês, deu os primeiros passos sozinha. Não, não teve video. Mas quando eu ouvi a novidade meu coração gelou e um nó apertou minha garganta. Cheguei em casa e chorei, chorei, chorei muito. Eu queria ter visto a carinha dela na hora. Eu queria ter segurado na hora de cair. Queria estar na frente dela, como era pra ser.

Não sei se por conta da minha carga hereditária de drama, ou pelo meu puerpério tardio, ou porque é foda triste mesmo, mas me doeu tanto não participar daquele momento. Sei que a gente cria filho para o mundo, mas ninguém vai me convencer que eu deveria estar mais tempo com minha no auge do primeiro ano de vida dela. E como se toda essa carga hormonal/emocional não bastasse, como se milhões de dúvidas não começassem a surgir mais uma vez, existe  o fato de que praticamente ninguém nem todo mundo tem a sensibilidade de compreender a dor do outro. A mulher já costuma ser vista como histérica, cheia de frescura, dramática. Isso faz com que a gente confunda os sentimentos, negue a frustração e acabe achando que tudo isso é muito pouco. Não sei como estará minha cabeça no próximo ano, mas agora eu não quero negar ou camuflar o que estou sentindo. Alguém por aí tá assim também?

 

 

Chá de Bebê
Previous Post Next Post

You Might Also Like

4 Comments

  • Reply Géssica 6 de junho de 2016 at 14:19

    Que sensação boa que sinto agora, de que não estou só! Palavras chaves que voce disse que me identifiquei tanto, puerpero tardio (Eu achava que estava ficando louca, porque pra mim puerpero é só depois que eles nascem), criação com apego SOFRIDA quando se tem que trabalhar fora (Acho que nunca estou a contento), e SIM eu vi ela dar os primeiros passinhos em video (enviado carinhosamente pelo meu companheiro). Adorei seu post, obrigada por dividir sua experiencia!!

    • Reply Aida Polimeni 29 de junho de 2016 at 12:05

      Que massa, Géssica. Depois do teu comentário também fiquei com essa sensação de que ”não estou sozinha”. Até hoje me sinto péssima quando lembro que não vi Amora dar os primeiros passos. Nem por vídeo. :( Mas depois disso vi ela fazer várias outras coisas pela primeira vez, então já estou me sentindo menos culpada. hehehehe

  • Reply Vanelle 13 de março de 2015 at 13:51

    Oi Aida!!

    Você tem todo o direito de sentir o que sentiu. Eu cai da escada só por tentar chegar a tempo para ver a cara da pessoa quando recebesse o presente que eu dei. Sou da ideia que s cria filhos para o mundo, mas não quando são bebês. Essa é fase que eles tem de ser dos pais, é a fase da dependência e de maior ligação. Expresse todo o seu sentimento, grite, xhore e também reflita sobre o que sente. É um momento só seu, muitas oessoas não entenderão e não se ache louca ou histérica por isso, sabe porque? No fundo somos todos iguais, se fosse eu no seu lugar sentiria a mesma coisa. Só é preciso que as pessoas passem pelo que a outra está passando para entender e reagir igual. Beijo grande!

  • Reply Laura 6 de março de 2015 at 14:59

    Eu! Minha filha tem 7 meses. Me identifiquei tanto com seu texto! Voltei trabalhar quando ela tinha 5 meses. 10 Dias depois ela sentou sem apoio pela primeira vez e eu não vi. Fico imaginando como vai ser quando andar, falar… dói, dói demais!

  • Leave a Reply