adaptação, mudança; expectavivas; realidades;

MUDANÇA: EXPECTATIVAS x REALIDADE

Já se passaram algumas semanas depois da mudança e só agora eu tomei coragem para digerir (leia-se escrever) sobre tudo isso.

Expectativas

Para mim parecia tudo muito simples. Peço demissão, cumpro aviso prévio e enquanto isso Paolo já sai da agência que ele trabalha, pq tem um tipo de contrato diferente. Ele adianta a mudança e nós temos tempo de encaixotar tudo até mesmo antes do carnaval. Dá tempo de vender os móveis e até fazer um brechozinho.Vão quatro carros, contando com o nosso. Vamos conseguir levar tudo que precisamos. Amora já não está indo para a escola, mas nós conseguiremos reversar os cuidados com ela tranquilamente. Tem madrinha, tem avó, avô, tio. A gente brinca o carnaval como se não houvesse amanhã e na semana  seguinte bola uma festa de despedida carnavalesca, como quem não quer se despedir. Vai ser lindo. O apartamento já vazio, as paredes cheias de glitter. Depois é só encher o carro com as coisas e pegar a estrada. Doze horinhas e chegamos. 14, vai, pra não ser tão otimista. Entramos em casa, respiramos fundo. Reconhecemos nosso novo lar, cheio de plantas e vista para o morro branco. Meus pais chegam no outro dia com Amora, vão de avião. O voô chega em lençóis às 14h, então temos tempo de sobra para dar um grau na casa e receber todo mundo de forma confortável. Instalamos internet para trabalhar, matriculamos Amora na escola, começamos a vida nova.

Realidade

Pedi demissão, contei que sairia da agência em 20 dias. Recebo uma proposta para continuar trabalhando com eles online e fico tão feliz que faço tudo pra que realmente dê certo. Isso faz com que eu não saia da agência em 20 dias e sim na sexta feira de carnaval (uma semana antes de viajar). Paolo também teve que esperar a conclusão de alguns trabalhos para poder se liberar. Isso significa também que uma semana antes de viajar não tinha na-da pronto. Minha mãe teve um problema de saúde e Amora ficou indo para o trabalho comigo num dia, trabalho de Paolo no outro. Chegou o carnaval e nós não tivemos maturidade para isso. Trocamos as caixas pela festa pagã, claro. Ficamos super sobrecarregados depois da quarta-feira de cinzas. Não deu tempo de organizar festa de despedida temática. Chama todo mundo pelo whatsapp mesmo. Nós já estávamos recebendo várias mensagens e ligações dos amigos que queriam dar um abraço de até logo. ”Galera, a despedida vai ser HOJE”. Não vai dar ninguém assim de última hora. Corte seco. Dezenas de pessoas dentro do apartamento, em pleno domingo. Se tem uma coisa que sempre dá certo nas minhas expectativas são as festas. =p Teve glitter e tudo. Volta para a parte séria. Teve gente que desistiu de comprar os móveis que tínhamos reservado. Coloca no olx pra vender em um dia. Obrigada, olx. <3 Vendemos. O comboio que era de quatro carros reduziu para dois. F%$#!, não vai dar pra levar as coisas que tínhamos planejado. Vamos ter que ver na hora o que vai e o que não vai. Todo mundo lá em casa pra ajudar a encaixotar (se não fossem os amigos não tinha rolado). Ao mesmo tempo, a família nos espera num jantar de despedida organizado pela minha mãe. Já saí de lá com saudade, emocionada por todos que estavam lá, ansiosa com tudo que ainda tinha para arrumar. Amanhã vamos sair 5 da manhã, então temos que dormir cedo para Paolo dirigir de boas. Voltamos para continuar a mudança e já tinha mais uma galera pra ajudar. 3 horas da manhã terminamos de colocar as coisas no carro. E, sim, não coube tudo. Foi uma noite estranha, os amigos ficaram até o último segundo e eu meio que desabei quando me despedi de vez. O coração apertou mesmo. </3 Saímos 8h. Tivemos que parar na esquina porque uma das bicicletas despencou. O carro estava num nível que eu nem vou descrever pq é politicamente incorreto demais. Passei o caminho inteiro com uma bolsa preta de uns 10kg no colo, arrodeada de sacolas e travesseiros. As nossas roupas não foram em malas, foram em sacos de lixo que rasgaram enquanto a gente tentava espremer tudo no carro. No meio do caminho, voou uma calça jeans na minha cara. As doze horas chegaram e a gente ainda estava em Feira de Santana, metade do caminho (!!!!). Os carros foram muito pesados, não dava para dirigir mais rápido. Tivemos que parar porque estava todo mundo muito cansado. Mas não podíamos atrasar a viagem porque Amora chegaria no outro dia com meus pais, de avião. Paramos umas 23h e dormimos num hotel de beira de estrada (sempre quis escrever hotel de beira de estrada) e levantamos umas 5h da madrugada. Chegamos ao Capão 12h. Do Capão para o aeroporto de Lençóis é uma hora e meia de estrada. Só deu tempo de esvaziar o carro e seguir para o aeroporto. Nada de casa limpa para receber meus pais. E ainda com o coração apertado por chegar 20 minutos atrasada pra buscar Amora. Enfim, voltamos todos ao Capão umas 16h e meus pais tiveram que dormir num quarto todo bagunçado que estava trancado sei lá quanto tempo. Demoramos 15 dias para conseguir internet, por uma série de motivos. A casa é como qualquer outra casa que se chega pra morar: não tem a sua cara ainda. E assim ficou durante uns bons dias. Demos muita sorte de ter com a gente um casal de amigos super especiais que colocaram a mão na massa com muito amor. Foi capinar quintal, pintar parede, montar os móveis que couberam no carro. Eles ficaram uns 10 dias com a gente e depois que foram embora tivemos que encarar outra realidade: nós três sozinhos aqui nessa vida nova. Me lembrei muito do dia em que Amora nasceu. Sempre conversávamos sobre o momento em que a família, as parteiras, a doula sairia e nos deixaria sozinhos em casa. Eu não sabia o que faríamos eu e Paolo sozinhos com um bebê em casa. As emoções foram semelhantes. E ainda não sei como será a vida a partir de agora. Mas se nós conseguimos nos mudar nessa loucura toda, o resto vai ser facinho.

Amora já está numa escolinha waldorf  muito linda. A casa cada dia fica mais apaixonante. A vista é linda, o céu fica incrível todas as noites. Tem goiaba, banana, laranja e mamão no quintal. É frio, apesar de bem quente na rua das 11h às 15h. Tem internet, voltamos a trabalhar e fazer contato com o mundo. A vó paterna de Amora está com passagens compradas para fim de março, amigos queridos para abril, uma galera no são joão. Hoje, depois de dois dias de trabalho intenso, nos demos de presente a tarde numa cachoeira incrível. Sexta-feira tenho yoga às 8h. E a vida nova segue.

(Obrigada a todas as pessoas que me cobraram uma atualização por aqui. <3)

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12 Comments

  • Reply Deborah 19 de Fevereiro de 2017 at 19:00

    Que história linda. Sou ova o blog estava pesquisando sobre maternidade (estudando para concurso) e me deparei com uma imagem do blog, me encantei com as voltas que esse mundo dá e como você as descreve com tamanha simplicidade e doçura. Parabéns pela família linda, felicidades!
    Ps: sua casa é linda, um sonho para qualquer família.

  • Reply Sara Saravita 16 de Março de 2016 at 16:51

    Melhores partes do texto: “não temos maturidade para isso” e “sempre quis escrever hotel de beira de estrada”. Beijos

  • Reply Luli 15 de Março de 2016 at 14:18

    nega, nego e neguinha.

    com os olhos cheios de lágrima de emoção, li cheio de admiração e inspiração tudo. que lindo vocês e que pena vocês longe logo depois de te-los conhecido.

    muita, muita, muita energia pra vocês três, quem sabe quatro jajá e com certeza vou visitar e cozinhar pra vocês jajá. podemos até procurar uma casa nova pra alugar! <3 hahahahaha

  • Reply Lívia 11 de Março de 2016 at 12:08

    Curiosidade: vcs moravam onde antes?que cidade?Foi brusca a mudança? E qual sua profissao? Meu sonho é morar em um lugar assim, mas meu amrido sempre fala que na nossa profissão não tem como, et , etc…
    Parabéns pela coragem!!!
    Abraços

    • Reply Aida Polimeni 11 de Março de 2016 at 14:35

      Oi, Lívia. 🙂 Somos morávamos no Recife e somos publicitários. Por aqui existem médicos, engenheiros, advogados. Mas, realmente, nossa profissão ajudou bastante para esta mudança acontecer. Trabalhos com internet, então só precisamos de conexão e computadores mesmo. Se joguem!

  • Reply Natal 10 de Março de 2016 at 20:52

    Adorando sua história!!! 🙂
    Conta mais!

  • Reply Claudio malungo 10 de Março de 2016 at 17:57

    Caramba, uma saga. Parabéns Aida, felicidades a família

  • Reply Ândrica Virgulino 10 de Março de 2016 at 16:43

    Ei, conta tudo para gente sobre a Escola Waldorf <3.
    Meu sonho matricular Isadora numa.
    Xero!

    • Reply Aida Polimeni 11 de Março de 2016 at 14:35

      Ai, que massa. Vou preparar um post com todo carinho. <3

  • Reply Lela 10 de Março de 2016 at 14:42

    Que experiência foda, viu? Muito me admira a tua coragem e a de Paolo para tomarem essa decisão e seguir em frente dos sonhos de vocês. Me derreti quando vi a foto da tua casinha verde. Linda demais! Tenho certeza que esse é só o começo de uma história massa que vem por aí. Muita saúde, paz e tranquilidade para vocês. <3

  • Reply Samuca Dantas 10 de Março de 2016 at 11:02

    Não sabia da existência disso aqui. Bom saber, virei cadeira cativa 😉

  • Reply Virgínia 10 de Março de 2016 at 10:45

    Sou tua fã!
    ou melhor, tua, de Paolo e de Amora.

    muito amor para vocês nessa nova aventura <3

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