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alimentação, veganismo

Nossa introdução alimentar

 

Quando Amora fez 6 meses eu até tentei introduzir os alimentos, mas a curiosidade dela era zero. Nem por papinhas, nem por pedaços. Mas aí, com muita paciência, fomos tentando e esperando. Só aos 10 meses ela começou a mostrar interesse. Me baseei no livro Mamãe Eu Quero, da Sônia Hirsch, mas inicialmente seguimos com BLW (saiba mais aqui). Foi a fase de observar o que ela aceitava/rejeitava, testar receitas e ouvir muito mito dozoto.

Antes de tudo eu preciso dizer: estava completamente insegura. Queria ouvir opinião de pediatra, de cientista, de nutricionista, da fátima bernardes e esqueci completamente da minha. Depois de disparar mil perguntas para outra mãe, ouvi que a-lô-ou, é massa pesquisar, ouvir os outros e tudo mais. Mas quem deve decidir o que e quando Amora vai ou não comer somos nós, pai e mãe, única e exclusivamente. Eu tinha muito medo dessa parte. Acredito firmemente que os primeiros anos da infância contribuem para o adulto que vai se formar, então essa responsabilidade é MUITO grande.

Estou no meu terceiro ano de vegetarianismo. Só depois de parar de comer carne eu percebi os benefícios para o meu organismo. A mudança foi mais ideológica e ela ainda está acontecendo (veganismo, tamoai), bem mais lenta do que eu gostaria, é verdade. Comecei a me preocupar muito mais com a alimentação depois de entrar nesse mundo, mesmo a exploração animal já sendo o bastante para me convencer. Passei a conhecer melhor meu corpo e refletir sobre o que faz bem ou não pra ele. Hoje gostaria de ter uma alimentação totalmente livre de proteína animal, açúcar e glutamato. E se eu acho que essa é a alimentação ideal, como é que eu não vou querer que seja a da minha filha? Ou seja, resumo da introdução alimentar de Amora:

 

1. Zero animais.

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 Como assiiim?

A gente não precisa comer outros animais. Esse costume é mais cultural do que necessário, e não é possível que em pleno 2015 essa informação ainda pareça coisa do outro mundo. Este documentário aqui é ótimo para quem nunca ouviu falar sobre isso, ou conhece pouco. Sim, as pessoas me estranham por ser vegetariana. Sim, convivo com piadas e questionamentos diariamente.

 

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 Mas e a proteína? 

 

Vários alimentos que já costumam aparecer na hora do almoço, por exemplo, são cheios de proteína. Feijão, lentilha, ervilha e grão de bico são alguns deles. Castanha do pará e pistache também têm. Faça um leite de amêndoas e você tem um belo suco de proteína. Sem contar com o tofu. Não citei a soja porque ela realmente não é bacana, ainda mais a nossa brasileira-toda-trangênica. Sim, crianças vegetarianas/veganas existem e tão lindas e serelepes, como o Venâncio aqui.

 

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Mas você está obrigando a sua filha a ser saudável vegana!

Logo, todas as outras crianças são obrigadas a comer carne, é isso? Me diz o que tem de errado em querer que a MINHA filha tenha uma alimentação que EU acredito ser a ideal? Ela é apenas uma criança de 1 ano e 2 meses. Eu sempre fui e sempre serei defensora da liberdade, então quando ela quiser experimentar qualquer coisa que seja, ela vai experimentar. Mas dá licença para eu influenciar da forma que acho melhor? Creia, já ouvi coisas como ”Coitadinha, nem vai poder comer Mc Lanche Feliz”. O que eu fiz? Morri três vezes e voltei em forma de hambúrguer de lentilha, né?

O Ministério Público reconhece que alimentos de origem animal não são imprescindíveis para a alimentação das crianças. Você pode ler o Guia Alimentar para a População Brasileira aqui.

 

2. Leite, só materno.

 

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Como assim ela não toma leite de vaca?

O leite faz mal. Sim, é chocante. Sim, você tomou leite a vida toda e não morreu. Eu sei, eu também. Mas o fato é que nosso organismo foi feito para digerir apenas o leite materno, assim como o do bezerro foi feito para digerir o da vaca. Muitos bebês desenvolvem alergia após o consumo do leite de outro animal justamente por conta disso. Adultos também sofrem com várias reações, só que geralmente elas são ignoradas. Gases, diarréia, prisão de ventre, sinusite, asma, manchas/coceiras na pele e vários outros sintomas quase nunca são associados ao leite, mas deveriam. Esses vídeos aqui  e aqui são bem explicativos, mas tem muito mais informação nessa internet lindan.

 

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E o cálcio? Hein? Hein?

 

Folhas verdes são cheias de cálcio. Brócolis, espinafre. Tofu tem mais cálcio do que o leite da vaca e dá pra criar muita receita com ele. Semente de gergelim também tem. Aqui em casa ela vai com tudo. Misturamos na massa de tapioca, no pão caseiro, no arroz, enfim. No processador vira tahine, outro curinga. Grão de bico também é um ótimo substituto e não pode faltar.

 

3 – Zero açúcar

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Nossa, como ela é radical por não dar açúcar a uma criança com

menos de dois anos!

Oi, meu nome é Aida e eu sou viciada em açúcar. Muito. Do tipo que precisa comer um doce quando acorda. Isso não faz bem pra mim e eu luto diariamente para exorcizar essa loucura da minha vida. Não desejo isso para a minha filha, como uma mãe que fuma cigarro não deseja que o filho fume também. Viver sem açúcar é afastar o risco de infecções, câncer, cáries, osteoporose, diabetes, obesidade, e várias outras doenças. Sem contar que o açúcar refinado rouba o cálcio dos ossos para neutralizar a acidez no sangue causada por ele mesmo. Uma boa saída para nós é substituí-lo por açúcar mascavo, que ao menos tem uma porção de vitaminas, proteína, cálcio, ferro e afins, que não foram perdidos por não passar por aquele processo de ”branqueamento” do açúcar comum. Mas optei por também não apresentá-lo a Amora por enquanto.

 

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Coitada, nunca vai saber o que é um brigadeiro. COMO SOBREVIVERÁ???

 

Ela já sabe! Na sua festinha de um ano rolou um brigadeiro vegano delícia, adoçado com damasco e tâmaras. Mas se ela crescer e quiser um brigadeiro comum de vez em quando, tudo bem. Só acho difícil que ela seja como eu, por exemplo, e queira comer 54 brigadeiros em 10 minutos.

Vale frisar que por muitas vezes a gente se surpreende com a hiperatividade de uma criança sem parar pra pensar na quantidade de açúcar que ela ingeriu e nas horas que ela ficou na frente da televisão, tablet, computador. Este doc aqui é bem interessante e gera uma reflexão sobre alimentos que, como o açúcar, são super comuns na infância, mas não deveriam

 

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Quanta hipocrisia! Come doce e não deixa a menina comer.

 

Cuido da alimentação dela para que não seja igual a minha, fico com peso na consciência até com açúcar mascavo e se como doces é escondida. Se eu estou satisfeita com isso? É CLARO QUE NÃO, MINHAGENTE. Faço rehab, não misturo mais doce de leite com leite condensado numa xícara  e reconheço que devo dar meu exemplo, sim. É como pais fumantes que encontram carteiras de cigarro escondidas nos quartos dos filhos adolescentes. Não adianta fugir da responsabilidade. Mas eu não tenho vergonha de dizer que ainda estou no processo. Tem muita gente que só aprende a comer bem depois de uma doença, um regime ou um video sobre a exploração dos animais.

Amora não só está aprendendo a comer, mas está também nos ensinando. <3

 

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9 Comments

  • Reply Roberta Sartor 13 de março de 2015 at 9:26

    Fiquei interessada na receita do brigadeiro. Pode partilhar ?

  • Reply Elisa 13 de março de 2015 at 9:07

    Aida, o meu filho de 14 meses tem alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Eu e, principalmente marido, nao éramos trash para comer, mas a alergia do gurizinho acabou melhorando bastante a nossa alimentacao.
    Por causa da restricao da APLV cozinhamos sem leite e derivados e muitas vezes na semana temos menu vegano. Nao somos nem pretendemos virar veganos ou vegetarianos, mas o consumo de leite e outros produtos animais diminuiu lá em casa. Tenho procurado só comprar carne orgânica (com ovos, frutas e vegetais há muitos anos já tinha essa política) porque se vou comer bicho que pelo menos ele tenha tido uma vida digna.
    Eu luto a anos para diminuir a quantidade que eu como de acucar. Já tive várias vitórias (nao tomo mais refrigerante nem compro pote de sorvete – e na sorveteria é uma só bola sem calda), mas ainda estou na luta. Meu filho acaba praticamente nao comendo acúcar e outras tranqueiras (efeito secundário maravilhoso da APLV), já que ele normalmente nao pode comer bolo, biscoitos e outras coisas que oferecem ou a gente mesmo come na rua. Enfim, o acúcar – ainda bem – tem sido excessao na alimentacao dele e pretendo manter assim.
    No aniversário do filhote eu encomendei tudo vegano por causa da APLV e da alta incidência de vegetarianos na família. Foi sucesso tava tudo delicioso e te juro que foi um dos melhores bolos que eu já comi na vida (e tenho que descobrir a receita!).
    Me dei de natal o livro da Bela Gil e acho que ele veio de encontro ao que está acontecendo lá em casa, uma alimentacao onívera, mas com base vegana e evitando o acúcar refinado. Pena que nao sao muitas receitas.
    Um primo nasceu vegetariano, mas eventualmente se comia peixe na casa dele (era aquela época que vegetariano só nao comia carne vermelha). Na nossa adolescência lembro dele ou só comer a batatinha ou pedir McFish no McDonalds. Hoje em dia que eu saiba ele nao come peixe e está indo pelo caminho do veganismo (e nenhum de nós dois come no McDonalds… hehe). Ou seja, como tudo em maternagem, a gente ensina os valores que consideramos certos e temos que confiar nisso quando eles crescem, ainda bem que normalmente dá certo.

    • Reply Aida Polimeni 13 de março de 2015 at 10:37

      Elisa, obrigada por esse exemplo! É sempre um alívio ouvir histórias que dão tão certo. E esse consumo consciente de vocês faz toda a diferença. Meu companheiro não é vegetariano nem vegano, mas come beeem mais leve do que antes. Quando compramos leite também temos a preocupação de comprar os das ”vaquinhas felizes” hahahaa. Mas aos poucos (e ouvindo exemplos como o teu) vou largando! O que importa mesmo é isso que você disse: ”como tudo em maternagem, a gente ensina os valores que consideramos certos e temos que confiar nisso quando eles crescem, ainda bem que normalmente dá certo.”

  • Reply Dayane 12 de março de 2015 at 14:37

    Olá, Achei super interessante. Sou com açúcar assim como você. Mas o que eu gostaria de refletir é sobre o vegetarianismo para as crianças… acho super bacana, saudável e lindo… MAS… tenho uma prima de 12 anos, a mãe dela é vegetariana e ela por consequência. Mas há uma coisa que não foi respeitada, a vontade da criança… pois veja bem, ela já é moça agora e já sabe que existem outros alimentos e sente vontade, ela me disse que “passa vontade de comer as coisas”… mas não come por causa da mãe… acho isso muito ruim. Assim como você come o açúcar escondida, acho que ela come carne escondida ou coisa do tipo… acho importante que o vegetarianismo seja Opção e não Imposição. Com todo o respeito ao seu post…para que as crianças também sejam respeitadas dessa forma ^^

    • Reply Aida Polimeni 12 de março de 2015 at 15:29

      Oi, Daiane! Realmente é bem complicado. A gente tem que respeitar a vontade das crianças, sim. Mas, ao mesmo tempo, eles ainda não sabem o que é melhor/pior, né? Fico imaginando quando for minha hora e tento pensar que se eu demorei tantos anos (tinha 22!) pra me tocar, como eu vou querer que ela, com 12, compreenda, né? Mas prefiro acreditar que com os vårios exemplos que ela tem (convive com muitos amigos meus que são vegetarianos) a curiosidade diminua. Não dá pra saber, não é? Mas de uma coisa eu tenho certeza: vou ter que segurar o coração porque não vai ser fácil assistir!

  • Reply Ila 12 de março de 2015 at 11:41

    Nossa!!!! Ameiiii! Minha pequena está com 6 meses e eu também estou tentando começar o vegetarianismo. Leite e derivados já é mais fácil pra mim. Mas decidi que não quero apresentar nem bichinhos e nem “leitinho” pra ela (só o meu mesmo, mas esse é “leitão”

    • Reply Aida Polimeni 12 de março de 2015 at 15:21

      massa que tu tem facilidade pra largar leite e derivados <3 sorte tua e da pequena!

  • Reply Marina 12 de março de 2015 at 10:27

    Super! Aqui em casa é igualzinho. João, com 3 anos, vai muito-bem-obrigado, sem carne, sem leite, sem salgadinho, sem suco de caixinha, sem bala, chiclete, bolacha, sem danones ou farinhas adoçadas. Já mergulhou num prato de brigadeiro (liberei em festas, depois dos 2 anos.).
    Pode me julgar, mas como Ruffles escondido vez em quando… hihihi

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