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gravidez, nove meses, parto domiciliar

O que dizer para uma amiga grávida?

Fui visitar uma amiga grávida. 39 semanas. Barriga gigante, piscina pra lavar, contrações de Braxton Hicks, pezinho meio inchado, plano de parto escrito, visita da equipe. Ela tá naquele estágio do ”pode ser agora”. É, pode. ”Pode demorar muito ainda”. É, pode.

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(Já que o assunto é visita, chorey fuçando algumas fotos da gravidez)

 Amora no auge dos nove meses, engatinhando pela sala e brincando com os cachorros. Voltei no tempo e me vi nove meses atrás, como a minha amiga estava, bem ali, na minha frente. Barriga pesadíssima. Ansiosa. Imaginando como seria o rostinho, como seria conviver com um bebê, criar um filho. Eu não conseguia entender como funcionavam as fraldas de pano, cueiro ou lençol de xixi. Pensava que só usaria as ”fraldas de boca” para limpar a boca e não para qualquer-situação. Não sabia como era gostoso conseguir colocar um bebê pra dormir, acalmá-lo apenas com a minha voz ou com um simples toque. Eu não tinha ideia do quão cheiroso era o vernix, ou de como meu coração palpitaria a cada sorriso dela.

Eu olhava para a minha amiga e pensava ”Caramba. Essa mulher vai parir a qualquer momento e nada do que eu fale aqui vai conseguir chegar perto do que ela vai viver. Ela não tem ideia do quanto vai ser incrível.” E olhe que estudou, foi pra grupo, tem parteira, doula, amiga-índia, assistiu video, leu relato. Mas é o primeiro filho e por experiência própria eu repito: ela ainda não sabe o quanto vai ser incrível. E só depois de parir é que vai entender. Vai olhar pra o bebê, tocá-lo, amamentá-lo. Vai reviver durante muito e muito tempo o expulsivo, a primeira noite, o primeiro momento sozinha com seu corpo outra vez. Hoje ela só quer saber como será tudo isso.

Tive uma gravidez saudável, mas bastante cansativa. Eu não fui muito ”relax”, se posso dizer assim. O excesso de atenção era uma coisa que me irritava muito, principalmente no fim da gravidez. Chega uma hora em que você se transforma numa barriga e ponto. Todos te olham com aquele tom Belchior cantando o Alucinação de trás pra frente, quando tudo que você quer é fechar os olhos e dormir normalmente, sabe? Eu já não aguentava mais responder se era menino ou menina, ouvir a história tenebrosa do filho de fulano de tal e, principalmente, explicar por que ”ainda não nasceu”. Sério. Tive crises e mais crises de choro desejando que tudo aquilo acabasse.

Mas aí olhei pra minha amiga grávida e vi que a doula foi lá fazer massagem, que tem uma amiga cozinhando as coisas preferidas e meio mundo de gente querendo conhecer (e amar) esse bebê que está chegando.

Depois de um tempo o que era pesado vira só uma lembrança engraçada e voltamos a nos reconhecer no espelho. Hoje essa nova vida pode até ser difícil de imaginar, mas daqui a pouco ela vai entrar na partolândia. Vai ter a maior das emoções. Vai sentir o poder nascendo junto com seu bebê. E vai ficar tudo certo :)

 

 

Eu grávida
Eu olhando para a minha amiga grávida
Eu e ela daqui a mais nove meses
Chá de Bebê
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