Empoderamento, maternar, perguntas idiotas

O que você fez comigo, maternidade?

Sim, eu já esperava uma série de mudanças com a vinda de Amora. Só não esperava que as mais significativas fossem dentro de mim.

Gravidez te faz bater de frente com uma série de sonhos e gente chata. Mas aproveito o início do texto pra dizer: você não vai precisar abrir mão de nenhum deles.

Fui uma adolescente que ouviu várias vezes a máxima ”engravidou=perdeu a vida”. Não necessariamente por isso, mas cresci desejando não ser mãe. Nunca esteve nos meus planos. Acredito fortemente que a maternidade não é uma obrigação da mulher. Não querer ter filhos é tão normal quanto não querer comer carboidratos, por exemplo. Nenhuma mulher deve ser vilanizada por isso.

E foi assim que começou a minha primeira transformação: quando me vi grávida, eu quis muito ser mãe. Foi uma surpresa, uma mistura louca de sensações. Mas a realidade é que, sei lá, aquela vontade estava dormindo e acordou no exato momento em que minha ficha caiu. Comecei a curtir tanto a ideia que cheguei a temer uma gravidez psicológica e só acreditei mesmo no primeiro ultrassom. LOKA MESMO.

Então, diante disso tudo, eu ficava super abalada quando alguém sem noção vinha me falar sobre as noites em claro, sobre adiar tal viagem, sobre deixar de sair, sobre transformar meu corpo, sobre não ter mais dinheiro pra nada e essas coisas que toda grávida escuta. E não me falava das coisas maravilhosas que eu vivo a cada fase nova. As coisas mudam, e muito. Mas tudo é adaptável nessa vida.

A maior mudança foi interna. E não tô falando dos órgãos que se apertaram, da placenta que foi formada ou do cordão umbilical. Minha cabeça abriu para uma série de coisas e ao mesmo tempo eu me agarrei nas convicções que já eram minhas desde sempre. Pra mim, a maternidade é uma luta diária contra um sistema que não acredita no empoderamento feminino. Amora é, sim, o meu lindo projeto de vida. Pra ela eu quero um mundo melhor. Por ela eu tive que ser mais responsável do que nunca. Foi ela quem confirmou: toda história tem dois lados e eu escolho o lado da autonomia. A cada decisão ela me prova o quanto é importante sermos donos das nossas escolhas. E é assim que aprendo e me (re)conheço cada vez mais.

Para quem tem um filho, cada fase é uma novidade incrível. As dificuldades fazem parte disso (mas são menores, tenha certeza).   Bom mesmo é ver como tudo vale a pena.

Ao contrário do que imaginava, ela me ensinou a amar o meu corpo. Sou mil vezes mais feliz com ele agora.

tumblr_mn29p8pxF91qk5mb9o1_400

Ao contrário do que eu temia, ela não nos prendeu dentro de casa. Sair em família é bom demais. E também já arriscamos noitadas sem ela (ligando a cada 15 minutos pra saber se ta tudo bem, mas ok) com direito a preguicinha coletiva no dia seguinte. #valeuvovo

Ela não adiou meus projetos profissionais e sim deu gás para todos eles.

tumblr_lc9dukkqGk1qcnhhzo1_500

Não são nossos filhos que vão destruir nosso orçamento, somos nós. Se pararmos pra pensar na quantidade de coisas desnecessárias que compramos para nós e para eles, conseguimos perceber isso facilmente. Com planejamento as coisas vão dando certo 😉

tumblr_ltets2AEi91qlycwjo1_r1_500

Não, eu não durmo como eu dormia antes, mas cara de sono também tem seu charme.

 

tumblr_mcegnfO19S1riijlto1_500

Vou sim fazer todas as viagens e cursos que estão na lista.

beijo

 

Vou sim fazer qualquer curso que eu desejar.

 

 

E minha filha vai continuar me transformando, como faz desde que era uma semente de papoula.

 

Chá de Bebê
Previous Post Next Post

You Might Also Like

3 Comments

  • Reply Marilia Litwak 17 de novembro de 2015 at 10:59

    Poxa, Aida, até que enfim algum texto sobre maternidade que tá na minha vibe. As pessoas tendem a serem um pé no saco e te jogar só o lado “ruim” da coisa, mas eu AMEI/AMO ser mãe, e super concordei contigo no que diz respeito ao corpo e ao orçamento 🙂 Continua sempre escrevendo, bjsssssss

  • Reply Thay Almeida 16 de Março de 2015 at 17:02

    Cai no seu blog agora, assim por acaso, e já estou encantada com seu modo de escrever e de traduzir em palavras tudo que nós mulheres sentimos!
    Eu parei de tomar a pílula faz uns 2 meses, mas estou naquela insegurança danada por todos os motivos que você citou aí, que as pessoas dizem para as grávidas – e para as que estão planejando engravidar também.
    Nos últimos dias tenho praticado alguns mantras pra ver se amenizo meus medos e ansiedades. Digo pra mim mesma “Vai acontecer no tempo de Deus, não se torture” “Vai dar tudo certo, vc vai ser uma grávida linda, ter um gestação calma, parir do jeito que sempre sonhou e vai tudo caber no seu orçamento”.
    Lendo seu texto me dei conta que realmente, tudo pode ser bem mais simples e gratificante, é só uma questão de agradecermos mais do que esperarmos.

    Virei leitora!

    Beijos, Thay.

    • Reply Aida Polimeni 30 de Março de 2015 at 17:37

      Thay, creia: vai dar tudo certo, sim. A transformação é tão grande de certas coisas parecem beeem pequenininhas, como esses comentários maldosos que ouvimos sem-pre. Tenho várias amigas tentantes e amo/sou conversar com elas sobre isso 😀 vamos trocar figurinhas! beijos

    Leave a Reply