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Nômade Digital

O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO?

Uma pergunta aparece praticamente todos os dias. Ela vem dos amigos íntimos e dos laços que estamos criando por aqui. Também de desconhecidos, em apertos de mão ou mensagens nas redes sociais. ”O que vocês estão fazendo aí?”. Tanta resposta cabe entre estas aspas que eu nem sei por onde começar. Talvez por isso tenha demorado um pouco para escrever este texto. 

Peço licença aos acontecimentos atuais não está sendo fácil, Brasil para contar esta história.

Eu convivia com três inquietações principais que me fizeram chegar até aqui. Algumas surgiram depois da maternidade, outras já faziam parte de mim.

Como uma experiência de crescimento pessoal, morar em lugares fora do Recife (minha cidade natal) fazia parte do plano desde que percebi que precisava de um plano. Queria conhecer outros lugares e sentir as influências de cada um para somá-las a quem eu sou (meu terapeuta se orgulharia desta frase). Uma vibe mulheresquecorremcomoslobos, querendo a conexão com a ancestralidade mesmo sem saber o que isso significa (sempre é maior do que a gente pensa).

Quando eu fiquei grávida, fui bombardeada com várias situações que queriam dizer sempre a mesma coisa: esqueça seus sonhos, você virou mãe e a sociedade não costuma colaborar com isso. Mas, ao mesmo tempo, a gravidez fez com que eu sentisse ainda mais necessidade de colocar planos em prática. É, ACONTECE MESMO. Como deu pra perceber, eu até consegui escrever algumas frases sobre isso agora, mas imagine que durante muito tempo este sentimento não tinha nome e muito menos check list.  Foi aí que resolvi unir as coisas e comecei a perceber o que eu precisava/buscava:

1. Ficar mais perto.

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Algo bem óbvio e complexo. Clichê até, mas não deu pra fugir desse. Pra resumir, vou contar o que aconteceu dia desses, quando Amora começou a frequentar a escola:

Deu meio dia e eu fui buscá-la.

Pronto, já explica tudo. Não fazia parte da minha rotina ir buscar Amora no colégio, porque trabalhava até às 19h e ela saia às 17h. Meus pais faziam isso com muito carinho e dedicação e conviver com os avós só fazia bem para ela.

Abri o portãozinho de madeira da escola e logo ouvi seus gritos dizendo ”Mamãe! Mamãe”. Vi Amora correr na minha direção, gargalhando. E assim chorei sabendo que tinha tomado a decisão certa. Todos os dias eu tenho esse tipo de sentimento que, apesar de já conhecer bem, sempre me surpreende.

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Tentamos deixar o trabalho para quando ela está envolvida em alguma atividade e dividimos todas as obrigações, o que facilita na hora de resolver certas emergências. Passamos tardes nas cachoeiras, preparamos as refeições, convivemos com os amiguinhos e, principalmente, com os pais dos amiguinhos. Conhecemos a famosa rede de apoio que eu tanto esperei. Frequentamos o grupo de estudos da escola dela e não nos preocupamos em deixá-la longe do nosso colo quando surge uma gripe.

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2. Testar uma nova relação com o trabalho.

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Me formei em publicidade e propaganda e sempre trabalhei no departamento de criação das agências de publicidade. Por uns momentos, vivi completamente realizada. Mas em outros estava cansada e bem desgastada, acreditando fortemente que tinha escolhido a profissão errada.

Quando Amora nasceu, as emoções ficaram mais intensas. Começamos a planejar nossa mudança de vida e tudo foi dando tão certo que, além de conseguir me envolver em novos projetos, não precisei me afastar totalmente da agência que tanto curtia, uma das mais legais do mercado. Meu pedido de demissão se transformou em um voto de confiança, resultado de trabalhar com profissionais que reconhecem o óbvio: novos formatos de trabalho chegam para somar. Além do mais, o mundo inteiro já sabe que pessoas realizadas e felizes produzem muito melhor. Ideias não são apenas a prova de balas, mas capazes de atravessar paredes de salas com ar condicionado também. E assim eu sigo desvendando os desafios e glórias do home office. Monto a mesa no quintal ou deito com o computador na rede. Depois de tentar umas posições de yoga, sento de frente para a janela que me mostra um morro incrível enquanto fecho mais um doc. Se precisar, dou um mergulho gelado para refrescar as ideias, ou vou tomar um café na casa de alguns novos amigos. O processo criativo se revela cada vez mais desafiador e delicioso, coisa que eu sempre busquei e achava que era conversa de palestrante. Estamos nos envolvendo em projetos que dão vida, estudando coisas que nunca encaixaram nos nossos horários e tendo a certeza de que qualidade de vida faz bem para corpo e mente. E a cabeça abrindo na medida que damos mais espaço para ela. :)

3. Me aproximar da natureza de forma física e espiritual. 

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Senti a necessidade de viver em um lugar que me mostrasse de perto as reais forças da natureza, no sentido mais simples que você pode imaginar. Água limpa, terra fértil, chuva intensa, pedras fortes, sol esperado, cheiro de mato. Um lugar capaz de acolher os desafios que coloquei para mim: pensar melhor, comer melhor, viver melhor. Ao mesmo tempo, queríamos dar para Amora a oportunidade de viver entre mato, bicho e liberdade. Ainda demos a sorte de ter escolas boas por perto que pensam em novas alternativas para a educação. Por um preço bem mais acessível do que os das cidades grandes, obviamente.

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Para quem não conhece é interessante dizer: o Vale do Capão, na Chapada Diamantina, é um lugar de energia fortíssima, fruto dos cristais que estão presentes por todo o chão, dos morros imensos que fazem questão de rebater tudo, do garimpo e dos vários cursos, tratamentos e espaços espirituais que existem. Venham conhecer. 😉 Desde a primeira vez que coloquei os pés aqui, senti que deveria voltar para me encontrar. A busca, que ainda está no começo, já segue intensa e incrível.

Agradecemos as boas energias. <3

Até mais,

Aída.

 

Obs: todas as fotos deste post (e praticamente de todos os outros) foram tiradas por Paolo, pai de Amora e meu companheiro de tantas coisas. Lindas, né? 

 

 

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