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parto, sororidade

Preguiça

 É sempre assim: você passa o olho em algum comentário muito injusto e o coração acelera. E aí começa o debate interno ”falo/não falo/falo/não falo?” Com absoluta certeza, digo: é muito mais fácil não falar. Mas aquela nóiazinha fica na sua cabeça por 5 minutos ou uma hora. Você pensa que poderia ter falado, que poderia ter dado a sua contribuição, que de pouquinho em pouquinho a gente chega lá. E aí volta e escreve. Mas eis que, no auge do debate:

1. Não sou menos mãe por ________.

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Fia, ninguém tá dizendo que você é inferior na escala richter de maternidade, dá cá um abraço. Estamos todas do mesmo lado. Contar uma experiência ou citar uma evidência científica não significa julgar você. Se o seu caso é:

(  ) Mulher informada que escolhe a cirurgia consciente dos riscos e fo-da-se o mundo.

Não entendo porque diabos passa na tua cabeça o termo ”menos mãe”. Tá segura? Tá achando que tá fazendo o melhor? Pra quê se justificar, então? O corpo é seu, sim, é verdade. O filho é seu também. Lembre que o caso da MAIORIA das mulheres é o contrário: elas querem um parto normal e são desestimuladas por mitos da sociedade e mentiras de médicos. Se este não é o seu caso, pra quê entrar numa briga apenas para enfraquecer a luta? Vamos abraçar a coleguinha que tem o objetivo diferente do seu e torcer para que ela tenha o desejo atendido, como você terá. Não é difícil conseguir a sua cesárea, mas é extremamente difícil para ela conseguir um parto normal respeitoso (sem as intervenções e maus tratos que assustam todas nós). Dá cá outro abraço!

E não esqueça do mantra:

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

obs: vale a pena ler esse texto aqui também.

 

(  )mulher que descobriu que teve o seu parto roubado.

Tamo junta. E saiba que existem milhares como você. O que aconteceu não impede que você consiga seu parto desejado no futuro. O que aconteceu não te torna menos mãe, nunquinha. Você pode revolucionar e sua vida e a de muitas. Você não precisa se calar, muito menos se sentir culpada.

 

2. Fulana colocou o filho em risco porque tentou normal a todo custo. 

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Só quem sabe o que aconteceu no parto de fulana é ela e equipe. E olhe que não é raro fulana saber apenas lá na frente que foi enganada. Não é justo ser vista como irresponsável por ter esperado o TP, por ter passado horas e horas no TP  ou por ter aparecido a indicação real de cesareana durante o TP. Também precisamos rever o que significa risco se sabemos que uma cesárea oferece 2,5 vezes mais. Resumindo? Cada uma com seu risco, certo? Propagar informações duvidosas também atrapalha a luta da coleguinha que está se encorajando para o parto dela.

 

3. A forma de nascer não interessa. O importante é nascer.

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Tem gente que realmente acredita nisso. Mas tem muita gente que não. Independente da via de nascimento, a criança vai ser amada por toda família, vai receber conforto, carinho e segurança. Isso é um fato absolutamente inquestionável. Mas não é verdade que a via de nascimento não interessa. Interessa, sim. A ocitocina é importante, sim. A aspiração é violenta, sim. O banho é desnecessário, sim. O colírio é um horror, sim. A luz forte incomoda o bebê, sim. A anestesia chega nele, sim. A cicatriz exige cuidado, sim. Logo, faz sentido que tantas pessoas se importem com isso. Mas nenhuma delas tá dizendo que um bebê que nasce de uma cesárea é menos amado.

E não esqueça do mantra:

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

fulana não está me julgando, só está lutando pela maioria.

 

4. Sua-índia-loka-volta-pro-mato-pra-arreganhar-as-pernas-por-lá

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Gente, sério, vamos parar de xingar. Eu aqui o tempo todo pedindo abraço, poxa. Cadê o mantra? Desde criança aprendemos que as pessoas são diferentes, com culturas/ideologias diferentes. Pedir por respeito xingando ou diminuindo a inteligência/formação acadêmica/ou seja lá o que for das outras só serve para txan raaaan: enfraquecer a luta. Nada mais broxante do que debater com quem não tem maturidade pra isso. É tipo dar um tiro no escuro.

 

Vamos parar com essa guerra, porque o inimigo é outro. Devemos ter a consciência de que o sistema precisa dar as mesmas oportunidades de escolha para TODAS NÓS e que, no momento, existe um grande desequilíbrio. Sororidade, humildade e paciência com as escolhas  e evidências científicas das outras. Dá cá um abraço <3

 

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8 Comments

  • Reply Daniele 30 de junho de 2015 at 21:46

    Nossa, que lindo texto! Que lindos comentários!!
    Me identifiquei demais também!
    A índia louca aqui saiu correndo do consultório do obstetra cesarista com 37 semanas de gestação, ao ouvir ele dizer: ” você não tem bacia para parir, vamos agendar a cesária”.
    Consegui acolhimento de outro obstetra com 38 semanas de gestação, mesmo com toda a família e amigos criticando horrores a minha decisão.
    Minha baby nasceu com 41 semanas, após um parto normal humanizado, como eu havia escolhido, mesmo com a minha “bacia pequena”… hahaha

  • Reply Luciane Cavalcante 9 de junho de 2015 at 15:49

    Sensacional!!! é tanto blá-blá-blá, principalmente nas redes sociais, que dá até preguiça. Gente, eu não quero convencer ninguém (por força ou violência) a acreditarem no que eu acredito. Mas eu quero compartilhar, com as mães que tem os mesmos ideais que eu, nossas idéias, desilusões, e tudo o que desejarmos. Se o meu exemplo for para ajudar alguém, a encorajar uma mulher, ou até mesmo, para revolucionar algo, ótimo! Mas sem oprimir ninguém, da mesma forma que não quero ser reprimida. Gente, eu não sou índia, mas bem que eu queria ser. Não precisar me preocupar com roupa, me pintar de uma forma linda (sem ser criticada) e ainda parir meus filhos em meio a natureza, no meu tempo, do meu jeito… ah… isso é um sonho!
    Adorei seu post, na verdade, adorei o blog todo. Acabei de conhecer e já me identifiquei totalmente.

    Bjos!!!

  • Reply Adriane 17 de março de 2015 at 12:53

    Perfeito!!!! As palavras parecem ter saído do meu coração! E a parte de ler um comentário e ficar numa guerra interna sobre comentar ou não? Já cheguei a escrever comentários e apagar (muitas vezes).
    O problema das questões relacionadas à maternidade é que sempre que vc diz que fez ou que acredita em algo diferente, as pessoas se sentem pessoalmente atacadas, uma pena porque foram exatamente esses comentários “diferentes” que fizeram lutar para ser a Mãe que eu sempre quis ser mas que na maioria das vezes iá de encontro com o pensamento da maioria.
    Acho que na maternidade devemos buscar o que alegra nosso coração e ajudar outras Mães a descobrirem que nem tudo se resume a cesárea, chupeta, mamadeira e terceirização do seu filho se é isso que alegra seu coração, se não for fique tranqüila vc esta de encontro com a maioria e não precisa lutar por isso, deixem os outros que querem outras coisas lutarem por isso em paz.
    Eu só me toquei por exemplo que não precisava usar mamadeira quando em um grupo de mães alguém disse que seus filhos nunca usaram, foram do peito ao copo e no meu coração algo se iluminou e eu pensei “é isso que eu quero, é possível” é assim foi mesmo que tivesse que escutar comentários como “vc não está deixando seu filho ser criança” (hahahhaha”.
    Obrigada por seu texto maravilhoso e continue s a comentar muito!!!
    Beijos

    • Reply Aida Polimeni 30 de março de 2015 at 17:42

      ”foram exatamente esses comentários “diferentes” que fizeram lutar para ser a Mãe que eu sempre quis ser mas que na maioria das vezes iá de encontro com o pensamento da maioria.” aconteceu isso comigo também, Adriane! Aprendi muito nos grupos só de ver exemplos de pessoas que fizeram diferente. O exemplo das outras dá uma força, né? Os relatos/vídeos de parto e os debates que presenciei me encorajavam mais do que as evidencias científicas até <3 hahahahaha mulher é poder demais!

  • Reply Iracema 16 de março de 2015 at 11:32

    Engraçado ler esse post seu, porque NUNCA vi uma “amiga india” chamando outra mãe de menas por que ela optou por cesárea. Sempre ouvi opiniões inflamadas dazíndia a respeito da SUA PRÓPRIA historia, sobre o seu parto que foi roubado, sobre a falta de informação, sobre médicos oportunistas.
    Agora o que eu ja li de mulher se justificando que não é menas mãe porque optou pela cesárea não tá escrito… dá vontade mesmo de dizer: amyga pára!! todo mundo entende a sua opção…para com essa historinha.

  • Reply POTYRA 13 de março de 2015 at 19:37

    Acho que o melhor de lutar pela maioria, é lutar pelo direito de escolha da maioria, e antes disso, lutar para que a maioria faça suas escolhas baseadas em informação concreta. Não mítica, não oportunista, não comodista, não fantasiosa e muito menos Sua-índia-loka-volta-pro-mato-pra-arreganhar-as-pernas-por-lá! =D
    Todas as conquistas e direitos mais básicos foram abaixo de muita luta, muito perrengue, e tenho muito orgulho de ser tua amiga, de ter visto e acompanhado tua transformação em militante. Não, não tô dizendo que fui A incentivadora, muito pelo contrário? Acho que sim… rsrsrsrsrs
    Mas ter uma causa em que se acredita não pq ela é linda pra tua vida, mas pq ela é linda pra vida de muitas, muitas mães e bebês. Incentivar o emponderamento feminino, estimular a busca de informações, lutar pelo direito da maioria, querer que a tua história bonita seja a de todos que a escolhem, sabe? Se importar. Viver não só a tua vida, mas achar bom colocar uma semente a a mais de amor na vida dos outros, te faz mais especial e mais que minha heroína das letras, muito mais… Quem sabe quando eu crescer?

    • Reply Aida Polimeni 13 de março de 2015 at 19:50

      CHOREY <3

      você me incentivou a ser mãe, mesmo sem saber, mesmo sem EU saber até.

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