aida
mudança, transformação

SOBRE IR EMBORA

eu entrei numa sala e pedi demissão do lugar que sempre quis trabalhar. olhei para os profissionais que sempre admirei e disse que iria largar tudo para morar na chapada diamantina.

minutos antes deste fato, entrei no banheiro e respirei fundo durante alguns minutos. dias antes deste fato, contei a ideia para algumas pessoas e não senti meu coração apenas bater, mas tremer. meses antes deste fato, sentamos, eu e meu companheiro, e fizemos planos. anos antes deste fato, jamais pensei que ele aconteceria.

e hoje é aquela quinta-feira pós carnaval em que todo mundo está voltando para a realidade. minha realidade agora é desconhecida, pelo menos por enquanto. não importa quantos planos foram feitos, eu simplesmente não consigo visualizar a vida num lugar completamente diferente deste que estou agora. claro, isso me deixa nervosa. mas também me causa um estranho alívio. a palavra é mesmo essa. tudo me deu vontade de ir, ou melhor, nada foi capaz de me fazer ficar. depois de um carnaval repleto de sorrisos e abraços de despedida, digo adeus também com as palavras – parte mais difícil.

minha melhor maneira de sentir sempre foi esta. já aconteceu de tudo: choro de mãe, pedido de demissão, decepção com a casa que havíamos encontrado por lá, encontro de outra casa, perda de mais uma, comboio reduzido. paolo e amora estão com 39 de febre nas vésperas da viagem. eu entre os dois, sem saber se faço as malas, coloco os dois pra dormir ou sento e choro. mas nada, nada me deixa tão nervosa quanto tornar tudo isso real por meio das palavras. tantos momentos para a ficha cair e ela cai logo agora enquanto escrevo. logo agora quando estou no meio dessa turbulência de sentimentos.

nós vamos embora. estou sentada no sofá que amamos, dentro do apartamento que amamos, olhando para todos esses objetos que amamos e que não significam nada. existem algumas caixas pela sala, apesar de estarmos muito (muito!) atrasados com a mudança. partiremos daqui uns dias e a maior parte de nós ainda está fora das malas. mas com a gente sempre foi assim: não adianta cronometrar. nosso tempo sempre foi e sempre será único e é por isso que estamos correndo das oito horas de trabalho registradas no ponto, ainda que o trabalho continue fazendo parte da rotina. estamos fugindo também do cronograma social que nos diz quando, onde e porque as coisas devem acontecer. por aqui, nós somos obrigados a aceitar determinadas imposições não apenas em cima de nós mesmos, mas de nossa filha de apenas dois anos de idade.

depois de tanto imaginar como seria viver este momento, me pego surpresa por ainda não ter respostas. o fato é que só sentirei o sabor da distância quando estivermos distantes. começa uma nova etapa que nos levará para várias outras. o plano é passar o primeiro ano no vale do capão. depois disso temos o mundo inteiro pela frente. vou de mente e coração totalmente aberto para o que for dar certo e o que não for também. temos a certeza de que não será fácil, mas será grande e verdadeiro.

registrarei todos os sentimentos para que eu possa digeri-los. e vou matando a saudade por aqui.
até lá.

Chá de Bebê
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4 Comments

  • Reply Cíntia Ferreira 14 de fevereiro de 2016 at 11:43

    É preciso muita coragem para vivermos a vida que queremos. Deixar para trás nunca é fácil, mas nossa vida é assim mesmo: mudança constante. Nunca somos os mesmos. Estamos sempre mudando. Mas li uma vez no livro do Kundera uma frase que nunca consegui tirar da cabeça: “Estamos sempre voltando para casa”. Por isso, te digo: Você não está indo, está voltando para casa, pois sua moradia é justamente nas pessoas que ama. Boa sorte!

  • Reply Matheus Lins 12 de fevereiro de 2016 at 13:18

    Vai dar tudo certo, pirraia!!

  • Reply Nilcéia Matos Pereira 12 de fevereiro de 2016 at 7:00

    Olá, Aída! Decidir, verbo mais difícil do dicionário (e da vida). Mas se a família já decidiu, que bom! Feliz vida na Chapada! Há de ser grande!

  • Reply Mayra Alves 12 de fevereiro de 2016 at 0:56

    Faz como quando você lê esse texto e chora junto ? Mas um choro de felicidade por que eu sei que vocês vão ser ainda mas felizes. É bom ter você como amiga mesmo pouco tempo de leros mas meu coração te acolheu como nunca ❤️ eu vou pro capão viu me aguarde. Saiba de uma coisa Deus estará sempre com sua família. Te amo

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