Refrescando a perereca no pós-parto

Uma amiga linda teve neném ontem (ahhhh! Que delícia!) e me lembrei de dar a ela a receita do chá refrescante para perereca no pós-parto, que me ajudou muito com o desconforto que senti no períneo, mesmo nunca tendo tido laceração. É muito fácil de fazer e você pode deixar congelado enquanto ainda estiver grávida.

Bora lá?

Ingredientes:

1,5 de água

2 colheres de sopa de flores de camomila

2 colheres de casca de barbatimão (fácil de achar em lojas de produtos naturais, ou no Mercado Central)

2 colheres de sopa de flores de calêndula

20 gotas de tintura de arnica

1 pacote de absorventes noturnos, da sua preferência

Modo de fazer:

Esquente a água e, antes de começar a ferver, desligue o fogo.

Coloque a camomila, o barbatimão e as flores de calêndula e abafe por uns 10 minutos. Coe, espere esfriar e pingue a tintura de arnica.

Espalhe sobre os absorventes e coloque-os no freezer sobre um tabuleiro. Quando estiverem congelados, guarde-os em um saco.

Após o parto, tire um absorvente do freezer e coloque-o na calcinha sempre que sentir desconforto ou ardência. Eles vão descongelando devagarzinho e dando um baita alívio. Quando você ficar com aquela sensação de “molhada”, já está na hora de tirar.

Perereca fresca

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Teste: você escolheu cesárea? Escolheu mesmo???

Defendo com unhas e dentes o direito de toda mulher sobre o seu corpo. Para mim, isso é uma premissa indiscutível; ninguém pode questionar esta autonomia. Sim, você entendeu certo: ainda que eu seja uma militante pelo parto natural, eu não tenho nenhum constrangimento em resguardar o direito de quem optou por cesariana.

Entretanto, muitas vezes, quando alguém me diz que preferiu cesárea e eu prolongo a conversa um pouquinho, acabo percebendo que o verbo escolher não é o mais adequado. Para escolher é imprescindível conhecer as opções. Sabe aquela coisa de criança pequena que sempre elege a batata, mas nunca provou os brócolis? É tipo isso: se você vai fazer uma cesariana, mas não conhece os verdadeiros riscos, você não está escolhendo de verdade.

É por isso que resolvi fazer esta checagem. Dá para mandar para toda amiga-prima-vizinha que está grávida. Ela faz um apanhado dos conhecimentos básicos (bem básicos mesmo, viu, gente) que uma gestante tem que ter antes de escolher a via de parto. A lista é, inclusive, colaborativa: se você lembrou de algo muito importante que não está nela, deixa para mim nos comentários e eu edito.

Bora lá? Antes de escolher a cesárea, você sabia que…

  1. Tinha 3 vezes mais chance de morrer?
  2. Que seu bebê tinha 120 mais chances de ter desconforto respiratório?
  3. Seu obstetra te deu a opção de um parto normal com anestesia?
  4. Você sabia que poderia ter um parto normal, mesmo após cesárea?
  5. Te disseram que circular de cordão não é indicação de cesariana?
  6. Você conhece os estudos que associam o nascimento por cesárea à asma?
  7. Te contaram que é impossível saber se “o bebê é grande demais para passar” antes do trabalho de parto?
  8. Sabia que é mais raro que bebês que nascem de cesariana mamem no peito na primeira hora de vida, e que este contato é determinante para o sucesso na amamentação?
  9. Você sabia que cada cesariana aumenta o risco de implantação anormal da placenta?
  10. Seu obstetra te informou que nem todos as mulheres entram em trabalho de parto até quarenta semanas e que é absolutamente normal que uma gestação dure até 42, se for bem monitorada?
  11. Te contaram que gêmeos podem nascer de parto normal?
  12. Você sabia que mesmo quem tem indicação de interrupção da gravidez por pressão alta deve considerar a indução do parto como uma possibilidade?
  13. Sabia que há mais casos de depressão pós-parto entre as mulheres que tiveram cesariana?
  14. Você avaliou que, com a cesárea, corria mais riscos de ter infecções, hemorragia e trombose dos membros inferiores?
  15. Tinha conhecimento que pessoas que nascem por cesárea têm mais chances de serem obesas?
  16. Você sabia que mecônio não é sinônimo de sofrimento fetal?
  17. Te disseram que mesmo que você não opte por um parto natural, um parto normal pode ser apoiado por uma doula?
  18. Te contaram que recém operada você terá muito mais dificuldade de cuidar do seu bebê do que quem teve um parto normal?
  19. Você sabia que diabetes gestacional não é indicação de cesárea?
  20. Sabia que se o seu bebê está pélvico, você pode tentar uma versão cefálica externa?

 

Se você respondeu SIM a todas as perguntas anteriores, vamos te deixar em paz. Nada de conversinha sobre parto natural com você, que é adulta, madura e está bem informada. Usufrua do seu poder sobre o seu corpo e faça as melhores escolhas para você e sua família. Sempre.

Cesárea ou parto

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Para minha parteira, com amor

Um dia, em março de 2013, acordei sangrando. Já tinha visto este filme triste, quando perdi minha primeira gravidez, dois anos antes do meu filho nascer. Só pensava que não aguentaria passar por aquilo de novo. Ia quebrar, desabar, morrer. Tinha certeza.
Alguém disse para eu me consultar com a Míriam Rêgo. O bebê estava perdido, eu já tinha a confirmação do aborto. Para que procurar uma parteira? Insistiram. Eu aceitaria qualquer receita para fazer aquela dor passar. Naquela hora, não sabia que o remédio sugerido era tão bom.
Fui me encontrar com a Míriam na casa dela, no meio do mato. Enquanto eu chorava o luto, consolada por evidências científicas, meu marido e meu filho brincavam com seus três cachorros. Um deles, o Apolo, dividia um pacote de biscoitos com João: “um pala mim, um pala você.” Achei estranho como todos nos sentíamos em casa, naquele lugar no qual nunca tínhamos ido.
Mais tarde eu descobri que minha primeira impressão estava errada. Não era a mata, o cheiro de terra, os labradores, nem as orquídeas que nos davam a sensação de pertencimento. Era a parteira. A Míriam é estar em casa.
Dois meses depois eu estava grávida de novo, desta vez de um bebê que queria nascer. A cada consulta pré-natal, no meu sofá, ouvia o coração do Francisco e tentava me concentrar para definir o super poder da parteira: mimetismo? Telepatia? Materialização? Que mágica faz com que alguém seja tão leve e, ao mesmo tempo, passe tanta segurança? Nos três dias que passou comigo, enquanto esperávamos o tempo do meu bebê, ela sempre estava lá, mas nunca o suficiente para me incomodar. Não era uma presença sólida, impositiva: era uma espécie de manta translúcida, que me cobria, me protegia, e se movia conforme os meus movimentos.
Aquele bebê que foi embora me trouxe uma grande amiga, que recomendo, como enfermeira obstetra, a todas as grávidas que confiam em mim. Com aquelas que preferem um médico, me acham “muito radical”, ou “não querem gastar com isso”, eu insisto: “vai lá, só uma vez, para conhecer”. Eu conheço as barrigudas, sei que uma vez é suficiente: basta estar em casa, para sempre querer a casa…
ChegadadoAntônio_Prints-83

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Falando de amamentação na TV

Oiê! Tô passando rapidinho, para avisar que estou viva e que andei falando de amamentação na Rede Minas, no programa Opinião.

Se quer ouvir a voz desta que te escreve, o vídeo já está disponível no Youtube. Olha aqui:

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Vídeo de parto: o nascimento do Antônio

Vídeos de parto são mentirosos. Todos são. Eles mostram momentos lindos e emocionantes que nos fazem chorar e querer ter quinze outros filhos, mas não registram os palavrões, o vômito e o cocô. Graças a deus.

Os vídeos são mentirosos como a nossa memória. Olho para o gostoso do João e não me lembro de quando ele fez um ano de greve de fome; quando vejo a carinha safadinha do Fran esqueço que ele passou um ano sem dormir. Só sobram as gargalhadas, as idéias malucas, as brincadeiras, o cheiro bom que eles têm.

Um novo filho, um novo filme, uma nova memória de um dia que, para mim, foi maravilhoso. Quem vai duvidar?

Vem ver comigo o vídeo lindo do Antônio!


Obrigada Babi Profeta, que transforma tudo em poesia.

Nunca vai haver gratidão suficiente para a energia das mãos de Nelci Müller, Míriam Rêgo, Kalu Brum.

Obrigada Vilma, por cuidar com tanto carinho de nós, todos os dias.

Alexandre, João e Fran, vocês são os melhores parceiros que alguém pode ter na vida.

Antônio, meu amor… ah, Antônio! Que bom que você chegou!

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