65% das mulheres deste país estão loucas

Vamos pensar em um grupo de dez mulheres:

1 – sua mãe

2 – uma irmã

3 – uma prima

4 – uma colega de trabalho

5 – uma menina da academia

6 – a caixa da padaria

7 – a motorista do taxi que te pegou hoje

8 – a professora do seu filho

9 – sua vizinha de frente

10 – Você, se você for mulher. Se for homem, a mulher da sua vida (amorosamente falando ou não)

 

Seis destas mulheres acham que uma mulher que mostra o corpo merece ser estuprada. Seis delas pensam que, “se as mulheres soubessem se comportar”, haveria menos estupros. Traduzindo grosseiramente, mais da metade coloca a culpa dos ataques nas vítimas.

Isto significa que todas nós merecemos ser estupradas. Mais ou menos, até quem anda de burca já deixou um tornozelo à mostra, em algum momento. Ou pode ter olhos provocantes. Ou se portado inconvenientemente. Alguma coisa já fez, ora bolas.

Os homens também acham que a violência é justificável, mas as mulheres me chocam mais. Para mim, 67% das mulheres deste país estão loucas.

Eu já ficaria estarrecida se fosse só o ranço misógino, mas a falta de empatia – de reconhecer na ofensa ao direito do outro uma ameaça aos seus – chega a me paralisar. Quantas destas mulheres, ao responder esta pesquisa, estavam dizendo que era justificável que fossem estupradas? Quantas estavam de shortinho, de decote, de blusas sem mangas?

De onde vem – e como se sustenta até hoje – este pensamento babaca de que os homens não conseguem se controlar? Uma minissaia força o pobre coitado a agarrar a menina na balada. Um afã incontrolável de espalhar sua semente o faz trair a companheira. Com o aval de nós, mulheres.

Este é um blog para mães. Eu podia dizer, simplesmente, que estou criando João e Francisco para não serem babacas. O problema é que seis pessoas que conheço pensam assim. Não dá só para eu me preocupar só com os meus filhos.

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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6 respostas a 65% das mulheres deste país estão loucas

  1. Marcela disse:

    adorei….sabias palavras.

  2. Marina disse:

    É, os resultados dessa pesquisa são preocupantes. Mas na verdade só mostram o que mtos já sabiam, que a cultura do estupro existe e está incrustada em toda nossa sociedade.
    De qualquer forma Gabi, acho que cabe uma correção..66,5% dos entrevistados eram mulheres (http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres.pdf) e não necessariamente esses 66,5% responderam concordando com as alegações machistas da pesquisa.
    Ainda, acho um pouco preocupante o título também por culpabilizar ainda mais as mulheres.
    Como vc sabe, o machismo e a cultura do estupro são problemas sociais, propagados tanto por homens quanto por mulheres. Temo que esse título dá ainda mais munição para alegações do cunho machista, uma vez que muitos dizem coisas como “as mulheres são as mais machistas”, sem esquecer da opressão social e de todo o aparato utilizado para esse fim.

  3. Carina disse:

    Não poderia ter escrito melhor.
    Licença para compartilhar?

  4. Nine disse:

    É triste mesmo vermos mulheres julgando mulheres, mulheres culpabilizando mulheres, mulheres não sendo generosas e solidárias com mulheres, suas irmãs de vida. Mas como eu escrevi lá no Balzaca, este é o nosso retrato, o retrato do mundo construído por nossos antepassados e por nós mesmos. E eu fiquei até admirada deste percentual não ser maior, porque tendemos a ver o mundo pelos nossos olhos, mas se pensarmos na realidade brasileira, perceberemos que somos uma parcela bem pequena da sociedade (mulheres que tem mais conhecimento e que vivenciam uma situação familiar de independência). Eu me assusto com o resultado macro, dói pensar assim, que mais de 6 mulheres que me cercam me culpariam pelos abusos sofridos ( e eu já sofri alguns). Mas este é apenas o estopim para que eu reflita comigo mesma e perceba que a mudança está em mim. Eu preciso me livrar dos meus preconceitos para educar filhos ( e eu tenho um casal, vivo a desigualdade de gênero todos os dias em casa) que poderão crescer mais livres de estigmas e de machismos. E quem sabe, quando eles forem adultos, esse percentual estará menor. Como diria o André Gravatá, temos que pensar MACRO, mas agir MICRO, ou seja, tenho que visionar um mundo não machista, mas preciso agir no meu machismo e naqueles que insistem em introjetar esse machismo em mim e nos meus filhos. Grande beijo! Nine

  5. Gabriela Magalhães disse:

    Fiquei chocada com o resultado da tal pesquisa! E é exatamente isso, achar que os homens não conseguem se controlar. O que somos? Bichos? Que é isso, gente? Usando o mesmo raciocínio posso dizer que se alguém sai com um relógio caro isso justifica o roubo? É simplesmente absurdo.

  6. Roberta Duval Assis disse:

    #ninguémMerece

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