Bater, morder e amar

Chegou o dia. Pensando bem, nem demorou tanto. Um ano e dez meses depois, eis que sou a mãe do menino que morde.

Não dava muito para escapar, se existe algum determinismo genético nesta história. Fui uma mordedora contumaz. São famosos os casos dos meus dentinhos tatuados nos primos e coleguinhas. Herdei tanta doçura do meu pai, que, num tempo em que o bom-senso não era tão bom assim, tinha um pau amarrado na boca por trás do pescoço, para combater o mau-hábito. #helpconselhotutelar. É quase uma herança familiar, se é que me entende.

Eu, que estava aqui, sossegada na minha maternagem, sem grandes dramas com um menino que dorme bem, come bem, nunca fica doente e geralmente é um docinho, lembrei que quem senta na cadeira da mãe nunca pode relaxar. A única coisa que se tem certeza é que todas as suas certezas vão cair pelo ralo na semana que vem. Dito e feito. Eu achava que João ia romper com o instinto canino, mas… que nada!

Bem, a questão está aí e só nos resta enfrentar. Eu não sou do tipo que “deixa eles resolverem”. Até acho que as crianças se entendem de alguma forma, depois de muito boléu e choro. Também tenho sérias dúvidas sobre a eficácia da minha conversa mole tipo: ninguém-gosta-de-dentada-dói-e-faz-chorar. Acho, do fundo do coração, que uma hora o instinto de onça passa. As crianças  aprendem a lidar com as frustrações de outros jeitos, melhoram a capacidade de argumentação e o vocabulário, passam a usar outras alternativas, fofocam, delatam, formam panelinhas, manipulam.

Pensando bem, acho que vou sentir falta das mordidas. 😉

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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6 respostas a Bater, morder e amar

  1. disse:

    estou na duvida vcs tao falando de bater e morder os pais ou os colegas de escola/creche? ou ambos?

    • Sigrid disse:

      ainda bem que não fui a única a ficar com essa dúvida he he he

    • Gabi Sallit disse:

      Cá, quando começam a bater, as crianças não escolhem em quem. Óbvio que o João já tentou me morder e já me pegou desprevenida (um dia estava dando mil beijos na minha barriga, falando que no Francisco. De repente disse: “vou morder ele!” E antes que eu reagisse, me lascou os dentes), mas é imediatamente repreendido. Hoje, conosco está bem controlado. Com os coleguinhas não posso dizer o mesmo…

  2. Camila Veridiana disse:

    Chegou na hora certa!
    Pedro de 1 ano e 2 meses, começou a morder e a dar belos tapas. Já falei um monte, que não pode, blá, blá, blá…mesmo com voz ríspida, mas ele ri até cair pra trás. Sou contra palmadas, porque dei umas 3 na mãozinha gordinhas que doeram na minha alma, e no Pedro gerou uma gargalhada ainda maior e para piorar, começou a imitar. POR FAVOR, me ajude!

    • Gabi Sallit disse:

      Ajudar!
      Sem chances, Camila, não tenho a menor ideia do que fazer! rsrsrsr

      Querida, falando sério agora, acho que o melhor é lidar com amor e conversa. Se ele te morde e você responde com um tapa, está ensinando-o que é assim que a gente resolve as coisas. Ninguém quer ensinar o filho a ser violento, né?

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