Bebês sequestrados em BH – Debate no jornal O Tempo

Eu e o Dr. Marcos Padula, juiz da Vara da Infância e da Juventude de BH, fomos convidados pelo jornal O Tempo para travar um debate sobre a questão dos bebês retirados das mães graças às Recomendações 5 e 6 da Promotoria da Infância e da Juventude. Os textos foram publicados na última sexta-feira.

Li o texto do Dr. Marcos com curiosidade, afinal, nunca tinha ouvido sua manifestação pública sobre o assunto. Ainda que ele tenha sido convidado a participar da Audiência Pública que a Comissão de Segurança Pública fez na Assembléia, ainda que tenha sido chamado para o Programa Brasil das Gerais e diversos outros foros de discussão, ele nunca foi. Queria saber o que fundamentava a sua conduta, fora dos autos.

Em um parágrafo ele diz: as Recomendações não têm força de lei. Em outro, solta: quem não as cumpre está cometendo crime omissão de socorro. What?

O que me deixa mais desolada é a argumentação simplista: quem usa drogas não pode criar bebês. Simples assim. Desconsidera-se que os adictos são doentes, que há diferentes níveis de dependência e de comprometimento da socialização, que separar um bebê da família biológica causa danos irreparáveis e, por isso, deve ser feito com extremo cuidado. Nem se menciona as consequências adversas da medida: a interrupção dos tratamentos das mães, o abandono dos serviços de saúde, o não estabelecimento da amamentação e do contato pele-a-pele de recém nascidos. É ingênuo: será que o Dr. Padula não sabe que dezenas das pessoas do nosso convívio – que têm famílias, trabalham, levam os filhos à escola, dirigem, vão ao clube – são usuário de drogas? Será que ele pensa que só indigentes esqueléticos, meio malucos e com os braços furados são dependentes?

Já disse no meu texto e repito – esta medida só penaliza, uma vez mais, quem já é vítima. É triste, deprimente, mas só quem é pobre perde o seu bebê :(

Debate O Tempo

Bebê separação

 

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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