Como denunciar a violência obstétrica

http://cen.g12.br/noticias/apos-denuncia-anonima-falsa-professora-de-educacao-fisica-e-presa-em-olaria/

Desde que protocolamos a representação da Ana no CRM e, principalmente depois do ajuizamento da ação judicial,  muita gente tem me procurado, contando a história dos abusos que sofreu no nascimento de seus filhos. Todos querem saber o que fazer para acabar com a impunidade. Eu respondo os e-mails na medida do meu possível (desculpe quem ainda está esperando! Sou mãe, trabalhadora, esposa, filha e responsável por mim mesma. Dá um desconto e escreve cobrando a resposta que eu dou retorno!), mas resolvi colocar aqui algumas orientações basiquinhas, que vão ajudar, pelo menos, a dar os primeiros passos.

A decisão de denunciar a violência obstétrica deve ser tomada com cuidado, depois de muita reflexão. Acusar alguém é mais difícil do que se imagina. Os processos, sejam administrativos ou judiciais, reviram a vida da gente, remoem coisas que são dolorosas, envolvem terceiros que nem sempre concordam com a nossa postura (marido, filhos etc). Nem sempre o jogo é limpo. Na verdade, poucas vezes é.

Se, ponderando os prós e os contras, você decidiu denunciar, tenho as seguintes dicas:

  • Conheça os canais de reclamação. Nem sempre um processo judicial (que é mais moroso, mais caro, tem mais exigências e é mais doloroso) é necessário. Há ouvidorias na Agência Nacional de Saúde e no Ministério da Saúde (através do telefone 136). Existe também a possibilidade de uma representação administrativa, no CRM. Estas esferas não são excludentes e também podem ser importantes para uma mudança de paradigma. Já ouvi o presidente do CRMMG dizer que NUNCA recebeu uma denúncia por cesárea desnecessária. Sinal que estamos caladas demais, né?
  • Guarde TODOS os documentos, da maneira mais organizada possível. Cartão de gestante, exames, guia de internação, contrato com o hospital, termos de consentimento “esclarecido”, recibo da taxa de acompanhante, plano de parto… tudo! Peça o seu prontuário e o do bebê. Estes documentos te pertencem;
  • Para evitar ser vítima, se você ainda não teve o seu bebê, colha a assinatura da equipe no seu Plano de Parto, com data e um “recebido”, mesmo que sejam plantonistas (na verdade, principalmente para os plantonistas). O plano de parto é item indispensável na mala da maternidade. Esqueça absorvente, roupinha do neném, escova de dente: plano de parto tem que estar lá, impresso em várias vias. Seu acompanhante tem que entregá-lo a todos os membros da equipe;
  • O Código de Processo Ético-Profissional do Conselho Federal de Medicina (Resolução 1.953/2010) não obriga o denunciante a ser assistido por um advogado, entretanto, não aconselho ninguém a fazer uma representação sem auxílio técnico. Advogados são formados para o litígio e conhecem o sistema processual, coisa que, para os leigos, é muito difícil;
  • Escolha um advogado afinado com os seus desejos. Da mesma forma que no atendimento ao parto, os profissionais que te auxiliam em um processo como este têm que ser muito sensíveis. Não dá para contratar o cara que processou a empresa que não te pagou horas extras e querer que ele ajuíze uma ação desta. Não vai prestar. Caso precise de uma indicação, me escreva (blábláblá@dadada.com.br). Tenho o contato de advogadas ativistas em vários locais do país.
  • Lembre-se que a responsabilidade de cada denunciante é enorme e tem sérias implicações na vida de todas as outras mulheres. Não estou exagerando. O conjunto de decisões judiciais sobre o mesmo tema forma algo que chamamos de jurisprudência. A jurisprudência é fonte do Direito, ou seja, o que está foi decidido influencia nos próximos julgados. Como o assunto é inédito, temos que nos dedicar a conseguir excelentes julgados, com condenações altas e punições severas. Não dá para ser leviana. Tem que entrar para ganhar!

 

 

 

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Sobre Gabi Sallit

Gabriella Sallit virou Gabi ainda pequenininha. E, para não ter um filho que tivesse que explicar a vida inteira a grafia do seu nome (aprendeu a falar "meu Gabriela é com 2 Ls" antes de papai e mamãe), escolheu um nome pequenininho para o seu filhote. João está começando a falar e já escolheu como prefere ser chamado: Jão!

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27 respostas a Como denunciar a violência obstétrica

  1. Luana disse:

    Olá bom dia, me chamo Luana da Silva, moro no estado do Rio de Janeiro, baixada fluminense.
    Estava pesquisando sobre violência obstétrica e achei seu e-mail. Minha bebê nasceu dia 23/11/2015, tive uma gestação saudável, tranquila e ela estava super saudável na minha barriga, na última ultra estava com 3,055 kg.
    Fiz meu pré natal na clinica da mãe e o parto seria no hospital da mãe, logo ao lado, conheci a maternidade participei de palestras, sendo que chegado o grande momento o hospital estava lotado e eu assim como outras mulheres tivemos que ser transferidas.
    Não imaginava que a partir daí o que era para ser um momento de grande alegria se tornaria uma via sacra.
    Cheguei na outra maternidade com o nome de Hospital das Clinicas as 10 e pouca da manhã, não pude ficar com acompanhante, entrei no pré parto o médico mal olhou na minha cara assim como a outra mulher que estava em trabalho de parto também, não se apresentou, logo eu a outra fomos colocadas no soro sem saber o que era.
    As contrações começaram a aumentar… um tempo depois o bebê dela nasceu, chegaram outras e outras, os bebês nasciam e nada da minha, comecei a falar que tinha algo errado, e eles falavam que era assim mesmo.
    Fiz força, força evacuei 3 vezes e nada, falei que teria que ser cesariana porque ela não estava saindo, e eles falavam que ainda não estava na hora, as 3 e pouca veio um outro médico falou que a minha ia nascer, me deu anestesia me cortou e mandou eu fazer força, a pediatra subiu praticamente em cima de mim… a bebê não saia, ai o médico falou que não ia sair, minha bacia era pequena.. nisso chegou o médico que me atendeu cedo, e falou: vamos tentar mais uma vez… dessa vez foi um médico em cima de mim, forçou duas vezes até eu dar socos nas costas dele e gritar que eles eram desumanos.
    Conclusão, fizeram uma cesariana as pressas, minha bebe nasceu e eu não a vi, ela teve 2 paradas cardíacas, sofreu asfixia
    teve que ser transferida as pressas para uma UTI, só fui vê-la na quarta feira após receber alta.
    Fique com ponto em cima e em baixo, uma grande tristeza no coração. Ela está sem previsão de alta e corre risco de ter sequelas, está com edema cerebral.
    Peço sua ajuda, me indique um advogado, isso não pode ficar impune, nem pode acontecer com outras, não é pelo dinheiro, se ele for afastado já é uma grande vitória, e se ela tiver que fazer tratamento? ele tem que ser punido.

  2. joice disse:

    Boa noite eu sofri varios tipos de violência obstetrica faz apenas 6 meses isso eu poderia estar processando o hospital agora me arrependi de nao ter processado antes me responde por favor obrigado !!

  3. Katbe Waquim disse:

    Oi! Gostaria de saber se vc conhece alguma advogada ativista no Piauí. Tem acontecido casos bizarros de VO por aqui. Obrigada!

  4. Pingback: Como Estabelecer um Diálogo Com o Hospital Que vai te Atender no Parto? | Bibliografia da Doula

  5. Gisele disse:

    Olá, Meu filho nasceu em 2012, porém somente agora estou editando o video de nascimento, percebi na visualização que ele ficou 22 minutos sem atendimento pediátrico, ele nasceu com Laringo malacia, e creio que por demorado a ser aspirado precisou tomar 1 litro e meio de oxigênio. Meses depois precisou fazer uma cirurgia em consequência da Laringomalácia, pois estava perdendo muito peso, Gostaria de saber se vc sabe me informar se posso processar a clinica por negligencia?

  6. Pingback: Violência Obstétrica existe? - TopTrends

  7. Michele Tenessi Gonçalves Bastos disse:

    Olá, boa tarde á todas… Meu nome é Michele e venho relatar a violência obstétrica que sofri: no dia 04/12/2009 fui até o hospital geral de pedreira grávida de 38 semanas do meu segundo filho, quando cheguei fui muito bem atendida pela médica e fui encaminhada pra internação pois segundo a médica a minha pressão arterial estava elevada e eu não poderia esperar mais ( fiz todo o meu pré natal no alto risco por conta de uma primeira gestação com pré eclampsia e por ter minha pressão muito alta ). Fui internada, por volta das 21hs foi feita uma indução com ocitocina e logo depois veio uma aux de enfermagem e estorou minha bolsa, comecei a ter contrações horríveis, pensei q teria uma cesariana pq ao aferir a minha pressão ela estava em 20/10 muuuito alta e começaram á colocar remédios debaixo da minha lingua, perdi as contas de quantos remédios me foi dado naquele dia, meu marido ja indignado perguntou o pq de tantos remédios e não teve nenhuma resposta pq nem na nossa cara a médica olhava.
    Depois fui levada pra sala de partos normais, a médica muito ignorante começou a gritar comigo dizendo q não adiantava gritar pq se entrou teria q sair de alguma forma, e que mesmo eu tendo a pressão elevada eles não fariam a cesariana pq só era permitido em caso de morte fetal ou minha.
    Fiquei com muitas dores sem poder pedir ajuda pq não me atendiam e nem me orientavam em nada, a minha sorte foi uma auxiliar de enfermagem q pegou uma cadeira e ficou do meu lado o tempo todo e me disse que estava achando um absurdo não fazerem uma cesariana ja que meu caso era de risco pq minha pressão não baixava.
    Logo depois veio a médica e queria me fazer um exame de toque, só q eu disse pra esperar só mais um pouquinho q contração passar, ela jogou um aparelho longe e disse que eu me virasse pra ter meu filho pq ela não me ajudaria mais, ja que eu não colaborava , puxa vida, eu estava morrendo de dor e só pedi pra esperar a contração passar um pouco e depois ela faria o exame , mas não, ela saiu da sala e aumentou o soro ( ocitocina ) o que piorou minhas contraçãoes.
    Por volta das 07hrs da manhã do dia seguinte ela voltou e mandou eu colocar as pernas em dois ferros pra me auxiliar no parto normal, e mandou eu fazer bastante força pra baixo, eu fiz conforme ela mandou, eu fiz tanta força q acabei evacuando na mesa e aos berros a médica disse pq eu tinha feito aquilo e que agora meu filho iria nascer todo ” cagado ” e se ele pegasse alguma infecção era culpa minha…Me senti um lixo, o pior é que nem sei o nome dela, pq nem se apresentou, só me lembro que era uma mulher não muito alta , com cabelos pretos e compridos e tinha um sotaque nordestino, nem sei se ela era médica ou enfermeira, só sei que foi totalmente desumana.
    Eu imagino q seja dificil orientar uma pessoa com dor, dificilmente ela vai te escutar direito, mas a dor é horrivel , mas aquele dia pra mim se tornou o pior de toda a minha vida, hj estou grávida de 36 semanas e confesso que morro de medo de ter outro parto normal, tomo 6 comprimidos por dia de metildopa , infelismente é pelo sus e eles acham q podem fazer o que querem com a gente. Não processei o hospital, na verdade nem sei como fazê-lo e como já se passaram 4 anos eu acho q ninguém mais vai dar valor ao q passei ou as minhas palavras. Choro todas as noites com medo da HORA, nem consegui ficar feliz com essa gestação o que é uma pena pq ja tenho 2 meninos e agora é uma menininha , queria tanto estar bem pra recebê-la mas não estou. Gostaria muito de saber se os hospitais são obrigados a aplicar a anestesia pro parto normal e qual hospital ( do sus ) eu poderia conseguir essa ajuda… agradeço o tempo em que leram meu realto e espero de coração que essa violência acabe um dia…SE DEUS QUISER.

    • Gabi Sallit disse:

      Michele, muito triste o seu relato. O parto pode ser uma experiência gratificante e lindíssima. Lamento muito que não tenha sido assim para você.
      Eu tive o João pelo SUS e foi maravilhoso (http://vilamamifera.com/dadada/relato-de-parto-do-joao-a-aventura-de-nos-dois/#). Como você não mencionou em que cidade está, é difícil dizer qual o melhor hospital daí.

      Sugiro que você procure grupos de apoio, para se preparar para esta nova aventura. Visite os sites das Amigas do Parto (http://www.amigasdoparto.com.br/) e da parto do princípio (http://www.partodoprincipio.com.br/).

      • Michele Tenessi Gonçalves Bastos disse:

        Desculpe Gabi por não ter mencionado minha cidade, fiquei tão nervosa de relatar isso, é como se eu vivenciasse tudo de novo, bom eu sou de São paulo/capital. bjs e obrigada

        • Michele Tenessi Gonçalves Bastos disse:

          E quanto a anestesia, vc sabe me dizer se tem algum hospital em são paulo que atende pelo sus que pode me aplicar ??? estou morrendoooo de medo mesmo, ja li sobre várias coisas, ja tentei vídeos, e nada consegue me acalmar,,, me ajude por favor, estou desesperada :(

    • Erika' disse:

      Gabi/Michele, boa tarde!

      Tive meu filho em dezembro de 2007 também no Hospital Geral de Pedreira – onde estava apenas de 35 semanas e 4 dias, fizeram a mesma coisa …uma enfermeira( tenho até o nome da mesma) sem um pingo de educação, veio rompeu minha bolsa sem dizer nada….meu filho nasceu …não chorou e foi levado as pressas…consequência ficou internado dois dia na UTI neo devido ter convulsionado e posteriormente mais 2 dias no CTI…meu filho teve que efetuar até acompanhamento neurológico, sem mencionar que teve que usar fenobarbital até o 6 meses de idade, tudo isso por pressa para deixar os leitos vazios …. eu não considero apenas uma violência com a mulher mas também com os bebês que muitas vezes acabam pagando um preço alto pela má postura ética e profissional daqueles que nos assistem e deveriam zelar pela segurança materno infantil tanto física quanto psicológica , pois muitas vezes acabamos nos culpando. Agradeço a Deus pois hoje meu filho é saudável. Mas fica um nó engasgado por fazer justiça ….

  8. Bruna disse:

    Olá meninas,passei por violência obstétrica. Cheguei na maternidade com 2% do liquido amniótico ,me colocaram no soro,a primeira médica que fez o toque me disse que estava com 6 dedos de dilatação,me levaram pra sala de parto,não deixaram meu esposo entrar pra ver o parto dizendo que iria incomodar as outras mamães que estavam nos quartos ao lado =\ . Pedi algo pra passar a dor,porque o soro aumentou muito as contrações mal conseguia me mexer, toda hora entrava uma pessoa diferente pra fazer o exame de toque e me disseram que eu não estava com 6 dedos como a primeira médica tinha dito,disseram que eu estava com 3… Fora que depois que a enfermeira aplicou o soro,ela e mais algumas enfermeiras ficaram no meu quarto falando mal de outra funcionária…. Pedi pra tomar banho pra aliviar a dor,deixaram mais falavam q eu tava demorando muito e que era pra sair logo(isso as enfermeiras).Dilatei totalmente mais meu bb estava alto ainda,então tive que fazer força pra ele sair,quando a cabeça chegou perto da saída me falaram pra esperar,porque colocaram uma estudando e ela não tava conseguindo colocar a luva,só que não aguentei e fiz força e a cabeça dele saiu,a enfermeira colocou a mão se não meu bb ia cair no chão ,fiz mais força ai ele saiu,a menina ficou segurando e a médica falou pra ela colocar ele em cima de mim,ai quando ela colocou ele olhou pra mim e começou a sair um liquido amarelo da boca dele,tiraram meu bb de cima de mim e levaram ele,só fiquei com a menina q tava aprendendo e uma outra moça q tava ensinando ela a dar ponto ,demorou um pouco pra escutar meu bb chorar,não me falaram o que estava acontecendo,só que ele ia ficar em observação,mas que estava bem e que depois iam levar ele pra mim no quarto,pedi pra ligar pro meu marido ai ele chegou na maternidade e foi ver o bb tbm não falaram nada pra ele. Levaram meu bb pro quarto no outro dia quase no horário do almoço,tbm não me disseram nada. Ai toda hora vinha uma enfermeira furar o pézinho dele pra medir a glicose,ai uma hora eu perguntei pra enfermeira pq toda hora ficavam furando o pé dele e ela me perguntou se ele era prematuro pq esse procedimento era só com prematura e ela tava furando e não sabia pq,eu disse q ele não era prematuro que tinha nascido com 40 semanas,ai não furaram mais o pé dele……. Nossa,tô me sentindo muito triste… Eu sou mãe de primeira viagem ,moro em um estado que não conheço ninguém fora meu marido e a familia dele,fiz questão de não deixar a mãe dele me acompanhar porque a gente morava na casa dela e ela expulsou a gente de lá mesmo sabendo que eu estava grávida,então não achei que ela tinha esse direito………… As outras mamães que estavam comigo no quarto tbm disseram que os maridos não podiam ver o parto pelo mesmo motivo,sendo q não dava pra nenhuma ver o parto da outra e dava muito bem pra eles terem participado =\

  9. marli disse:

    eu tbm passei por por violencia no hospital
    eles tinham k fazer cesariana pq o canal que o bb passaraia para um parto normal estava fexado pq minha placenta nao subiu na gestaçao toda . entao eles decidiram fazer normal mesmo correndo o risco de causar uma emorragia interna com o risco ate mesmo que eu e nem o bb saisse com vida dela
    como se nao bastasse isso com a violencia que o medico puxou o meu bb depois que o cordao emroscou no pescoço dele eles puxam com muita força meu bb pela cabeça quebrando o ombrinho clavicola do meu bb
    so que eu nao fiz nada pq eu nao sabia para onde ir e falar oq tinha acontecido comigo. agora depois de 4 anos estou novamente gravida de 15 semanas e eu comfesso que estou com MEDO

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  12. Graciela disse:

    Boa noite, achei muito interessante seu blog e gostaria de saber se tem algo que posso usar no hospital para coibir os maus tratos que sofremos no hospital… Estou com 33 semanas e apavorada pois terei parto na rede publica onde já vi várias vezes mulheres sendo mal tratadas e terem que ter trabalho de pré e pós partos sozinhas, além de sofrer de vários problemas de saúde… Gostaria de saber se tem alguma lei ou algo que eu possa levar comigo na hora do parto onde prove que tenho direito a acompanhante e ao melhor parto ao meu caso, para que a vida da minha filha não sofra nenhum risco…

  13. Letícia Campos disse:

    Fernanda,

    Li sua história e fiquei realmente comovida. Eu sou estudande de Direito da Universidade Católica de Brasília e, junto com mais três amigas, vamos fazer um documentário como nosso trabalho de conclusão de curso sobre a violência obstétrica.
    Queremos contar histórias como a sua e de outras trantas mulheres que sofrem violência física e psicológica durante o nascimento do filho, momento este que deveria ser de boas lembranças, e não de sofrimento e constrangimento.
    Esperamos que a violência obstétrica seja reconhecida como uma afronta aos dieitos das mulheres e não como algo “comum e trivial”, visto que acontece com tanta frequência que a maioria das pessoas acredita que passar por esse pesadelo é o procedimento normal.
    Buscamos, não somente, o reconhecimento dessa forma de violência, mas também, um posicionamento jurídico que garanta um tratamento digno e punições para o seu descumprimento.
    Apesar da violência obstétrica acontecer a tanto tempo, só agora começaram a surgir discussões sobre o assunto. Queremos contribuir amplamente para a divulgação dessa realidade.
    Gostaria, também, de pedir sua permissão para usar seu relato.
    Me passe seu contato através do e-mail: leticia.lcg@gmail.com

  14. fernanda fagundes disse:

    olá vim até você para relatar meu parto e perguntar se vem ao caso processar o hospital.
    No dia 26/03/2013 cheguei ao hospital maternidade escola vila nova cachoeirinha em são paulo aproximadamente ás 7 e 30 da manhã para internar pois eu havia ido até o hospital na noite de domingo e já estava com 3 dedos de dilatação há uma semana e não queriam me internar,bom,chegando lá na segunda pela manhã me mandaram aguardar sendo que a médica de domingo á noite havia falado que era só chegar e eu já internaria,resumindo fiquei esperando eles acharem uma vaga pra mim até as duas tarde sendo que eu estava com 3 dedos de dilatação e muita cólica,as duas horas eu internei mas fui deixada em uma maca no corredor do pré parto porque não havia vagas nos leitos do pré parto pois estava lotado,então meu marido não pode ficar comigo pois falavam que estaria constrangendo as outras mulheres então fiquei lá no corredor mesmo até que abrisse uma vaga em um dos leitos para mim,fiquei lá deitada em uma maca escutando as outras mulheres gritando de dor o dia todo,quando depois de algumas horas veio um auxiliar de enfermagem me examinar fazer o exame de toque e eu ainda estava com 3 dedos depois de algumas horas veio uma médica que me examinou e perguntou quem estava cuidando de mim e a enfermeira disse ”ninguém assumiu essa ainda”então ela disse que iria colocar um comprimido para que amolecesse o colo do útero e que era um processo lento que poderia demorar até dois dias para que amolecesse sendo que eu já estava de 41 semanas e já estava passando da hora do meu filho nascer mas mesmo assim colocaram o comprimido e me deixaram lá,quando foi umas 18h da tarde as contrações começaram a vir muito fortes e eu estava lá sozinha sem apoio algum pois meu marido não podia entrar,foi quando veio um enfermeiro e me mandou ficar uma hora em baixo do chuveiro com toda aquela dor sozinha e eu fui,depois do banho a minha bolsa estourou eu chamei eles e eles me pediam que esperassem e mantivesse a calma porque eu tinha que esperar dilatar,eu pedi muita ajuda pedi que me tirassem dali,e os auxiliares de enfermagem vinham e diziam que o colo estava alto que o bebe estava subindo e diante de tanto sofrimento ninguém fazia nada só exames de toque todo o momento que doíam demais,quando foi meia noite meu marido pode entrar pra me apoiar as dores só pioravam e os enfermeiros só passavam como se eu não tivesse ali me pediam pra parar de gritar mas como?só Deus sabe a dor só Deus sabe o descaso que foi sem ninguém pra ajudar o auxiliar enfiou a mão toda dentro de mim pra fazer o meu colo do utero ficar fino sem anestesia alguma é normal isso?sofrer como bicho?então quando foi umas tres da manha eu estava com 9 dedos de dilatação e a cada contração me parecia que eu iria morrer sem exagero algum e eles vinham e faziam o toque uma médica não queria me levar para sala de parto porque dizia que o colo ainda nnão estava baixo e o auxiliar mandou me colocarem naquele maldito soro aí as dores aumentaram mais e eu já não sabia mais se teria força pra ver meu filho,então as 4 da manhã mais ou menos me levaram a sala de parto contra a vonntade da doutora porque pra ela ainda não estava na hora de ir mas que eu tinha que parar de fazer ‘escandalo’ para poder ir e fazer força se não eles me levariam de volta ao pré parto eu já estava esgotada tonta fraca já estava quase perdendo os sentidos,então entrei na sala de parto e comecei a fazer as forças sem anestesia alguma eles me cortaram pra o bebe passar e na terceira força eu apaguei pensei que tivesse morrido pois já não me sentia mais foi quando ouvi de longe a médica me chamando e me mandando fazer força foi então que meu filho nasceu,e foi o pior momento da minha vida pois ele não chorou e teve que ser reanimado pois já havia passado da hora e ele estava engolindo mecônio foram os segundos mais horriveis da minha vida e do meu marido que chegou logo depois,graças a Deus eles fizeram a reanimação com uma lavagem e ele deu seu primeiro choro graças a Deus e eu lá cortada sem anestesia só me anestesiaram para dar os pontos,depois disso fomos para a sala de recuperação e depois ao quarto e meu filho teve que fazer mais uma lavagem porque eu corri atras da pediatra pra que ela fizesse pois a enfermeira havia dito que ele precisava porque ainda tinha meconio dentro dele a lavagem só foi feita um dia depois q ele nasceu e até esse dia ele estava com dor e vomitando,então fizeram a lavagem e ele ficou bem ele estava e ainda está com os olhinhos vermelhos e eu perguntei para a médica o que era ela disse que era porque ele estava nervoso e isso fez com que arrebentasse uma veia disse que era normal e que passaria e não o prejudicaria em nada,fui ao hospital na segunda pra o retorno dele e a médica disse que o que há nos olhos dele foi uma hemorragia que ocorreu da força que ele não tinha e teve que fazer pra nascer..isso me cortou o coração e quero muito saber se posso processar o hospital.ele está bem mas não é justo que deixem outras mulheres sofrerem o mesmo que eu sofri.aguardo uma resposta de você.obrigado.

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